Notas iniciais
Olá, pessoinhas! Mais um capítulo com fortes emoções para vocês saindo fresquinho do forno! Espero que gostem!

Lexie me fez atravessar o shopping pela praça de alimentação – não sem antes ouvir alguns protestos vindos da minha parte por estarmos quebrando o combinado de comer antes de entrar em qualquer outra loja.

— Como que você conseguiu enxergar que essa era a roupa perfeita do outro lado do sho... – Interrompo minha frase quando paramos em frente à vitrine de uma grande loja e meus olhos pousaram sobre ele, um macacão preto, sem mangas, frente única, com uma amarração na cintura. Eu nunca tinha usado nada igual antes! Era tão elegante, mas sem ser exagerado, perfeito para a ocasião.

— Lindo, não é?! – Lexie pergunta parecendo saber exatamente o que eu estava pensando. – Vem, você precisa prová-lo imediatamente!

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— HÁ! Ficou perfeito! Fala pra mim se eu não sou a melhor. – Minha amiga se gaba enquanto saímos do provador.

— Amiga, ele é lindo! Só tem um detalhe: não tenho como pagar por ele. Esta muito acima do meu orçamento – Encaro a peça totalmente desanimada. Eu realmente tinha gostado dele, mas o preço era bem salgado. Queria causar uma boa impressão e ele era a opção perfeita.

— Ah, pff! Deixa isso comigo. – Estava prestes a protestar quando ela toma a peça da minha mão e dispara em direção aos caixas. Lexie normalmente fazia isso quando sabia que eu iria dizer "não".

— Alexia Scarlett Greyson, não acredito que fez isso! Você sabe que não precisava. – Digo a minha amiga quando a mesma vinha ao meu encontro toda sorridente com a sacola da loja. Outro fato sobre mim era que eu não sabia como reagir quando as pessoas me davam alguma coisa.

— Lisa Watson Keynes, eu ficaria muito ofendida se não aceitasse meu presente. – Ela fala com um tom sério. Acho que foram poucas as vezes que a vi falar assim. Pego a sacola com o logo da loja que minha amiga estendia a minha frente e balbucio um obrigado.

— Watson? – Solto após uns minutos

— Você sabe meu nome inteiro, só queria dar a impressão de saber o seu também – Lexie fala dando de ombros com um sorriso divertido, me fazendo rir.

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A segunda parte da batalha foi iniciada em minha casa. Minha mãe tinha aceitado de bom grado que Lexie fosse lá em casa me ajudar na minha preparação para o jantar.

Assim que saí do banho, encontrei no meu quarto montada uma estação improvisada de trabalho da minha amiga com as minhas poucas maquiagens, alguns esmaltes de minha mãe espalhados em cima da minha penteadeira e o macacão estendido em cima da cama. Lexie havia feito um coque solto em seus cabelos negros e, sempre que estava concentrada suas sobrancelhas bem alinhadas se juntavam formando uma ruga entre elas – como era o caso. Parte de mim me odiava por fazer tudo isso para apenas atravessar a rua, mas outra parte me dizia que essa noite merecia algo diferente.

Enquanto conversávamos, Lexie ia trabalhando agilmente. Tive direito até a manicure e pedi cure, hidratação nos cabelos, além também, da maquiagem.

Meus cabelos eram grandes, volumosos e cacheados então ela acabou gastando um bom tempo nele, mas o resultado final, depois de secar com o difusor foi espetacular! Ela realmente sabia o que estava fazendo.

— Agora, o toque final que é a sua marca registrada. – Minha amiga fala abrindo meu guarda-roupa e trazendo uma caixa preta. Faço uma cara confusa. – o All Star. Vi que tem uma coleção deles e pensei que seu branco combinaria bem com o macacão. – Sorrio agradecida. Imaginei que Lexie iria me sugerir usar salto, seria a receita para o desastre.

O resultado final me surpreendeu. Eu estava olhando para uma versão minha melhorada! Meus cachos caiam bem definidos e brilhosos sobre meus ombros, uma maquiagem discreta cobria meu rosto e, odiava admitir, mas Lexie estava certa aquela roupa valorizava minha silhueta. Ambas estávamos bem satisfeitas com o resultado.

Quando tudo estava pronto, nos despedimos com um abraço demorado. Depois de alguns segundos digo:

— Dawson! — O taxi que tínhamos pedido para ela estaciona próxima a calçada.

— O que? — Lexie pergunta sem entender.

— Meu nome do meio é Dawson — completo.

— Ainda prefiro Watson. — Ela diz com um sorriso brincalhão antes de se enfiar no veiculo amarelo e o mesmo dar partida sumindo do meu campo de visão em poucos segundos no final da rua.

Respiro pesadamente sabendo que a hora da verdade tinha chegado. Meus lados racional e emocional haviam travado uma batalha árdua entre si, eu já havia ajeitado minha roupa nervosamente umas cinquenta vezes antes de tocar a campainha da casa dos Saunders. Minha mãe, ao perceber segura minha mão e dá um aperto leve me passando certa confiança.

Existia uma parcela de chance de dar tudo certo e grandes chances de dar tudo errado e eu fazer papel de idiota, no entanto, preferia me agarrar a primeira opção — o que provavelmente já englobava a segunda.

— Lisa, Margareth! Que bom vê-las, entrem! — Tia Rose nos recebe, com sua animação típica e um enorme sorriso. Ela, como sempre, estava vestida de uma forma elegante porém discreta. — Você esta maravilhosa querida. — Completa olhando para mim. Agradeço mentalmente por ter Lexie em minha vida.

Assim que pisamos no interior da casa, minha mãe e tia Rose logo se juntam na cozinha em seu próprio clube da Luluzinha. Um aroma delicioso e familiar invade minhas narinas, o som do piano do Tio Chris preenchia o ar acompanhado das notas de um violão que imaginei ser o de Austin. Essa atmosfera faz meus músculos relaxarem me trazendo várias lembranças boas.

—...sim! Na sequencia poderia ser Tchan Tchan Tchan e depois subir para TCHAN, TCHAN, TCHAAN — O garoto explicava para seu pai enquanto demostrava no instrumento em seu colo e, Tio Chris reproduz no piano. Eu nunca iria entender essa linguagem dos músicos, mas era engraçado de se assistir.

Me encosto no batente da porta, observando a cena, eles estavam tão concentrados que ainda não haviam percebido minha presença.

— Oi docinho! — Tio Chris fala finalmente notando que eu estava ali. Ele tinha se tornado meu pai do coração. Austin que estava sentado em uma poltrona de costas para mim se vira na minha direção abrindo seu sorriso que sempre mexia comigo. Me sento no sofá próximo a eles. As mesmas calças rasgadas ainda compunham seu look, mas acompanhada dessa vez, por uma camisa jeans clara e uma corrente de prata fina com pingente em forma de nota musical.

— E aí! Que bom que chegaram! — O garoto diz enquanto coloca seu violão de lado e me da um abraço. Seu perfume era inebriante. — Queria te pedir desculpas por hoje, — continua abaixando seu tom de voz para que só eu escutasse. — não devia ter te abandonado daquele jeito.

— Não se preocupe. Sabe que será necessário muito mais do que isso para se livrar de mim, né? — Digo com um olhar maléfico e ele gargalha e balança a cabeça negativamente.

— Eu estava mostrando ao meu pai uma novas musica que estou compondo quer ouvir? — pergunta trazendo o instrumento novamente a seu colo, mas antes que eu pudesse responder tia Rose aparece na porta e diz:

— Pessoal, o jantar esta pronto.

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À mesa, conversávamos animadamente e nos divertíamos com as aventuras em que meu amigo havia se metido vivendo sozinho em Los Angeles

— Tenho uma novidade para compartilhar com vocês. — Austin diz ganhando nossa atenção — eu... — Seus discurso é interrompido pelo toque de seu telefone, que pude reparar que já não era mais a trilha sonora de Star Wars e sim uma melodia de guitarra que eu desconhecia. Seu rosto é tomado por misto de confusão e surpresa indicando que aquela ligação não era esperada. — Com licença, preciso atender esta chamada. Volto em um segundo. — O garoto sai apressado.

Estava tão distraída pensando em quem poderia ser naquela ligação que ao estender a mão para cortar minha lasanha minha mão acaba esbarrando no copo de suco derramando grande parte do liquido no meu colo. Tinha que ser estabanada. Me levanto rapidamente, ganhando olhares surpresos.

— Ai, filha. Deixa que eu limpar isso. — Minha mãe diz, como se estivesse falando com uma criança de cinco anos, segurando um guardanapo.

— Com licença — Ando a passos apressados até o banheiro para tentar visualizar o tamanho do estrago, mas ao ouvir a voz de Austin, me escondo em uma parte escura do corredor dos quartos.

—... O que? Como pôde fazer isso?! — Nunca o tinha visto tão transtornado. — Não pensou direito? Jey, você tem noção de em que situação me colocou? — Ele solta o ar pesadamente. Quem poderia ser essa pessoa? Seu empresário?- Eu também gosto de você. O que vivemos juntos foi especial, mas ainda é muito cedo para isso. — A resposta vem logo em seguida, como um soco no meu estomago: era uma garota. Minha vista começa a ficar embaçada e tudo que eu pensava em fazer era sair correndo dali. Claro, que inocência a minha! Como pude pensar que ele esperaria até que eu me declarasse?

Notas finais
Qual a receita para se curar coração partido?