Aventuras Solares
2 Capítulo 1 - Bryan
Zeon acordou depois de um sono profundo, que acreditou ter durado muitos dias. Ele tentou se levantar, conseguindo, com certa dificuldade. Seu cérebro parecia estar explodindo, seu corpo parecia pesar toneladas, cheio de feridas sob a armadura suja. Só lhe veio um “como estava ali?” à cabeça. Ele observou o local. Era um jardim florido, ao lado dos escombros de algo que se assemelhava com um castelo.
Ele começou a andar, mesmo com dificuldades, sobre as ruínas e percebeu que aquele lugar não lhe era estranho. Já o conhecia a um bom tempo. Ao caminhar, notou pilares, partes de tetos ao chão, esculturas, móveis e quadros quebrados. Ele viu uma escada com o corrimão rachado e subiu para o andar seguinte. Ele percorreu um corredor e se deparou com uma sala toda destruída, onde
— Eu esperava que você já tivesse sido morto... — Disse uma voz vinda de trás, alertando Zeon.
— Quem é você?
Alguém saiu de um dos escombros na sala.
— Você... Eu lhe conheço, você é o...
— Se você me conhece, então sabe que não sou uma presença boa para você — ameaçou ele, emanando um tipo de energia ao redor do corpo.
Zeon apenas pôde ficar em posição de defesa, enquanto seu inimigo corria rapidamente, visando um ataque. Ele viu um clarão e antes que pudesse desviar, foi lançado para o fundo, sendo arremessado para fora das ruínas e entrando em queda livre de uma altura enorme, e caindo nas profundezas de um lago que ficava nas proximidades. O seu inimigo, em um salto, caiu com suavidade impressionante, andou poucos passos e ficou as margens do lago.
— Que sorte a dele...
O lago começou a borbulhar, e depois de um instante, Zeon apareceu se agarrando às margens com toda a força que lhe restara, subindo e caindo deitado no gramado da margem, sentindo falta de ar, com o sol atrapalhando sua visão. O guerreiro que estava próximo dele estendeu as mãos em e começou a emanar energia, formando uma esfera de cor púrpura, ocupando todo o espaço entre as mãos.
— Espere! — Uma voz ecoou.
Apareceu, por teletransporte, outro homem com o corpo quase todo coberto com um manto preto, somente a cabeça estava à mostra. Ele caminhou até a margem do rio e viu o garoto que tinha aparência de ter aproximadamente 15 anos, cabelos e olhos azuis. Ele estava todo molhado e com dificuldades de respirar.
— O que você quer, Bryan?
— Não o mate — Respondeu com voz serena, mas firme.
— E por que eu não o mataria?
— Este garoto é muito querido entre eles... Por que não o levamos como refém e eles vêm até nós? — Respondeu.
— Isso até pode ser um bom plano, mas não achariam conveniente mandar o exército todo por causa de um lixo desses — Ele pisou em Zeon.
— Eu concordo, porém, que tal se nós o levarmos e com certeza enviarão pessoas em busca dele... Capturamos todas elas e quando tivermos um número significante enviaremos provas do que fizemos para eles, e o resto você já sabe.
— Muito inteligente Bryan.
— Pois bem, pegue este garoto e leve para o Salão dos Inimigos de Bluegarden.
— Certo — Disse levantando o garoto
Bryan se virou e começou a andar.
— Para onde você vai?
Ele parou e olhou para o seu colega.
— Vou me divertir, soube que nessa cidade está tendo um festival.
— Só não exagere — Disse ironicamente.
— Tudo bem Zephiron — Respondeu rapidamente, mostrando irritância.
Anoiteceu em Elemental City, então isso marcou o início de um festival na cidade, para comemorar a colheita no campo e os avanços tecnológico-científicos do reino. Geralmente ocorre todo o ano, na praça central da cidade, e isso atrai muitos turistas para a cidade. No festival há músicos, torneio entre gladiadores, partidas de Dragonbol, barracas vendendo variedade de comidas, bebidas e prazer.
Bryan estava andando lentamente em uma rua totalmente escura, vestia uma roupa envolvida por uma jaqueta preta. Ele carregava em mãos uma lata aberta de uma bebida alcoólica. Ele vê uma mulher encostada em uma parede do lado de fora de uma casa próxima de uma esquina. Ela tinha belas curvas, usava um vestido da cor vinho, que deixavam parte das suas belas pernas a amostra, seus cabelos pretos claros e lisos e sua pele clara fizeram Bryan ir à loucura. Ele se aproximou dela, e disse:
— Mulher, qual é o seu preço?
— Não me trate como uma mulher qualquer, até por que meu preço não se resume em apenas dinheiro...
Ela se aproximou mais dele, provocando-o.
— Entenda meu caro, que eu busco homens que me deem prazer, pois dinheiro... Eu já tenho o suficiente.
— Ah claro — Fez uma pausa — E que tipo você procura?
— Vejamos...
Ela o beijou calorosamente, de uma maneira que Bryan jamais imaginaria.
— Gostei de você... Venha aqui.
Ele acordou em uma cama, com a mulher envolvida em seus braços. A luz do sol penetrava as frestas da janela semiaberta e atrapalhava seus olhos. Ele olhou para a mulher e alisou seu corpo, tocando em algumas partes do seu corpo não cobertas.
— Bryan... — Ela se virou na cama para olhar para ele.
— Bela noite, não acha?
— É por isso que eu disse que dinheiro não é o principal. Poucos homens já me levaram na cama, você é o segundo.
— Sinto-me lisonjeado.
Os dois riram.
— E então, meu ruivo, gostou mesmo?
— Essa experiência foi fantástica.
Ele olhou para um relógio digital no formato de cubo em uma mesa ao lado, marcava nove horas.
— Desculpe Pandora, tenho que ir...
Sentou-se na borda da cama, ela logo se aproximou, abraçando-o.
— Mas...
Ela o abraçava com muita força.
— Eu tenho que ir, devo continuar meu trabalho em Bluegarden.
— Você realmente não entende! Por que acha que estou desse jeito? Eu mal conheci você e foi uma das poucas exceções em minha diversão, não sou uma prostituta, sou uma mulher em busca de novas experiências.
— Isto, eu nem conheci você direito.
Ele se levantou e começou a vestir suas roupas, ela o observou colocar cada utensílio em seu devido bolso. Depois de terminar de se aprontar, ele se aproximou dela e disse:
— Venha comigo.
Ela respondeu com um sorriso.
Ele a levou para um restaurante e pediu um café da manhã, que logo foi servido. Durante a refeição, que demorou cerca de uma hora, eles conversaram amistosamente, conhecendo um o outro. Ela falou um pouco de seu passado, onde fugiu da casa de sua mãe, para viver a vida de seus sonhos. Bryan revelou-se pouco para ela, pois era um homem bem reservado para si, misterioso. Ela falou que além de “procurar diversão” sustenta-se com trabalhos com magia, algo normal em Elemental City.
— Foi um lanche bem legal, ruivo.
— Pois é — Ele riu.
— Você é bem misterioso, por que não fala muito?
— Não sou muito sociável, eu gosto de deixar um mistério no ar... O silêncio diz mais do que as pessoas imaginam.
— Interessante...
— Você me parece bastante interessante... Bela, sedutora, conversa muito bem e tem o dom de deixar qualquer experiência interessante.
— Você me deixa envergonhada desse jeito — Ela desviou o olhar.
— Tome — Entregou em envelope — Aí está o dinheiro do seu trabalho, ou melhor, diversão e o dinheiro do restaurante, adeus.
Ela o observou sair e analisou o conteúdo do envelope e viu que todo o dinheiro estava lá, nenhum Neon a menos. Ela pagou ao garçom e percebeu que no fundo do envelope tinha um pedaço de papel solto. Estava escrito “Obrigado pela noite de ontem, 045687400 esse é meu número, se você se interessar”. Ela riu e guardou em um bolso de seu vestido.
Em algum lugar escuro, alguém sentado e na mesa a sua frente uma esfera brilhante mostrava Pandora sentada no restaurante.
— Então é essa mulher...
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