Aventura Romântica – Lembranças
2 Capítulo: Lembrança II – Vai nascer!!!!
Notas iniciais

Lia organizava as coisas na confeitaria com ajuda do afilhado, sua barriga estava enorme esperava o primeiro filho após três anos de casada com Igor.
—Dinda onde coloco isso? — o menino perguntou segurando umas caixas de gotas de chocolate.
—Aqui meu bem, deixe na bancada que eu coloco no armário.
—Você vai dinda, na missa da vovó?
—Vou querido, todos vamos.
—Lia!!! Meu Deus! -Lis chamou a atenção da amiga. — Sabe que não pode levantar peso! Daqui a pouco vai dar a luz aqui mesmo na cozinha da confeitaria! Veja se pode essa tua madrinha filho!
Lipe riu, gostava de ver a mãe e a madrinha brigando ou brincando sobre alguma coisa, pareciam às colegas dele na escola.
—Ai que exagero, estou grávida não inválida! E tem mais de quatro semanas para a Letícia nascer!
—Eu sei, e a dinda não vê a hora dessa pequena chegar, mesmo assim quero evitar ter que fazer um parto de emergência. Deixa que eu guarde essas coisas!
Lis assumiu o lugar da amiga que sentou emburrada numa cadeira perto da mesa.
—Dinda o dia que a Laurinha nasceu à mamãe chorou de dor. – comentou o menino ao acaso.
—Verdade, nossa doeu muito! – Lis falou fazendo uma careta.
—Isso! Vocês dois ficam me assustando! Assim a Letícia vai ficar aqui dentro para sempre!
—Não querida, é uma dor que dá e passa, quando você ver o rostinho dela, pronto tudo passa!
—Mãe quando eu nasci você sentiu dor?
—Lipe teu pai já contou várias vezes esse dia né?
—Já... Mas é engraçado escutar de novo!
—Mas hoje você está só querendo ouvir histórias antigas né? – ela sorriu dando um beijo na cabeça dele.
—Então deixa eu contar que a minha versão é a melhor! — Lia se animou.
—A não Lia! Você faz eu parecer uma baleia encalhada, não quero!
—Vou contar sim! Vem cá perto da dinda meu anjo.
O menino foi até ela e sentou ao seu lado enquanto Lis se escorou na pia de braços cruzados para escutar uma das versões mais engraçadas do dia em que Felipe nasceu.
****
Lis estava se sentindo enorme, a barriga a deixava andando como uma “pata” as amigas morriam de rir dela, que ficava bufando e dizendo que quando chegasse a vez delas iria se cobrar.
Naquela manhã, comecinho de fevereiro o calor estava terrível. Com um vestido solto ela tinha ficado sentada com os pés pousados na mesinha de centro bem na frente do ar condicionado.
—Amor? Está bem?
—Sim, só esse calor que está insuportável.
—Vou fazer um suco para você.
Fábio super prestativo, estava mais apavorado do que nunca, até na sua última crônica tinha colocado como estava se sentindo: “O apavorado do Parto”.
—Obrigada amor, tem suco pronto...
—Ah, então vou buscar, não sai dai!
—Engraçadinho você! – ela falou o vendo sumir na porta da cozinha.
Pouco tempo depois ele voltou com dois copos de suco de laranja.
—Aqui linda! – entregou o copo para ela e sentou ao seu lado.
—E como nosso menino está se comportando hoje?
—Até que está quietinho... – Lis passou a mão na extensão de sua barriga. -Estava mais agitado a noite. Está trocando já noite por dia, imagina quando nascer.
—Vai nos dar um baile como diria minha mãe.
—Não duvido, com toda experiência que temos...
—Ei garotão, falta pouco para você chegar, estamos te esperando! – ele falou grudando a cabeça na barriga dela. – Não vejo a hora de ver teu rostinho.
O bebê começou a se movimentar ao escutar a voz do pai.
—Olha só, já está acordado.
—Acordou para conversar com o papai é?
—É, mas agora aguente ele esmagando minha bexiga. -Lis falou chorosa.
—Ah, ele vai se comportar né? Felipe seja um bom menino!
—Me leva para confeitaria pai do ano? – brincou observando ele encher de beijo a barriga dela.
—O trato não era você não ir mais trabalhar essa última semana?
—É, mas não quero ficar aqui, as horas não passam e nossa cozinha é tão pequena que mal cabe eu e minha barriga lá dentro, na confeitaria posso inventar alguma coisa e não fico me sentindo uma inútil.
—Quer que eu tire o dia de folga para ficar com você? – Fábio a dois meses trabalhava na redação do jornal da cidade, além das colunas escrevia um caderno de noticias diário.
—Não, deixe para quando ele nascer vou precisar mais de você do que agora.
—Nossa, você viu filho, sua mãe? Me dispensando já cedo.
Ela sorriu e o puxou para um beijo.
—Exagerado esse seu papai Lipe!
**
Lia coordenava algumas cozinheiras, estavam fazendo uma grande encomenda para um casamento.
—Lis, você devia ter ficado em casa, está me atrapalhando.
—Ei eu sou dona aqui também, não me trate assim! – falou já ameaçando cair no choro, sensível como sempre.
—Ai amiga, não falei por mal, mas veja não tem como você cozinhar algo hoje, estamos atrasados com as entregas...
—Me de algo para fazer, deixe eu colocar os bem casados nas caixinhas de lembrança pelo menos.
Lia encarou a amiga, com aquela barriga enorme e olhar suplicante e sorriu.
—Tudo bem, vou colocar tudo na sua frente para você não precisar andar muito.
—Deixa eu ir junto fazer a entrega? Adoro esse lugar que vai ser a festa.
—Não sei se é uma boa ideia... Fábio não vai gostar de você para lá e para cá o dia todo.
—Meu Deus fiquei grávida acabou minha vontade própria é isso?
—Drama e mais drama! Tudo bem, vamos agilizar tudo e as seis você vai comigo entregar!
—Oba!
Lis sorriu e começou a arrumar os doces na caixinhas já montadas sobre a bancada.
**
Tudo correu normalmente até na hora da entrega, com tudo pronto arrumaram as coisas no carro e dispensaram as cozinheiras. Lis sentou ao lado da amiga no carro e quando foi por o cinto sentiu a primeira contração. Uma dor que quase rasgou sua barriga ao meio, mas assim como tão logo veio, foi, então ela não comentou nada com Lia.
—Então vamos lá, gente quem casa em pleno verão num Camping cheio de mosquito.
—Nada, é um lugar lindo, eu vi as fotos da decoração na internet, vai ser o casamento do ano.
—Pode até ser, mas no meu casamento, não quero nada ao ar livre, vou me casar numa igreja e a recepção vai ser num Club bem protegido. Nada de ficar checando a previsão do tempo de dois em dois minutos!
—Vou anotar isso para repassar para o Igor!
As duas continuaram conversando e Lis agradeceu secretamente que pararam as dores.
O lugar da festa ficava a uma hora do centro, a viagem foi tranquila, ao chegarem, Lia desceu primeiro do carro, deixando Lis se ajeitar, antes de descer, veio a segunda contração essa mais intensa e demorou um pouco mais para passar.
Achou melhor não comentar nada e foi ajudar com as caixas menores.
Quando largaram as primeiras caixas na mesa principal para serem organizadas Lia observou a amiga tremendo se curvar um pouco com a mão na barriga.
—Lis?
—Ai... Não é nada, só uma dorzinha...
—Meu Deus, quantas “dorzinhas” você já sentiu? – falou brava.
—Para falar a verdade acho que muitas ao logo do dia, mas não eram tão intensas quanto as últimas três... aiiiiiiiiiiiiiiiiii... quatro!
—Quatro já? Socorro! O que vamos fazer?
—Vamos entregar tudo e depois você me leva para o hospital!
—Lis você é louca, porque não falou para o Fábio que estava com dor! E bem hoje com essa entrega e sua tia fora.
—Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Lia para de falar e vai acelerando isso antes que tenha que fazer meu parto.
As pessoas trabalhando ali ajudaram a descarregar as coisas do carro, enquanto Lis sentia o tempo entre as dores diminuindo gradativamente.
Quando tudo estava no salão, Lia ajudou a amiga a entrar no carro e se dirigiu de volta para o centro.
—Liga para o Fábio, para ele esperar você no hospital...
—Aiiiiiiiiiiiiiiii! – começou a respirar com dificuldade as dores estavam insuportáveis. – Não vou aguentar isso!
—Vai sim, Lipe segura ai que a dinda vai meter o pé no acelerador, meu bem você tem que esperar só um pouco!
Lia acelerou enquanto Lis ligava para Fábio.
—Alô? Amor que história essa de ir fazer entregas e deixar recadinho com seu primo? Não gostei nada...
—Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii!
—Lis? O que está...
—Acho que chegou a hora... Ai... Amor a Lia está me levando para o hospital... E.... Ai meu Deus a bolsa rompeu!
—Aiii meu Deus! Molhou tudo! – Lia ficou mais tensa.
—Fica calma e não larga esse celular que eu quero saber o que está acontecendo... Léo... Léo! Tua prima está tendo o bebê, me leva para o hospital, anda... Amor?
—To aqui. – respirava com dificuldade se agarrado ao banco por que Lia corria feito louca.
—Estou entrando no carro aqui com o Léo... Cara anda logo! Está sentindo muita dor?
—O que você acha! – falou trincando os dentes. – Parece que vou explodir, quero anestesia agora!
—Cadê a mulher do “quanto mais natural melhor”?
—Cala a boca Lia! Fábioo, aiiiiiiiiiii, precisa pegar minhas coisas, a bolsa da maternidade!
—Quando chegarmos no hospital, ligo para alguém ir pegar... Amor fica calma, respira devagar como aprendemos no curso de gestante.
—Aiiii, nunca mais quero engravidar... Isso é culpa sua está me ouvindo?! – falou começando a respirar como aprendeu no curso e Fábio acompanhava do outro lado da linha.
—Que você está fazendo cara? – Léo perguntou vendo o amigo respirar engraçado no telefone.
—Estou ajudando a minha mulher, o marido tem que ser a pessoa mais calma e serena nessas horas, pelo menos é que me falaram no curso!
Léo riu e acelerou para o hospital estava começado a ficar nervoso.
**
Lia fez o trajeto de uma hora em vinte e cinco minutos, chegou no hospital com a amiga aos prantos de tanta dor, Fábio tinha chegado e esperava com uma cadeira de rodas, quando viu as duas descendo do carro correu ajudar seguido por Léo e Igor que já estava ali também.
—Amor como está?
—Estou com dor, DOR! Muita dor!
—Certo, vem senta aqui já estão nos esperando.
—Quase que faz um parto Lia?! -Léo brincou ao ver que ela estava pálida e com os dedos vermelhos de tão forte que segurou o volante.
—Não brinca, quase morri de medo disso! Nunca mais me deixa acreditar em uma mulher grávida!
—As minhas coisas?
—Nanda e Sol foram buscar, estão vindo!
—O Fábio parece tão calmo...
—Tudo fachada, você não viu ele gritando com a mulher da recepção que não queria liberar o cadastro sem ver a grávida.
Lis nem escutava mais os amigos só sentia as dores e a mão do marido no seu ombro enquanto a levava para dentro do hospital.
Assim que entraram os enfermeiros a levaram para a sala de preparação do parto e Fábio foi para outra colocar a roupa adequada, enquanto as amigas chegavam e se juntavam aos outros na sala de espera todos muito nervosos e apreensivos.
O trabalho do parto foi rápido e em menos de vinte minutos Felipe, pesando 2,900, chegou ao mundo para a alegria e emoção de Fábio e Lis.
—Tão lindo nosso bebê! – ela falou cansada e suada pela força que tinha feito.
—Lindo demais, oi Felipe, seja bem vindo ao mundo meu amor... – Fábio não conteve as lágrimas, o menino tinha um pingo de cabelo e a carinha enrugada mas seu filho era a criança mais linda que já tinha visto.
****
—Foi uma choradeira sem fim... – Lia concluía sua narrativa, Fábio que tinha chegado se juntou a Lis para escutar e nem foi notado pelo filho.
—Eu tinha a cara enrugada?
—Sim, parecia um joelhinho!
—Dinda!
—Mas era o joelhinho mais lindo que eu já vi! Seu dindo até chorou também.
—E eu chorei muito?
—Naquela hora só um pouco, quando colocaram você nos braços da mamãe, ficou quietinho, mas depois em casa... Muitas e muitas noites em claro! — Fábio respondeu.
—Pai! – o menino correu até onde Fábio estava pulando no colo do pai.
—Ei campeão, já sabe essa história de cor e salteada até me ajudou a escrever para nosso livro novo!
—Mas teu filho está nessa de lembranças hoje...
—Será que o dia que a Letícia nascer vai ser assim também?
—Duvido, sua dinda sente uma dorzinha de cabeça já faz o Igor ligar para o médico, capaz de ir para o hospital, uma semana antes da neném chegar para não correr riscos. – Lis brincou.
—Eu sou uma mãe preocupada, imagina arriscar ter minha princesa no banco do carro de entregas!
—Vamos subir pai?
—Vamos, por hoje já me dei folga.
—Vou terminar aqui e subo encontrar vocês. – Lis deu um beijo no marido e outro no rosto do filho. -Vão se arrumando, temos que ir na missa de ano da vovó.
—Ai, ai... Fico olhando vocês assim e fico lembrando de como tudo começou, parece até mentira que um sexo aventura acabou nessa “aventura” toda.
—Verdade, quem diria que o pé na bunda do Lucas iria me dar uma família.
—Falando em família onde está a menor?
—Está com a Nanda.
—A sim, dia das meninas. Essa nem bem engravidou já está toda sensível.
—É verdade... Ainda mais com a mudança da Sol, ela está bem carente...
—Nem me lembre, sem Sol aqui está tudo meio estranho...
—Verdade. Mas deixa eu terminar de organizar tudo e vamos subir ficar com os meninos, Igor já deve estar chegando também.
As duas amigas continuaram organizando as compras enquanto riam e conversavam.
Fale com o autor