Notas iniciais
"Só há uma forma de bloquear o amor, gerando conflitos internos e externos." *Quando Lis aparece com outro rapaz, Fábio perde a cabeça..." Boa leitura! ;)

Mais um mês depois

Fábio

As coisas estavam tão bem na minha vida que nem parecia normal, meus textos estavam sendo comprados por vários jornais, continuava cantando alguns dias da semana no bar e tinha a Lis, ter ela em minha rotina era maravilhoso, deixava a vida mais leve, alegre e tranquilo de jeito que eu jamais imaginei.

—A Lis tá no bar hoje. -Igor havia me dito enquanto eu arrumava umas coisas antes de subir ao palco.

—Sério? Ela não me falou nada... — nem precisava claro, ela não tinha uma vida social ativa, embora as amigas insistissem para ela sair mais.

—Aquela amiga que eu te falei está junto, você vai me apresentar hoje não vai?

Igor tinha visto Lia em uma foto que Lis havia colocado num perfil social e desde então queria que eu apresentasse ela para ele, não tinha rolado ainda, porque nunca saíamos com amigos, sempre nos encontrávamos no apartamento dela ou eu a buscava no restaurante.

—Ta bom, mas vamos pro palco de uma vez. — uma certa impaciência tomou conta de mim como se eu estivesse pressentindo que algo daria errado.

No palco logo a avistei, estava na mesma mesa do primeiro dia que nos conhecemos. Ela estava com Lia e uma das outras amigas, mas tinha algo bem diferente, dois rapazes na mesa. Ela me olhou assim que comecei a tocar e deu um sorriso envergonhado e eu correspondi com um aceno leve da cabeça e o estomago revirado.

Estava especialmente linda essa noite, com uma saia azul e uma blusa prata, os ombros de fora os cabelos soltos e um sorriso lindo nos lábios, de onde eu estava podia ver ela, mas não via o cara que estava na frente dela tendo toda a sua atenção.

Um outro cara estava do lado dela, envolvido numa conversa animada com Lia. Ela não olhou mais na minha direção uma única vez, isso me deixou bem incomodado. Ela falava bastante entretida com o cara na sua frente, e ele ficava cada vez mais perto provavelmente para escutar o que ela dizia. Algumas vezes meus amigos tinham chamado minha atenção porque eu havia errado a letra e durante um intervalo Igor quis saber o que estava acontecendo.

—Como assim? Você não está vendo?- falei furioso.

—O que cara?- ele parecia alheio ao que estava se passando.

—A Lis flertando com aquele cara bem na minha frente.- falei com os dentes trincados e gesticulando como se ele fosse um idiota.

—Oi?????

—Ah Igor por favor né! -eu estava muito estressado.

—Acorda Fábio, aquela garota ali naquela mesa não é nada sua, será que você esqueceu?- ele falou cutucando o meu ombro com o dedo várias vezes.

—Mas poxa ela tinha que me respeitar pelo menos, eu nesses dois meses não dei moral para nenhuma mulher e olha você sabe que tive oportunidades.- além de estressado comecei a me sentir carente.

—Pois é... Mas isso é uma escolha tua, ela pode fazer oque quiser, isso não está lá no teu manual de cretinices.

—Ah, vá à merda Igor! — empurrei ele e sai ainda mais irritado.

Voltei pro palco e quase tive uma síncope, na mesa agora só estavam os dois, nem Lia que era entre as amigas a mais sensata em minha opinião, dentro do pouco que eu a conhecia. Ele havia sentado do lado dela, e conversavam animados, as vezes cochichavam no ouvido um do outro, e ela se abrindo toda em sorrisos. Aquilo não podia continuar, então tive uma ideia.


Lis

Nem estava acreditando que Léo tinha chegado de viagem, meu primo, ele veio para dar uma força na confeitaria, tia Ana não estava vencendo o trabalho e havíamos mandado mais algumas pessoas embora, pois, não estávamos dando conta de pagar. Sol estava louca num carinha e inventou uma ida ao bar, no começo não quis ir porque sabia que Fábio cantaria aquela noite, e poderia achar que eu estava lá por causa dele, sentir que eu estava vigiando, e eu mais que ninguém estava me esforçando para manter aquela “amizade” dentro do combinado. Mas meu primo se animou para ir junto então acabei aceitando. Lia também foi e na entrada encontrou com um amigo que se sentou na nossa mesa.

—Dá uma olhadinha para ele só para não parecer fria e curte a noite! – Sol passou a ordem. Ela não gostava muito dessa nossa situação, segundo ela eu devia curtir mais e não me prender.

—Tudo bem, eu entendi Sol! — falei resignada.

Quando ele entrou no palco eu o encarei e dei um sorriso, ele estava lindo de camiseta preta com uma camisa jeans aberta por cima, calça jeans clara e coturno. Retribuiu o olhar com um aceno e começou seu show, a noite estava agradável, meu primo estava animado, contando coisas da sua vida em outra cidade, Sol logo conseguiu seu prêmio da noite e nos deixou em seguida o amigo de Lia precisou ir e ela aceitou a carona dizendo que estava cansada, e nós ficamos conversando. Eu gostava do Léo ele me acalmava e sabia bem oque eu estava passando com a minha mãe e longe da tia Ana eu podia desabafar meus receios e angustias.

—Tem uma tradição na nossa apresentação, sempre chamamos alguém para subir no palco para cantar comigo, tem alguém ai com vontade de soltar a voz?

Eu escutei Fábio anunciando que chamaria alguém para cantar, senti uma pontadinha de ciúmes de quem subiria no palco, afinal foi assim que nos conhecemos, preferi nem olhar para não denunciar o que estava sentindo.

—Quem sabe a loira da mesa 3... Se o namorado dela não se importar, claro.

Eu escutei surpresa o número da nossa mesa.

—Lis acho que ele está chamando você. — Léo falou surpreso.

—Ai meu Deus. — e essa agora.

Olhei para o palco e Fábio estava me olhando com cara de poucos amigos.

—Então, seu namorado liberou?

—Nossa que cara arrogante.

Léo tinha razão, ele estava sendo muito arrogante e... Ciumento. Eu sorri sem querer.

—Quer que eu vá te buscar princesa?

Eu estava morrendo de vergonha mesmo assim levantei insegura.

—Lis você vai mesmo?

—Sim... me espera aqui tá?! — falei um pouco mais confiante para meu primo.

Ele me acompanhava com o olhar enquanto eu subia as escadas da lateral e me estendeu a mão quando cheguei perto dele. O olhar dele estava frio, mas quando me aproximei dele para ficar perto do microfone, ficou mais sereno embora seu semblante permanece obscuro.

—Pintura Intima? Conhece? – sussurrou no meu ouvido o nome da música. E como dá primeira vez que estive naquele lugar, tremi toda com a voz dele rouca no meu ouvido.

—Sei. –olhei indecisa, aquela música era bem provocante. E tinha um pouco a ver com nossa relação se olhasse a letra.

—Vem amor que a hora é essa. Vê se entende a minha pressa. Não me diz que eu tô errado. Eu tô seco, eu tô molhado... -a voz dele começou melodiosa e no bar estava todo mundo em silêncio como se percebesse a eletricidade emanando dos nosso poros.

—Deixa as contas... que no fim das contas... O que interessa pra nós... — minha voz desafinada se juntou a dele, nossos olhos não se deixaram um único momento, estávamos nos provocando claramente.— É fazer amor de madrugada...Amor com jeito de virada!

Senti a mão dele correndo pela minha cintura e me puxando para mais perto enquanto repetíamos o refrão.

E de repente todo mundo no bar estava cantando junto no ritmo animado da música. Eu sorri para ele que continuou cantando sério. Quando a música acabou as pessoas gritaram e bateram palmas. Eu nem tive tempo de perceber o que estava acontecendo só senti, quando ele me puxou com força e me beijou na frente de todos, eu quis me afastar, ele não deixou e logo me entreguei me segurando nos ombros dele enquanto ele me pendia para trás com a intensidade do beijo. Quando parou de me beijar tinha um brilho de triunfo nos olhos.

—É isso gente palmas para a moça bonita da mesa 3, e cara sua namorada canta e beija muito bem! -falou olhando para o Léo que estava sem entender nada.

Eu não acreditei no que escutei, me senti uma idiota, humilhada, as pessoas me olhando curiosas, me julgando.

—Vamos continuar com show galera. — ele falou enquanto eu descia de volta pra meu lugar com os olhos ardendo de vontade de chorar e os lábios inchados pelo beijo.

—Lis pelo amor de Deus, quem é esse babaca.

—Vamos embora Léo, por favor.

Peguei minha bolsa e ele pagou a conta e fomos saindo eu queria sumir naquele minuto.