Aventuras e Desventuras Do Amor

7 A Sorte Nunca Está Ao Nosso Favor


Notas iniciais
Heey seus lindos *-*
Eu já falei que amo vocês? Não? OH GODS, COMO NÃO?! Anyway, eu amo vocês. Sério, cês são muito lindos *-*
É, não teve nenhuma recomendação no capítulo passado, então tá. É triste.
E como prometido... CAPÍTULO MAIS CURTINHO ^^ Não muito curto, mas também não gigante, né?

Ele foi acordando aos poucos. Olhou para o céu e surpreendeu-se ao constatar que já era de manhã. Sua prima, Katniss, ainda dormia ao seu lado, como uma sereia. Seus cabelos estavam trançados e a boca um pouco rachada, mas mesmo assim, ela continuava linda. Ela apoiava a bochecha em suas mãos, que estavam juntas. Desde os quatro anos dormia assim.

Então Peeta permitiu-se observá-la. Quando teria coragem de dizer tudo que sentia? Será que ela corresponderia? Será que ela faria cócegas nele, assim como fez com todos os namorados? Ou eles teriam uma brincadeira particular, algo que somente os dois soubessem o verdadeiro significado? Peeta gostaria de saber.

Então aos poucos ela foi acordando. A maré estava mais próxima deles e o Sol, mais quente que no dia anterior. E Peeta estava com sede, muita sede, mas precisava ser forte por conta da prima. Finalmente ela estava com os olhos bem abertos, encarando-o e sorrindo.

- Bom dia – ela desejou.

- Bom dia.

Então ela foi tomar banho de mar e mais uma vez naquele dia, Peeta a seguiu com o olhar. O modo como tirava a blusa lentamente, mas não tardava em correr até o mar. Seu corpo tremia ao bater na água, mas logo em seguida ela sorria, como se estivesse relaxada em estar ali. Peeta observava cada detalhe e ele queria que ela também observasse cada detalhe dele.

Então sentiu um puxão na barriga. Usando a metáfora certa: um frio na barriga, mas ao mesmo tempo um calor invadia seu corpo. As mãos deles estavam suando e Peeta estava nervoso, mas uma coisa ele sabia: uma onda de coragem havia caído sobre ele. Coragem, sabe-se lá Deus de onde, para falar tudo que sentia para a Katniss.

Por isso, quando ela voltou do mar, com os fios de cabelo agrupando-se em pequenos montinhos ondulados, ele ficou de pé e sorriu. Ela sorriu aproximando-se dele.

- O que foi? – perguntou Katniss.

- Eu vou te fazer uma surpresa! – ele anunciou. – Mas você tem que fechar o olho.

- Que tipo de surpresa você arranjou nesse fim de mundo, Mellark? – ela brincou.

- Feche o olho! – ordenou e ela obedeceu. - Não vale espiar.

Então ele deu um passo a frente e observou seus lábios rosados. Ele iria beijá-la e se afastar, depois não desviaria o olhar do mar até a vergonha passar. O loiro deu mais um passo e Katniss abriu os olhos, sentindo a respiração do primo bater em seu rosto. Ela olhou pros lábios dele e Peeta podia ver confusão em seus olhos tempestuosos, porém ele também via desejo.

Foi com esse pensamento que ele inclinou-se para frente e encostou os lábios no da prima. Ela arfou e com isso, Peeta entreabriu a boca, encaixando os lábios. Era mágico. Ele se separou rapidamente, com medo de ir longe demais e fez como o planejado: sentou-se na areia e observou o mar.

Katniss ficou parada por um tempo, estupefata. Surpresa demais para mover qualquer músculo. Peeta também. Depois de se sentar, ele passou a língua nos lábios, sentido o gosto da prima. Seus lábios eram macios. Peeta queria prova-los novamente.

- O que foi isso? – Katniss perguntou, ainda sem se mexer. Peeta deu de ombros e ela se sentou do lado dele. – Peeta, eu posso estar ficando doida aqui nessa ilha, mas eu quero mais.

O loiro sorriu, então, e virou de lado com os olhos brilhando. Ele ia beijá-la novamente e então acordou. Tudo não se passara de um sonho. A sua coragem era ilusão, ser correspondido era ilusão e a maciez de seus lábios era ilusão. Tudo não havia se passado de um sonho.

Ainda estava escuro. O céu, diferentemente da noite anterior, estava sem nenhuma estrela. Era um azul escuro acinzentado. Não havia vento e tudo estava bem silencioso. Ele procurou pela prima e ela também estava acordada, mexendo no celular. Parecia preocupada, parecia que não havia desgrudado do objeto. Peeta suspirou. Tudo não se passara de um sonho.

- O que você tá fazendo? – ele perguntou.

- Vendo se a mensagem sai do reloginho – ela respondeu, automaticamente. – Ainda não saiu. Tem que sair.

- Você está ficando paranoica! – ele advertiu. – Descanse um pouco. Não dormiu nada?

- Nadinha. Porque a mensagem não foi? – ela perguntou, colocando o celular de lado e sentando-se ao lado do primo.

- Não estamos em uma área de cobertura – Peeta deduziu a morena bufou, mexendo nos cabelos. Peeta observava cada movimento.

- Com o que estava sonhando? – ela quis saber. – Parecia bom. Você estava soltando gemidos.

- O que? – ele arregalou os olhos.

- De boca fechada, calma – ela assegurou, rindo. – Como se estivesse beijando alguém. Sonhando com quem, em, Mellark?

- Ninguém! – ele negou.

- Cho Chang, né? Só porque ela tinha uns peitões... – enquanto Katniss terminava de falar, seu celular apitou e a prima deu um pulo, querendo conferir o que era.

- A mensagem foi? – espantou-se Peeta, sentando-se do lado dela e apoiando os braços nos joelhos.

- Não, era um alerta – ela respondeu, bufando e jogando o celular na areia.

- Alerta?

- Minha menstruação está perto de chegar. Ótimo, né?

- Você trouxe absorvente? – perguntou Peeta.

- Ah, claro – ironizou. – O navio tá afundando, preciso pegar coisas para minha sobrevivência... Que tal um absorvente?

- Nossa – ele soltou, rindo. Katniss desfranziu o cenho e sorriu para o loiro.

- A sorte não está do meu favor – ela murmurou. – Peeta, sabe o que eu estava lembrando antes de você acordar?

- O que?

- O que você prefere? – ela respondeu. – Faz tanto tempo que não jogamos!

O que você prefere? era um jogo inventado pelos primos durante um Halloween que ambos estavam de castigo. Aproveitando a época de coisas assustadoras e nojentas, Katniss teve a ideia da brincadeira. Então, a partir daí, virou uma brincadeira dos dois e só dos dois. Era divertido. Sobre o jogo, não era nada demais. O nome era autoexplicativo. Duas opções – ambas nojentas ou embaraçosas – são postas por um jogador para o outro. Katniss era mestra nessas perguntas e o Peeta era mestre em distorcê-las e torna-las menos embaraçosas.

- Você começa! – ele mandou, cruzando as pernas e ficando levemente empolgado.

- Deixe-me ver... Você prefere comer ervilha com pus ou... – ela parou para pensar, enquanto sentava-se melhor e ajeitava o moletom para cobrir a calcinha. – Ou lamber manteiga no pé de um mendigo?

- O mendigo pode ter tomado banho no dia, portanto, fico com a manteiga – ele respondeu sorrindo e Katniss revirou os olhos. – Você prefere sua mãe ou seu pai?

- Meu pai – ela respondeu de prontidão e completou: — Saudades criatividade. Você prefere morder o dedão do pé do Rony ou beijar sonoramente a axila do Percy?

- Uow! – ele exclamou. – Essa é uma pergunta embaraçosa e nojenta.

- Responda, querido primo – ela pediu e ele encolheu os ombros, respondendo:

- Bom, Percy pode ter acabado te tomar banho, uma vez que pés sempre estão sujos...

- Mas a axila do Percy é cabeluda! – rebateu Katniss e riu, fazendo cara de nojo.

- Eu fico com o pé do Rony – ele respondeu e Katniss gargalhou.

Então o tempo parou, pois a medida que ela parava de rir, Peeta olhava sorrindo para ela. Ambos sorrisos foram sumindo e os olhos estavam conectados uns nos outros. Os dele, brilhavam intensamente, enquanto os de Katniss estavam cheios de confusão. Peeta gostaria de saber porque ela estava confusa.

- Merda – ela soltou, olhando para baixo.

- Mas o que...? – ele perguntou, seguindo seu olhar.

Então viu, próximo a virilha da prima, duas manchas de sangue, uma de cada lado. O calendário estava certo, afinal. Nesse exato momento, ele apitou novamente e ela saltou, procurando o objeto, porém era apenas um aviso de bateria fraca.

- O que eu vou fazer? – ela perguntou se desesperando. – Peeta!

- Calma... Dizem que água estanca é só você passar o dia na água.

- Grande ideia – ela ironizou. – Como eu faço parar?

- Incomoda... Hm... Ficar com a calcinha molhada? – ele perguntou, constrangido. Tudo aquilo era constrangedor.

- Sim – ela respondeu, timidamente, levantando-se. – O que eu faço?

- Coloca o vestido e fica sem calcinha – ele recomendou.

- O QUE? – ela berrou e seu grito ecoou na noite escura.

- Acho que vai arejar mais se...? Katniss, para com isso! – ele pediu, desviando o olhar. – Não me cobre algo lógico, não me cobre.

- Eu quero saber o que eu faço!

- Faça o que eu lhe disse – ele respondeu. – E fique o mínimo possível sentada.

- E quando eu sentir cólica? – ela perguntou, manhosa.

- Faça o que eu disse primeiro.

Então ela se levantou até o mar e se lavou. Voltou nua, com apenas o moletom cobrindo a sua frente. Peeta, é claro, desviou o olhar e no momento que fez isso se perguntou se ele era gay. Ele sempre teve essa dúvida, mas o fato de que toda vez seu amiguinho se animava quando via a Katniss de um jeito sexy tirava seus medos.

- Eu estou com sede – ela murmurou, em pé na frente do primo.

- Eu também – ele disse. – Mas eu tava tentando não pensar nela. Sabe, quanto mais se pensa, mais se sente.

- Eu sei – ela suspirou. – Mas eu não posso sentar. Porque não procuramos alguma coisa?

- Porque está pegando o celular? – ele perguntou, vendo que a prima colocava o objeto entre os seios.

- Vai que a mensagem é enviada... – ela respondeu.

- Tudo bem, vamos.

Katniss se aproximou e o ajudou a levantar, estendendo uma mão para o primo. Ambos começaram a caminhar, procurando solo molhado ou algum laguinho, uma nascente ou qualquer coisa com água envolvida. O dia havia clareado, mas nada acharam por um bom tempo. Eles estavam cansados, Katniss estava com cólica e parecia que sua tpm estava mais aflorada, pois no começo ria feito louca, então passou a chorar feito bebê e naquele momento, gostaria de matar todo mundo. Peeta também não estava com um dos melhores humores, a sede tinha se intensificado, parecia.

- Eu quero voltar – declarou Katniss. – Para que caminho fica a praia?

- Vamos procurar mais um pouco.

- Para que caminho fica a praia, Peeta? – ela repetiu, sem paciência.

- Por ali – ele apontou. – Mas talvez a gente ache se procurarmos mais... E fora isso... Onde você tá indo? Volta aqui!

- Eu vou voltar para a praia – ela gritou de volta.

- Katniss – ele disse quando a alcançou. – Temos que combinar isso juntos.

- Uma merda! – ela soltou, irritada. – Desculpa.

- É a TPM, entendi.

- Eu não estou estressada! – ela gritou e depois suspirou. – Desculpa.

- Tudo bem.

- Tem certeza que a praia é por aqui? Não me lembro de ter passado por essas flores laranjas.

- A gente passou, sim.

- Não, as flores eram amarelas – ela retrucou. – Peeta, você indicou o caminho errado? Puta que pariu, você indicou o caminho errado.

- Ah, e a culpa é minha? Nós viemos por aqui!

- Não viemos! – Katniss teimou. – Quer saber? Vá pra praia, pelo “caminho certo”. Eu vou tentar me achar.

- Tá.

- Tá.

Então ela virou o corpo, o sangue escorrendo pelas suas pernas, e saiu andando floresta adentro. Peeta passou alguns minutos sem reação, até perceber que Katniss havia sumido de seu campo de vista e ele não sabia para onde a teimosa havia ido. Peeta queria chorar. Ele havia prometido para si mesmo que cuidaria dela, mas não. Uma discussão o fez abandoná-la. Será que ela iria ficar bem?

Então ele passou seguir o caminho que a morena tinha feito e gritar por seu nome, mas depois de um tempo ele parecia perdido. O loiro encostou-se a uma árvore e escorregou até o chão, passando a mão em seus fios loiros e suspirando.

Peeta e Katniss não estavam mais juntos na ilha. Não tinham mais um ao outro. Não tinham mais esperanças. Não estavam mais bem.

A sorte não está nunca ao nosso favor, ele pensou antes de dormir.

--X—

Ela acordou sentindo o cheiro de perfume masculino forte, daquele que parece droga de tanto que você quer aspirar e quando dá uma fungada bem forte, acaba suspirando, de tão bom que era. Hermione sabia de quem era aquele perfume. Ela gostou de ser acordada com aquele cheiro. Sentia também um braço, abraçando a sua barriga. Era um braço pálido e era bom estar enroscada ali. Não porque era quente e acolhedor, pelo contrário, o braço do Malfoy era gelado e a sensação de diferença térmica entre seus braços a esquentava.

Então ela se levantou, devagar para não acorda-lo. Viu que Neville também dormia descoberto e antes de sair, passou a colcha azul para cima de seu corpo que tremia. Então ela saiu em direção ao seu quarto e de Silena, que já estava acordada. A morena disse que antes de sair para trabalhar, Bianca havia levado uma toalha para cada e roupas.

Hermione pegou suas coisas e dirigiu-se ao banheiro próximo a sala da TV. Ele era pequeno. A pia ficava do lado de fora, na frente da porta. O banheiro era todo ladrilhado branco e o espelhado. Ela pendurou a toalha, prendeu o cabelo castanho num coque, com a franja persistente caindo no rosto e lavou o rosto na pia.

Então ela sentiu duas mãos geladas segurando sua cintura por baixo da blusa e sentiu o choque da parede em suas costas. Draco atacou sua boca e ela correspondia com igual ferocidade. Eles se separaram, ofegantes, e ele sorriu:

- Bom dia.

- Da próxima vez que você fizer isso... – ela ameaçou.

- Quem disse que terá outra vez?

- Ora, Malfoy, não brinque comigo – ela mandou enquanto ele mordia seu pescoço.

Hermione o empurrou para dentro do banheiro e não fechou a porta, apenas se beijaram. Beijaram-se com fervor, desejo, esmagando ora um, ora outro na parede. Era uma ótima distração para a castanha, ter a boca da doninha albina ali.

O que ela não sabia era da presença sonolenta de um ruivo, que acabara de acordar e ia tomar banho. Encontrar a que se dizia ser sua melhor amiga ali, beijando um cara que ela disse ser insuportável fez um nó em sua cabeça. E pior, na garganta. Ele não sabia porque, mas estava decepcionado. Muito decepcionado. Antes que Hermione interrompesse o beijo e percebesse sua presença, o ruivo saiu dali.

- Draco... – ela gemeu entre um beijo e outro.

- Sim?

- Eu preciso tomar banho – ela disse e ele se afastou, deixando um beijo na bochecha dela.

Então, enquanto tomava banho, Hermione pensou em alguns diálogos que teria com Rony. Como seria trata-lo como um estranho? Sinceramente, ela queria esquecer o passado também, assim não ia ficar essa dor imensa no seu peito. Então, deixando Rony de lado, ela se lembrou de Gina, e então da senhora Weasley. Ela tinha que avisar o que tinha acontecido para ela. Falar que estavam bem.

Saindo do banho, ela vestiu o short jeans de Daphne com uma blusa laranja caída de um lado por cima. Secou os cabelos o máximo que pôde na toalha e foi até a sala, para comer. A mesa estava posta com uma diversidade de comida que só de olhar, Hermione ficou com água na boca.

Sentada à mesa, Astoria estava sentada tentando puxar assunto com Nico. Hermione teve a impressão que o moreno era chato. Quer dizer, ele respondia curtamente a cada pergunta e não fazia questão de continuar uma conversa.

- Bom dia – a castanha disse, sentando-se. Não obteve resposta. – Astoria?

- Sim?

- Eu queria me desculpar por ontem – ela falou. – De verdade. Eu só achei que...

- Que o que? – ela perguntou e Hermione foi sincera, sussurrando:

- Todos sabem o quanto o Draco ficou mal com a separação de vocês. Só achei que se eu bancasse a ciumenta e te menosprezasse... Você o conhece.

- É, conheço – ela concordou.

- É sério, me desculpe.

- Tudo bem – Astoria sorriu para a castanha. – Eu conheço o Draco, realmente ele fica melhor colocando as pessoas para baixo.

- Não é? – perguntou Hermione e elas gargalharam: — Será que... Hm... Na frente dele não podemos fingir nos odiar?

- Você se importa com ele mesmo, né? – Astoria observou e Hermione teve que dizer sim. Acabara de conhecer o loiro, ele era insuportável, mas sim, ela se importava. – Sendo assim, estou feliz. Você não sabe a culpa que me bateu... Você sabe.

- E você, Nico? – perguntou Hermione, tentando fugir do assunto. – Você é sempre tão calado assim?

- Um pouco.

- Sabe quem você me lembra? – perguntou a castanha, cerrando os olhos e Nico fez que não. – Hades. Digo, conhece alguma coisa de mitologia?

- Sim – ele respondeu.

- Sabe quem é Hades?

- Sei.

- Você me lembra ele.

- Ou um filho dele – ele comentou sorrindo e Hermione sorriu. – Você me lembra Atena.

- Muito obrigada – ela agradeceu. – E a Astoria?

- Acho que... – ele começou e riu: — Dionísio.

- Coitada – ela comentou, rindo. – Quer dizer, nada contra ele, mas...

- Vocês estão rindo de mim! – acusou Astoria e os dois riram ainda mais.

Ela estava assustada, também. Morava ali um tempo considerável, mas nunca havia visto Nico sorrir. Agora, ele e a garota nova gargalhavam. Astoria sentia que com certeza Hermione era uma escolha melhor para Draco do que ela, que jamais saberia se portar do modo que Draco exigia.

- Nós? – perguntou Nico. – Claro que não, Astoria!

- Nico sorrindo? – brincou Cato sentando-se à mesa. – Um milagre divino.

- É de Hades – falou Hermione e Nico riu fraco.

- Hermione, imagino que queira ligar para casa... – comentou Thalia, que havia se sentado ali.

- Bom dia – disse Rony, sentando-se à mesa.

- Eu preciso ir trabalhar – anunciou Astoria.

- Tchau – falou Rony e Hermione no mesmo tempo.

Eles trocaram um olhar e Hermione ia sorrir, mas seu coração murchou. Ela lembrou-se que ele era um estranho. Não era mais engraçado falar na mesma hora, as piadas não tinham mais sentido. Suas lembranças tinham que ser apagadas. Ela abaixou o olhar, no mesmo tempo que ele – que estava se lembrando da cena entre ela e Draco mais cedo.

- Sim, Thalia – respondeu a castanha. – Agradeceria se pudesse ligar para os meus pais e os pais de... Os meus pais.

Ela ia ligar para a senhora Weasley, mas ela tinha que fingir que não conhecia Ronald, certo?

- Hermione – ele sussurrou em tom de desculpa.

- Olá, Ronald, bom dia – ela desejou, sorrindo, por mais que seu coração estivesse partido.

- Você pode ligar para minha mãe?

- Mas...

- Só estou pedindo isso – ele assegurou e ela assentiu.

Ao sair da mesa, a castanha sentiu a mão suar e uma felicidade invadir. Iria falar com os pais. Thalia lhe mostrou o telefone fixo e colocando o DDD dos Estados Unidos, Hermione ligou primeiro para a senhora Weasley, no segundo toque, a mesma atendeu.

- Alô – ela disse.

- Molly?

- Hermione? – ela perguntou e Hermione sorriu, do outro lado da linha. – Hermione, querida! Você está bem? Machucada? Precisa de alguma coisa? Conseguiu falar com seus pais?

- Calma, senhora Weasley – ela pediu rindo e quase podia ver ela revirando os olhos para o senhora Weasley. – Eu estou bem. Rony está comigo. Estamos na França, Paris. Numa pensão. Bianca Di Ângelo nos deixou ficar, mas eu gostaria de pagar.

- É claro, é claro – ela concordou. – Vou falar com seus pais. Ou melhor, eu vou para aí, ajeitar tudo para vocês. Dinheiro, passagem, tudo. Em breve vocês estarão em casa! Mas me digam, estão bem?

- Eu estou ótima – ela respondeu. – Mas o Rony...

- O que aconteceu? – ela perguntou e Hermione pôde sentir a aflição em sua voz.

- Ele está bem, apenas... Sofreu um acidente. Senhora Weasley, o Rony não se lembra de nada.

- Nada? – ela respondeu e Hermione negou. – Nossa senhora do bom parto! Você o levou para o médico?

- Estamos sem dinheiro... – explicou a castanha.

- Claro, claro – falou Molly e Hermione percebeu o vicio linguístico da ex-sogra de falar claro. – Eu vou falar com Arthur e no mais rápido possível irei aí. Qual o endereço?

Hermione passou o telefone para Nico, que explicou tudo direitinho para Molly, enquanto Hermione olhava para Rony pelo canto do olho. Ele contornava a mesa com o dedo e se negou em pegar o telefone. Ela entendia o lado dele, mas ele tinha que entender o lado de Molly. Era questão de ética aceitar o telefonema.

Draco então apareceu na sala e sorriu para Hermione. Depois de um tempo, a castanha ligou para o pai, porque sinceramente a mãe iria lhe encher de perguntas tediosas e de sermões. Draco propôs que fossem ao museu e quando estavam saindo, soltou:

- Ei, ruivo, quer vim com a gente?

- Onde estão indo? – ele perguntou.

- Museu – Hermione respondeu. – Vamos! Para nos conhecermos melhor...

- Ahn... Ok – ele se levantou do sofá azul e os acompanhou até o lado de fora da casa.

- Vocês sabem o que causou o naufrágio? – perguntou Hermione.

- Falaram no café que houve uma explosão lá embaixo – disse Draco. – Mas por motivos desconhecidos.

- Entendi – ela disse.

O caminho foi silencioso. Era constrangedor estar com Ronald ali, mas Hermione fez o máximo para ficar indiferente àquilo. Para trata-lo como tratava Nico de manhã, mas ou era carinhosa demais ou fria demais. Aquilo não podia estar acontecendo com ela. Definitivamente, não podia.

--X—

A culpa a corroía. Era em cada parte de seu corpo. Ela não conseguia ficar quieta, não conseguia sentar com Madge e conversar. Não conseguia olhar para Percy sem desviar o olhar. Não conseguia pensar num jeito de escapar dali. A única coisa que ela pensava era em como fazer Percy perdoá-la pelas coisas que havia dito mais cedo sobre seu pai.

Annabeth não era assim, aquela atitude foi horrível. Ela se aproveitou de uma coisa que ele disse para ela, Annabeth se aproveitou de uma confissão do moreno. Ele confiou nela e ela perdeu sua confiança. Ela se mostrou indigna. Ela se sentia suja, por ter falado o que falou.

Ele precisava perdoar ela. Precisava dizer que estava tudo bem, que Annabeth não tinha errado. Percy estava certo: ela não queria errar. Ela queria ser perfeita, por causa do pai. Queria dar orgulho para ele. Um erro desses, tão horrível, definitivamente não deveria participar de sua vida. Portanto, ele tinha que perdoá-lo. Com esse pensamento em mente, aproximou-se do moreno:

- Me desculpa, Percy.

- Você não deveria estar se desculpando – ele retrucou e olhou nos olhos dela, que estavam marejados.

- Eu sei. Está tudo tão confuso. Por favor, me desculpe.

- Tudo bem. Se isso te faz feliz...

Ela sorriu e se afastou. Percy havia notado uma coisa nas últimas horas. Ele se importava com ela. Ele não era capaz de deixa-la ali se um dia fugisse, ele gostava de vê-la irritada. Gostava do olhar irritado que ela mandava pra ele, gostava do modo como o vermelho do seu rosto corado combinava com o amarelo de seu cabelo. Ele gostava do modo que ela gesticulava com as mãos cada explicação sobre determinado assunto. Gostava do sorriso dela e gostava das respostas que ela mandava para ele.

Percy odiava não saber o que estava acontecendo. Odiava não saber interpretar os próprios sentimentos. Algumas semanas atrás, numa conversa com Rony, o ruivo lhe jogara a bomba: “Percy, você tá apaixonado pela Aninha”. Na hora, parecia ser impossível, mas porque ele havia ficado magoado com a... Hm... “Traição” dela agora? Porque quando ele percebeu que ela não se importava com ele, um vazio formou-se em seu peito? Porque ele não conseguia ser cruel com ela – tirando chama-la de virgem?

Ele estava cansado disso. Cansado de não saber, cansado de não fazer nada a respeito. Ele estava preso ali, também estava cansado disso. A sua única solução era as drogas, ele sabia disso. Ele precisava de uma válvula de escape. Para esquecer Annabeth, para esquecer o pai, esquecer a situação que se encontrava. Percy queria ser feliz, apenas isso, era pedir demais?

Depois do almoço – um minúsculo pratinho colocado por baixo da porta -, quando as meninas tiraram um cochilo, ele foi cutucar Rachel. A ruiva não demorou a despertar e quando seus olhos verdes encontraram os de Percy, ela compreendeu o que ele queria. Ela se levantou, hesitante, mas foram silenciosamente em direção às caixas.

- Você primeiro – ela disse, colocando uma mecha ruiva detrás da orelha.

- Tudo bem – o moreno falou. – E se estiver fora da validade?

- Acho que não tem isso. Tem?

- Foda-se.

Enquanto isso, Annabeth dormia. Dormia profundamente, com a consciência limpa de que Percy a perdoara. Que ele não faria nenhuma bobagem de cabeça quente. Então caiu no sono. Ela sonhava com Hermione e Percy se beijando. Era engraçado. No sonho, Annabeth era invisível por causa do boné dos Yankees que havia achado no quartinho. Era um sonho estranho, enfim.

Quando abriu os olhos, percebeu Rachel dormindo, ao lado de Madge. Percy a encarava, mas seus olhos estavam vermelhos e pesados. Ele estava drogado. Annabeth levou a mão a boca e seus olhos encheram-se de lágrimas, no exato momento que a porta da "prisão" era aberta.

- Resolvi aparecer – Snow anunciou entrando ali. – E trouxe companhia.

O velho empurrou duas pessoas para ali dentro. Uma menina, extremamente pálida e cabelos enormes, louros facilmente confundíveis com branco. Ela tinha uma cara doce e vestia-se como criança, enquanto o homem ao seu lado tinha um aspecto de bêbado. Barba por fazer e cabelos loiros na altura do queixo. Suas roupas, também não ajudavam a desassociar sua aparência com a de um alcoólatra.

- Pois bem – começou Snow. – Loirinha, acorde seus amigos aí.

Annabeth fez o que ele pediu, assustada. Madge acordou, porém Rachel parecia morta. Percy foi cambaleando até Snow. O senhor, vendo a imagem do moreno, franziu o cenho. Apontando para ele com o queixo, perguntou para Annabeth:

- Porque ele está assim?

- Ele está com sono. Se recusa a dormir aqui e com razão – ela mentiu.

- Ora, quanta insolência – debochou Snow. – Posso te matar a qualquer momento, garota. Então, quero o telefone de seus pais para resgate.

- Resgate? – perguntou Annabeth. – Mas...

- Ande – mandou Snow.

- 3031-7512 – ela contou e Snow sorriu maleficamente.

A cena que se seguiu foi aterrorizante. O tal homem loiro disse que não tinha ninguém para quem ligar. Sua família era apenas ele e a sobrinha, que estava ali. O pai dela havia morrido e só tinha a ele. Então Snow, sem dó nem piedade, apontou uma arma para ele e com um único disparo, acertou a cabeça dele. Annabeth começou a chorar.

- Cale a boca – mandou Snow para ela. – Qual seu nome, loira?

- Luna Lovegood – sussurrou a menina, chorando desesperadamente. – Meu tio... Tio Haymitch...

- Eu só não lhe mato agora, porque você tem corpo. Prepare-se para ir para Vegas.

- O que você vai fazer com ela? – interviu Annabeth.

- Quer ir pra lá também? – ele ameaçou e ela rapidamente negou. – Então fique quieta, mocinha. Ande, quero o telefone dos pais de vocês.

Depois de Madge e Percy darem seus números – esse último, com a voz arrastada -, Snow saiu dali e trancou a porta. A menina chamada Luna abaixou-se ao lado do tio e começou a chorar. Logo, Annabeth se prontificou para ajudar. Percy apareceu ali, mas de olhos marejados, a Chase deu um tapa na cara dele.

Ela estava decepcionada com ele. Percy era... Por mais que não quisesse admitir, sim, era quase um amigo. Eles cresceram juntos. Mesmo discutindo, é normal um se importar com o outro. Annabeth achava que sim, mas ela não estava imune à amizade de Perseu Jackson. Ela se importava com ele.

Tantas coisas passavam na cabeça dela naquele momento. Enquanto ela consolava Luna, Madge chorava num canto. A vida deles estavam em perigo, ela só queria ir pra casa. Mesmo que seu pai não lhe desse muita atenção, que sua madrasta fosse horrível e que seus irmãos fossem insuportáveis... Ela só queria ir para lá. O lugar que poderia chamar de lar.

Notas finais
Eu vou postar uma one Percabeth com a minha melhor amiga e uma amiga lá da sala. Filhas de Afrodite e Poseidon, respectivamente, Bela e Duda. Mesmo que a de Poseidon tenha mais jeito de filha de Ares. Anyway, quero sugestões... Onde Percy e Annabeth podem se casar? Digo, não tem sentido eles se casarem na igreja porque eles acreditam em deuses, não em Deus. Então, help me, please.
Falando em PJO... De quem vocês são filhos, meus amorecos? Eu sou de Athena ^^
Mandem reviews pra mim *-* E recomendações são sempre bem-vindas. Beijão!