Notas iniciais
SEGUNDA FIC *0* Eruri de novo por que sim u.u Tive a ideia depois de ouvir umas musicas depressivas e, ultimamente eu ando com a estima baixa... Enfim, aproveitem. Eu fiz isso ontem de madrugada e nem sei se ficou bom @.@

–Não sei como foi acabar desse jeito. – desabafei para ele – De verdade.

Mike franziu as sobrancelhas e balançou o copo fazendo o gelo tilintar de leve, Hanji encarou a mesa do bar sem acreditar no que eu havia explicado a poucos minutos.

–Cara, você fez merda.

–Mike! — adivertiu Hanji – Viemos aqui ajuda-lo não faze-lo se sentir mais culpado ainda.

–Mike tem razão Hanji, eu fiz merda. – falei.

A questão dos meus problemas se chamava Mary Dawk. Há cerca de seis meses eu a encontrei, ela, seu marido e filhos – sendo um de colo – haviam se mudado para o bairro onde eu morava, melhor dizendo: seriam meus vizinhos. No começo, eu até tentei ser um bom vizinho, afinal, no passado – um passado bem distante – era para eu estar no lugar do marido dela. Eu e Mary namorávamos na faculdade, eu era fiel ao nosso relacionamento, havia feitos muitos planos, mas todos vieram por água a baixo quando eu a vi nua cavalgando sobre a cintura de Nile, e a desgraçada o tinha levado para o meu quarto. Naquela noite, até o reitor da faculdade veio pessoalmente ver o motivo dos berros; o que ele viu foi a marca de meus dedos no rosto dela e alguns dentes faltando na boca de Nile. Semanas depois eu fui expulso da faculdade, perdi meu estagio no melhor hospital da cidade e, sem emprego, tranquei a matricula até encontrar alguma onde eu não andaria pelos corredores com todos me olhando e dizendo “lá vai o touro manso” ou “sinto muito cara”. Eu superei, aos poucos e com muitas garrafas de whisky; descobri que também gostava de transar com homens – mais do que com mulheres.

Em uma dessas aventuras eu conheci Mike, não que tenhamos nos agarrados em um beco escuro e nos entregado ao prazer da carne. Não. Mike era o garçom que sempre me trazia uma garrafa a mais e ligava para o táxi. Ficamos amigos depois que vomitei algumas vezes na roupa dele. A depressão pós-noivado-que-nunca-existiu passou rápido. Totalmente recuperado eu voltei a minha vida. Mandei minhas recomendações para as faculdades da região e uma delas me aceitou, fiz a melhor entrevista da minha vida e o reitor entendeu minha estoria; arrumei um emprego no mesmo bar onde eu passava minhas noites, me formei e, em meu atual local de trabalho conheci Hanji, que me apresentou Rivaille alguns anos depois. Sete anos felizes, brigávamos, sim. Que tipo de relacionamento não tem suas brigas?

Mary não fazia mais parte da minha vida. Nem mesmo uma sombra.

Até seis meses atras quando eu a vi descer do carro com Nile, o filho mais velho, uma garotinha na pré-adolescência e um bebê de colo. A primeira coisa que pensei ao vê-los foi: estão felizes, bom pra eles; e a segunda foi: por favor Jesus, que eles não sejam meus novos vizinhos. Jesus riu da minha cara naquela manhã. Os primeiros meses foram de paz, eu não os via e eles não me viam. Era tudo perfeito. Até o ciume falar mais alto.

As coisas entre mim e Rivaille começaram a ficar tensas, eu abusava dos espaço que ele me dava, e ele não usava o suficiente do que eu havia dado. Não conversavam e quando conversávamos sempre acabava em uma discussão que se arrastava por dias. O sexo era frio, os beijos sem sabor. Não diria que foi um termino do relacionamento, mas demos um tempo naquela noite. Foi terrível.

Voltávamos do restaurante em um táxi, fizemos a viajem praticamente em silêncio, assim como no jantar. Brigávamos por causa de nada, então, certas vezes era melhor manter a boca fechada.

–Não devia ter falado aquilo. – disse de repente.

–Como?

–Sobre o que se passa entre nós. É pessoal.

–Quer dizer que você pode sair dizendo o que quiser e eu tenho que guardar segredo?

–O que quer dizer?

–Eu pedi uma opinião.

–Sobre a nossa vida!

–Eu não citei seu nome.

Silêncio. Mais metade do caminho só ouvindo os pneus rodando sobre o asfalto molhado e o rádio baixo da taxista. Eu o acompanhei até a porta de seu apartamento, não subimos de elevador naquela noite. E aqueles três lances de escada pareceram a subida para um queda alta demais, e essa queda estava se aproximando.

–O que esta acontecendo com a gente? – disse ele encaixando a chave na maçaneta.

–Eu não sei.

–Ficou... tão frio, e do nada. – Rivaille conteve as lagrimas ao olhar para mim. – O que fizemos de errado?

Engulo em seco, preferindo não responder. A pergunta não era o que fizemos mas o que o deixamos de fazer. Não aproveitamos o que tínhamos, foi isso que aconteceu. Isso murchou nossa relação.

–Erwin? – ele pegou minha mão e no fundo do meu peito, sentia que aquela seria a última vez que o ouviria me chamar daquele jeito, que sentiria seu toque. E aquela visão não era a que eu queria levar quando fosse embora.

–Não tá dando certo. – falei com um suspiro pesado.

Ele engoliu em seco e inconscientemente apertou meus dedos.

Deus... nunca pensei que fosse ser assim.

–Vamos dar um tempo. – as palavras mal saiam de meus lábios. – Vamos esfriar a cabeça.

–Certo. – sua voz saiu rouca.

–Rivaille.

–Sim?

–O que quer que eu tenha feito, ou deixado de fazer, me desculpe.

–Você não é o único que tem que se desculpar. – disse limpando as lágrimas. Eu odiava vê-lo chorar. – Eu também não fiz muitas coisas.

–Fizemos o possível... – Deus, se controle Erwin! – o possível para dar certo.

–Eu sei. Mas... – Rivaille mordeu os lábios, tentando se controlar.

Ele não conseguiu segurar por mais tempo, desabou em lagrimas e tristeza e confusão. Nenhum de nós sabíamos o que ou como fazer. Limpei minhas próprias lágrimas e o abracei, protegendo-o por uma última vez até as coisas se acertarem. Ele tremia em meus braços e soluçava alto, eu o ninei pelo tempo necessário até as lagrimas secarem, pelos menos um pouco.

–Hey, — falei erguendo sua cabeça – não fique assim, ok? – ele fechou os olhos com força e contraiu os lábios. – Nos vamos voltar.

–Quando? – perguntou com a voz tremida – Quando vamos voltar a ter tudo que tínhamos antes? Quando vamos voltar a ter a vida que tínhamos? Quando vou olhar pra você todas as manhas? Quando vou voltar a tê-lo só pra mim? O que foi que aconteceu com a gente?!

As lagrimas voltaram com mais intensidade, e eu o abracei com a mesma força que seus ombros tremiam.

–Não chore, Riva. – isso também era um aviso para mim. Se eu chorasse agora, não teria mais volta. – Vai dar tudo certo, só precisamos de tempo.

–Quanto tempo? – chorou em meu peito. – Eu não quero ficar longe de você...

–Não é assim que se dá um tempo.- tentei rir.

–Quanto tempo? – repetiu.

–Vamos nós dar o tempo necessário, ok? Sem pressa.

–Certo.

Rivaille se afastou devagar, ainda com as mãos agarradas em minha jaqueta. Sorrimos fraco um para o outro. Me aproximei devagar e beijei seu testa, arrancando um suspiro controlando as próprias emoções, desço os lábios até a ponta de seu nariz e o beijo, indo até os lábios dele. Estavam secos e rachados do frio, mas isso não me impediu de beijá-lo com paixão, uma espécie de despedida.

–Erwin... – gemeu manhoso. Ele fazia isso quando queria que eu ficasse. Mas hoje não era o dia certo para revolver todas as nossas brigas com sexo selvagem e caricias cheiras de pedidos de desculpas. E ele sabia disso.

Seus finos braços passaram em volta de meu pescoço e eu aprofundei o beijo, prendendo seu quadril ao meu, nossas línguas se tocavam calmas, os lábios de moviam com intervalos de ar.

–A gente se vê, ok?– falei me afastando com relutância.

–Ok.

–Durma.

–Você também.

Não o via desde então, mas segundo Hanji ele estava bem, mas não tão bem. Foi então que a sombra de Mary voltou.

Ela se aproximou de mim, e até onde eu sabia, Mary pediu transferência de hospital. Agora ela era pediatra no Maria Rose – onde eu trabalhava – e puxava conversa todo dia, eu não era mal educado, só não dava corda. Mas um dia, eu me agarrei demais as lembranças de Rivaille. E, como disse Mike, eu fiz merda.

Depois do trabalho, toda a ala de pediatria foi para um bar em frente ao Maria Rose, eu bebi de mais e Mary se ofereceu para me dar uma carona. Afinal, éramos vizinhos. Que mal poderia acontecer? Todo tipo de mal.

Primeiro: Ela era casada.

Segundo: Ela tinha filhos, três filhos.

Terceiro: Ela era minha vizinha.

Quarto: Era errado e isso era adultério. E eu já iria para o inferno por outros motivos.

A recaída foi, com certeza, a pior coisa que me aconteceu. Eu não tinha contado sexual á mais de três meses, nem mesmo masturbação ou videos pornográficos na internet. Nada me satisfazia além do corpo de Rivaille, pelo menos até aquela noite de sexta-feira.

E agora aqui estava eu, bebendo e desabafando para Mike e Hanji o que eu havia feito. Em nenhum momento coloquei a culpa na bebida, eu fiz por que quis, e sabia disso.

Hanji suspirou e terminou sua bebida.

–Quando vai contar para o Rivaille? – perguntou.

–Como assim contar? – disse Mike.

–Se ele contar vai ser melhor do que Rivaille descobrir sozinho.

–Isso é verdade. – falei.

–Vai contar? – Mike quis saber.

–Que escolha eu tenho? Em nenhuma das alternativas vou ter chances mesmo. – ri nervoso.

Duas palavras me definiam agora: estava fudido.

Em muito sentidos.

Notas finais
então... o que acharam? essa terá mais capítulos que a anterior e um final inesperado.