Aventura Romântica
22 Mutirão
Notas iniciais
–Meu Deus quanta gente!!! -Tia Ana estava espantada com aqueles jovens na sua frente.
–Viemos em bando! Vamos ajudar com os doces para vender na feira! -Lia explicou dando um abraço na senhora.
–E vamos vender tudo! -Sol estava animada.
–Olhe Léo isso não é maravilhoso?
–Sim mãe! É maravilhoso demais!
No caminho para a confeitaria Henrique se juntou ao grupo.
–Bom por onde começamos?
–Ah não sei... Vamos esperar Lis chegar e... Querida que bom que chegou!
Lis entrou e deu de cara com aquele pessoal todo. Estava chorando então não reconheceu todos os rostos só ficou confusa e assustada.
–Tia... O que... Lia o que é isso gente?
–Ai amiga tá chorando? O que aconteceu?
–Acabei de ir ver a minha mãe, teve uma crise de manhã, me chamaram porque ela queria me ver mas... Foi tão horrível ver ela daquele jeito...
Lis começou a chorar mais alto escondendo o rosto nas mãos.
***
Lis
Havia encontrado minha mãe aos gritos, chamando pela mãe dela, minha avó falecida muitos anos atrás, me chamou de Ana, confundindo minha tia e eu, e chorou nos meus braços se acalmando com a dose alta de remédio que aplicaram. Estava num período bem complicado da doença, nem todo o tratamento de estímulos que fazia há mais de um ano fazia mais efeito.
Agora ali na confeitaria encontrar toda aquela gente me fez sucumbir diante da minha dor, ainda chorando senti alguém me abraçar firme, me encaixei naqueles braços e afundei meu rosto na camisa reconhecendo no mesmo instante aquele perfume e querendo que o mundo todo fosse só isso e nada mais.
–Está tudo bem, Lis, tudo vai ficar bem!
A voz dele era um conforto que eu não esperava sentir. As mãos alisando meus cabelos como se eu fosse uma menininha.
–Estamos aqui com você. — ele disse me balançando devagar diante da minha torrente de soluços que não diminuía. -Shiiii, calma, tudo vai ficar bem... Eu... Eu estou aqui com você agora.
Não sei quanto tempo permaneci assim presa naquele abraço, mas quando fui me soltando aos poucos encontrei os olhos dele me encarando.
–Oi Lis.
–Oi...
Reparei que não havia mais ninguém ali, além de nós.
–Por que não me contou? -ele passou os dedos suavemente no meu rosto
–Achei que era intimo demais...
Ele sorriu.
–Você tem razão... Mesmo assim agora eu quero estar ao seu lado.
–Obrigada, amigos são sempre bem-vindos.
Ele deu um sorriso gentil e me prendeu num meio abraço.
–Olha aqui pra mim. -levantou meu rosto para que eu pudesse olhar em seus olhos. -Agora eu estou aqui, com você. Não vou te deixar sozinha!
–Obrigada. -eu disse num soluço. -Estou feliz em te ver de novo.
–Eu também... Eu também! -disse beijando minha testa, minhas lágrimas e depois minha boca.
***
Tia Ana coordenou tudo colocou os meninos para o trabalho mais pesado, encaixotar os doces e depois levar para van de entrega. Igor também estava ajudando na parte de colocar e tirar formas do forno. Enquanto as meninas moldavam os doces e colocavam nas formas certas.
Lia e eu fazíamos as massas e misturas. Perto das cinco estava tudo pronto.
–Nossa gente eu nem sei como agradecer... Muito obrigada por terem vindo nos ajudar.
–Lis agora que tal um lanche?
–Igor cala a boca.
–Não está certo, tem um lanche especial para vocês.
–Venham crianças a cozinha da nossa confeitaria é de vocês.
Nós tínhamos preparado uma mesa com uns quitutes, suco e chá para eles que adoram tudo.
Quando tudo estava em ordem Sol e o agora namorado Henrique foram embora, Lia e Igor também, só ficamos minha tia, Fábio e eu.
–Essas amigas da Lis são uma maravilha, não são!
–Sim...A senhora tem razão! – ele riu brincalhão.
–Você é o rapaz das crônicas não é mesmo? – Fábio ficou tenso.
–Sim, eu escrevo algumas coisas.
– Ela quer que eu ache as suas crônicas, eu coleciono todas eu devo ter as suas.
–Ah, imagina, são só algumas bobagens que escrevo para ganhar uns trocados. -novamente senti o desconforto dele.
–Bom que seja, queridos eu vou dormir estou cansada. Boa noite.
–Boa noite tia.
–Boa noite dona Ana.
Ficamos os dois ele de um lado e eu do outro do balção.
–Nem acredito que você está aqui?
–E por que eu não estaria?
–Certo, você é meu amigo não é...
–Não sei Lis, acho que não quero mais ser seu amigo.
Encarei-o confusa.
–Não?
–Não...
–Então?
–Então...
–Para de ficar me repetindo!
–Sabe que você fica lindinha quando fica bravinha assim?
–Bobo!
–Hoje foi cansativo né? -ele mudou de assunto se espreguiçando.
–Cansativo vai ser amanhã, levantar cedo e ir vender esses doces todos.
–Bom então melhor coisa é descansar.- ele ficou sério.
–Sim, vou cair nesse sofá ali atrás. Amanhã quero estar aqui cedo para começar a trabalhar.
Ele fez uma careta.
–Que jeito sutil de me mandar embora.
–A menos que queira dormir nesse sofá. — brinquei.
–Deixa eu ver... — ele contornou o balção e deitou esticado no sofá de três lugares, os pés saindo para fora. -É vou dormir aqui!
–Você está louco?
–Porque?
–Eu mal caibo nesse sofá, imagina você.
–Imagino nós dois. Você agarradinha aqui comigo, vai ser um problema.
–É vou te derrubar em dois tempos!
–Isso vamos ver!
Ele pegou um rolo de fita mimosa, que usávamos para enfeitar as caixinhas dos doces e olhou sugestivamente para mim.
–A não! Está querendo me amarrar com isso, está louco!
–Não estou não! -ele se aproximou de mim e colou seu corpo no meu e começou a enrolar a fita em volta de nós dois com certa dificuldade com a fita delicada.
–Fábio... Minha tia está dormindo lá em cima, e meu primo pode voltar a qualquer minuto... — falei rindo.
–E achar nós dois dormindo agarradinhos?
–É que...
–Ahhh dona Lis, está cabecinha está imaginando coisas não é mesmo? – ele deu um beijo no meu pescoço. – Hoje não minha linda, mas em breve vamos matar a saudade, prometo. Hoje vou mostrar que você consegue dormir agarrada a mim sim! Nem que seja amarrada!
–Fábio já conversamos sobre isso... E pensei que seríamos amigos. — falei séria.
–Não quero ser seu amigo.
–De novo isso? O que quer então? Se não a boa e velha amizade-colorida?- debochei.
–Eu vou te dizer o que quero, mas não agora, vamos só aproveitar o momento hein?
Com jeito ele nos levou até o sofá.
–Pronta?
–Pronta. — eu ri.
Então ele deixou-se cair no sofá, me levando junto. Por sorte ele tinha enrolado o rolo inteiro então não arrebentou a fita. Com um pouco de dificuldade nos ajeitamos no sofá.
–Boa noite Lis... — ele me deu um beijo casto nos lábios.
–Boa noite Fábio.
E assim adormeci enlaçada a ele, não sabia o que esperar dessa atitude, mesmo assim estar com ele era estar segura.
Fale com o autor