Aurora | Nárnia
11 Companhia
Notas iniciais
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— Xeque-mate! — Edmundo diz, depois de ter posicionado sua peça no tabuleiro.
— E novamente eu perco. — resmunga o fauno Kaemnus, recebendo um riso do Rei a sua frente.
— Foi uma boa partida. — Ed diz.
— Edmundo! — Lúcia grita ao abrir as portas com um sorriso enorme no rosto, assustando os dois.
— Porque está gritando, Lúcia? — Edmundo franziu o cenho, virando o rosto para o tabuleiro e ajeitando as peças.
— Eles voltaram! A Emma chegou!
Dita a frase, Edmundo vira para a irmã com um sorriso, pede desculpa ao fauno e se retira da sala com a menor, correndo pelos corredores do castelo até chegar ao grande salão onde encontraram Pedro e Susana ao pé da escadaria que levava aos quatro tronos.
— Chegaram? — Ed perguntou a Pedro que tinha o rosto radiante.
— Sim, já devem estar entrando...
No final do salão foi ouvido o som de passos, os quatro se viraram observando Emma, que usava uma calça preta, botas, blusa branca de mangas cumpridas, um espartilho verde escuro de alça que moldava sua cintura, a capa vermelha recaindo sobre os ombros e a espada na cintura. Ao lado dela estava Floy, todo de preto, exceto por seu casaco metade aberto revelando uma camisa branca, a espada estava nas costas com a alça atravessada no peitoral.
— Recebi a mensagem. — Emma diz ao chegar perto dos quatro, Floy e ela fazem uma reverencia rápida. — Sentiram saudade?
— É claro! — Lúcia se apressa e abraça Emma. — Você não para mais no castelo.
— A trabalho a fazer lá fora. — Emma sorriu, Susana foi a próxima a dar um abraço.
— Certo, mas agora vai descansar por um tempo aqui, não é? — Susana pergunta.
— Tudo depende do que o Rei Pedro, o Magnífico, decidir. — Floy diz olhando para Pedro que sorriu de lado.
— Conversamos depois. — Pedro diz. — Bem-vindos de volta.
— É, não aguento Pedro resmungar. — Edmundo diz baixo, olhando para o chão, mas Pedro escuta e Emma franziu o cenho.
— O que disse? — a morena pergunta.
— Que o Pedro...
— ...que quero saber se estão todos bem. — Pedro interrompe. — Todos voltaram bem?
— Sim! — Floy e Emma concordam.
— O último foi um lobisomen, e adivinhem só quem foi a isca? — Floy fala, por último apontando para si.
— E você correu tão rápido quanto um centauro. Essa eu queria ter visto. — Cass diz entrando no salão pela lateral direita.
— Era um lobisomen irritado, dei meu melhor. — Floy deu de ombros.
Cass abraça Emma e depois o amigo. Eles trocam algumas palavras, conversando sobre a caçada aos ogres, até Lúcia e Susana arrastarem Emma para acompanha-la ao quarto, o caminho todo com muitas risadas e comentários sarcásticos. Depois, as Pevensie deixaram a guerreira descansar em seu aposento que ficava só um corredor de distância de onde ficava os quartos dos reis e rainhas.
Emma tomou um longo banho relaxante, era bem preciso depois de uma semana caçando ogres pelos bosques e aldeias. Cuidou dos cabelos, escovou, colocou um vestido simples branco e preto, decote ciganinha de mangas cumpridas pretas e uma sapatilha confortável. Em pouco tempo duas serviçais bateram a porta com uma bandeja de comida a mando do Rei. Emma sorriu, comeu das uvas e torradas e bebeu do suco, depois foi para a sacada de seu quarto olhar a paisagem, muitas árvores e a praia, vendo as ondas quebrando. Nárnia sempre foi e será a paisagem mais linda que já vira.
Alguém bate a porta novamente, Emma se vira e diz um 'entre' olhando para ver quem seria. Quando ele coloca metade do corpo para dentro do quarto, os dois dão um sorriso.
— Não quero incomodar. — Pedro diz, como se pedisse permissão para entrar.
— Tudo bem, gosto de companhia pra ver a vista. — Emma sorriu acenando para que o loiro entre e chegue perto na sacada com ela.
E foi o que ele fez, fechou a porta e se aproximou. Os dois com as mãos sobre o guarda-corpo de pedra branca, olhando a vista da tarde.
— Então, ocorreu tudo bem com você na caçada? — Pedro pergunta, tirando os olhos da paisagem e olhando o perfil do rosto da Aurora. Ela está linda. Pensou o loiro.
— Nada inesperado, eu acho. — deu de ombros. — Ninguém se rendeu, o que não me admira. Mas, nenhum foi um desafio tão grande.
— Eu imagino. — sorriu, passando o olhar para as mãos dela, apesar da palma ter calos de tanto segurar espadas e rédeas de cavalo, o dorso parecia tão macio e os dedos tão delicados. E
Ele queria pegar em sua mão, senti-la, segurá-la e guiar até o jardim, e nunca mais soltar.
— Mas e você, Rei Pedro? — Emma virou o pescoço o fitando, e Pedro voltou a olhar para os olhos azuis da garota. — Como anda seus treinamentos? Espero não ter perdido nada de interessante.
— Eu estou muito bem, ou eles que estão pegando leve demais. — ele diz, fazendo-a rir. — Perdi as contas de quantas vezes derrubei Cass.
— O Cass? — ela se exalta tentando segurar o riso. — Pode apostar, está indo bem mesmo. Apenas, não me surpreende já que o Chadburn anda um pouco desligado ultimamente.
— Eu percebi, ele não sabe disfarçar quando está apaixonado. — Pedro riu.
— Não mesmo. — suspirou. — É melhor deixar Elin avisada que ele é lento como uma tartaruga.
— Ele me contou sobre os cortejos e toda a cerimonia antes de um encontro. Aquilo é sério?
— Com certeza é sério. Em Nárnia, ainda temos tantas tradições, especialmente românticas.
— Lúcia vai adorar ouvir sobre isso. — Pedro comenta.
Os dois dão um riso baixo, e no meio do momento outra batida na porta os faz parar e virar. Emma caminha até a porta e Pedro até metade do quarto, a morena abre a porta e Tash, um conselheiro de Pedro esperava do lado de fora.
— Com licença, general Sallow. Peço desculpa se interfiro, mas, Vossa alteza recebeu um carta importante. — o conselheiro diz, depois de uma breve reverencia.
— Obrigado, Tash. — Pedro diz. — Me aguarde no gabinete, eu já estarei lá.
— Tudo bem. — responde. — Até logo, com licença general.
Emma acena e vê Tash partir ao longo corredor, e fecha a porta novamente e se vira para Pedro.
— Anda ocupado, pelo visto. — ela diz e o loiro arqueia a sobrancelha.
— Às vezes, eu diria. — responde. — Mas, Tash e meus irmãos ajudam.
— Você é bom nisso, é um rei admirável. — ela sorriu, sentia a aura de Pedro e gostava de vê-lo tão bem, alto e sorridente.
— Obrigado, sua opinião importa muito pra mim, Emma. — ele sorriu de lado.
— Estou aqui por você, sempre. — Emma sentiu as bochechas enrubescerem e olhou para o chão tentando disfarçar.
— Que bom. — ele afirma, ficando levemente corado também. — Tenho que ir, mas, antes...
— O que? — voltou a olhá-lo.
— Amanhã, eu e você, uma luta pra valer. Pode ser?
— Claro, vamos ver se aprendeu direitinho. — riu.
Pedro logo saiu para ir ao seu compromisso no gabinete. Emma ficou pensativa, se perguntando porque ficou corada e envergonhada, afinal era Pedro, e ele era o Rei.
Já Pedro, ficava intrigado com Emma. Ele sabia que estava totalmente entregue a ela, que a guerreia já tinha conquistado seu coração, mas ele estava super inseguro. Emma era completa sozinha, ela não precisava de um homem para protegê-la ou paparica-la, ela era incrível sozinha. E Pedro já se sentia um dependente dela, precisava tê-la por perto, precisava de seu aval para prosseguir com alguma ação. Ela era como uma bússola, que sem ela, ele não saberia por onde ir.
— Aqui está, alteza. — Tash entrega a carta para Pedro que abre e começa a ler.
Edmundo e Susana estavam na sala, observando o irmão, ele havia chegado com um brilho e muito distante, Susana já sabia o porque mas nada disse.
— Então, qual a resposta? — Ed pergunta, depois que Pedro ficou um longo tempo olhando o carta.
— Eles aceitaram. — Pedro responde, levantando o olhar. — Teremos um baile na próxima semana.
— Então, teremos um baile de Narnianos e Arquelândeses. — Susana sorriu. — Emma ficara contente.
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