Aventuras e Desventuras Do Amor
4 De Mal a Pior
Notas iniciais
Então, pinguins, eu já disse que amo vocês? Sério, vocês são fodas! É cada comentário que recebo... E poxa, mais uma recomendação! Só com três - agora quatro - capítulos postados. Eu tô tão feliz, tão feliz com isso! Muito obrigada Uma Potterhead pela terceira recomendação! *-*
Ele ouvia vozes e por isso foi acordando. Uma, era de um homem. Ele falava de modo arrastado e com uma ponta de mágoa na fala. A outra era a voz mais doce que ele se lembrava. Era como uma melodia. O sotaque era puxado e pertencia a uma mulher. Ele até que tentou abrir os olhos, mas o Sol estava forte demais.
Quando finalmente o fez, deu de cara com uma morena jogada em cima dele e um loiro pálido sentado mais atrás. Ela não devia ter mais do que dezoito anos e inevitavelmente ele sorriu ao observá-la. De certa forma, ele sentia que já a conhecia, mas por mais que fizesse um esforço, não conseguia se lembrar de onde. Seus traços eram delicados. O rosto perfeitamente moldado, queixo perfeito, nariz fino e grandes olhos castanhos. Ela era linda, parecia uma princesa.
É claro que ele a conhecia, mas de onde? Ela sorriu de volta pra ele e o ajudou a sentar. Quando o fez, sentiu uma pontada na cabeça e uma tontura. A visão ia ficando preta e ele ia deitando novamente, mas ela o ajudou. Logo em seguida o abraçou e ao se separar franziu a testa.
– Você tá bem Rony?
– Eu? – ele perguntou confuso.
– Não, Rony McDonald. É claro que é você, pateta!
– Eu... Eu não sei. Quem é você?
– Ora, Ronald! Que brincadeira é essa? – ela perguntou irritada.
– Desculpa, mas não me lembro de nada. Eu te conheço?
– Parece que a pancada no ruivo foi forte – falou o loiro mais atrás.
– Cale a boca, Malfoy – ela disse e depois olhou pra ele novamente: — Você não se lembra de nada, nadinha?
– Não...
– Só me faltava essa – ela murmurou preocupada. – Seu nome é Ronald Weasley, tem seis irmãos e...
– Seis irmãos? – perguntou o loiro novamente.
– Já mandei calar a boca, Malfoy, ou eu mesma irei calar ela.
– Com um beijo? – ele perguntou com divertimento na voz.
– Não... Claro que não! – ela respondeu corando e Rony escutou uma risada vinda do loiro. – Enfim, Rony, meu nome é Hermione Granger.
– De onde a gente se conhece?
Hermione olhou fundo naqueles olhos tão azuis quanto o céu e percebeu o quanto sentia saudade de ver amor neles quando se dirigia a ela. Ela sentia falta do nariz dele roçando em seu pescoço ou das mensagens que chegavam em seu celular de três horas da manhã. Rony definitivamente havia perdido a memória, ela poderia dizer que era namorada dele, não podia? Podia finalmente ter seu ruivo de volta. Era a oportunidade perfeita! Abriu a boca para dizer que namoravam há um tempo, mas hesitou.
Ela não podia fazer isso com ele. Ela estaria enganando Rony e ela não queria isso, claro que não. Ela iria falar a verdade. Mas olhando pelo lado dele, como será que reagiria sabendo que Hermione era sua melhor amiga? Ele acabara de perder a memória. Não sabia em quem confiar ou o que fazer. Talvez falar a verdade o deixasse confuso. Imagina como seria ter que tratar como um melhor amigo alguém que você acabou de conhecer... Não, não, não. Hermione não forçaria nada do ruivo.
Dizendo que acabaram de se conhecer, ele poderia acabar se apaixonando por ela de novo. Poderiam ir aos poucos, se conhecendo... Um recomeço.
– Na verdade, nos conhecemos no barco salva-vidas! – ela mentiu.
– É o que? – perguntou Draco atrás dela. Francamente, ela já estava perdendo a paciência.
– Rony, este é Draco Malfoy, meu amigo antigo! E aquele – ela apontou para Neville e Silena. – É Neville, primo de Draco, e a namorada dele, Silena.
– É o que? – perguntou novamente Draco, agora rindo.
– Estávamos no navio há três dias. Até que ele afundou e viemos parar num barco salva-vidas. Passamos horas no mar e acabamos aqui. Você bateu a cabeça e provavelmente perdeu a memória. Não sei nada sobre você, a não ser o seu nome.
– Ata – respondeu o ruivo e se virou para encarar Neville.
Assim que ele fez isso, Hermione fechou os olhos e balançou a cabeça. Ela mentiu e uma mentira cabeluda. Sentia-se mal por ter falado o que falou, mas agora era tarde, a mentira já fora contada. Atrás dela, Draco ria sem parar, achando engraçada a situação inventada pela castanha.
– Mione, minha amiga antiga – ele falou. – Você pode vim aqui um instante?
Ela revirou os olhos, murmurou um “já volto” para o ruivo e foi até o loiro que estava com a perna quebrada. Agachou-se onde ele estava e levantou as sobrancelhas quando ele permaneceu calado.
– O que foi?
– Mamãe não te ensinou que mentir é feio? – ele perguntou sorrindo maliciosamente. – Vamos fazer o seguinte, você me dá um beijo e eu fico de boca calada!
– O que? Não! – ela praticamente gritou enquanto corava.
– É só um beijo, Granger.
– Não!
– Então tá! Apenas observe... – ele sussurrou e depois ergueu a voz: — Ei, ruivo, sabia que Hermione mentiu? Ela...
No desespero, a castanha se jogou nos braços do Malfoy e o beijou. Claro, com a mão na frente. Nem morta que ela iria trocar saliva com aquele nojento aproveitador barato. Não, obviamente que não. Ele riu da atitude dela e fingiu corresponder o “beijo”. Quando se separaram, Hermione fechou os olhos com força e sussurrou para o loiro, completamente vermelha:
– Por favor, Malfoy... Dá um tempo pra gente? Vai atrás do seu primo e da Silena.
– Com a perna desse jeito? – ele perguntou rindo do tom escarlate no rosto da castanha.
– Por favor.
– Tudo bem – ele concordou resmungando. – Só me ajuda a levantar.
Ela levantou e ofereceu a mão pra ele, este pegou impulso e se levantou. Antes que ela fizesse alguma coisa, roubou um beijo dela. Não um beijo. Coisa rápida, apenas para vê-la no mesmo tom vermelho de antes, era divertido. Foi apenas um selinho, mas que lhe rendeu alguns gritos e tapas. Rindo e mancando, o loiro deu a tão sonhada privacidade para Rony e Hermione. Ela, ainda furiosa, andou até seu ruivo, que estava com a sobrancelha erguida.
– Namoram há quanto tempo? – ele quis saber.
– Oh, não somos namorados! – ela esclareceu.
– O que ele quis dizer quando afirmou que você mentiu?
– Droga, Malfoy, eu te mato – ela praguejou. – Rony...
– Quem é você? – ele sussurrou e cerrou os olhos. Mione suspirou e sentou-se ao seu lado enquanto explicava:
– Desculpe-me Rony! Eu... Eu menti – gaguejou. – Eu... Desculpa!
– Porque você mentiu?
– Se eu te dissesse que sou sua melhor amiga... Você não saberia como agir, saberia? – ela perguntou e ele disse que não. – Foi por isso. Eu não queria ver essa confusão no seu olhar! Não queria que ficasse dividido entre confiar em mim ou não... Então dizendo que acabamos de nos conhecer...
– Facilitaria as coisas pra mim – ele completou. – Entendi. Então... Você é minha melhor amiga?
– Desde a quinta série – ela sorriu. – Sua cabeça melhorou?
– Porque não me lembro de nada? – ele respondeu com outra pergunta.
– Rony, não sou formada em medicina... Bom, quero ser médica, mas isso não vem ao caso – ela começou. – Eu acho que quando alguém bate a cabeça, muito, muito forte... Pode sofrer algum tipo de amnésia. Não sei se a sua é temporária ou permanente.
– Permanente? – ele gemeu.
– Podemos ir ao médico.
– Draco é meu amigo também? – ele perguntou.
– Não! Ele é um idiota... Conhecemos ele e o primo, Neville, no barco salva-vidas. Conhecemos Silena e Charles, mas não comente sobre ele com ela... A sorte dele não foi muito boa.
– O que aconteceu? – ele indagou, curioso. Pela expressão dela ele entendeu. – Que tenso.
– É... – ela concordou.
– Onde estamos? – ele perguntou.
– França.
– Você sabe falar francês?
– Fluentemente – ela respondeu.
– Eu tenho muitas perguntas sobre mim! – ele informou. – Acho que a França é um país muito bonito... Porque não vamos dar uma volta enquanto você me fala quem eu sou?
–-X--
Todas as desconfianças de Annabeth em relação a Snow e Umbridge sumiram quando ela pôs os pés na mansão deles. Bom, não sumiram, mas ela se desligou por um tempo, apenas apreciando a arquitetura do local, perfeitamente planejada. Tudo era espaçoso, mas nada vago. Cada cantinho preenchido com um detalhe. A casa era digna da atenção da loira.
O primeiro cômodo que ela entrou foi o grande hall de entrada. Havia um tapete de algum tecido caro sobre o chão branco e um lustre enorme acima deles. Um piano na direita e uma enorme escadaria a esquerda. As paredes eram amareladas, com alguns porta-retratos enfeitando-a, esculturas e vasos de planta espalhados. Tudo era tão perfeito que Annabeth passou alguns minutos para finalmente piscar os olhos, percebendo então que passara um tempo sem fazer isso, já que os mesmos ardiam.
– Então você gosta de arquitetura, docinho? – Dolores Umbridge perguntou, soltando um risinho em seguida.
– É o meu... Meu sonho – ela respondeu ainda boquiaberta. – Quem projetou essa casa? É perfeita.
– Muito obrigada – ela agradeceu, enchendo os pulmões e sorrindo. – Um grande amigo meu projetou. Dédalo... Bom, não me recordo o sobrenome dele. Mas ele é, de fato, brilhante. Fez um excelente trabalho aqui.
– De fato, fez – ela concordou.
Dolores soltou um risinho, fazendo Annabeth despertar de seu transe. O que ela estava fazendo? Não conhecia a mulher, tinha que ficar ligada em cada sinal que desse, e não elogiar a excelente arquitetura da casa.
Porém era mais forte que Annabeth. Tudo era tão bem planejado! E Annabeth amava tudo aquilo. Ela amava matemática, números, estruturas, cultura, arquitetura... Seu sonho era ser uma grande arquiteta, assim como sua mãe fora um dia. Em parte porque amava a matemática, de verdade; em parte porque queria surpreender o pai e deixa-lo orgulhoso. Mostrá-lo que estava seguindo os mesmos passos da mãe.
Enquanto isso, Percy também estava encantado com a arquitetura. Porém, era a arquitetura do corpo de Rachel. A ruiva mexera com ele de fato. Seus cabelos ondulados e olhos profundamente verdes... E o corpo? Parecia um violão perfeitamente modelado. Ela era sua perdição, seu pesadelo ruivo!
Percebendo o que se passava na cabeça vazia do moreno, Annabeth revirou os olhos, mas mesmo assim resolveu ajudar. Ele pedira uma cantada nerd, não? A loira estava tão feliz pela oportunidade de ter visto uma casa tão bem projetada que decidiu não ser tão antipática com ele, de modo que quando começaram a caminhar em direção à cozinha, ela cochichou no ouvido dele:
– Ainda quer uma cantada nerd?
– Cantada pra que? – ele sussurrou de volta, confuso.
– Sua lerdeza me comove, Jackson, de verdade – ela disse revirando os olhos. – Uma cantada inteligente pra usar com a Rachel! Ainda quer?
– Sério? – ele virou o rosto pra ela sorrindo feito uma criança que acabara de receber a primeira mesada e ela não pôde conter um sorriso.
– Bom, eu não sou perita em cantadas, até porque não sou muito de namorar...
– O que não me surpreende, afinal, falamos de você. Quem iria querer te namorar?
Mesmo não querendo, pela primeira vez na vida as palavras de Percy entraram em seus ouvidos e ficaram ecoando em sua mente. Isso era algo que ela nunca admitiria, mas ele estava certo. Quem namoraria a loira? Ela era apenas mais uma nerd, que vivia com a cara nos livros e que às vezes esquecia-se de viver. Bonita também não se achava. Os loiros fios de cabelo cacheados sempre estavam emaranhados e seus olhos... Tão sem cor! Fora seu corpo, que jamais arrancaria a atenção de alguém.
– Você não tem jeito – ela sussurrou em tom de desaprovação, mas mesmo assim com a voz trêmula.
– Tá com a voz tremendo, Chase? – ele debochou. – Vai chorar?
– Cala essa boca – ela pediu, mas ainda assim sua voz falhou.
– É triste você não ter nenhum namorado... – ele falou com falsa compaixão. – Meu Deus, Annabeth, você é virgem?
Ela corou e ele riu. Qual o problema em ser virgem com dezoito anos? Tudo bem, era incomum, mas provava que ela era diferente das outras. Provava que ela estava esperando o garoto certo. Só teve um namorado, Harry Potter, que durou do nono ano até o segundo, mas eles terminaram e agora ele namorava a irmã de Rony, Gina, que era um ano mais nova. De qualquer jeito, ela não o amava tão intensamente para compartilhar algo tão especial assim. E jamais iria pra cama com qualquer um no desespero de sair do grupo dos virgens.
Temendo que fosse tarde demais, optou pela resposta mais irônica que conseguiu formular:
– Não, nasci no fim de Janeiro, sou aquário.
– Demorou demais – ele declarou, ainda sussurrando. – Perdeu a moral.
– Mas...
– Perdeu moral – ele repetiu e Rachel, que estava próxima o suficiente para ouvir a discussão dos dois, abafou uma risada com a mão.
– Idiota – ela respondeu e sentiu os olhos ardendo.
– Você pegou pesado – Rachel sussurrou para o moreno.
– Foda-se – ele respondeu.
Finalmente chegaram na cozinha, mas Dolores ordenou que continuassem andando. Annabeth, mesmo com pensamentos longe, pensando em que tipo de menino ficaria com ela, ficou alerta àquilo. Logo perguntou porque continuariam andando e pra onde, recebendo um olhar irritado da mulher. Estava tão ligada a esse fato que nem observou a decoração dos cômodos.
Até que chegaram no quintal de trás da casa. Bom, não era exatamente um quintal. Era um quarto grande, mas sem teto e no canto esquerdo havia uma cabaninha. Não havia saída, exceto a porta que todos entraram. Porta esta que estava sendo trancada, deixando Annabeth, Percy, Rachel e Madge presos ali.
Por pouco fumaças não saíam da cabeça de Annabeth, de tanto que ela formulava estratégias de fuga. Estava acostumada a pensar rápido e não deixar o desespero tomar conta de sua mente em horas de perigo. Passara horas treinando lógica, era capaz de encontrar uma saída.
Poderiam pular o grande muro cinza, é verdade, mas Annabeth tinha quase certeza que algo do lado de fora do muro os esperava. Poderiam arrombar a porta, mas algo do lado de fora também provavelmente os esperava. Poderia achar alguma pedra e acertar a cabeça de Dolores assim que ela entrasse, mas achou mais prudente sentar no chão e esperar a chegada de alguém com mais informações.
Enquanto isso, Madge chorava desesperadamente, percebendo a roubada que havia se metido, enquanto Rachel batia na porta com todas as suas forças. Percy olhava o céu e sorria feito um retardado, sem saber direito se estavam em encrenca ou não.
Sua mente logo vagou para o corpo de Rachel e ele sorriu, imaginando como ela seria em sua cama.
– Jackson – chamou Annabeth lá do chão. – Vem aqui.
– Que foi? – ele se ajoelhou.
– Eu sei que você é lerdo, mas... Tem noção do que está acontecendo? – indagou.
– Acontecendo aonde?
– Já imaginava – ela sorriu, mas depois adquiriu uma expressão sombria: — Estamos ferrados, Perseu.
– Ferrados como?
– Ferrados do tipo presos na casa de completos desconhecidos sem saber exatamente o que poderá vim a acontecer com a gente.
– Sério? – ele perguntou.
As palavras da loira entraram em seus ouvidos e ele percebeu que a coisa era séria. Decidiu deixar o posto de menino lerdo de lado e agir. Ele admitia que se fazia de lerdo, às vezes, só porque era mais fácil do que raciocinar. Em parte por isso e em parte porque era extremamente divertido ouvir Annabeth bufando e explicando pra ele as coisas.
– Primeiro a gente espera eles entrarem, nos dar comida e informações necessárias – ele falou sério. – Depois pulamos o muro. Acho que se ficar em pé no telhado da casinha, dá pra ver o outro lado.
– Uau, Jackson – Annabeth falou, impressionada. – Nunca achei que sua mente fosse capaz de tanto.
– Eu tenho meus momentos.
– E porque você está compartilhando seu plano comigo? – ela indagou. – Achei que me odiasse.
– Odiar a ponto de te deixar aqui?
– Eu te deixaria – ela confessou.
– Sei que não faria isso.
– Pior que faria – ela riu.
– Céus! Você não tem coração... – ele disse e riu em seguida. – Olha, eu não sou muito de fazer isso, mas acho que vai ser preciso agora...
– O que?
– Poderia não me interromper? – ele pediu. – Como você disse na praia, eu sou o mais próximo de amigo que você tem aqui. Assim como você é... Quase uma amiga.
– Eu não sou sua amiga – ela esclareceu. – Nem disse que você era meu amigo! Só disse...
– Eu sei – ele suspirou. – Que nos conhecemos desde pequeno. Admita, Chase, você está agradecendo aos céus por me ter aqui ao seu lado.
– O que? – ela berrou, descrente. – Não!
– Não? – ele ergueu uma sobrancelha. – Pois eu estou.
– Tá?
– É... – ele disse e corou em seguida. – Por causa desse negócio... De ser quase amigos. Enfim, aproveitando o momento que minha lerdeza não está me comprometendo... Primeiro eu queria me desculpar. Sabe... Por causa do que disse minutos atrás.
– O que você disse minutos atrás? – ela fingiu-se de desentendida.
– Esse negócio de lerdeza só cola comigo, sabidinha – ele disse e piscou. – Estou propondo uma trégua. Temporária.
– Trégua? – ela perguntou e riu: — Eu aceito, mas sabe que isso não vai durar mais do que algumas horas, não sabe?
– Com toda certeza – ele riu. – O que nós vamos fazer agora?
– Vai controlar a Rachel – ela sorriu de canto. – Posso tentar fazer com que a Madge não entre na casinha por alguns minutos e você pode...
– Você falando isso é tão engraçado! – ele começou a rir. – Desculpe.
Ela revirou os olhos como resposta, mas acabou rindo também. Obviamente, ela sabia que ele continuava o mesmo idiota e que em menos de algumas horas estariam brigando como cão e gato novamente. Era sempre assim. Mas por enquanto, decidiu aceitar a trégua, concordando com o moreno: eram quase amigos e ali, precisariam um do outro, enfim.
–-X—
Os rostos do loiro e da morena estavam laranja, devido ao Sol refletido neles. Era extremamente lindo ver o encontro daquela enorme bola laranja com o mar tão azul quanto o céu. Era perfeito. Tudo estava silencioso e calmo, o único som que era escutado era das ondas indo e vindo com calma e do vento balançando as folhas mais atrás.
Peeta estava maravilhado com aquilo. Primeiro, aquele laranja – o laranja do pôr-do-sol -, era sua cor favorita. Segundo, aquela garota que estava ao seu lado – a morena dos olhos cinzentos -, era sua prima favorita. Mais que isso, o amor da sua vida. Desde pequeno sentia algo por ela, algo forte. Isso era completamente insano, é verdade. Eles eram primos, de sangue. Como poderiam ficar juntos?
Mas a vida não é justa, nem lógica. O destino se encarregou de castigar Peeta por ter roubado a chupeta da prima aos dois anos e posto na própria boca. Sim, castigou. Que castigo pior do que ter o coração acelerado ao ver a morena com as tranças balançando e sentir um frio na barriga? Que castigo pior do que começar a gaguejar quando a própria prima dizia um simples eu te amo pra ele? Que castigo pior ser forçado a dormir no mesmo quarto que ela algumas vezes, no colchão de baixo, e ter as mãos suando toda hora? Não... Peeta Mellark estava apaixonado por Katniss Everdeen, sua prima, e esse romance jamais seria visto a bons olhos da sociedade.
Se de fato existisse um romance... Porque Katniss parecia ser cega. Ela não percebia os milhares de sinais que ele mandava pra ela. Até a pequena Prim, que nada entendia sobre o amor ainda, já sacava qual era a do loiro para com sua irmã.
Ele olhou para o rosto dela pelo canto do olho e sorriu. Sua cor favorita no rosto de sua pessoa favorita. Seus cabelos estavam secos, devido ao sal da água, mas ela continuava extremamente bonita. Era tão engraçado o fato de que mesmo sem maquiagem ou sem se arrumar, a prima continuava com uma beleza indiscutível. Observando seu rosto, Peeta percebeu que a morena tinha começado a tremer.
– Tá com frio? – ele perguntou.
Ela demorou um pouco pra responder, até que sua voz saiu rouca e baixinho:
– Um pouco.
– A gente devia acender uma fogueira – ele sugeriu. – Daqui a pouco escurece e ficará mais frio ainda. Você pegou alguma roupa seca?
– Só tem um moletom aqui pra mim da Mione e um short do Percy pra você – ela respondeu.
– Eu acho melhor você ir tirar esse vestido molhado – ele advertiu. – Vai acabar gripando, Kat.
– Mas eu não trouxe nenhum short – lamentou-se. – Ah, esquece. Você é o Peeta.
– Que? – ele questionou.
– Sabe, meu priminho. Não tem problema ficar só de moletom e calcinha perto de você – ela respondeu e ele sentiu a testa suar.
– Enten... Entendi – ele gaguejou.
– Você deveria trocar de roupa também – ela aconselhou. – Toma o short.
– O que mais você pegou aí? – ele perguntou olhando para a mochila aprova d’água.
– Hum – ela respondeu e começou a tirar objeto por objeto: — O moletom e o short... Meu celular, mas tá sem sinal. Dois pacotes de salgadinho, mas já comemos um. Barrinhas de chocolate. Garrafa de água, mas tá sem água, já que tomamos tudo. Protetor solar, repelente... Um batom e nem me pergunte por que peguei isso. Tem uma toalhinha de rosto e a corrente que você meu nos meus quinze anos.
– Porque você trouxe a corrente?
– Porque é importante pra mim – ela respondeu e ele sorriu.
Então ela puxou o zíper lateral do vestido que tinha e puxou corpo afora. Peeta tratou de desviar o olhar e tirar a blusa social que também vestia. Tentou muito, muito mesmo não olhar pro corpo da prima – que estava vestido apenas com uma lingerie vermelha, quase laranja (a cor favorita dele). E conseguiu, em respeito a ela. Tirou a calça e colocou o short. Quando virou para ela, ela estava concentrada na bolsa, então não viu que rapidamente ele passou os olhos pelas pernas à mostra dela. Tentou desviar o olhar, mas sempre acabava espiando de novo, até que ela falou:
– Pelo menos ainda tem Pou no celular.
– Você joga pou? – ele perguntou.
– O que tem? É legal – ela respondeu sorrindo.
– Não, Katniss, não é legal pra alguém que tem dezoito anos.
– É sim! – ela afirmou e ele riu. – E cale a boca.
– Tá, parei – ele rendeu-se. – Tem alguma ideia de como fazer uma fogueira?
– Não é só pegar uns pauzinhos e esfregar uns nos outros? – ela perguntou, mas depois seus olhos brilharam com malicia.
– Para de ser pervertida, Katniss! – ele pediu e ela gargalhou. A risada dela era contagiante, de modo que ele começou a rir também. – Não tem jeito...
– Já sei o que podemos fazer com o celular! – ela disse, praticamente gritando. – Tirar fotos pra mostrar para Annie depois.
– Se a gente reencontrar a Annabeth, né? – ele perguntou. – Se sairmos daqui. E se ela não tiver morrido.
– Quem é o pessimista agora? – ela brincou e ele soltou uma risada pelo nariz. – Será que ela teve a mesma sorte que a gente? De parar em algum lugar com algum conhecido?
– Quando as pessoas começaram a se desesperar, ela estava na mesa do restaurante com Percy – ele lembrou. – Ela deve estar com ele. Ela teve sorte, enfim.
– Sorte? – ela brincou. – Esqueceu que o Percy a odeia e vice versa?
– Annabeth pode odiar o Percy, mas ele não a odeia.
– E como você tem tanta certeza?
– Ele é meu melhor amigo, Kat. Um dos, quero dizer – ele explicou. – Eu o conheço, e posso afirmar: ele não odeia Annabeth.
– Ele também é um dos meus melhores amigos! – ela disse.
– Você é homem?
– Não, mas...
– Então pronto – ele a interrompeu. – Sabemos dessas coisas. E já conversamos sobre isso.
– Então porque ele vive xingando ela?
– Porque segundo ele a expressão zangada dela o diverte, por um motivo desconhecido.
– Desconhecido, né? – Katniss brincou. – Quando vão perceber que são apaixonados um pelo outro? – ela resmungou. – Eles são tão cegos.
– Eles não são os únicos cegos aqui... – ele murmurou, ela não ouviu, mas viu sua boca se mexendo.
– Que?
– Nada – ele respondeu apressado. Teria ela ouvido alguma coisa? — Vamos achar madeira para a fogueira.
– Quer mais madeira do que essas árvores aí?
– Pedaços de madeira, Katniss – ele esclareceu. – Ah, e folhas.
– Pra que?
– Deve ajudar – ele deu de ombros. – Eu nunca fiz uma fogueira!
– Cuidado pra não pegar folhas venenosas...
– Existe isso?
– Não sei... – ela respondeu mordendo os lábios. Peeta sentiu algo com isto. – Sabe o que eu sei?
- O que?
- A gente tá ferrado.
Notas finais
Eii potterheads, de que casa cês são? Eu sou lufana o/ Falando em HP, podem dar uma passadinha numa short-fic (cinco caps só) da terceira geração Potter?
Link: http://fanfiction.com.br/historia/392217/O_Ultimo_Relato_De_Dominique_Weasley/
Beijinhos, pinguins *-* Ah, e lembrem-se: eu sou uma pessoa muuito carente! Comentem, sim?
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