Notas iniciais
Olá, olá pessoinhas! Mais um capítulo na área!

Se eu tinha alguma esperança de pegar no sono, a mensagem de Austin levou embora. Passei o resto da noite criando inúmeras hipóteses e possibilidades do que essa "novidade" poderia ser. Será que ele havia conseguido uma colab com algum famoso?Sei que seu maior sonho era gravar com John Mayer. Talvez fosse isso, mas também poderiam ser inúmeras outras coisas. Não fazia idéia da metade do que meu amigo tinha vivido na cidade dos famosos.

Quando finalmente havia sido vencida pelo cansaço e meus olhos se fecharam pelo que pareceram cinco minutos, o alarme de meu celular me faz saltar assustada. Droga! Eu estava um caco. Minha esperança era conseguir descansar à tarde para não parecer um zumbi no jantar hoje à noite.

Tia Rose e tio Chris haviam convidado eu e minha mãe para um jantar em sua casa para recebermos Austin e ouvirmos sobre suas historias e experiências.

Coloco minha camiseta vermelha com estampa do Chewbacca e logo meus pensamentos se voltam para o idiota que tinha bagunçado a minha cabeça. Eu finalmente o veria depois de tanto tempo!

Visto uma calça preta e um All Star da cor da camiseta, pego minha mochila preta com estampa de galáxia e desço para a cozinha seguindo o cheiro maravilhoso de café.

— Bom dia, filh... Credo, que cara é essa? – Minha mãe, que estava colocando duas fatias de pão na torradeira, interrompe seu movimento e me analisa com uma expressão horrorizada. Ela com certeza estava exagerando, até por que eu havia tampado o pior com corretivo.

— Não tive uma noite muito boa de sono – respondo pegando um copo no armário e enchendo de café.

— Ansiosa para ver o Austin? – ela pergunta com um sorrisinho malicioso, voltando a sua atividade. Eu tinha contado tudo a ela sobre o que sentia por ele, inclusive sobre a hipótese de contar ao garoto sobre meus sentimentos, a qual ela me apoiou completamente o que me dava certa sensação de estar fazendo a coisa certa.

— Ele me mandou uma mensagem ontem à noite dizendo ter uma novidade

— Ah, é? Será que ele conseguiu gravar com aquele cantor que ele tanto falava? – Ela parecia tão curiosa quanto eu.

— Também pensei nisso, mas acho que teremos que esperar para saber – Faço uma careta. Esperar não era uma das minhas maiores virtudes.

Depois de comer algumas torradas – que surpreendentemente minha mãe tinha conseguido não queimar – e o "ovo maravilhoso" nomeado por ela subo em minha bicicleta e vou em direção a escola.

>>>

Os corredores estavam bem cheios e agitados. A noticia da volta de Austin correu rápido, pude ouvir algumas pessoas comentando sobre isso aqui e acolá, mas eu apenas tentava me manter focada para não surtar. Uma coisa de cada vez.

Ando rapidamente até meu armário para deixar meu material do dia e conferir meus horários. Quanto mais rápido eu for para a aula, mais rápido o dia vai passar. Assim que termino de ajeitar tudo fecho o armário e começo a seguir em direção a sala quando ouço uma voz familiar atrás de mim:

— Aonde vai com tanta pressa? – Meu corpo gela.

— Austin? – Giro nos calcanhares bruscamente e o vejo encostado nos armários próximos ao meu, com um sorrisinho de lado. — AUSTIN! — Corro em sua direção e pulo em cima dele deixando meus livros caírem no chão.

— Eu também estava com saudade Chewie – Austin fala com um pouco de dificuldades, pois eu estava o esmagando com meu abraço. Ele tinha me apelidado carinhosamente de Chewbacca por causa do meu cabelo volumoso, normalmente eu o teria socado, mas estava muito atordoada. – Eu não preciso das minhas costelas não, fica tranquila.

— Ah, foi mal! – digo dando espaço para ele respirar – Não esperava te ver antes do jantar!

— Tive que vir aqui resolver os últimos detalhes do meu retorno e enviar os relatórios das atividades do ano passado – Ele diz e após isso nos observamos em silencio, nenhum dos dois sabia o que dizer. Austin estava diferente. Seu cabelo que antes era na altura dos olhos, agora estava bem baixo nas laterais e na parte de cima as mechas castanho claro se bagunçavam. Suas camisetas do Star Wars foram substituídas por uma branca lisa e uma jaqueta de couro preta dando um ar mais elegante e descolado. Espera, aquilo que ele estava vestindo era uma calça rasgada? Austin sempre odiou essas calças. – Lisa, eu... – o garoto começa, mas é interrompido por Travor, o capitão do time de futebol e alguns outros garotos que também faziam parte do time.

— Grande Austin! Como vai, cara? – eles se cumprimentam com batidinha nas costas — Ta a fim de dar uma passadinha no treino? Estamos indo para lá agora – O garoto passa o braço pelos ombros de meu amigo e o leva para longe. Austin me lança um olhar de desculpa pelo ombro. Nossa conversa terá que esperar um pouco mais. Permaneci ali olhando eles se distanciarem no corredor.

— Lisa? O que esta você fazendo ai parada no meio do corredor? – Uma voz feminina me tira de meus devaneios. — Estou te esperando na biblioteca há um tempão! – Droga! Tinha me esquecido completamente que havia marcado com Lexie de estudar na biblioteca antes de ir para a aula. Ela parecia bem irritada e eu não a culpava por isso.

Eu tinha conhecido Lexie no ano passado, quando ela entrou na escola e a minha professora de literatura, Delaney Stainfield me pediu para apresentá-la a escola. Ela me conhecia ao ponto de saber que eu estava sofrendo sem meu amigo e, devo dizer que essa sua sugestão deu inicio a uma amizade que nunca imaginei que teria. Lexie e eu éramos opostas, ela sempre decidida, sabia onde queria chegar e como queria chegar, engraçada, bonita, inteligente e extrovertida, sabia se vestir bem, ou seja, tudo que eu não era.

— Ai Lexie, me perdoa! Não esperava me encontrar com o Austin aqui e...

— Espera o Austin esta aqui? – Eu acenei positivamente com a cabeça. – E você estava assim? – Ela faz um movimento circular com o indicador, apontando para mim.

— Ei! O que quer dizer com isso?

— Há! Não sei nem por onde começar. — Diz me olhando de cima á baixo. — Essa camiseta enorme não valoriza nem um pouco a sua silhueta — analiso a mesma. — e essas olheiras... – Ela deixa a frase no ar, mas sua careta diz tudo.

— Tá bom, tá bom! Enfim, no final nem consegui conversar direito com ele por que o senhor "eu sou lindo e me chamo Travor," nos interrompeu para arrastá-lo a um treino idiota de futebol. – Imito uma voz masculina fazendo aspas com os dedos para dar ênfase ao nome.

— Ei, ei! Respira. Sua chance vai chegar minha amiga. – Ela segura meus ombros me fazendo encará-la. Eu também havia contado tudo a ela a respeito de Austin. Respiro pesadamente. Ela tinha razão, mas eu não conseguia ignorar o sentimento em mim que dizia que eu devia contar logo a ele o que sinto.

Lexie e eu tínhamos as mesmas aulas então caminhamos juntas até ao laboratório para a aula de química.

Estequiometria. Foi a única coisa que me dei o trabalho de escrever na folha do meu caderno enquanto meu pensamento viajava para o jantar. Não sei nem se tinha roupa para isso. Essa ideia de me vestir para impressionar um garoto era novidade para mim. Lexie! Ela poderia ajudar a estar apresentável para hoje.

— Lexie! – A chamo, virando para encará-la. A garota que estava sentada na cadeira ao eu lado anotando tudo que o professor explicava muda sua atenção de sua anotação para mim.– Preciso da sua ajuda.

>>>

— Mas você não quer dar uma olha nas minhas roupas antes de ir ao shopping? Talvez tenha algo lá que eu possa usar – Digo enquanto Lexie me puxa até a saída da escola de uma forma um pouco bruta. Ir as compras não era bem algo que eu apreciava.

— Meu bem, estou apenas sendo prática. Já pude ter um vislumbre de que tipo de roupa você usa e, sejamos francas, sabemos que a peça necessária para você arrasar hoje à noite não esta no seu guarda-roupa. – Certo. Essa doeu, mas eu estava disposta a tentar algo diferente de qualquer forma então acabei concordando.

— Não. Esse não ficou bom. – lá vou eu novamente para o trocador – Esse ficou pior ainda! – Bufo irritada. Já era o vigésimo vestido que eu provava e nenhum tinha ficado bom. – É aqui não vai rolar, vamos à outra loja – Ótimo, era tudo que eu não queria ouvir.

Depois de passar em mais sete lojas, Lexie havia comprado um monte de coisas para elas mas, AINDA NÃO HAVIAMOS ACHADO A DROGA DO LOOK PERFEITO! Meus pés estavam doloridos de andar tanto, meu cabelo estava todo desgrenhado do "tira e põe" de roupas e minha barriga tinha começado a roncar. Tínhamos combinado de fazer uma pequena pausa para comer e, depois voltar a nos enfiar nas lojas. Estávamos quase chegando à praça de alimentação quando minha amiga grita:

— É esse! — Ela para no meio do caminho e olha fixamente em uma direção com uma expressão esquisita.

— Ai que susto sua doida! – Falo colocando a mão no coração. — É esse o que? — Procuro com os olhos ao que ela poderia estar se referindo.

— Achamos o que estávamos procurando...

Notas finais
O que dizer de Léxie?