Aventura Romântica

9 Enfermeiro de Plantão


Notas iniciais
"Cuidado para não sufocar com tudo isso que você diz não sentir." *Fábio faz essa linha de durão... Mesmo assim não consegue ficar longe de Lis! Boa leitura!

Fábio

—Essas saídas estratégicas da Lis estão me deixando curioso... -Igor falava pensativo quando contei que ela tinha saído correndo no domingo.

—Engraçado, e está curioso porque você é o que mesmo dela?

—Ué nada, igual você... a diferença é que você é um nada que dorme com ela e eu não.

—Ai Igor vai lamber sabão vai!

No fundo eu também ficava curioso, mas não questionava, era a vida dela e eu não podia interferir.

—Que dia é hoje?

—Como assim que dia é hoje? É terça-feira.

—Hummmm então hoje vou dormir sozinho e abandonado nessa casa, enquanto você vai ganhar inspiração. Ai meu Deus me manda uma inspiração assim.

—Meu Deus Igor você está terrível, até vou embora já.

—Vai buscar a mozona é?

Peguei minha jaqueta e sai, era cedo ainda, mas eu gostava de ficar do lado de fora vendo os clientes sair do restaurante e também gostava de ver ela sair meio descontraída falando com os colegas e o sorriso que aparecia quando me enxergava.

Estava batucando no volante quando meu celular vibrou no bolso. Olhei era ela, achei estranho.

—Lis?

—Oi Fábio, espero que não tenha saído de casa ainda... — ela estava com uma voz estranha meio fanha. — Porque hoje não vamos nos ver tá.

—Ei espera, está tudo bem?

—Sim, está tudo bem fica tranquilo.

—Está com a voz estranha, tá doente?

—É um resfriado, nem fui para o restaurante hoje.

—Sério? Ah então eu vou ai ficar com você.

—Não, está louco. Eu estou horrível. E já estou medicada, Lia me trouxe praticamente uma farmácia aqui.

—E você comeu?

—Sim, papai, comi uma sopa que a minha tia me trouxe, então pode ficar tranquilo. – ela disse brincalhona entre uma tose e outra.

—Tudo bem então. Melhoras...- falei desanimado.

—Boa noite Fábio.

—Boa noite Lis.

Depois que desliguei fiquei um tempo só olhando para o nada, encontra-la era tão natural que ficar um dia sem a ver deixava tudo sem graça e vazio, cada vez me sentia mais envolvido.

***

Lis

Essa semana não foi das melhores, primeiro no domingo ver a minha mãe tinha sido uma terrível missão, com todos os outros visitantes espalhados pela clínica ela teve uma crise forte e teve que ser levada as pressas para ser medicada. Aquilo acabou comigo, depois começou esse maldito resfriado. Com todo o remédio que tomei só podia dormir até o mundo acabar. Mas quem disse que eu conseguiria o interfone estava chamando, "ai quem seria", com certeza a Sol que ainda não tinha vindo me ver, essas minhas amigas eram uns amores, mas estavam muito grudadas em mim como se eu fosse me quebrar com qualquer coisa. Nem perguntei quem era já liberei a entrada e voltei para cama, uns minutos depois escutei o barulho da porta.

—Sol nem vem me encher de remédio ou sopa sem sal que eu já estou melhor.

Tudo continuou em silêncio.

—Sol?

—Oi... Não é a Sol, sou eu.

Só podia ser um delírio, eu não tinha ligado agora mesmo avisando que não poderíamos nos ver, agora ele estava ali na porta do meu quarto.

—O que faz aqui?

—Ué me falaram que tinha uma doentinha aqui, vim cuidar dela.

—Você é enfermeiro agora? — falei de mau humor.

—De enfermeiro e louco todo mundo tem um pouco, não tem uma frase assim?

—Ai Fábio vai embora, vai. Eu estou um lixo.

—Está bem ruinzinha mesmo. — ele riu debochando.

—Ah agora estou me sentindo melhor.

—Para de bobagem, me deixa ver se tá com febre.

Ele se aproximou da cama e colocou a mão na minha testa.

—E então doutor vou morrer?

—Não, está quente, mas não queimando.

—Você é um doutor muito preciso. — sorri enquanto ele arrumava meu travesseiro.

—Quando você fica doente, você fica muito palhacinha sabia?! Agora deita e fica quietinha, tem que descansar.

—E você o que vai fazer?

—Eu. — Ele disse contornando a cama até o lado esquerdo. -Vou fazer o que posso fazer.

Ele tirou os tênis e sentou ao meu lado.

—Vamos Lis coloca essa cabecinha ai no travesseiro e fica quietinha.

Eu obedeci porque os remédios estavam fazendo efeito e meus olhos não tinham mais força para ficar abertos.

—Vai mesmo cuidar de mim? – consegui dizer já meio grogue.

—Não sua boba, vou escrever, aqui está mais calmo que na minha casa, já que não vou poder ter minha amiga do jeito que eu gosto essa noite vou aproveitar o silêncio. Agora durma Lis. –ele falou risonho.

Senti a mão dele tirando os cabelos do meu rosto e adormeci completamente.

Quando acordei demorei uns minutos para me localizar, até que olhei para o lado e lá estava ele dormindo como um anjo. Minha garganta estava doendo, mas o peso da minha cabeça tinha ido embora, e eu estava me sentindo melhor. Levantei pé por pé e fui ao banheiro.

Nossa a minha cara estava horrível. Resolvi tomar um banho para tirar aquele aspecto de doente. A água morna descendo pelo meu corpo e trazendo meu ânimo novamente, estava concentrada no processo de lavar meus cabelos quando senti as mãos dele passando pela minha cintura.

—O que é isso? –sorri já começando a me derreter com aquelas mãos.

—Ah eu vim cuidar da minha doente... Saiu da cama sem me avisar, isso inflige as normas do hospital.

Ele falou depositando beijos nos meus ombros molhados e me apertando contra seu corpo nu.

—Que hospital? Essa é minha casa e eu é que mando aqui!

—Você não é uma paciente muito paciente não é mesmo... — ele falava beijando meu pescoço e as mãos passeando na lateral do tórax e tocando de leve meus seios.

—Eu sou sim... Dormi feito um anjinho! Aposto que deu para você escrever quase um livro.

—Isso é verdade... Várias vezes tive que checar se estava respirando.

—Que exagerado... — minha voz já estava toda molenga com o efeito dele sobre mim.

—Sim quem dorme mais de 24 horas deixa a gente um pouco preocupado.

—O que? — me afastei virando de frente para ele. -Dormi mais de 24 horas? Meu Deus devo estar atrasada para o trabalho, já é quarta-feira?

—Calma Lis, Lia veio ver você e ficou de avisar no restaurante que você ainda não estava bem.

—Lia esteve aqui?

—Lia, Nanda, Sol e conheci sua tia Ana, um amor de pessoa.

—E porque você não me acordou, que droga. -eu estava furiosa novamente.

—Deve ser porque você estava doente e dormindo como uma boa menina.

—Mas, mas todo esse vucovuco na minha casa, e você não tem que cantar no bar hoje? Já está de noite?

—Ninguém quis te acordar só queriam ver se estava bem, e fique tranquila coloquei outro vocalista hoje.

—Porque você está aqui? – eu me acalmei, mas estava com vontade de chorar, porque não entendia o motivo ele estar cuidando de mim.

—Ei Lis, que isso, está chorando...

—Não, é água do chuveiro...

—Sua linda, vem cá... — ele me puxou e me abraçou, era uma cena um tanto quanto engraçada, nós dois nus no banheiro. -Amigos cuidam uns dos outros, certo?

—Acho que sim, me desculpa normalmente não gosto de dar tanto trabalho.

—Tudo bem, quer que eu ensaboe suas costas? Ou quer uma massagem no banho.

Eu ri dele com as mãos já passeando de volta pelas minhas costas, e a boca procurando a minha.

—Quero você! -falei num sussurro.

—Então serei seu remédio!

Notas finais
Deixo o resto desse banho por conta da cabecinha de vocês ;) Beijos =*