Aventuras e Desventuras Do Amor
3 Finalmente Terra Firme
Notas iniciais
Por Merlin! Muito obrigada mariFicChase, sua linda! É sério... Eu não imaginava que teria um retorno tão grande assim... Muito obrigada a todos que estão lendo! Agora aproveitem o capítulo ;)
Terra firme. Finalmente Annabeth estava com os pés na Europa, depois de horas e horas apavorantes em um pequeno barco que cruzava o Atlântico. Enquanto ela se mantinha alerta, seu maior inimigo, Percy Jackson, parecia mais relaxado que nunca, aproveitando esse tempo no mar, o cheiro de água salgada e a brisa batendo em seu rosto.
Além de brigar, durante a viagem eles fizeram amizade com os companheiros de barco. As duas moças se mostraram simpáticas. Madge Undersee, uma loira que lembrava muito a famosa atriz Dianna Agron se mostrou bem legal, mesmo tendo um ar de patricinha fresca. Enquanto isso, Rachel Elizabeth Dare era o oposto dela. Seus volumosos cabelos castanho-avermelhados estavam bagunçados e ela usava roupas que demostravam seu desinteresse pela moda. O contraste entre as duas era imenso: uma sentada sempre com a coluna ereta, falando pausadamente e corretamente enquanto a outra sentava de modo desleixado, usando gírias e palavrões.
Annabeth também trocou algumas palavras com a mulher de rosa e o papai Noel mais magro e mais jovem. Ele se mostrou bastante antipático e ela a tratou com uma falsa afinidade, apresentando-se como Dolores Umbridge.
- O que vocês irão fazer agora, meus queridos? – perguntou Dolores ao sair do pequeno barco.
- Que fim de mundo é esse? – perguntou Madge.
- Plymouth, creio – respondeu o papai Noel indiferente. – Sudoeste da Inglaterra, para aqueles que não sabem.
- Coriolanus — Dolores chamou o papai Noel com dois dedos e eles se afastaram para um canto, cochichando e combinando coisas. Ao se aproximarem novamente, ela sorriu falsamente e disse: - Creio que podemos ajuda-los.
- Ajudar como? – perguntou Rachel com sua sobrancelha ruiva erguida e mãos na cintura.
- Ah, somos daqui, sabe? Estávamos nos Estados Unidos apenas passando as férias... Enfim, podem ficar em nossa mansão até que consigam falar com a família ou arranjarem dinheiro. – ofereceu a mulher.
Annabeth semicerrou os olhos observando a mulher à sua frente. Era baixinha e gordinha, com cabelos castanhos um pouco cacheados. Dos pés a cabeça vestia rosa. Por um momento, Annabeth se perguntou se suas roupas íntimas seriam rosa também, mas logo afastou a ideia da cabeça.
- Amor – Annabeth chamou Percy com falso carinho. – Podemos conversar a sós?
- Eca, Chase. Eles já sabem que não somos namorados! – falou o moreno fazendo uma careta. – A menos que você queira realmente me namorar. Sei que sou gostoso e tal, mas...
- Venha logo, Jackson.
Eles se afastaram do grupo e logo o moreno cravou os incríveis olhos verdes na inimiga, olhando-a com um misto de repugnância, desejo e curiosidade.
- Acha que devemos confiar neles?
- Chase, me responda uma coisa – ele pediu. – Porque está me perguntando isso? Nunca colaboramos um com o outro!
- Argh! – ela soltou com nojo, balançando a cabeça incisivamente para os lados. – Jackson, meus amigos estão sabe-se lá onde e a única pessoa, desculpe, o único animal conhecido aqui é você. Mesmo tendo ódio mútuo, use a cabeça, nos conhecemos desde o ensino fundamental, é normal concordamos com algo e trabalharmos como uma equipe, uma vez na vida!
- Não. Se tratando de nós dois, não é normal uma trégua – ele quase abriu um sorriso. – Acho que devemos aceitar.
- O que? Mas não os conhecemos! E se...?
- Escute, sabidinha, vamos aceitar – ele insistiu. – Estou com fome e... Puta que pariu! Você viu aquela ruivinha? A Rachel? Porra, ela é gostosa pra cacete. Com certeza ela vai aceitar a ajuda e quero ficar o mais perto possível dela. De preferência, sem roupa e num quarto.
- Limpe essa boca, Jackson – falou Annabeth. – Pra que tanto palavrão? Meu Deus...
- Me ajuda com uma cantada nerd? – ele pediu.
- Tá mesmo pedindo minha ajuda?
- Eca! Não... – ele negou. – Bom, sim. Você já viu ela?
- Você só pensa em comer as mulheres gostosas?
- Sim. E olha... – ele passou os olhos pelo corpo da loira. – Se não fosse tão chata eu até que comia você também.
Clap. Nem um segundo havia se passado quando Annabeth deixou a marca vermelha de seu tapa no rosto do moreno. Quem ele pensava que era? Annabeth era uma moça de respeito! Mas que tarado... Esse ato foi extremamente inaceitável.
- Vamos aceitar a ajuda ou não? – repetiu a pergunta, esquecendo-se da raiva que sentia pelo moreno ou suas bochechas que insistiram em ficar num tom escarlate.
- Vamos – insistiu o moreno, sorrindo ao ver que causara certo efeito na loira.
Eles voltaram até o grupo. Madge encarava as unhas e o homem, Coriolanus, encarava o mar. Rachel estava no chão, brincando com a barra da calça e a mulher tentava, sem sucesso, desamassar suas roupas. Annabeth respirou fundo antes de contar a eles sua decisão:
- Onde vocês moram?
- Oxford, querida – ela respondeu.
- Oxford? – perguntou Percy com certo brilho nos olhos, coisa que não passou despercebida pela sua inimiga.
- Sim, Oxford. É Percy, certo? – Dolores perguntou e ele assentiu. – Então, Percy, se estivermos mesmo em Devon...
- Não estávamos em Plymouth? – indagou Percy inclinando a cabeça como um cachorrinho confuso.
- Você nasceu com essa lerdeza ou a adquiriu com o tempo, Perseu?
- Ah, querido – Dolores solta uma risadinha. – Plymouth é uma cidade do condado de Devon... Enfim, se estivermos em Devon, podemos pegar um avião ou um trem, não sei, e ir pra Oxford.
- Tudo por nossa conta – acrescentou Coriolanus. – A propósito, me chamem de Snow. Coriolanus é um nome muito extenso, não acham? – ele forçou um sorriso, que na visão de Annabeth parecia mais maníaco do que simpático.
- Com certeza – concordou Madge.
- É pra reclamar de nomes? Digam, que mãe coloca o nome do filho de Perseu? – reclamou Percy. – Mitologia grega... Puf!
- Eu acho Perseu bonito – confessou Annabeth e em seguida tratou de desviar o assunto: – Quando eu era pequena, me chamavam de Annafeiete!
- Combina com você, sabidinha – falou Percy, sorrindo falsamente.
- Vai se ferrar, Jackson.
- Meninos – interrompeu Dolores. – Nossa viagem será longa, vamos andando?
E abrindo um sorriso falsamente meigo, ela começou a andar. Os outros a seguiram, mas Annabeth em momento nenhum deixou de desconfiar daquele sorriso. Essa história não terminaria bem, disso ela tinha certeza.
--X—
As últimas horas passaram como um borrão para Hermione. A única coisa que ela lembrava era que havia água, muita água. A tempestade não cessou, pelo contrário, apenas ficou mais forte a medida que se aproximavam da Europa.
As ondas estavam fortes e o céu escuro. Hermione acordou na areia molhada de, minutos depois descobriu, Calais, na França, sorte a sua saber um pouco de francês. Ela já lera sobre a cidade em um livro. Sabia que era uma cidade do norte da França e estava localizada no Estreito de Dover, no ponto mais estreito do Canal da Mancha com apenas 34 km de largura, sendo a cidade francesa mais próxima da Inglaterra. Sabia que a parte velha da cidade estava situada em uma ilha artificial rodeada por canais e portos. Com um suspiro cansando, a castanha se lembrou da amiga, Annabeth, e do quanto ela gostaria de conhecer a arquitetura daquele lugar.
Após conseguir informação, Hermione tratou de ir procurar seu ruivo. No caminho, encontrou o corpo morto de Charles, o rapaz que dividira o barco salva-vidas com ela, nos braços de uma Silena chorosa, com nariz vermelho. Ao ver a cena, logo imaginou o pior, apressando o passo e correndo desesperada atrás de Rony.
E se ele estivesse morto, assim como Charles? Será que ela aguentaria?
Depois de alguns poucos minutos, que se pareceram horas pra castanha, ela o encontrou. Entre algumas pedras, com sangue por toda parte. Seu corpo parou. Todos seus pelos se arrepiaram e ela sentiu a temperatura cair. Não, não podia ser. Lágrimas insistiam em cair de seus olhos enquanto ela se lembrava de todos os momentos que compartilhou ao lado do ruivo.
Quando se conheceram, na primeira série, e ela esfregara na cara dele o quanto era inteligente. Na terceira série, eles eram amigos, mas brigavam sempre. Na quarta, ela confessou estar gostando de um menino, deixando-o enciumado. Na quinta, viraram melhores amigos. Na sexta, ele e Lilá ficaram, deixando-a enciumada e foi ali que ela percebeu o quanto gostava dele. E finalmente, no sétima série ficaram juntos.
Porém no primeiro anos as brigas constantes os fizeram terminar e depois de cinco meses o legume insensível já estava namorando a patricinha fútil, infantil e mimada da Lilá Brown.
Ali, olhando pro seu corpo parado, sangue saindo de sua cabeça, mais lembranças viam a tona. Lembrou-se de quando ajudara ele na pronúncia do deuxième, “segunda” em Francês: “É diuziêm, não diuziemêeee” ela dissera. Ou quando, na segunda série, Rony teve que fazer uma cirurgia e passara dias longe dela. Assim que ele voltou, ela o abraçou tão forte, mas tão forte que quase derrubava-o no chão. Ainda na segunda série, uma garota chamada Pansy Parkison praticou bullying com Mione, ele logo tratou de defendê-la na frente da sala toda! Na terceira série? Eles assistiram na escola a um filme de terror e Hermione, sem querer, pegara na mão do ruivo, assustada... E por aí vai.
Ela ainda se lembrava do primeiro beijo deles: na sétima série. Era fim do ano e estavam no ensaio geral de uma peça de teatro. Eles eram figurantes e quando Rony sussurrou no ouvido de Hermione “Você está mais bonita que a protagonista”, ela simplesmente pulou no braço dele e lhe beijou. A professora ergueu o braço falando “Ei, tem uma peça rolando aqui”, mas nada separava aqueles dois.
Sim, são momentos bestas na visão de outra pessoa, mas na hora, tudo que Hermione mais queria era revivê-los.
- Pare de chorar, garota – falou Draco Malfoy. – Se aproxime, ele não está morto.
Hermione se assustou ao ver o loiro ali. Estava tão perturbada com a visão do sangue saindo da cabeça do ruivo que não tinha percebido ele sentado num canto mais afastado, acima das pedras. Sua camisa social branca estava meio desabotoada, de modo que seu peitoral musculoso ficava a mostra (Hermione aprovou). Seus cabelos louro-acinzentados estavam completamente bagunçados e molhados.
- Porque não ajudou ele? – perguntou a castanha, ficando subitamente irritada. – É Malfoy, seu nome, certo?
- Na verdade...
- Ande! Ajude-me a tirá-lo daqui, seu inútil – ela gritou se aproximando do ruivo.
- Eu ia dizendo, que meu nome é Draco e até ajudaria... Bom, na verdade não ajudaria, mas... – ele falou na cara de pau. – Enfim, estou com uma dor filha da puta na perna. Acho que quebrei.
- Diferentemente de você, eu ajudo as pessoas – ela retrucou. – Então, assim que tirar o Rony daqui, sozinha, eu ajudo você com sua perna. Cadê aquele outro homem? Neville, né?
— Meu primo – ele riu sem humor ao falar isso. – Se me acha inútil, ele é pior! Nunca vi tão desastrado... Vim para aquele cruzeiro querendo festa, mulheres e bebida e minha mãe insiste pra leva-lo comigo.
- Não acha que é velho demais pra ter babá não, rapaz? – ela perguntou apoiando os braços fortes do ruivo nos seus ombros.
- Deixa eu te ajudar – falou Neville, chegando do outro lado. – E respondendo sua pergunta, eu não sou babá dele.
- Obrigada – agradeceu Hermione quando ele colocou Rony deitado na areia escura.
Ela analisou o ferimento. Corte profundo na cabeça, nos braços, no tórax, olho inchado... É, seu ruivo não estava nada bem. Ah, para completar ele estava inconsciente. Ela tirou a camisa dele e com a ajuda de Neville limpou e estancou o sangue, enquanto ouviam os gemidos de dor vindo de Draco.
- Acha que ela vai ficar bem? – perguntou Neville olhando para um ponto da praia.
- Ela...? – Hermione perguntou, mas logo seguiu o olhar do moreno e percebeu de quem ele falava. – Não sei. Talvez seja melhor afastá-la de lá. Ficar vendo o corpo morto dele não adiantará de nada.
- Eu vou lá – ele se levantou.
- Tudo bem, vou ajudar esse fresco com a perna – ela respondeu indicando Draco com a cabeça.
- Ei! – ele protestou.
- Calado, doninha albina.
- Doninha albina? Que diabos...?
- Cala a boca – ela ordenou. – Sua voz irrita. E para você que não sabe, ignorante, doninha albina é uma espécie de doninha, que é um animal e por acaso parece com você.
- Ei! – ele protestou novamente.
- Se você falar mais alguma coisa... – ela ameaçou quando finalmente o alcançara, em cima das pedras. – Se eu ouvir um piu, eu te jogo daqui de cima.
- Piu – ele sussurrou. Ela ouviu, é claro, mas resolveu deixar passar.
- Vou te ajudar a descer, e lá em baixo damos um jeito nisso – ela falou e quando olhou a perna do loiro, deu um grito fino e surpreso. – Caraca, tá muito inchado.
- Eu sei! Vai me ajudar a descer ou não?
Como ele era insuportável, mal educado e... Bonito! É, ele era bonito e Hermione não tinha medo de negar. Gostoso também era uma boa definição. E particularmente, esse seu jeito mal-humorado atraiu bastante Hermione. Fora seu cheiro, que mesmo depois de levar um banho de água doce e salgada, continuou o mesmo. Mas é claro, isso era apenas atração física, sua atenção ainda estava voltada para certo ruivo inconsciente na areia.
Quando Draco sentou ao lado de Rony e Hermione do outro lado, ela passou a observar os traços do ruivo. Mesmo com a testa cortada, sua expressão permanecia suave e ele sorria tranquilo. Seu tórax subia e descia lentamente. Ele estava lindo.
- É seu namorado? – Draco perguntou de repente.
- Oi? – indagou Hermione, afinal estava perdida nos próprios pensamentos.
- Perguntei se é seu namorado – ele indicou Rony com a cabeça.
- Não... – Hermione desviou o olhar.
- Mas você ama ele – afirmou Draco.
- O que você sabe sobre o amor?
- Sabe – começou ele. – Tenho 22 anos. Sou jovem ainda, tô sabendo. Mas quando tinha sua idade... 17, certo?
- 18, mês passado – ela respondeu.
- Bom, com 17 anos conheci ela. Não era uma garota. Era a garota. Ela era frágil, mas durona ao mesmo tempo e desde os meus 14 anos eu nutria sentimentos por ela. Ela era calada, passava os intervalos da escola lendo um livro e deixando seus cabelos negros caírem em seu rosto – ele suspirou sonhador. – Finalmente, aos 17 anos ela aceitou sair comigo, depois de muito bater na minha cara. E começamos a namorar, até ano passado.
- O que aconteceu? – a castanha perguntou curiosa.
- Estávamos noivos. Uma semana antes da cerimônia, ela estava na cama com o padrinho do casamento.
- Sinto muito...
- Não sinta.
- É por isso que você é tão...?
- Mal-humorado? Fechado? Grosso? Arrogante? – ele sugeriu levantando as sobrancelhas. – Talvez. Se bem que, antes dela eu já era um pouco arrogante, mas tudo bem.
- Qual era o nome dela?
- Astoria – ele respondeu abaixando os olhos. – Astoria Greengrass.
- Tem falado com ela ultimamente?
O que quer que ele fosse responder foi interrompido por Rony. O ruivo de Hermione estava acordando.
--X--
- Kat? – chamou Peeta. – Ei, linda, acorda! Kat?
Aos poucos Katniss foi recobrando a consciência. Suas pálpebras tremeram até que revelaram seus olhos cinza que brilhavam do mesmo modo que o metal. Piscou algumas vezes para reconhecer onde estava e quando o fez, desejou continuar dormindo.
Como ela queria que tudo aquilo fosse apenas mais um pesadelo. Queria estar no navio agora ouvindo as brigas de Percy e Annabeth, ou então a voz irritante de Lilá chamando por Rony enquanto Hermione imitava sons de repulsão. Nesse momento eles estariam tomando café da manhã, para depois passarem a tarde na piscina do navio ou quem sabe assistir um filme juntos durante a noite.
Mas não. Tudo aquilo que vivera foi real. O navio afundou e agora ela e Peeta se encontravam presos numa taboa, boiando nas águas agitadas do Atlântico. Nada podia ser visto, a não ser o Sol nascendo, indicando que estavam no inicio da manhã e a água tão escura quanto o céu da noite. Aquela água dava medo à Katniss. Era um medo bobo, infantil, mas quando pequena, assistira um filme com o pai onde tubarões atacavam um barquinho e no filme, a água era daquela cor. Desde então, até piscina com azulejos azul-escuros assustavam a morena.
E por conta desse medo, ela agarrou a mão do primo. Katniss tinha que confessar, Peeta se tornara um homem muito bonito. Desde pequeno eles brigavam, disputando o controle remoto da televisão ou o último biscoito do pacote. Até que eles cresceram, e como a maioria das crianças, adquiriram vergonha um do outro. Katniss falava apenas com meninas, e Peeta apenas com meninos. Com a adolescência, eles se aproximaram e viraram melhores amigos. Não havia um segredo de Katniss que Peeta não soubesse, assim como os segredos do loiro pertenciam a ela. Naquele momento, sem saber o que esperava os dois, Katniss agradeceu por estar com o primo ali e não com outra pessoa.
- Ainda bem que você acordou! – disse Peeta sorrindo.
- Dormi muito?
- Não sei – ele cerrou os olhos para tentar enxergar o horizonte. – Estou sem noção de tempo, localização... Só espero que não venha nenhuma tempestade.
- Eu só quero sair do mar – ela confessou jogando os cabelos para o lado esquerdo. – Olha para a cor dessas águas! Eu não quero virar comida de tubarão...
- Katniss, a água está clara.
- Não, não está.
- Estão mais claras do que antes – Peeta disse dando de ombros.
Ao ouvir isso de Peeta, Katniss sentiu um calafrio. Se tivessem tubarões, queria morrer logo. Se não tivessem, ela queria sair logo dali. A pior coisa do mundo para a morena era essa sensação de medo e ansiedade. É como se fosse um filme de suspense. Katniss jamais gostou de filmes de suspense.
- Onde será que estão os outros? Rony, Percy, Annabeth, Mione, Lilá...? – perguntou Peeta.
- Melhores que a gente, eu espero. Ou mortos.
- Nossa, Katniss, seu otimismo me dá câncer – ele ironizou.
- Sabe no que estive pensando? – ela perguntou e ele desviou os olhos do mar para olhar nos olhos dela. – Na minha mãe. Ela é uma vadia...
- Para de chamar sua mãe de vadia!
-... Mas mesmo assim é minha mãe – ela continuou como se nunca tivesse sido interrompida.
- Foi o que eu disse pra você, esses anos todos! E só agora você escuta?
- Sei lá – ela desviou os olhos pro mar. – Se a gente morrer, queria que ela soubesse que mesmo com todos os defeitos, mesmo depois de ter enganado meu pai, eu amo ela.
- Se a gente morrer... – ele hesitou.
- Se a gente morrer o que?
- Nada, esquece – ele abaixou os olhos.
O que Peeta estava pensando? Ele não podia falar que era apaixonado por Katniss desde os doze anos de idade. O medo da rejeição ainda era maior do que o medo de morrer sem ela saber. Por isso, decidiu ficar quieto, apenas observando o mar. De vez em quando ele arriscava observar Katniss pelo canto do olho. Os cabelos dela caídos pelo ombro, os olhos cinza carregados de tristeza, a boca rosada...
Katniss percebia que estava sendo observada, é claro, mas nem se passava em sua mente os pensamentos do primo. Ela nem se quer imagina que ele pudesse gostar dela. Até porque ela não gostava dele. Gostava como primo, como irmão, como melhor amigo, mas não desse jeito. É verdade que ele era lindo, mas nunca tinha se passado pela sua cabeça falar um “eu te amo” para ele com outro sentido.
Ela estava preocupada com outras coisas. A família dela. A mãe dela nunca foi a melhor mãe do mundo. Fazia tudo que ela queria, dava tudo que ela pedia e por mais que Katniss gostasse daquilo, sabia que no futuro acabaria se prejudicando por causa disso, sabia que viraria uma menina mimada. Então a mãe dela teve um caso com o tal Black e isso foi a gota d’água. Katniss cortou todos os laços que tinha com a mãe e passou a sentir nojo dos seus mimos. Mas ali, na tranquilidade do mar, Katniss se perguntava se não fora exagero da sua parte, passar tantos anos sem falar com ela. Isso era uma coisa de casal. Se o pai dela conseguiu esquecer, porque ela não conseguia?
Uma lágrima escorreu pelos seus olhos e percebendo isso, Peeta a abraçou. E ficaram assim observando o mar e o Sol. Num piscar de olhos ele estava no seu ponto mais alto, depois foi sumindo até a Lua chegar, e com ela as estrelas e o vento frio da noite. Adormeceram abraçados e no dia seguinte, acordaram com o Sol nascendo.
Sentiram fome, obviamente. E sede. Mas eles sabiam que na bolsa aprova d’água de Percy tinha pouca comida e não sabiam quanto tempo ficariam no mar, por isso preferiram racionalizar a comida, guardando e esperando. Quando o Sol atingiu seu ponto mais alto, a bolsa foi aberta e de lá tiraram apenas uma barrinha de chocolate e dividiram no meio.
Não tardou para a fome atingir os primos novamente, de modo que enquanto escurecia, eles devoravam um pacote de salgadinhos. Quando a noite chegou, Katniss viu o contorno de algo mais além. Não dava pra enxergar direito, mas sabia que até o dia amanhecer colidiriam com aquilo. Quando mostrou ao loiro, ele disse:
- Deve ser uma ilha. Se fosse uma cidade, seria maior. Com certeza é uma ilha.
- Habitada ou desconhecida?
- Isso eu não sei, Kat – ele respondeu. – Eu sei que estou com sono. Daqui pra amanhã devemos chegar lá, eu vou dormir.
Dizendo isso, o loiro dormiu em poucos minutos. Katniss encarou o tal contorno por alguns minutos, mas logo depois adormeceu. Quando acordaram, estavam a alguns metros do contorno. A diferença, é que agora ele não era mais um contorno.
Era uma ilha desconhecida, enfim. Com a praia enorme e logo atrás plantações. Mais atrás árvores pequenas que cresciam a medida que se aproximavam do centro. Tudo era tão lindo. A areia branca e a água praticamente cristalina, o que fez Katniss suspirar aliviada. As árvores eram extremamente verdes e algumas borboletas e pássaros voavam ao redor da ilha.
- Porque você tá colocando a mochila nas costas agora? – perguntou Peeta desconfiado.
- Eu vou nadando!
E então Katniss se jogou na água. Estava doida para senti-la. Ela era quente e calma. Os peixes nadavam tranquilos por ali e mesmo sendo fundo, Katniss não se assustou. Levantou em busca de ar e logo em seguida mergulhou novamente. De repente, sentiu alguém a abraçando por trás e encontrou Peeta sorrindo para ela. Ela sorriu de volta. Tudo aquilo era lindo, inclusive ele.
Ela se esqueceu do cansaço, da fome, do calor... Apenas aproveitou o momento. Explorando as águas e se aproximando da margem. Quando chegaram na beira e seus pés já podiam encostar no chão, ela parou, olhou pra Peeta e sorriu:
- Parece que vamos ficar aqui por um tempo. E sinceramente? Eu não me incomodo.
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