Aventura Romântica
18 Boas Intensões III
Notas iniciais
Lis
De tudo que minhas amigas fizeram, a pior coisa foi a que encontramos de manhã. Quando cheguei na cozinha encontrei uma mesa incrível de café da manhã e ninguém a vista.
–O pessoal chegou? -Fábio chegou parando diante da mesa posta.
–Acho que não... — consegui falar incrédula que elas pudessem ter ajeitado tudo isso enquanto dormíamos.
–Você arrumou essa mesa? — ele ficou surpreso.
–Não, acordei agora e já estava tudo arrumado.
–Lis? Você e suas amigas estão tramando alguma coisa, fala a verdade?
Ele falou tão seco que me senti mal.
–Não!
–Olha só Lis, eu não vou ficar chateado, só me fala você organizou isso sim ou não?
–Não! Eu juro, eu não tramei nada. -tive vontade de chorar tão rápido o clima mudou entre nós.
–Então aquela mensagem dizendo que sentiria minha falta no fim de semana?
–Mensagem? Eu não mandei mensagem nenhuma.
–Como não. — ele puxou o celular e mostrou a mensagem.
–Ah não acredito, eu não fiz isso... e quem assina com carinha piscando é a Sol. Droga pegaram meu celular e fizeram tudo isso.
–Sem você saber?
Ele não estava acreditando em mim.
–Sim. Ou você acha que eu esqueci as suas regras, sem intimidades, sem passeios de mãos dadas, sem cafés da manhã... Sexo e só isso, sem nenhum envolvimento!
Fiquei exaltada, eu estava farta daquilo tudo, não me apegar estava cada vez mais difícil, mesmo assim eu me esforçava, mas minha forças estavam acabando e com esse fim de semana tinha sido ainda pior, passar um dia divertido com ele, depois dormir e acordar ao lado dele... E agora ter que me explicar como se tivesse participado da elaboração da terceira Guerra Mundial.
–Tudo bem então. — ele parecia fraco também diante de tudo aquilo, no fundo eu sabia que ele também lutava para não se apegar, mas eu não entendia por quê.
–Quer saber, vamos-embora. -falei impaciente.
–Como assim?
–Vamos embora, cansei desse fim de semana idiota. Deixamos um aviso para se acaso eles voltarem.
–Agora já estamos aqui Lis, ainda é domingo de manhã...
–Não, eu quero ir para casa e quero ir agora! Se você não me levar vou ligar para o Léo ou então vou a pé!
Ele me olhou por um tempo e não discutiu mais, pegou as coisas dele e eu as minhas deixamos um recado para eles e viajamos para casa. No caminho quase não nos falamos, como se fossemos dois estranhos, e de fato éramos, eu sabia muito pouco dele e ele nada sobre mim. Sabíamos apenas a nossa sintonia na cama, mas nem isso agora parecia bom o suficiente. Senti raiva das minhas amigas, mesmo sabendo das boas intenções delas, senti raiva de mim por me deixar levar nessa relação estranha.
–Está entregue. — a voz dele me tirou do meu mundinho particular, já estávamos na frente do meu prédio.
–Obrigada, e me desculpa por essa roubada, eu não sabia mesmo, vou ter uma conversa séria com as meninas.
–Ei Lis, tudo bem. -Ele se ajeitou no banco e ficou de frente, segurou meu rosto entre as mãos.
–É que está ficando confuso, tudo isso... Acho que está confuso para elas também.
–Eu sei... E tenho certeza que o Igor está envolvido nesse fim de semana... Mas eu preciso ser claro com você, eu amei passar esse tempo com você... Mas eu não quero... Não quero nada oficial Lis.
Ele me disse com uma voz séria, mas seus olhos estavam com uma expressão de dor. -Eu não quero te iludir, e nem mesmo te magoar.
Cada palavra me atingia como uma lança afiada.
–Eu sei, conheço todas as regras. Se me iludir ou se já estou iludida a culpa é minha mesma.
–Não, por favor, não fala assim, é que é tão difícil te explicar, mas eu não posso ter um relacionamento. Eu não devo. E sobretudo eu não consigo.
–Eu também não quero que se sinta obrigado a ter um relacionamento só porque minhas amigas ficam insistindo ou por algum tipo de obrigação.
–Não... – As mãos dele continuavam no meu rosto. – Eu não começaria um relacionamento por obrigação, jamais, é muito fácil se apaixonar por você Lis, você é perfeita do seu jeitinho.
De repente tinham lágrimas nos olhos dele.
–Por ser tão linda e apaixonante, é tudo mais difícil ainda... Tenho medo...
–Medo?
Ele suspirou e largou meu rosto, virando para frente.
–Não quero falar mais disso... Me desculpe .
–Tudo bem. -suspirei- Vou subir.
Dei um beijo no rosto dele e sai do carro se olhar para trás para que ele não pudesse ver as lágrimas que se derramavam em meu rosto.
***
Fábio
Eu tive vontade de correr atrás dela, de segurá-la nos meus braços e fazer aquele ar de tristeza sumir dentro dos meus beijos... Mas não fiz nada disso, limpei o rosto com raiva daquelas lágrimas estúpidas e a esperei sumir dentro do prédio e só fiz o que podia fazer naquele minuto.
I: Alô? Fábio?
F: Eu não acredito Igor que você participou desse final de semana armado! Cadê meu melhor amigo? Cadê aquele cara que sempre está do meu lado?!
I: Poxa cara eu to aqui, mas a Lia e as meninas...
F: Elas tudo bem, não me conhecem, só querem o bem da Lis... Mas você seu idiota!
I: Ei irmão, para com isso se acalme, estão na casa dos pais da Sol ainda?
F: Se acalmar? Eu estou aqui na frente do prédio da Lis, ela quis vim embora e é provável que nunca mais quera me ver... Adeus minha inspiração!
I: Fábio, se ela nunca mais querer te ver acha que a única coisa que vai importar é seus textos? Cai na real!
F: Olha só, quando chegar em casa, vamos ter uma conversa séria!
I: Tudo bem, eu estou aqui no litoral ainda, mas vou avisar o pessoal que deu ruim e te encontro mais tarde em casa certo?
F: Quer saber não quero olhar para tua cara hoje não!
I: Fá...
Desligou e telefone e resolveu dirigir até chegar num lugar que sabia que precisava ir para encontrar sentindo em tudo isso.
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