Aventuras Solares
3 Capítulo 2 - O Resgate
Dois dias depois que Bryan deixou a cidade, ele estava em Bluegarden, andando pela cidade. Atravessando algumas ruas, se deparou com uma construção que se assemelhou a um castelo. Ele entrou sem problemas, pois os guardas o reconheceram, e foi em uma sala escura onde tinha um computador com uma tela gigantesca, e o teclado com diversas teclas.
Bryan se aproximou, para que o operador percebesse a sua presença, e ele logo largou sua cadeira e se levantou. Eles se aproximaram, cumprimentaram e Bryan disse:
— Há quanto tempo, Vladus.
— É verdade, pensei que estivesse morto pela sua demora — Gargalhou cordialmente.
Ele respondeu com um riso.
— Nunca subestime o poder de um Mago das Sombras.
— Ah, uma vez seu pai me disse que você sempre realiza as suas tarefas, não importa o quanto difíceis elas sejam, sua paciência é algo realmente admirável.
— Meu pai — Deu um riso ao lembrar de muitas aventuras com ele — Realmente foi um grande homem.
— Exatamente, meu caro, apesar de ter morrido em uma aventura com você, eu percebi que não teve muita tristeza após a sua morte... Esse é o famoso senso do dever cumprido?
— Hahaha, meu pai e eu lutamos juntos naquele dia, eu sempre estou preparado para morrer lutando, ele me ensinou isso, e suas ultimas palavras...
— Não chore, sorria por que concluímos a missão, e morremos com honra — Completou.
— Exatamente — Ergueu a cabeça — E por isso não fico triste com a morte dele, porque todos os verdadeiros guerreiros sabem que tristeza e ódio são fraquezas.
— E então, qual o seu motivo de vir até a mim? Com certeza você não veio só por que sentiu a minha falta.
— Certo, eu gostaria de saber como está a situação do nosso prisioneiro.
— Bem, ele está em hibernação criogênica, os batimentos estão totalmente parados... Por que você perguntou?
— Precisamos dele vivo.
— Claro que não, se ele morrer nenhum dos aliados dele vai perceber!
— Acho que não pensei nisso? Preciso desse inimigo para outros objetivos... Isso é uma pequena parte de um grande plano.
— E qual seria esse plano?
Bryan se virou.
— Não posso dizer agora, mas em breve...
— Tudo bem.
— Até mais.
Ele andou até a porta e saiu do lugar, entrou em um corredor e seu celular tocou.
— Quem é?! — Atendeu.
— Bryan, sou eu.
Se assustou com a voz conhecida.
— Pandora
— Sim, é que tem um maluco que está me seguindo, ele usa uma túnica muito escura, lembra muito os magos de Bluegarden, como você.
Como ela sabia disso, pensou, mas não havia tempo para pensar como, deveria agir.
— Tudo bem, eu estarei aí em uma hora. Se esconda bem!
— Tentarei — Disse com voz esganiçada.
Ela estava de costas para uma parede em um beco escuro enquanto falava com Bryan, ela estava apreensiva, pois poderia ser encontrada em breve. Ela desligou o celular e pôs em seu bolso da calça jeans que usava e rastejou o tronco até poder ver se o homem estava próximo. Ela observou a rua totalmente vazia, o céu estava nublado, trovejante e atravessou o local.
Bryan logo correu até o elevador e desceu até o térreo. Correu em direção a um galpão aberto, onde havia quatro naves. Ele subiu em uma delas e apressadamente decolou a toda velocidade. Como será que ela sabe que eu sou um mago de Bluegarden? Será que ela viu os meus pertences? Deve ter sido isso, claro.
Cerca de uma hora depois, o mago estava se aproximando do continente Elemental. E logo apareceram quatro naves o cercando. Ele ativou o comunicador e disse que vem de Bluegarden em uma missão, um piloto de outra nave falou para mandar o seu ID Card, Bryan viu um aparelho que parecia um pequeno monitor sensível a toque, selecionou a opção ID Card e digitou o seu código. O operante da outra nave confirmou e deu a ordem para nenhum de seus aliados o impedir de continuar a sua viagem.
Bryan aterrissou a nave em uma vaga na garagem de um amigo seu, assim podendo economizar em alugar vagas. Logo que saiu da nave ele percebeu que estava meio atrasado como tinha prometido. Afetado pela pressa, ele ligou para Pandora.
— Bryan.
— Pandora, onde você está e você está bem?
— Eu consegui despistar ele um pouco, estou atrás do Magic College. Eu logo estarei aí.
Ele logo desligou o telefone e falou com o seu amigo.
— Muito obrigado Allioth.
— Só tome cuidado com ela.
— Certo.
Ele colocou o capacete e acelerou a sua motocicleta. Ele estava muito rápido, o velocímetro digital marcava velocidade próxima da máxima, a cada curva que ele dobrava por instinto era uma aflição, pois tinha certo medo de cair, ele desviava dos automóveis e outros meios de transporte por reflexo. Mas, em uma curva fechada, que conseguiu passar sem problemas, até ver uma mulher com um bebê nos braços, ele jogou a motocicleta para o lado oposto à curva e deslizou e acabou caindo.
Sua jaqueta rasgou, e o chão ralou o seu braço, porém não tinha tempo para dor, e resolveu ignorá-la. Começou a chover, ele sentiu as suas feridas arderem. Bryan se levantou e foi puxado para uma espécie de beco, ele ergueu as sobrancelhas, suou frio, e viu que era Pandora. Ele não teve tempo de falar algo, pois ela fez o sinal para ficar em silencio.
— O cara está bem próximo daqui, eu consegui despistá-lo um pouco — Cochichou.
— Vocês são péssimos, como eu pensava — Uma voz vinda de trás falou.
Alguém surgiu das sombras, como se tivesse pulado de algum lugar alto. Ele caiu com perfeição à frente dos dois, virou os calcanhares e os olhou com grande convicção. Pandora correu para trás de Bryan, o abraçando. Ele fitou-o apertando os olhos, ele tinha uma mascara bem estranha que cobria seus olhos, parecia fazer parte da sua armadura extremamente escura, que lembrava um pouco as partes de uma ave.
— Bem, finalmente eu o encontrei, Bryan Armstrong.
— O que você quer com esta mulher?
— Essa vadia? Nada. Só a usei para encontrar você.
— E então, o que você quer de mim, Mago das Sombras?
— Mago das sombras? — Disse rindo — Esse nome não existe há séculos. Faço parte da Ordem dos Guardiões de Darkheaven.
— Entendi agora do que se trata... Não! Não vou fazer parte desse jogo sujo do reino Elemental.
Ele deu gargalhadas como resposta.
— Jogo sujo? Vocês planejam sequestrar os melhores membros do exército do Reino Solar e nós fazemos o jogo sujo?
Não é possível?! Pensou
— Você é um idiota mesmo... — Disse rindo — Não acredito que enganei o “todo poderoso” Bryan Armstrong com esse disfarce
— Você me parece muito interessante. Se faz de Mago das Sombras muito bem, possui o símbolo de Bluegarden no bolso dessa sua jaqueta imunda.
— Venho investigando vocês há muito tempo, meu caro, somos apenas vigilantes em todo mundo, coletando informações... Temos interesses em comum, e...
— Chega de criancice.
O guerreiro apontou uma flecha em direção de seu peito.
— E agora? — Disse com um riso maléfico.
Bryan e Pandora estavam em alto mar em um grande navio cercado de tripulantes. Estavam amarrados, é claro, enquanto isso o cavaleiro estava manobrando com a mão direita e bebendo um líquido que Bryan viu que era vinho, com a mão direita. O vento soprava em direção favorável, chovia, mas não a ponto de atrapalhar a navegação, por enquanto...
Anoiteceu no Mar Krebby, a pequena chuva se tornou uma tempestade. Todos os tripulantes estavam sofrendo com a chuva forte e a intensa ventania. O capitão continuava lá, estático, manobrando o seu timão. Durante as horas a bordo, Pandora e Bryan não trocaram uma única palavra, pois estavam ameaçados com duas espadas atrás das suas nucas.
— Bryan, Acha que sobreviveremos? Hahaha — O Capitão disse com ironia.
A tempestade não foi o suficiente para destruir o barco. Pela manhã eles aportaram em uma ilha. O céu estava limpo, o dia estava lindo, a brisa sobre o rosto e o sol sobre suas cabeças. Porém, isso não foi o suficiente para animar a situação de Bryan e Pandora, que foram espetados com as espadas nas costas e desceram do navio.
Eles ficaram de joelhos na praia, cercados pelos tripulantes asquerosos, que alguns diziam (O que vamos fazer com eles?). O capitão se aproximou dos dois com sua imponência. Ele se agachou e Bryan logo desviou o olhar.
— Eu não vejo outra opção a não ser cooperar conosco.
Não houve resposta. Passado um instante o homem deu um leve sorriso no canto da boca.
— Pois bem, Bryan, meu patrão e o seu têm interesses em comum...
“Destruir o Reino Solar” Os dois pensaram.
— Destruir o Reino Solar — Confirmou os pensamentos — Então, meu patrão pensa em unificar os interesses dele com os do seu chefe. Por isso eu quero que convença seu chefe de unificar os reinos para um ataque, que irá destruir o Reino Solar... E todo mundo sai ganhando.
“Péssima ideia” Bryan pensou
— E então, meu caro? O que acha de fazermos um acordo? Convença o seu chefe, que eu liberto você e sua donzela...
O capitão mostrou um sorriso, vangloriando-se.
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