Ausência

6 Distração


Notas iniciais
Oi leitores lindos do meu coração! Como estão? Espero que gostem desse capítulo, assim como eu gostei de escrevê-lo. Vocês vão entender o motivo depois haha. Boa leitura ❤️

I'm waiting

(Estou esperando)

I'm aching

(Estou me torturando)

Suffocating

(Sufocando)

Can you hear me?

(Você pode me ouvir?)

I'm screaming for you

(Eu estou gritando por você!)

White Noise — PVRIS

⋅⋆⊱--------------⋇❬❤❭⋇--------------⊰⋆⋅

O carro chegou à mansão, e Adrien ainda estava pensando na luta que acabara de assistir, quando entrou na casa. Estava a caminho do seu quarto, quando Nathalie o interceptou.

— Oi, Adrien, como foi à aula de esgrima? Se divertiu? — Ela disse, saindo de seu escritório. Nathalia agora era responsável por gerenciar as empresas Agreste, até que Adrien tivesse maioridade e decidisse o que fazer com elas.

E, apesar dela ir bastante para a sede da empresa, alguns dias optava por trabalhar de forma remota e não deixar Adrien sozinho em casa. Ele gostava disso, mas sabia que ela o fazia não apenas para ser sua companhia, mas por ficar preocupada com ele.

— Sim, Nathalie, me diverti. — Ainda era estranho que algo que ele tinha que fazer para obter perfeição e aprimorar costumes como postura e cortesia, hoje pudesse ser apenas um escape de energia e fonte de diversão.

— Que bom. — Ela sorriu com carinho. — Tem um amigo seu te esperando no quarto. Eu deixei que entrasse, e o avisei que você logo chegaria da aula.

Adrien ficou confuso. Não lembrava de ter combinado nada com Nino naquele dia.

— Ah, obrigado por avisar.

Então a deixou retornar para o escritório e seguiu direto para o quarto. Se surpreendeu ao abrir a porta e encontrar Luka sentado no banco do piano, tocando uma bela melodia.

— Luka? Oi. — Passado o abalo, ele se aproximou do amigo, deixando sua mochila de esgrima em cima da cama.

— Oi, Adrien. — Luka levantou o rosto para cumprimentá-lo, mas os dedos nunca deixaram as teclas. — É um belo piano que tem aqui. As notas que produz são bem suaves.

Adrien então viu o familiar kwami da cobra aparecer por cima do piano.

— Oi, Sass. — Ele saudou, ignorando a fincada de saudade que sentiu ao lembrar de Plagg.

— É um prazer revê-lo, Adrien. — O kwami devolveu, fazendo um aceno de cabeça amistoso.

— O que faz aqui, Luka? — O garoto percebeu que o amigo estava tão entretido fazendo música, que resolveu esclarecer suas dúvidas de uma vez. — Ladybug não o convocou para a luta?

Ouviu Luka soltar um suspiro audível, antes de parar de tocar e encará-lo.

— Ela me convocou, sim, mas não para a luta que você está pensando.

Sentiu o semblante mudar, à medida que a ficha caía.

— Você está aqui pra conversar comigo. — Concluiu por fim, e notou Luka o encarando com pesar, como se nem ele quisesse ter essa conversa.

— Sim. Ela me pediu para conversar com o Chat Noir, em nome dela.

Adrien já estava esperando por algo assim, é claro que ela não aceitaria sua escolha tão facilmente. Mas não pode deixar de ficar um pouco irritado, por ela estar deixando as coisas mais difíceis para os dois.

Mas também se sentia tocado, por ela não desistir dele ainda. Apenas precisava se manter firme.

— Se está aqui para me convencer a voltar, não deve saber a história toda. — Deu as costas, indo em direção à sua mochila da esgrima para desfazê-la. Mas só queria ter algo para fazer com as mãos, estava inquieto.

Também não queria ter que se explicar novamente, mas iria, se fosse preciso.

— Na verdade, ela me contou tudo. — Isso o fez virar em direção ao amigo, com surpresa. E Luka continuou de forma séria. — Eu sei de cada detalhe.

Luka sabia. Sabia como ele era culpado pela morte dela, de Marinette, a dele próprio, e de tantos outros.

Isso o fez se virar para ele com uma postura mais rígida.

— Então, sabe bem o motivo pelo qual não posso mais fazer isso. — Assegurou com firmeza.

Apenas nessa hora, Luka se levantou, e começou a caminhar em sua direção.

— Acredite, Adrien, sei mesmo. — Então ele olhou para a janela, como se divagando em pensamento. — Ainda mais sabendo, quem é a pessoa, por trás da máscara dela.

— Não me conte! — Exclamou rapidamente, praticamente tampando os ouvidos em precaução. — Não posso saber! Mesmo não sendo mais o Chat Noir. — Era perigoso, pois qualquer um que soubesse aquela identidade, era um risco a ela.

Já era ruim o suficiente que Viperion e Scarabella soubessem, não poderia entrar nessa equação, mesmo sendo apenas um ex-portador.

Mas então recebeu o rosto risonho de Luka, em sua direção.

— Eu sei, não ia falar nada. — Ele parecia se divertir com seu desespero, mesmo que o riso não chegasse aos olhos. — Só estou dizendo que, mesmo que você soubesse quem é, sei que sua decisão ainda seria a mesma. — Terminou sua fala, olhando para os próprios pés, e Adrien sentiu que estava evitando seus olhos.

Mas agora, o garoto estava mais confuso ainda.

— Então se concorda comigo, por que está aqui?

Foi quando Luka negou com a cabeça, um sorriso triste emoldurando seus lábios.

— Eu não disse que concordava, Adrien, mas que te compreendo. — O amigo então começou a caminhar para sentar no sofá, e Adrien foi atrás dele.

Os dois já sentados, o mais velho parecia estar procurando as palavras certas para lhe dizer, então esperou em silêncio, que Luka começasse a falar.

— Sabe, Adrien, precisou de muita coragem para fazer o que fez. — Iniciou, antes de lhe lançar um olhar sofrido. — Mas vai precisar de mais coragem ainda, se for permanecer nessa escolha.

Sentiu um medo crescer dentro dele, apenas com esse aviso.

— O que quer dizer?

Luka se virou para ele, e fitou no fundo dos olhos, antes de continuar.

— Ladybug não vai desistir, até tê-lo de volta.

Adrien jogou seu corpo contra o encosto do sofá, emitindo um suspiro cansado.

— Pedi para ela escolher outro portador. — Respondeu de forma arrastada. É claro que Ladybug não daria ouvidos a ele facilmente.

Viu um olhar de desânimo em Luka também.

— Acredito que ela vá fazer isso, eventualmente. Mas, no momento, ela está sofrendo, Adrien. Sofrendo por você.

— Também sinto a falta dela. — Disse de forma melancólica, mas olhou para a própria mão, para a marca do anel que ficava ali, nítida em sua pele, e lembrou de seus motivos. — Mas preciso fazer isso. Não só por ela. Mas por Marinette, e pelas pessoas inocentes de Paris.

Então viu Luka mudar sua postura, apoiando os cotovelos nos próprios joelhos, e entrelaçando as mãos. Sabia que a mente do garoto estava em todas as possibilidades possíveis de futuro.

Havia usado o Miraculous da Cobra apenas algumas vezes, mas lembrava vividamente como foram aqueles 3 meses em que o usou continuamente. Nem podia imaginar como seria usá-lo de forma constante.

Só sabia que a cabeça de Luka, agora, funcionava de outra forma.

— Sei que não foi uma escolha fácil. Mas espero que seja a escolha certa, Adrien. — Então o garoto o lançou com sorriso acolhedor. — Pelo bem de vocês dois.

Adrien se dispôs a pensar um pouco enquanto o encarava. Mas não importava de que ângulo olhasse a situação, sempre chegava no mesmo lugar.

— Não sei se é o certo, só sei que minha ausência, é a melhor escolha que posso fazer agora.

Viu Luka inspirar fundo, antes de perguntar.

— Tem algo que eu poderia fazer para você mudar de ideia?

— Só se pudesse me dar uma segunda chance, não do passado, mas do futuro.

Notou a apreensão passando pelos olhos azuis. E foi só nesse momento que Adrien percebeu: Luka também tinha medo daquele futuro, talvez tanto quanto ele.

— Entendo. — O garoto então se levantou, com Sass o seguindo. — Obrigado, Adrien, por nos receber. — O mais velho fez um pequeno carinho em Sass, antes que o Kwami se escondesse em sua jaqueta. — Nos vemos no ensaio sexta?

Adrien se limitou em acenar com a cabeça, mas enquanto via o azulado caminhar em direção à porta, lembrou de um detalhe.

— Vai contar a ela que conversamos?

Luka se virou para ele com calma. Uma expressão suave no rosto.

— Sim. Quer que eu diga alguma coisa a ela?

Adrien sentiu uma vontade gritante de dizer sim. E precisou se controlar muito para fazer o contrário.

— Não, não vou ficar te usando como um garoto de recados, Luka. Mas obrigado por oferecer.

O mais velho apenas deu de ombros, em seu jeito muito tranquilo de sempre.

— Eu não me importo. Além do mais, ela ficaria feliz em receber uma notícia sua.

— Esse é outro bom motivo pelo qual não devo falar nada. — Disse rapidamente, convencendo mais a si mesmo do que ao amigo. — Ela precisa me esquecer e seguir em frente. Precisamos cortar esse relacionamento de vez. Mesmo que doa agora, será pelo bem maior.

Viu Luka tombar a cabeça para o lado, os olhos cheios de empatia, como se, de fato, estivesse sentindo sua dor.

— Se é assim que deseja, Adrien.

Adrien então o olhou com seriedade.

— Cuide dela, Luka.

Luka devolveu seu olhar, mais emoções passando pelo seu rosto do que em toda a conversa que tiveram juntos.

— Com toda minha vida.

⋅⋆⊱--------------⋇❬❤️❭⋇--------------⊰⋆⋅

Mais dias se passaram, e Marinette havia enfrentado mais dois vilões naquela semana. Plagg ainda continuava com ela, com nada de Chat Noir invocá-lo. Não que isso fosse algo provável de acontecer, ainda mais depois que Luka contou a ela sobre a conversa dos dois.

Chat não iria voltar. Pior, ele não queria voltar. Pelo bem dela.

Mas, por que o “bem dela” estava lhe doendo tanto?

Achou que ele pensaria duas vezes, depois que Luka conversasse com ele, ou quando a visse lutando, sem outro portador da Destruição no lugar dele. Mas não.

Chat Noir não estava em lugar nenhum.

Mas sua ausência a seguia por toda parte.

Esteja na escola, em casa, no barco com os amigos, com Adrien, ela se pegava olhando para os prédios, para a torre, esperando ver uma figura de preto espreitando, a observando, mesmo que à distância.

O anel preto estava bem guardado em sua caixa, óbvio, o que tornava essa sua esperança em algo tolo. Mas Marinette não conseguia parar.

Ela não sabia mais o que fazer.

Nem havia contado aos outros heróis, com exceção de Rena, e Viperion obviamente, que ele havia renunciado ao anel. As perguntas pelo Chat Noir estavam começando a aparecer, não só entre eles, mas na mídia.

— Oi, minha linda! — Adrien se aproximou da mesa onde ela estava sentada, na cafeteria da escola. Dando-lhe um beijo na têmpora.

— Oi. — Forçou sua mente a voltar para àquele momento, ao mesmo tempo que forçava um sorriso para o namorado.

Mas logo voltou a mexer na salada de seu prato novamente, os pensamentos a quilômetros dali.

— Então, — Adrien a puxou para o presente de novo. — Eu estava pensando em passar o dia juntos amanhã lá em casa, o que acham? Nós quatro. — Ele virou a cabeça em direção aos dois amigos, sentados na mesa com eles. — Podemos aproveitar a piscina, ver um filme, como fizemos nas férias.

— Meu melhor amigo, minha namorada favorita e a Marinette, o dia todo na mansão Agreste? Fechou! — Nino disse com animação.

— “A” Marinette? — Adrien perguntou, levantando uma sobrancelha.

— Namorada favorita? Você tem alguma outra, Nino? — Alya também questionou, quase ao mesmo tempo, cruzando os braços na direção do namorado e com um olhar desconfiado no rosto.

— Ah, vocês me entenderam! — O garoto abanou a mão, dispensando as represálias. — Só sei que o dia de amanhã vai ser dá hora!

Então Adrien virou o rosto em direção a ela, deixando os dois discutindo.

— O que acha? — Ele perguntou uma segunda vez, e só então Marinette percebeu que não havia dito nada ainda.

— Ah sim, claro amor. — Concordou, acenando com a cabeça, e lembrou de abrir outro sorriso, novamente.

Adrien pareceu se demorar em seu rosto, antes de retribuir seu sorriso com um próprio, e depois voltou para a comida no próprio prato.

Marinette soltou um suspiro. Ela precisava melhorar seu comportamento, principalmente quando estava com o namorado, pois sentia que estava começando a ser uma péssima companhia.

“Vai ser bom”, pensou, enquanto imaginava o dia de amanhã. Iria se divertir com seus melhores amigos, se distrair.

Isso, se nenhum ataque por akuma acontecesse.

⋅⋆⊱--------------⋇❬❤️❭⋇--------------⊰⋆⋅

— Vai, linda! Você consegue derrubar ela!

— Ah, mas ela não vai mesmo! Minha Alya é a mais forte e poderosa de todas!

Estavam brincando de briga de galo na piscina, e as duas garotas só conseguiram rir, enquanto tentavam derrubar uma a outra na água.

Marinette recebeu um empurrão e acabou caindo dos ombros de Adrien, emergindo segundos depois, a tempo de ver a comemoração de Nino, enquanto tirava a água do rosto.

— Ah é! Vitória de Alyno! — Nino gritou, erguendo os braços, em seguida, derrubou Alya na piscina, que deu um grito, e ele mergulhou atrás dela logo em seguida, com uma risada.

Marinette gargalhou junto com Adrien ao ver os dois.

— A gente pega eles na próxima. — O loiro se aproximou, nadando em volta dela.

— Acho que cansei de ser derrubada dos seus ombros. — Ela disse, tentando entender o que o namorado estava fazendo, até que ele a surpreendeu, a abraçando por trás.

— Estarei aqui para te pegar. — Ele sussurrou em seu ouvido, e mesmo com a água gelada, Marinette sentiu o calor subindo em suas bochechas.

Precisou se esforçar para conseguir respondê-lo.

— Promete?

Então ele tocou os lábios em sua orelha, antes de sussurrar.

— Prometo. — Ela sentiu arrepios por todo seu corpo, e não era pela água gelada ao seu redor.

Soltou uma risada envergonhada, saindo do aperto dele, o empurrando pelo peitoral.

— Adrien! — Ela riu, tímida, mas sorriu ainda mais quando viu o rosto brincalhão dele direcionado a ela.

— Tá legal, vamos parar, vocês dois. — Alya surgiu de repente, e Marinette ficou feliz com sua interrupção. Sentia que estava sem ar e precisava respirar um pouco.

— É, nada de beijinhos na piscina. — Nino continuou, nadando para perto deles. Mas já abraçando a Alya pela lateral e dando um beijo na bochecha dela.

Marinette riu mais ao ver a cara de falsa indignação da amiga.

— Ei! Eu e a Marinette já tivemos que testemunhar beijinhos demais de vocês dois. — Adrien continuou, jogando água e separando os dois.

Mas Marinette sabia que ele só estava implicando com o casal. O loiro sabia bem como o contato íntimo com ela andava a passos lentos. Marinette já conseguia dar as mãos, e receber beijos em lugares como testa, mão e bochecha, ou rápidos selinhos, quando estavam em público.

Mas abraços mais íntimos e beijos mais profundos? Apenas quando os dois estavam sozinhos.

Ela temia que Adrien pudesse ficar frustrado com isso, mas desde o começo ele havia sido mais do que paciente e compreensivo com ela. Em resumo, Adrien era perfeito, em todos os aspectos.

E com o coração inundado de gratidão, ela nadou para perto do loiro e o beijou na bochecha, o pegando de surpresa.

— Obrigada por defender minha honra. — Disse, brincalhona, vendo um leve rubor aparecer e sumir no rosto dele.

— É um prazer, mademoiselle. — Disse sorrindo, e fazendo uma leve reverência a ela.

O que não deu muito certo, pois Nino pulou em suas costas, afundando os dois juntos na água. Ela e Alya gargalharam.

Quando os dois garotos surgiram se empurrando, mas rindo ao mesmo tempo, ouviu Nino retrucar.

— Vocês dois estão muito amorzinhos hoje. Vamos jogar vôlei! — Ele então nadou e pegou a bola na lateral na piscina. — Casal contra casal!

Aquele dia estava sendo bom, Marinette se permitiu refletir, enquanto os quatro começaram a jogar. Haviam chegado cedo na mansão, e Nathalie havia mandado preparar um brunch caprichado para eles, na mesa do jardim. Depois jogaram jogos de tabuleiro e cartas, até o sol esquentar mais e os quatro irem para piscina.

Os planos para mais tarde eram: lanche, videogame, e filme no final da noite, com direito a pipoca e doces.

— Ponto para Adrinette! — Adrien comemorou, após Alya perder a bola na água, pegando Marinette nos braços e a rodando.

Ela riu com ele, e assim que foi solta, viu Gorila e Nathalie aparecerem no jardim. O guarda-costas segurava uma bandeja com uma jarra de suco e vários copos.

— Preparei pra vocês, precisam de hidratar. — A mulher estava de óculos escuros, com uma regata e shorts soltinhos. Era diferente para todos, vê-la sendo tão casual e carinhosa, mas gostava disso.

Gostava, principalmente, de vê-la tão saudável novamente.

Adrien a contou o quanto ficou aliviado quando Nathalie descobriu um novo “tratamento”, que funcionou rapidamente, para curar a doença que ela tinha. E mesmo sabendo que era tudo uma enorme mentira, ela compartilhou de seu alívio, mesmo que por motivos diferentes.

Com Nathalie ali, Adrien não ficaria tão sozinho, e era isso que Emilie queria. A mulher tratava Adrien com o amor que ele merecia, e isso a deixava, verdadeira e extremamente feliz.

— Obrigado, Nathalie. — Adrien devolveu o afeto, e começou a sair da piscina, junto com os outros, dando a mão para Marinette para ajudá-la a subir.

Gorila depositou a bandeja na mesa e estava prestes a servir os copos, quando Adrien o impediu e serviu ele mesmo, entregando o primeiro copo de suco para o guarda-costas. Ela sorriu com aquilo. Adrien nunca o tratava como apenas um empregado, Gorila já era sua família, mesmo que o homem ainda não enxergasse isso.

Alya e Nino sentaram à mesa e Marinette foi buscar a toalha que estava na espreguiçadeira, quando de repente sentiu o pé molhado escorregar no piso e caiu com força, batendo o quadril no chão.

— Marinette! — Ouviu um grito, mas só conseguiu sentir a enorme dor em sua lateral.

— Ai! — Resmungou, esfregando o local da batida, até perceber a movimentação atrás de si, se virou e viu todos os seus amigos em volta dela, para ajudá-la. — Desculpa. Eu sou tão desastrada.

Aceitou a mão estendida de Adrien e se levantou, recebendo os olhares preocupados.

— Está tudo bem, gente! — Tentou tranquilizá-los, abanando as mãos e com um sorriso envergonhado no rosto. — Isso acontece sempre.

Isso suavizou um pouco o clima, e começaram a voltar para a mesa.

— Cuidado, minha linda. — Adrien disse, ainda segurando a mão dela, e a levando para a mesa, onde puxou sua cadeira para ela sentar.

— Obrigada. — Ela agradeceu, e recebeu um beijo no topo da cabeça em seguida, antes dele sentar na cadeira, ao seu lado.

⋅⋆⊱--------------⋇❬❤️❭⋇--------------⊰⋆⋅

Horas mais tarde, estava com Alya no enorme sofá da sala de TV, esperando os meninos, que foram arrumar os lanches na cozinha.

As duas estavam, confortavelmente, de pijamas. Haviam preparado uma mochila para aquele dia, e tomado banho na suíte de um dos quartos de hóspede da mansão.

Tikki, Trixx e Plagg estavam juntos, perto das mochilas das meninas, no quarto. Mesmo com o anel guardado em sua casa, Plagg parecia gostar de passear com Tikki, então Marinette continuava levando ele para todos os lugares. Além disso, Marinette não confiava nele sem supervisão por tanto tempo.

Não com todos os queijos da padaria, apenas alguns andares abaixo do quarto dela.

Alya, também, havia a convencido a deixar de lado a patrulha naquele dia. Esquecer tudo e apenas se divertir. E ela pensou bem, e chegou a conclusão que não faria diferença, não é como se houvesse alguém a esperando em algum telhado. E também, após o alerta de Akuma ser instaurado em toda a cidade, as patrulhas perderam seu significado.

A verdade mesmo, é que elas haviam se tornado uma desculpa, ao longo dos meses, para que ela e Chat pudessem se encontrar, e ver um ao outro todos os dias, sem nenhuma luta acontecendo.

Mas já não existiam os dois juntos. E as patrulhas eram apenas mais uma das coisas que haviam perdido o sentido, após ele ir embora.

— Essa mansão é demais. — Alya comentou, a tirando de seus pensamentos melancólicos, enquanto ela se aconchegava no sofá, observando a sofisticada sala em que estavam.

Marinette estava prestes a concordar com ela, até que a amiga continuou.

— É legal podermos vir tanto para cá, agora que o Sr. Agreste não tá mais aqui.

Aquilo pegou Marinette de surpresa, que soltou um arquejo assustado.

— Alya! Que horror. — Ela a repreendeu, e depois baixou a voz para um sussurro gritado, se aproximando da amiga no sofá. Sentiu uma fisgada em seu quadril quando fez isso, e precisou jogar o peso de seu corpo para outro lado. — O homem morreu!

— Eu sei, amiga. — Alya ressaltou, levantando as mãos, como se alegasse inocência na sua fala. — Mas tem que admitir, ele dava medo. Sem falar que o Adrien parece estar muito mais feliz agora, sem ele para controlar toda sua vida.

Marinette prendeu o ar, assim como prendeu as verdades dentro de si, lembrando de Gabriel em seus últimos momentos. Nem mesmo Alya, que sabia sua identidade, sabia desse segredo. Soltou o ar em um suspiro melancólico.

— Mesmo assim, ainda era o pai dele. — Respondeu, abaixando a cabeça, se sentindo desanimada de repente.

— Alguns pais, a ausência é melhor que a presença. — Alya continuou, pegando o controle da enorme TV à frente delas e escolhendo o filme que iam assistir.

Marinette se perguntou se isso era mesmo verdade. Mesmo sendo um pai tão ruim, e mesmo sendo o Monarch, se era preferível Adrien tê-lo em sua vida, ou não.

Pois para Adrien, ainda era apenas o seu pai, e tudo que restaram, foram as boas lembranças.

— Mas a saudade que fica é a mesma. — Terminou o pensamento em voz alta, atraindo o olhar de Alya sobre ela.

Consequentemente, sua fala sobre saudade a fez lembrar da sua.

Da sua maior saudade. O coração apertou.

Marinette abraçou os próprios joelhos, sentindo os olhos arderem e o peito doer, com a mera lembrança dele.

— Mari! O que foi? — Alya perguntou assustada, largando o controle e colocando a mão sobre a dela.

— Chat… eu sinto falta dele. — Falou baixo, de forma abafada, a garganta apertada com o bolo de sentimentos que estava contendo. — Tanta, tanta. — Abaixou a cabeça em meio aos joelhos, apertando os olhos para não liberarem suas lágrimas.

— Eu não posso nem imaginar, amiga. Mas você não tá sozinha. — A voz acolhedora de Alya chegou aos seus ouvidos, a mão dela fazendo carinho em suas costas. — Todos os seus amigos estão com você. E você tem um namorado maravilhoso, que te ama demais.

— Eu sei. Não quero ser uma ingrata, mas não é a mesma coisa. — Respondeu, ainda sem levantar a cabeça. Ficou ali, apenas respirando e se acalmando por alguns minutos, Alya não parou o seu toque nenhuma vez. Quando se sentiu mais calma, e havia controlado a vontade de chorar, ergueu a cabeça. — Desculpa, não queria te preocupar.

Mas a amiga apenas a olhou, com as sobrancelhas franzidas.

— Eu me importo com você, Marinette, é claro que vou me preocupar. Eu só não sei o que fazer para te deixar melhor.

Marinette apenas lhe lançou um sorriso sem humor, apertando os olhos.

— Oh Alya, nesse caso, não existe nada mesmo que você possa fazer. — Então segurou a mão da amiga. — Mas já agradeço, apenas por estar aqui comigo.

— Sabe que pode contar sempre comigo. — Marinette queria concordar. Mas a verdade é que não conseguia mais.

Um dia, Alya estaria ali com ela e no outro. Puff. Ela teria ido embora e Marinette não a veria mais, em lugar nenhum.

Mas a amiga não compreenderia esse pensamento, então apenas concordou.

— Vai precisar conversar com os heróis em breve também. Até o Nino, que nem gosta tanto do Chat, já começou a me perguntar sobre ele. Tive que contar o que houve, mas para o restante…

Soltou um longo e audível suspiro.

— Sei que tenho que fazer isso. — Respondeu frustrada. — E a resistência também tem o direito de saber. É só que, parece que se eu contar a eles, então logo todos de Paris vão saber. E aí, sim, vai ser real. Por enquanto, ainda consigo fingir que é só uma coisa temporária.

— Mas se ele ver a Nadja anunciando isso… — Alya continuou sua linha de raciocínio.

— Então parecerá que não há como voltar atrás.

Então a amiga a encarou, com mais seriedade.

— E há como ele voltar atrás?

Marinette segurou o ar, apertando os lábios com força.

— Eu não sei, Alya. — Sussurrou. Tinha medo de até falar em voz isso em voz alta.

Elas então respiraram fundo e voltaram a atenção para a TV.

— Tenta conversar com o Adrien também, dar algum tipo de explicação. — Alya disse, de repente, atraindo sua atenção. — Ele não tem ideia do que está acontecendo com você, e não sabe como te ajudar.

Marinette não compreendeu.

— Mas ele não tá sabendo de nada. Nós estamos bem. — Afirmou, se questionando se havia deixado algo passar.

Foi então que Alya virou para ela, com uma cara complacente.

— Oh, Mari, como pode ser tão bobinha? — Alya dava tapinhas no alto de sua cabeça, e sentiu que estava sendo tratada como uma criança. — Ele nos chamou aqui hoje, porque está preocupado com você.

Arregalou os olhos, em surpresa.

— Adrien? Mas eu tentei, tanto, disfarçar perto dele. — Sabia que não estava fazendo o melhor dos trabalhos, mas não imaginou que o namorado fosse reparar, ou ao menos, planejar um dia assim, por causa dela. Para animá-la.

A amiga, então, continuou de forma calma.

— Acho que ele te conhece melhor do que você pensa.

E esse, era um de seus maiores medos.

Notas finais
Amo as conversas com o Luka, não importa com quem ele esteja falando. Ta, agora deixa eu me explicar hahah eu gostei tanto de escrever esse cap por conta da sensação boa que ele meu. Tipo, imagina você e seu círculo íntimo de amigos, indo passar o dia na MANSÃO do amigo de vocês. Ai que delícia kk inclusive, estou querendo. Quem tem uma mansão disponível aí? Eu sei que esse cap foi predominante da Mari, perdão. Eu to tentando sempre deixar o mais equilibrado possível entre os dois, mas às vezes, um personagem tem mais coisas a dizer do que o outro e acontece isso kk. Eu tenho até um caderninho onde anoto a quantidade de povs deles, pra deixar equilibrado kkk mamãe aqui é paranóica (ou organizada, depende do ponto de vista). E... algo muito importante aconteceu aqui nesse cap. Será que alguém consegue descobrir o que é? Se não, só vão saber lá no cap 10, sinto muito haha. É isso meus lindos. Nos vemos na próxima sexta. Beijinhos doces!