Aventuras e Desventuras Do Amor
8 Eu Quero Beijar Você
Notas iniciais
Eu acho que demorei. Deuses, desculpa. E... Eu não consegui escrever esse capítulo curto '-'
E... Dividi ele em CINCO partes! *-*
A primeira parte é uma introdução geral, da situação dos três casais.
A segunda parte é Katniss e Peeta e... Acho que vão gostar, hehe ^^
A terceira parte é Percy e Annabeth e... Acho que vão gostar, também.
A quarta parte é Draco e Hermione e Rony... Fãs de romione vão gostar :)
A quinta parte é Katniss e Peeta de novo e... É isso.
Eu realmente espero que gostem ^^ Especialmente Náthali Lima que veio com a nona recomendação da fic =D Eu amo vocês, velho. Hehe.
PS: Ainda não revisei o capítulo.
Passaram-se três dias. Annabeth e Peeta, em suas diferentes localizações só sabiam chorar. A loira, por causa do Percy entregue às drogas e o loiro, por preocupação com a prima. Enquanto Annabeth havia formado laços com as outras duas loiras ali, formando o trio loiro, as patricinhas de Beverly Hills, Peeta estava numa situação no mínimo preocupante. Achava hora ou outra uma fruta caída em algum lugar e bebia água da chuva, mesmo correndo o risco de ser chuva ácida novamente.
Percy e Rony, também em suas diferentes localidades e problemas, estavam confusos. O ruivo, toda a noite sonhava com Hermione e um garoto magricela de óculos pretos cobrindo os olhos verdes. Ele não sabia se era sonho ou uma memória, e não podia perguntar para a castanha, já que esta estava mais distante que o Japão. Percy, por outro lado, sabia que não era certo se envolver com as drogas, mas era bom. Era bom fugir dessa realidade terrível e ir para uma dimensão vizinha onde Snow não o assustava e Annabeth não o magoava. Porém, quando estava lúcido, ele se perguntava se era a escolha certa. Ele não era um viciado, parava a hora que quisesse – pelo menos, era o que dizia.
Hermione e Katniss estavam em diferentes hemisférios na escala felicidade. A castanha havia formado um laço forte com Draco e curtia os pontos turísticos de Paris com ele. Já Katniss, tinha o sangue saindo pelas pernas, sem água, jogada no chão, sem conseguir se mover. Ela estava a um passo entre a vida e a morte.
–-X—
Nada podia medir a infelicidade que Katniss Everdeen sentia naquele momento. O navio dela afundou, ela podia morrer sem dizer pra mãe que amava ela, bebeu chuva ácida, passava sede, sozinha e estava menstruada, embora o último já estivesse acabando.
Ela estava procurando comida quando caiu no chão de areia e folhas da ilha. O ar estava frio, mas mesmo assim ela suava; talvez estivesse com febre. Era madrugada, provavelmente; não estava escuro, mas também não estava claro. A visão de Katniss estava turva, portanto, não conseguia ver o céu e mesmo que a vista estivesse completamente normal, seria impossível ver a Lua através das folhas das palmeiras que a cobria. Nenhum som era ouvido e mesmo se fosse, Katniss não ouviria, pois estava tão isolada do mundo e perdida em seus pensamentos, seus medos, que era praticamente impossível ela reagir a uma resposta externa. Ela estava numa trilha, com as árvores a cercando, areia fria e o silêncio aterrorizante da noite ecoando pelos cantos.
Começou a chorar. Chorar por medo de escuro, por estar sozinha ali, por medo de aparecer algum bicho ou até mesmo medo de morrer. Chorou porque não conseguia levantar, porque sua visão estava turva e chorou porque não conseguia pensar tão claramente quanto antes; os medos embriagavam seus pensamentos. Fora a sede e a fome.
Como se por um milagre, exatamente como nos filmes, um raio cortou um céu, iluminando seu redor – embora não tivesse muito a ser visto. Depois do raio, a chuva caiu e a morena abriu a boca, pela primeira vez. Chovera outras vezes, óbvio, mas ela tinha medo de engolir chuva ácida. Dessa vez, entretanto, a sede falou mais alto. Depois que a sede passou, veio a fome e assim continuou. Não tinha forças pra procurar nem esperanças de achar.
Katniss morreria ali, era o fim. Estava na cara. Sozinha, não conseguiria suportar. Chorava a cada instante, mas sem forças de soluçar e sem água para derramar pelos olhos acinzentados como o céu nublado; céu este que ela já não mais enxergava. Tudo doía. A pele ardia devido aos dias debaixo do Sol e seus lábios estavam preocupantemente rachados, fora as dores musculares de andar dia após dia e dormir no chão, sem Peeta ali para lhe fazer uma massagem.
Ela gostaria do primo ali. Seria tão mais fácil lidar esse problema com ele. Mais fácil esquecer que não tinha mais ninguém ao seu redor, quando ele estava à sua frente. Era mais fácil suportar a sede quando ela via que Peeta fingia estar tudo bem. Era mais fácil lidar com a saudade de casa quando alguém da família estava ali. Era fácil lidar com o frio, tendo alguém tão quente quanto Peeta ali por perto.
Katniss, com todas as forças queria morrer e se morresse, morreria se achando uma completa megera. A que deixou a TPM a afastar de seu primo e melhor amigo, a que sempre brigou com a mãe. Katniss só queria poder voltar no tempo e refazer cada erro, então poderia morrer numa boa.
Então ouviu. O som da esperança, o som que fez o coração – que estava quase parado – acelerar novamente. Seu nome sendo chamado desesperadamente por uma voz grossa. Peeta. Ela sorriu, embora os músculos da sua face doessem. Depois de três dias, o primo ainda a procurava.
– Katniss! – a morena ouviu mais uma vez.
O problema é que ela não tinha força para responder. Tentava, mas estava fraca, frágil. Acabou revirando os olhos e desmaiando, embora tivesse certeza de ainda estar parcialmente consciente; ou seria um sonho? Katniss ouvia tudo, apenas os olhos não permaneciam mais abertos. Mantenha-se presente, Katniss– ela falava pra si mesma – É assim que a morte vem e te leva. Parecia cada vez mais distante, entretanto lutava para permanecer ali, para ser encontrada por Peeta.
Ouviu passos chegando e tentou gritar o nome do primo, mas não conseguia. Então, tão rapidamente quanto veio, Peeta se foi; ele tinha ido embora. Katniss fez esforço pra chorar, mas não conseguia. A vida da morena estava uma bosta.
Quarenta minutos depois, Katniss não sabia dizer se estava acordada ou se estava devaneando, se estava dormindo ou acabara de acordar. Tudo parecia tão confuso. O sangue já não saía mais por entre as pernas e ela não tinha certeza se estava ou não escutando alguma coisa.
– Katniss! – ouviu, tão distante...
– Peeta – os lábios dela formaram o nome dele, mas não passou de um sussurro.
– Katniss! – ele continuava gritando, a voz cada vez mais alta.
A morena não sabia se era alucinação, mas ele estava ali, correndo na direção dela. O peito nu sujo de terra, com uma pétala rosa na cabeleira loira, o short de Percy e a bolsa de surf, também do moreno, pendurada nos ombros. Ela não tinha nem forças pra sorrir. Fechou os olhos e escutou Peeta desabar ao seu lado. Por um momento, eles não falaram nada. Ela, sentindo-se culpada, mas os pensamentos longe; ele, chorando e agradecendo por ela estar ali.
– Katniss... – ele suspirou, levantando o rosto vermelho e molhado devido as lágrimas. – Eu estava com tanto medo.
Ela não conseguia falar nada. Abriu a boca, mas sua garganta coçava pedindo por água. O corpo, fraco pedindo por comida. Peeta tirou da bolsa de Percy a garrafa de água e a ajudou a beber. Depois, entregou uma fruta para a morena mesmo que, no mesmo instante, ela tenha colocado tudo pra fora. Comeu de novo e Peeta descansou a cabeça dela em seu colo.
– Depois da nossa briga, eu achei a praia de volta. Eu estava no caminho certo – ele explicou e Katniss revirou os olhos. – Então peguei a bolsa. Toda vez que chovia, enchia a garrafa com uma folha. Toda vez que achava alimento, guardava. Sabia que precisaria.
Katniss apenas assentiu, ainda sem forças pra falar. Peeta nunca a havia visto tão frágil. Ele fez um carinho em seu rosto e ela segurou a mão dele, começando a chorar em seguida. A morena estava assustada.
– Katniss, você vai ficar bem – ele prometeu.
– Fica aqui, fica comigo – ela pediu num fio de voz.
– Sempre, Katniss Tonks Everdeen.
Ela sorriu e tentou se sentar, mas só conseguiu com a ajuda dele. Ela se sentia tão inútil, tão vazia, dependendo do primo para atividades simples como se sentar. Entretanto, não deixaria o orgulho ser uma parede; ela precisava de ajuda, não a recusaria.
– Sempre, Peeta Tonks Mellark – ela concordou. – Me desculpe pelo que falei...
– Era a TPM, Kat. Não force sua voz – ele mandou. – Durma.
Ela encostou a cabeça no ombro dele e dormiu. Ele também dormiu. Ambos aliviados por ter a presença um do outro novamente. Quando ele acordou, viu que Katniss tinha dificuldade para respirar. No começo, ele não se preocupou, mas em seguida ela começou a tossir, estava sufocada. A morena abriu os olhos e vomitou, o corpo inteiro tremendo e suando.
Peeta não sabia o que fazer. Ela não conseguia respirar, não conseguia puxar ar. Então, a ideia mais maluca da face da terra passou pela cabeça dele e por incrível que pareça, deu certo. Ele tapou o nariz dela e fez respiração boca a boca. Por um tortuoso minuto, ela continuava ofegante, mas sua respiração começou a se normalizar.
Peeta se afastou dela, mas sem se afastar completamente; os rostos deles estavam próximos o bastante para que suas respirações se misturassem. Ele sentiu seus órgãos se contraindo e um frio invadir o pé da barriga, ela olhava com os olhos marejados diretamente para os olhos, também marejados, dele.
A surpresa maior não foi o boca a boca ter dado certo e sim, ela ter puxado ele para um beijo. Quer dizer, ela colocou as mãos no pescoço dele, roçando com seus cabelos loiros, mas fora iniciativa dele juntar os lábios, ele quem se inclinou procurando a boca dela e ele quem pediu passagem para sua língua, mas beijo não seria beijo se ela não tivesse cedido. E ela cedeu. Katniss Tonks E. correspondeu o beijo de Peeta Tonks M.
Nenhum dos dois poderia dizer que aquele havia sido o melhor beijo de todos – até mesmo Peeta. Aquele beijo foi diferente de tudo que ele havia imaginado. Foi um tanto nojento, até, considerando o fato que ambos não escovavam os dentes há... Uma semana? Duas?
Porém, mesmo não sendo o melhor beijo de todos, com certeza a sensação que ambos sentiam durante ele era sim a melhor coisa do mundo.
–-X--
Naquele meio-dia, a porta foi rudemente escancarada. Snow, furioso, procurava Percy, após tentar se comunicar com a família dele, sem sucesso. Ele estava irado, pois havia notado que o número que Percy dera era falso. Ele carregou sua arma e sem se dar ao trabalho de escondê-la, adentrou o local, fazendo Luna ter calafrios, lembrando-se do tio Haymitch, que ainda estava ali, porém coberto por um largo pano verde-água. O cheiro que subia era horrível e só ajudava Luna a lembrar-se de que nunca mais veria o tio. Ele era tão parecido com Xenofílio, seu pai... E agora, os dois estavam mortos.
– Onde está aquele moleque? – ele perguntou.
Annabeth, que fazia trancinhas em seu cabelo esperando Luna sair do banho, desencostou-se da parede e olhou confusa para o velho homem. Ele estava gordo, a barba maior que o habitual e a arma preta em mão. Parecia sair fumaça de suas narinas. Ao falar moleque, era óbvio que se referia a Percy, e Annabeth esticou a coluna, tensa e com medo.
Percy, graças a Deus, consciente, foi confuso até a voz do senhor. A barba do garoto estava começando a crescer e ele tinha profundas orelhas, mas ainda era indiscutivelmente bonito. Ele estava sem camisa e cruzou os braços ao chegar perto de Snow. Talvez não estivesse tão consciente assim.
Snow cuspiu o chão ao seu lado, ele estava com muita raiva e uma onda de compreensão passou pelo rosto de Annabeth. Snow puxou o gatilho e prevendo o que ia acontecer, Annabeth se jogou na frente de Percy, suplicando:
– Espere! Não o mate, por favor.
Ela não sabia de onde viera essa necessidade de mantê-lo a salvo. Porém a ideia de ver sua vida ser tirada ali, com uma arma, bem na sua frente, lhe pareceu horrível. Ela não podia deixar nada acontecer.
– Está querendo morrer também? – ele perguntou e ela sentiu os olhos ardendo, porém mantendo-se firme, falou:
– Se for preciso...
– Chase – sussurrou Percy no ouvido da loira, os lábios colados ali. – O que está fazendo?
Ela espremeu os olhos deixando as salgadas lágrimas escorrerem livremente por seu rosto branco de porcelana. Estava assustada, mas não o abandonaria; principalmente numa situação onde ele mesmo o havia abandonado. Percy não estava entre eles, não naquele momento.
– Que desperdício – lamentou-se Snow e disparou a arma.
Não sabia o que era; reflexo, necessidade de mantê-lo vivo, tudo junto... Mas ela se jogou alguns milésimos de segundos antes do real disparo. Então, caiu no chão. Antes mesmo de reagir ao impacto do corpo com o duro concreto, outro tiro, do lado de seu pé. Annabeth olhou pro lado, assustada e encontrou o braço do inimigo sangrando. Logo depois, a expressão do Jackson transformou-se em puro pânico, dor e desespero. Um tiro havia lhe acertado o lado esquerdo, especificamente, o pé.
– Estou lhe dando uma chance – avisou Snow. – Vai sair da frente ou não? Você é gostosa, garota, e muito bonita. Daria bem em Vegas, caso os seus pais não queiram pagar nada... Não desperdice essa chance.
– Eu não vou sair – ela cerrou os dentes, aninhando-se nos braços de Percy. – Afinal, porque essa implicância com ele?
– Ele deu o número de casa errado.
– Peça para meu pai pagar o resgate de Percy também.
– Ele já teve sua chance – ele disse, apontando a arma novamente para os dois.
– Peça para o meu pai pagar – ela repetiu, de dentes cerrados.
– Você tem atitude – ele disse. – Ou é muito estúpida. Entretanto, dessa vez teve sorte...
Dizendo isso, saiu. Percy suspirou aliviado e ela virou-se completamente, dando um abraço apertado no inimigo. Ela chorava, soluçava de medo. A possibilidade de perdê-lo, de não ter alguém lhe irritando a todo instante ali, a assombrava. Fora o medo acumulado de perdê-lo para as drogas. Aquela era a prova que ambos precisavam: do mesmo modo que ele se importava com ela, ela se importava com ele.
– Annabeth, calma – ele pedia, passando as mãos nos cabelos dela. Parecia estar entre eles, enfim.
– Você quase morreu – ela soluçou e ele sorriu. – Não faça mais isso, Percy.
– Você se importa?
– Seu grande imbecil – ela xingou, separando-se e batendo nele. – É claro que eu me importo.
– Para de chorar – ele pediu, limpando uma lágrima dela, feliz com a confissão dela. – Você é ridícula.
– E você é insuportável – ela falou, mas ambos sorriam.
Ela queria abraça-lo novamente. Para ter certeza que ele estava a salvo ou simplesmente para ter a sensação de seu abraço novamente. Nunca havia feito algo do tipo com o moreno e ela percebeu que Percy era forte, mas não muito, apenas o suficiente para fazer qualquer – qualquer mesmo – garota perder o ar.
Porém ela não o fez, apenas encarou seus olhos verdes. Ela estava aliviada em poder olhá-los ali. Cortando o pequeno clima de trégua que havia sobrado, ele pigarreou e desviou o olhar. Ela tinha uma pergunta em mente, mas estava com medo de fazer. Se a resposta fosse positiva, ela sinceramente iria lavar as mãos. Antes de abrir a boca, ele fez uma careta de dor.
– O que foi? – ela perguntou preocupada.
– Não dá pra mexer o pé – ele respondeu, os olhos levemente marejados.
– Eu estava fazendo um curso de enfermagem – anunciou Madge, aproximando-se. – Sabe, posso tentar alguma coisa...
– Eu agradeceria – ele respondeu.
– Mas você vai ter que parar com as drogas.
– Jackson? Você vai parar com esse negócio de drogas, não vai? – perguntou Annabeth, tímida, enquanto ele abaixava a cabeça e negava. – Como assim?
– Annabeth, se eu estivesse drogado agora, teria sido muito mais fácil pra mim lidar com o medo de morrer, não acha?
– Não, não acho! – ela retrucou. – Estou falando sério, Perseu, nem ouse.
– Você não manda em mim! – ele falou.
– Merda, Percy, merda. É para o seu bem.
– Cala a boca! – ele gritou e as garotas olharam para ele, assustadas. – Que merda. Cuida da sua vida.
Apressado para não ser mais o foco de atenção, levantou-se, mas seu rosto contorceu-se em uma careta de dor, devido a bala no pé. Madge, suspirando, prometeu ajuda-lo e com a ajuda de Rachel, entraram na casinha.
Annabeth abraçou os joelhos e passou a observar um ponto fixo do chão. Havia um buraquinho ali e uma formiguinha rondava ali. Engraçado como juntas elas andavam em filinhas, mas quando separadas, pareciam perdidas. As formigas não eram tão diferentes dos humanos, enfim. A loira ficou no mesmo canto que fora deixada, chorando. Aquilo não podia estar acontecendo. Ela não sabia porque, mas não podia, Percy não podia se entregar daquele jeito, não podia estar de acordo com aquilo. Não podia deixar Annabeth virar uma formiga perdida. Ela deveria estar com raiva, mas ela só conseguia chorar, desejando que o moreno voltasse a ser quem era antes.
Depois de alguns minutos, ela se deitou, apoiando a cabeça do braço direito e viu Luna sentar ali, com os enormes cabelos quase brancos molhados e de calcinha e sutiã. Ela realmente não tinha muito juízo.
– Quando meninos estão assim, não adianta nem falar – ela disse o óbvio com sua voz doce. – Eles são estranhos. Digo, os meninos.
– Luna, agora não – Annabeth pediu, fungando.
– Percy está viciado.
– Luna... – Annabeth disse e o pedido em sua voz era claro. – Não fala nada, por favor.
Não que ela não quisesse a companhia de Luna, mas ela era um pouco... Lunática. E, naquele momento, ela estava voando entre Marte, Vênus e as estrelas. Tudo que falasse não faria sentido, apenas pioraria a dor de Annabeth.
– Vou ver se tem pudim ali – ela falou e se afastou, mas não para procurar pudim. A loira ficou encarando o muro cinza, como se ele fosse a coisa mais interessante do mundo.
Depois de um tempo, dormiu, assim como Annabeth. Foi um cochilo rápido, sem sonhos, mas quando acordou o Sol já não estava tão forte como antes. Madge e Luna estavam conversando num canto, mas Annabeth não estava afim de participar da conversa. Então, entrou na casinha, afim de tomar um banho. Jogada, no tapete da sala, estava Rachel. A última vez que Annabeth a vira acordada, ela não saberia dizer.
Entrou no banheiro, e lá estava Percy, chorando com a perna enfaixada. O coração da Chase murchou e ela não sabia o que fazer. Os olhos verdes dele estavam vermelhos e ele parecia tão frágil. Seu corpo, levemente mais pálido, estava ficando magro.
– Percy... – ela sussurrou, a voz falhando.
– Aninha! – ele saudou. – Participe da festa, minha amiga. Olhe, eu tenho barba.
– Oh, Percy – ela agachou-se e passou a mão em seu rosto. Até agora, ela não havia o visto daquele jeito.
O moreno inclinou-se para frente e vomitou. Annabeth não sabia o que fazer, mais uma vez. Aquilo estava irritando a loira, não saber nunca o que fazer ou como reagir com Percy naquele estado. Ela precisava de uma estratégia. Decidiu, então, enquanto ele parava de colocar aquilo para fora, que iria cuidar dele. Primeiro, limparia o banheiro, depois, limparia o moreno.
– Percy, venha aqui – ela chamou, estendendo a mão. – Ande, me dê a mão, vou lhe ajudar a levantar.
Saindo do banheiro, ela o ajudou a sentar no corredor e voltou para o banheiro. Tirando o cabelo loiro e cacheado do rosto, colocou-o do lado esquerdo e começou a trabalhar. Com a toalha, limpou e enxugou o máximo que podia. Lavou a toalha em seguida e foi estendê-la do lado de fora. Ao passar pelo corredor, viu que Percy dormia.
Quando voltou, decidiu deixa-lo descansar um pouco, então sentou-se ao seu lado e empurrou a cabeça dele para seu colo, onde passou a fazer carinho em seus cabelos negros. A delinear suas sobrancelhas e a raiz do seu cabelo. Perseu Jackson tinha o rosto fino, mas muito bonito.
Passaram-se alguns minutos, Rachel apareceu ali. Annabeth lhe lançou um olhar irritado e ela abaixou a cabeça. Entrou no banheiro e ao sair, encontrou o mesmo olhar irritado da loira.
– Qual seu problema comigo? – perguntou a ruiva, com a voz um pouco arrastada.
Annabeth não se deu o luxo de responder, apenas virou o rosto para Percy e continuou fazendo carinho em seu cabelo. Quando imaginou ter dado tempo do moreno descansar, começou a balança-lo. Ele não acordou, então ela pegou no sono ali. Abriu os olhos novamente quando já estava escuro e ele ainda dormia, mas dessa vez, depois de alguns minutos, ele acordou. Estava mole, sonolento, mas Annabeth tinha quase cem por cento de certeza que ele estava consciente.
– Tá na hora de tomar banho – ela falou sorrindo e ele franziu a testa, mas mesmo assim aceitou a ajuda da loira para se levantar até o banheiro. – Senta aqui na privada.
– Porque está fazendo isso?
– Não sei – ela respondeu, sinceramente, enquanto tirava a blusa dele e lavava no chuveiro. – Acho que necessidade. Quero você bem, Percy.
– Até que ponto chegamos... – ele comentou, sorrindo torto.
– Tira a calça – ela ordenou, porém tímida e ele riu, tirando. – O pé está doendo?
– Está – ele respondeu. – Você pode...?
– Claro.
Ela se abaixou e tirou a calça dele, com delicadeza ao passar pelo é machucado. Suas unhas enormes e pintadas de branco deixavam um ar delicado e feminino em sua mão. Percy gemeu de dor, mas Annabeth não podia fazer nada, era o único jeito de lavar a roupa dele. Então pegou, tanto a blusa quanto a calça lavada e foi lá fora, estender. Aproveitando para pegar a toalha.
– São do Percy? – perguntou Madge e Luna sorriu de malicia.
– Vocês são muito bestas – Annabeth riu.
Entrando novamente no banheiro, só então Annabeth reparou no corpo do inimigo. Ele definido, mas não musculoso. Ela se esforçou para não olhar as pernas e... Hm... Entre as pernas. Era constrangedor estar ali.
– Consegue ficar em pé? – ela perguntou e ele fez que não. – Vem aqui.
– Você está tão delicada, Chase – ele elogiou rindo.
– E você não está grosso – ela brincou. – Agora cale a boca.
– Nossa, pode nem elogiar. Eu vou... Hm... Tomar banho de cueca?
– É – ela respondeu de prontidão. – Digo, eu... Ahn... Se quiser tirar... Eu não vou... Ér... Então.
– Annabeth – ele falou o nome dela, rindo. – Olha nos meus olhos.
– O que?
– Olhe – ele mandou, sorrindo, e ela assentiu. Então ele soltou uma das mãos dela das suas e abaixou a cueca.
– Ai meu Deus! – ela berrou, sem querer e rapidamente, espiando lá embaixo. – Eu não vou fazer isso, Percy. Percy. Perseu. Ai. Não. Isso. É horrível. Eu não...
Ele só podia gargalhar. Ela olhava pra cima, completamente vermelha. Aquilo era perturbador. E muito tentador. Afastando seu último pensamento, ela foi se acalmando e começou a rir.
– Olha nos meus olhos – ele repetiu e ela olhou para a imensidão verde. – Não desvia, sim?
– Isso é estranho.
– Muito estranho – ele comentou rindo. – Vamos lá, eu só preciso de...
– Sim – ela completou e ligou o chuveiro.
Ele se apoiava na parede com uma mão e segurando a dela com a outra. Ela estava toda molhada, mas não ligava. Olhando nos olhos dele, pegou o sabonete (é, colocaram um ali enquanto todos dormiam) e começou tirando o vômito de seu rosto. Depois de seu peitoral, sem desviar o olhar.
Enquanto passava o sabonete, passou a devanear sobre sua primeira vez, olhando nos olhos verdes de Percy. Será que o cara faria que nem ele? Digo, ela estaria nervosa, será que o cara ajudaria ela, dizendo para acalmar-se e olhar nos olhos dele? Ela teria sorte se arranjasse alguém assim? Então percebeu que em seu devaneio, Percy era esse cara.
Ela parou de ensaboa-lo e franziu a testa, olhando para ele, ainda. Ele tinha olhos lindos, era a única coisa que ela pensava naquele momento. Percy era lindo, na verdade, e ela queria beijá-lo. Um fio de cabelo seu caiu em seu olho, e ele tirou-o de lá. O coração da loira falhou uma batida e ela sentiu um frio na barriga, a mão ficando estranhamente gelada. Era uma sensação boa, mas ao mesmo tempo horrível, de se sentir.
– Annabeth – ele sussurrou, se aproximando. – Eu quero beijar você.
Ela sorriu, fazendo que sim, ele se aproximou. Ainda com os olhos um no outro, ela sentiu uma onda de nervosismo lhe invadir e também ansiedade. Porque não se beijavam logo? Imaginou-se depois de um possível beijo, chegando em Madge e falando “Eu beijei o Percy” e ela respondendo “Seu inimigo?”. Olhando assim, até parecia hipocrisia, beijar seu inimigo. Para que esses anos de briga? Para no final ela ver o ódio se transformar em amor, como um típico clichê ficcional? Não, obrigada. Ela não queria isso.
Ele desviou os olhos pros lábios dela, segurando o pescoço da loira e ela desviou os olhos para os lábios dele. Ele, lentamente, umedeceu-os.
– Ora merda... – ela murmurou.
– O que disse? – ele murmurou de volta.
– Que merda! – ela gritou e o empurrou. – Não, Jackson, sai daqui. Dane-se o teu pé.
Ela saiu do banheiro correndo, sem ter a chance de ouvir o que o moreno tinha pra falar. Apenas queria afastar a confusão de sua cabeça. Sim, ela ia beijar o próprio inimigo e isso não fazia sentido algum.
Lembrou-se do primeiro beijo, com Harry Potter, havia sido tão mágico. Eles estavam voltando da escola de ônibus, com Rony e Mione aos seus pés. Os dois começaram a conversar e Harry começou a conversar com ela. Então, repentinamente, pediu pra ficar com ela. Annabeth sorriu, dizendo sim, e como se fosse combinado, o ônibus freou, jogando-a para frente e ficando cara a cara com Harry. Sem esperar nada, eles se beijaram. Na semana seguinte, começaram a namorar.
A questão é que depois de Harry, ela beijara sim outros meninos, mas essa ansiedade e nervosismo que sentira agora com seu inimigo, só foi sentida nos segundos antes de seu primeiro beijo, quando parecia que milhares de borboletas rosas e azuis queriam fugir de seu estômago. Ela não deveria ter sentido aquilo ali. Ou melhor, Percy não deveria ter feito aquilo.
Ele não deveria ser insuportavelmente bonito. Nem dizer que queria beijá-la. Ela não via? Ele só queria poder dizer que conseguia todas, até mesmo a virgem Annabeth. Vai ver, ele queria “tirar o cabaço”. É isso aí. Percy Jackson era seu inimigo. E se dependesse da loira, esse ódio nunca viraria amor. Não mesmo.
–-X—
Nada podia medir a felicidade que Hermione Granger sentia naquele momento. Ela estava se divertindo, como nunca havia feito em muito, muito tempo. Draco a divertia e a distraía, à proporção que Ronald Weasley era apenas mais um fantasma do passado para ela. Não que estivesse apaixonada pelo loiro, apenas sentia que cada vez mais estava livre de Rony, pois não tinha mais tempo para pensar a respeito.
Fora que agora ela sentia um carinho por Draco, do mesmo jeito que sentia por Percy e Peeta, e talvez um pouco maior. Quer dizer, Percy e Peeta também eram amigos de Annabeth e Katniss. Draco era só amigo dela. Ela se sentia única e em pouco tempo, podia dizer que o loiro coração-frio era um de seus melhores amigos.
Estavam no quarto dele, com as cortinas fechadas e porta trancada. Uma dança ritmada e sensual em cima da cama. Embora nunca tenham transado de fato, Draco e Hermione já tinham brincado muito um com o outro e posto a mão em lugares realmente indevidos. Ele tirou a cabeça do pescoço dela e deitou ao seu lado, cansado.
– Isso é errado – ela falou, de repente. – E nojento. Digo, Draco... Você virou meu amigo. Não se beija amigos.
– Amizade colorida, Granger – ele lembrou, rindo.
– Eu tô falando sério – ela declarou. – Eu sinto um carinho muito grande por você.
– Medo de se apaixonar? – ele adivinhou, com um sorriso brincando nos lábios.
– Acho que sim. No fundo, devo ter medo disso, sim.
– Então está acabando nosso acordo?
– É – ela se sentou, ajeitando a alça do sutiã preto. – Acho que sim.
– Porra, Mione, eu gosto de te beijar – ele confessou e ela riu.
– E gosta da Astoria... – afirmou. – Ainda.
– Não gosto dela. Ela me traiu.
– Deixa de ser teimoso, Draco, você gosta dela sim – ela persistiu. – Ao invés de ficar aqui, você deveria começar a pensar num jeito de reconquistar ela.
– Digo o mesmo pro seu ruivo.
– É diferente – ela abaixou o olhar enquanto Draco sentava na cama.
– Não, não é. Só porque ele pediu pra fingirem que não se conhecem?
– Porque ele tem uma namorada, tá legal? – ela disse, irritada. – E eu não quero falar isso pra ele. Mas também não quero ficar com ele, sabendo que ele tá traindo a Lilá.
– Mais complicado do que imaginei – o loiro murmurou.
– Pois é – Hermione concordou. – Mas de boa, você podia conquistar ela de novo, Malfoy. Você tem 22 anos, tá na hora de assumir algumas responsabilidades.
– Sim, mamãe – ele brincou. – Pera, isso que estamos fazendo é algum tipo de DR?
– DR de que relação, tapado?
– Da nossa amizade – ele respondeu, como se fosse óbvio. – Ou eu não sou seu amigo?
– Ai, essa pergunta me tira do sério – ele disse, com a mão no rosto e dentes cerrados. – Tinha um menino na minha escola que me perguntava isso de vez em quando. Sinceramente, dava vontade de falar “não, Travis, não sou sua amiga”.
– Calma, felina – ele pediu rindo.
– Foi mal – desculpou-se levantando da cama e colocando o short.
– Joga minha camisa? – ele pediu e Hermione o fez. – Tá, eu ainda amo a Astoria. Mas ela tá com meu ex-melhor amigo.
– Sabia – Hermione exaltou. – Bom, Draco, o que você pode fazer é... Talvez, tentar ser amigo dela novamente. Minha blusa tá aí?
– Não, você jogou perto do banheiro – ele respondeu.
– Fale da Astoria – Hermione pediu.
– Então, temos que terminar na frente dela. Lembrando que ela acha que somos...
– Somos namorados – ela completou. – É, eu sei. Por qual motivo a gente poderia terminar?
– Ciúmes – ele respondeu. – Do Weasley com você. Daí você aproveita e sai com ele. Só pra confirmar a história.
– Esperto – ela elogiou. – Mas não vou sair com o Ron. Já disse que eu não quero nada com ele.
– Mas você quer! – ele protestou.
– Argh, doninha albina, fique calado – ela mandou, rindo. – Até mais tarde.
Ela saiu do quarto do loiro ajeitando os cabelos numa trança e sentou-se na sala assistindo o noticiário. Era realmente complicado entender o que eles falavam, mesmo que soubesse falar francês. Alguns minutos depois, Silena juntou-se a ela, e juntas, foram conseguindo entender algumas coisas.
Na real, Hermione tinha a esperança de aparecer qualquer notícia de Percy, Annabeth, Katniss ou Peeta. Ela gostaria de saber se estavam bem. Gostaria de saber da Lilá também. Porém nenhum dos sobreviventes identificados era um deles.
– Minha mãe! – exclamou Silena, apontando para televisão, onde uma mulher realmente muito bonita estava de mãos dadas com um homem.
– É seu pai? – perguntou Hermione.
– Padrasto, Hefesto – explicou Silena. – Pai do... Ér... Charlie.
– Me informaram que minha filha está na França – falava Afrodite Beauregard na televisão. – Eu e meu marido estamos agora a procura de meu enteado, Charles Beckendorf.
– Você não...
– Não tive coragem de dizer o que aconteceu – disse Silena, os olhos levemente marejados. – Eu sinto tanta falta dele, Hermione!
– Oh, Silena – compadeceu-se Hermione, oferecendo colo. A morena se jogou ali. – Vai ficar tudo bem, você vai ver. A dor nunca passa, não vou mentir pra você, mas você aprende a conviver com ela.
– Nosso próximo passo é ir para Paris, minha cidade natal, para pegar Silena – continuou Afrodite. – Talvez possamos aproveitar e fazer umas comprinhas!
– Só mamãe! – riu Silena, chorando. – Mione, vamos ao salão? Preciso fazer minhas unhas! Olhe, estão horríveis.
– Com que dinheiro, Silena? – lembrou Hermione, revirando os olhos.
– Neville é maior de idade, portanto, não precisa dos pais para fazer transferência de dinheiro para um banco daqui... Ele me deu uma quantia.
– Filho da puta – soltou Hermione.
– Oi?
– Draco – explicou a castanha. – Ele é o filho da puta. Ele fez a mesma coisa. Agora eu entendo como ele tava pagando tudo. Que veado, não me falou nada!
– Vocês estão mesmo namorando? – perguntou Silena.
– Estamos mais pra terminando – atuou Hermione, no momento que a morena que estava com Astoria na primeira noite aproximava-se do sofá. Clarisse La Rue.
– O casal vinte vai terminar? – ela perguntou, em tom de brincadeira.
– Draco está um porre! – desabafou Hermione. – Tão ciumento... Tudo por causa do Ron!
– Ron? – observou Clarisse. – Também ficaria com ciúmes se eu chamasse um desconhecido por um apelido tão... Íntimo.
– Cale a boca, Clarisse – mandou Hermione.
– Desconhecido...? – perguntou Silena e Hermione pisou em seu pé, de leve.
– Talvez não tão desconhecido – concordou Clarisse. – Mas mesmo assim... Ei, garotas, vocês preferem um fim trágico ou perfeito para uma história de amor?
– Perfeito – respondeu Silena, suspirando.
– Trágico – respondeu Hermione, amargurada, e Silena riu.
– É, vai ser trágico – ponderou Clarisse.
– Como é mesmo o nome do livro? – perguntou Silena.
– Quando O Relógio Bate Meia-Noite – respondeu Clarisse.
– Acho legal o fato de você ter vindo até Paris para aumentar o conteúdo do seu livro – confessou Hermione.
– Próximo ponto: Inglaterra – anunciou Clarisse. – Já teria ido antes, mas Astoria e Cato realmente viraram ótimos amigos e não gostaria de abandoná-los.
– Não sente saudades do Canadá?
– Os europeus são mais sexys – brincou a morena.
– Nisso tenho que concordar! – falou Silena. – Se bem que Neville e Draco não saem perdendo.
– Nem o Cato! – falou Clarisse.
– Nem Rony.
– Depois não quer que o namorado tenha ciúmes! – indignou-se Clarisse.
– O que tem o Rony? – perguntou Draco, entrando na sala.
– Nada.
– Hermione, o que tem o Ronald?
– Já falei que não é nada, Malfoy – ela retrucou, no momento que Astoria passava pelo corredor.
– O que está acontecendo aqui? – perguntou a morena entrando na sala de TV.
– Vai me falar ou não? – insistiu o loiro, divertindo-se por dentro. Hermione não estava diferente.
– Quer saber do Rony? – ela perguntou, sem notar a presença do ruivo ali. – Ele é mais engraçado que você. Mais bonito. Sabe o que mais? Mais gostoso que você. Mais inteligente que você.
– Pena que perdeu a memória e não é mais nada disso! – ele debochou.
– Continua melhor que você – ela retrucou.
– Ora, vá namorar ele então, Granger – ele desafiou.
– Talvez eu vá – ela disse.
– Ótimo.
– Terminou, Draco Malfoy.
Como uma excelente atriz, ela deixou os olhos se encherem de lágrimas e ao sair da sala, esbarrou em Rony, que estava do lado de Astoria, para que ambos vissem os olhos marejados da castanha. Aquela encenação tinha saído melhor do que ela esperava. Hermione trancou-se no banheiro e começou a soluçar, alto o suficiente para qualquer um que passasse ali escutasse.
Depois de meia hora, mais ou menos, escutou batidas na porta e beliscou o nariz e o rosto, para que ficassem vermelhos. Saiu cabisbaixa, mas encontrou Draco sorrindo para ela. Ele estava descabelado, sentado de frente a porta.
– Você é uma excelente atriz, Hermione Granger.
– Dois beijos – ela brincou. – O que aconteceu depois que saí?
– Eu olhei feio para Rony, Astoria me acusou de paranoia. Então eu disse que quem fez com que eu ficasse assim foi ela mesma. Então ela se calou e assentiu, então saiu da sala, cabisbaixa. Rony então me chamou de fresco, Clarisse disse para Silena não ir atrás de você e eu sentei no pé da escada, bufando.
– Nossa. Que confusão! – ela exclamou rindo. – Me dê a mão.
– Oi?
– Se alguém passar por aqui, estamos nos reconciliando.
– A intenção não era terminar com tudo? – ele perguntou, mas mesmo assim, deram as mãos.
– Estamos acordando continuar amigos.
– Vão nos achar loucos – ele presumiu. – Mas tudo bem. Amigos.
– Amigos – ela concordou, sorrindo. – Vou chamar o Rony pra sair. Digo, dar uma volta.
– Vou me desculpar com a Astoria.
– Boa sorte – ela desejou.
– Boa sorte pra você também – ele disse e deu um selinho nela, se levantando.
Hermione foi pegar sua toalha e entrou no banheiro novamente, para tomar banho. Vestiu uma calça de Daphne e uma blusa azul de Astoria. Prendeu o cabelo num rabo de cavalo, embora não gostasse muito, e foi procurar o Rony.
Encontrou o ruivo dormindo deitado na grama, do lado de fora. Ela deitou-se do lado dele e começou a cutuca-lo, esperando que ele acordasse. Logo, ele acordou assustado, mas acalmou-se encontrando os olhos de Hermione. Ela sorriu e sentou, sendo seguida por ele em seu ato.
– Oi.
– Oi.
– Quer tomar um café? – ela convidou.
– Não quero ser usado para ciúmes no Draco.
– Ah, não era sério aquilo – ela assegurou. – Digo, só estávamos fingindo namorar para deixar Astoria com ciúmes, mas ele decidiu que agora ia lutar por ela, então... Quer tomar um café? Eu sei que disse que ia fingir que não nos conhecemos, mas eu não consigo passar tanto tempo longe de você, Ron.
– Queria pedir desculpas por aquilo – ele admitiu. – Digo, eu fui insensível em pedir isso. Sabe, você me tratar como um estranho.
– E eu insensível em querer que você se lembrasse de tudo – ela abaixou a cabeça. – Eu entendo, Ron, tudo o que você tá passando. Só que...
– Eu sei. Também entendo o que você tá passando – o ruivo falou. – Vamos tomar o café?
O sorriso dela iluminou aquele fim de tarde, tanto que ele teve que sorrir junto. Levantou-se e a ajudou a levantar, então, sem soltar a mão dela, começaram a caminhar pelas ruas de Paris. Passam pela Tuileries Garden e enfim, pararam em uma Starbucks. Sentaram-se embaixo de um guarda sol verde da Starbucks e esperaram serem atendidos.
– Uon-uon! – gritou uma mulher histérica e correu em direção ao ruivo. – Você está bem, meu amor! E estamos não mesmo lugar, não é o destino?
– Oi, Lilá – cumprimentou Hermione.
– Você! – acusou a loira. – É culpa sua, toda sua.
– Quem...? – começou Rony, com flashes de seus sonhos passando em sua cabeça, ele tinha quase certeza que a conhecia.
– Ninguém – respondeu Hermione, de prontidão. – Eu vou ao banheiro. E você, Lilá, vem comigo.
Hermione entrou no local e notou que dentro, era quase a mesma coisa que os Starbucks que tinham nos Estados Unidos. Não se deu o trabalho de ir ao banheiro, virou para Lilá, com a maior paciência que conseguiu reunir e falou:
– O Rony perdeu a memória, portanto, peço que não force a cabeça dela.
– Quem você pensa que é pra decidir o que é o melhor pra ele? Eu sou a namorada do Rony!
– E eu sou... – ela tentou rebater, mas seu argumento não era tão válido quanto o da loira. – A amiga dele.
– Não quero saber, Hermione! Você não vai me impedir de ficar com ele.
– Ele não se lembra de quem é você, pare de ser desesperada! – Hermione mandou. – Droga.
Ela podia ter ficado calada. Assim, talvez, Rony não quisesse mais olhar na cara dela, pois a julgava louca e não teriam mais problemas. Era perfeito. Mas não, Hermione tinha que falar aquilo para a rival e ela tinha que estar em desvantagem! Droga, Granger.
– Ótimo, eu vou reconquistar ele, então. Não é isso que está tentando fazer?
– Não, eu estava respeitando a situação dele.
– Claro que estava – ela debochou, revirando os olhos. – O Uon-Uon vai ser meu de novo, Granger.
Não, isso não podia estar acontecendo. Perder o Rony duas vezes para a descontrolada da Brown era brincadeira. Alguém lá em cima devia estar com muita raiva de Hermione. Mas ela sabia o que ia fazer. Hermione sorriu e falou com superioridade:
– Então mande alguém marcar o placar, porque eu entrei no jogo. E entrei pra vencer.
–-X—
– O que diabos foi isso? – ela sussurrou e o coração dele deu um solavanco. Ela não gostava dele, era o fim.
– Você colocou a mão aqui – ele indicou, nervoso, o pescoço. – E... E... Poxa, Katniss, eu não sei.
– Droga, Mellark.
– Eu sei que sou seu primo e...
– Cala a boca – ela mandou, interrompendo-o.
– Desculpa – ele pediu. – Eu não devia.
– Não, sério, cala a boca. Você tá ouvindo?
– Ouvindo o que, exatamente? – ele perguntou entre aliviado por ela ter mudado de assunto e zangado por ela ter mudado de assunto.
– Escute – ela mandou, num sussurro.
– É uma... Cachoeira? – ele perguntou, incerto.
– Água! – ela exclamou, animada e esperançosa.
– Água – ele concordou, sorrindo.
Notas finais
Particularmente, esse foi meu capítulo favorito, perdendo apenas para um que ainda não foi postado, mas que já foi escrito u.u
Ah, ah, ah, vocês querem a Silena com o Cato ou com o Neville? E a Astoria? Querem que o Draco perdoe ela? Ah, ah, ah, algo vai acontecer a Percy e Annabeth... Quem deve "compartilhar" esse acontecimento: Madge, Luna ou Rachel? Deem opiniões, amo lê-las. E se... Sabe *tosse* alguém quiser recomendar, eu, sabe *tosse* não reclamaria *sorriso amarelo*
Quanto à one-shoot, eu decidi casá-los no templo de Poseidon e fazê-los passar a lua de mel na cabana que Percy descobre que é semideus. A narrativa vai ser de Afrodite e eu acho que tá ficando legal ^^ Ah, e não vou postar apenas a one, vou postar uma fic onde cada cap é uma one, eu e minha amiga, Belinha, filha de Afrodite. É uma boa ideia?
Beijão!
PS: Se alguém quiser saber a data do próximo capítulo, eu estou colocando agora a "data dos próximos capítulos" no meu perfil.
AAAAAAAAAAAH, EU PRECISO DE UM CASAL PRA ENTRAR NO PRÓXIMO CAPÍTULO, ESCOLHAM QUEM QUISER QUE AINDA NÃO APARECEU ^^ Pode até ser a menina de uma saga e o menino de outra se quiser, como, hm, Cedrico Digorry e Clove (?) Connor Stoll e Angelina Johnson (?)
Fale com o autor