Aventura
2 Uma mudança inesperada
Olá eu sou o Aventura, de certeza que já me conhecem. A minha primeira aventura foi para salvar a minha mamã, mas esta que vos vou contar foi uma aventura “inesperada”.
Para começar éramos todos felizes, eu os meus irmãos e irmãs, a Esmeralda, os nossos donos e a minha mamã também.
Bom tudo começou….
…numa manhã como todas as outras, levanto-me, como o pequeno-almoço, lavo-me e depois vou brincar com os meus irmãos e com as minhas irmãs.
Mas naquela manhã foi diferente, quando acordei e fui para a cozinha reparei numa coisa inacreditável, um caixote! Para que seria? Fosse para o que fosse não gostava muito dele. Depois a Esmeralda começou a chorar, os meus donos estavam a pegar em todos os gatinhos (até em mim) e depois punham nos no chão.
A Esmeralda pegou em mim e levou-me para a sala, depois disse-me: “Seja quem for que se vá embora nunca me vou esquecer de vocês, eu adoro-vos!”
Depois disso eu percebi o que se passara, um de nós ia ser dado a outras pessoas e nunca mais ia ver a sua família (quer a família humana quer a outra).
O que é que eu haveria de fazer? Não queria que qualquer um de nós deixasse de ver a família!
Então pus-me a pensar rapidamente!
Não me ocorria nada e as pessoas estavam a chegar daqui a pouco! Então ouviu-se um carro, os novos donos vieram buscar dois gatinhos. Primeiro viram o Joca, depois a Lisa e a mim e por fim A Lili e o Micas.
As pessoas mostraram-se muito interessados pelo Micas e pela Lili. E então chegou o momento, os meus donos agarraram no Micas e puseram-no dentro da caixa, a seguir agarraram na Lili e também a puseram dentro da caixa. Eles miavam por ajuda e a minha mamã tentava ajudar o mais que podia.
Todos nós sabíamos que aquele dia ia chegar, mas não pensávamos que chegasse tão cedo! Então o caixote foi para dentro do carro das pessoas e eu sai ás escondidas lá para fora.
A porta do condutor estava aberta por isso entrei e meti-me dentro da caixa. Depois disse ao Micas e á Lili: “Tenham calma já fiz isto pela mamã, também sou capaz de o fazer por vocês!”
Então as pessoas entraram no carro e arrancaram. Vi a minha casa desaparecer ao longe, á medida que íamos andando. O caminho durou quarenta minutos (o que é demais para três gatinhos), e quando chegamos saí apressadamente do caixote.
As pessoas saíram do carro e abriram a porta de traz, pegaram na caixa e nessa altura aproveitei para sair. Depois trancaram o carro, abriram a porta de casa e entraram; eu entrei juntamente com os pés deles (para que as pessoas não me vissem).
Depois escondi-me até ao fim do dia, atrás da porta da despensa, para que quando a noite caísse e as pessoas se fossem deitar eu entrar em acção.
Pois é claro que eram muitas horas á espera, por isso adormeci! Quando acordei eram duas e vinte da manhã; então fui buscar o Micas e a Lili. Depois disse: “Venham depressa! Está na hora de fugirmos! Vamos! Vamos!”
O Micas e a Lili acordaram sobressaltados, e disseram-me: “O que está a acontecer?”. Então reparei que as luzes do corredor das escadas se acenderam. Eu escondi-me rapidamente e o Micas e a Lili seguiram-me. Enquanto estávamos escondidos eu expliquei o plano: “E é isto que temos de fazer, claro isto se me ajudarem.” Ao inicio não concordaram mas depois viram, que não tinham escolha: “Está bem aceitamos, mas promete-me que resulta?” Disse-me o Micas, claro que prometi; mas estava na altura de agirmos!
Mas não sabíamos por onde sair, nem que caminho seguir. Então procurei uma janela aberta ou um buraco, mas nada. Olhei para o relógio, eram três da manhã, e já era demasiado tarde para fugir. A Lili tinha descoberto que o homem acordava ás três da manhã (ou seja era impossível fugir a essa hora, teríamos de esperar pela noite seguinte).
Lá por casa sabiam que o Micas e a Lili tinham ido embora, mas a Esmeralda sentia a falta de mais qualquer coisa, então perguntou aos pais: “Pai, quantos gatinhos é que foram embora?”
“Dois minha querida, o Micas e a Lili, porquê?” Tinha respondido o meu dono, mas a Esmeralda era teimosa então insistiu: “Mas pai desapareceu um! Demos dois, certo, mas o Aventura desapareceu!”
O meu dono tentou consular a Esmeralda: “De certeza que ele foi dar um passeio, á de voltar não te preocupes.”
Bem era um passeio sim mas não sabia onde estava. As pessoas deixaram o Micas e a Lili lá fora no jardim e disseram que iam ao supermercado. E eu não podia estar em casa, por isso sai ás escondidas.
As pessoas saíram e eu estava livre finalmente!
Comecei a planear a fuga (já que na noite passada não tínhamos conseguido). O Micas e a Lili ajudaram-me com o plano, mas nem sempre dava certo. Tentamos varias vezes, mas nada! O Micas não é muito de “pensar”, na verdade não é muito inteligente; mas é um bom irmão; ele disse-nos: “Bem se as pessoas se deitam ás nove e meia e acordam ás três da manhã, temos de fugir entre as onze e a uma da manhã. Não é?” Desta vez o Micas tinha razão, essa era a hora exacta.
Depois de planearmos o plano, as pessoas chegaram. A mulher chamou: “Anda Lili, tenho aqui comida para gatas!” A Lili sabia que não podia dar muita confiança a estas pessoas, mas ela estava com tanta fome que não resistiu a entrar pela gateira que estava na porta.
O Micas também teve de ir para não dar nas vistas. Já eram quatro da tarde e eu continuava escondido, estava cansado, com fome e sede e não podia entrar em casa das pessoas; porque elas tinham fechado a porta e eu tinha ficado cá fora.
As horas passavam e de repente já eram oito da noite, a hora de fuga estava quase a chegar (é claro que faltavam três horas mas…)
Pela janela da cozinha dava para ver o Micas e a Lili, estavam a comer os alimentos que as pessoas lhes tinham posto.
Eram nove e meia da noite, e vi que as luzes se apagavam: “Agora só tenho de esperar pelas onze da noite, e que o Micas e a Lili venham cá para fora.” Tinha dito eu á medida que ia avançando para a porta de entrada.
A Esmeralda deitava-se ás dez, por isso voltou a perguntar aos pais: “Pai, tu disseste-me que o Aventura tinha ido dar um passeio e que voltava, mas ele ainda não voltou, e também nunca perderia a história de boa noite! Pai onde é que ele se meteu?”
Já eram onze! O Micas e a Lili acordaram e meteram patas á obra. O Micas disse á Lili: “Olha há ali um buraco, talvez tu consigas passar e depois pede ajuda ao Aventura, certo?” A Lili respondeu de imediato: “Está bem, mas não saias daqui!” (é claro que o Micas não ia a lado nenhum…)
Estava eu lá fora quando vi a Lili a passar por dentro do buraco, fui logo ter com ela: “E o Micas onde está?” A Lili explicou-me o que tinham combinado lá dentro de casa, e depois disse-me: “Agora temos de tirar o Micas lá de dentro, mas como?” Eu respondi de seguida: “Só se… Já sei! Eu distraiu as pessoas, elas irão abrir a porta e o Micas sai. Combinado?” A Lili respondeu---me logo: “Mas tu és maluco?! Isso é muito arriscado, vamos pensar noutro plano.” Eu defendia as minhas ideias por isso disse-lhe: “Não temos tempo de pensar noutro plano tem de ser este e pronto!”
A Lili apesar de não gostar da ideia concordou em pola em pratica. Por isso fomos faze-lo.
Eu miei á porta para distrair as pessoas, e a Lili escondeu-se para ajudar o Micas a sair. As pessoas abriram a porta e como estava combinado eu escondi-me e o Micas conseguiu sair.
As pessoas fecharam a porta e deitaram-se novamente, nem deram por nada.
Já era o segundo dia a caminhar e a comer bagas vermelhas, estávamos cansados e com sede.
Lá por casa Esmeralda continuava preocupada comigo: “Pai onde é que o Aventura se meteu?” O meu dono também começava a estar preocupado, então disse-lhe: “Pois realmente não sei dele, mas não te preocupes.”
Eu o Micas e a Lili estávamos a caminhar á horas, e já estava a escurecer. A noite caiu e nós estávamos estafados…
Na manhã seguinte eu acordei em primeiro lugar, o Micas e a Lili ainda estavam a dormir quando eu ouvi uma motosserra: “Micas, Lili! Depressa temos de fugir! Vamos, vamos!” O Micas e a Lili acordaram der repente.
Escondemo-nos dentro de uma árvore, pois ela tinha um grande buraco… A motosserra já se tinha ido embora, e nos continuamos o nosso caminho.
No dia seguinte quando acordamos eu nem queria acreditar no que via… A minha casa! Os meus outros irmãos e irmãs estavam a olhar pela janela quando nos viram, saíram de casa disparados (até pareciam foguetes) e correram na nossa direcção!
A minha mamã que ouviu esta miadeira foi chamar os nossos donos, e quando a Esmeralda nos viu sãos e salvos, abraço-nos tanto mas tanto que eu quase que não conseguia respirar…
Os dias foram passando, e por fim as semanas, os meses, os anos… e eu já era um gatinho adulto. É claro que as coisas não mudaram muito, mas eu continuava a salvar a minha família.
Ainda estávamos todos juntos, nada de discussões nem de castigos mas espero que isso acabe depressa, pois tenho vontade de voltar á acção!!
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