Aurora Goldwin and The Rise of Night

4 Eu Reenceno Fúria De Titãs


Notas iniciais
Capítulo Editado

— Filho de Morfeu? — perguntei estática ao meu padrasto — É o... deus grego dos sonhos, certo?

— Sim, — Richard sorriu, mas parecia um pouco... estranho — E, Rory... — ele olhou para Quíron e para o homem gorducho. O centauro assentiu para Richard, o segundo homem apenas revirou os olhos de forma entediada — Rory, você tem a benção de Morfeu. — ele disse por fim.

— Como assim? — franzi as sobrancelhas — O que isso quer dizer?

— Antes, — Quíron interrompeu — Aurora Goldwin, esse é o senhor D. — Quíron fez um sinal para o homem gorducho.

Dionisio!

— O senhor é... — comecei a falar, mas ele me cortou.

— Se você disser que sou 'o cara do vinho', a faço enlouquecer até a morte, Alicia Gray. — ele disse.

— Meu nome é Aurora Goldwin. — falei, chateada.

— Que seja, Aline. — ele revirou os olhos — Preciso voltar ao Olimpo, Quíron. Boa sorte com os pirralhos.

Nisso, senhor D. andou dois passos e desapareceu em um rastro de fumaça roxa.

Aquilo não me surpreendeu muito. Olhei ao redor, subitamente notando que Nico e a garota loira, Annabeth, não estavam mais ali.

— Bem, Aurora — Quíron suspirou — quando Richard diz que você recebeu a benção de Morfeu, quer dizer que você poderá possuir alguns poderes diferentes dos filhos de Apolo. É claro, você terá as características de seus irmãos, mas também terá características dos filhos de Morfeu. — Quíron parecia tentar ser evasivo.

— Não é muito comum um meio-sangue receber benção. — Richard estava pensativo.

— Vocês tem certeza disso? — acho que eu era a que estava mais confusa ali do que eu.

— Sim. — Richard sorriu — Tenho completa certeza.

— Mas...

— Rory... — Richard me pegou pelos ombros e me fez ficar de frente para um pequeno espelho que havia na parede — por que seus olhos são violetas e não azuis como os de seus irmãos e seu pai?

— Não são violetas. — franzi minhas sobrancelhas e vi meu reflexo fazer o mesmo — Meus olhos são azuis arroxeados, porque as minhas veias sanguinárias se misturaram com o azul. É raro, mas possível... Elizabeth Taylor tinha esses olhos.

— Não, minha querida. — Richard olhou meus olhos pelo espelho — Seus olhos eram azuis, mas se tornaram violetas por conta da magia de Morfeu... depois da benção, como já lhe expliquei, você ganhou outras características. — ele apertou meus ombros — Você vai entender melhor o que quero dizer conforme descobrir seus poderes.

— Sim... — resfoleguei.

— Acho que ela precisa de um tempo, Quíron. — Richard beijou minha testa.

— Sim. — Quíron parecia preocupado — Vá, Aurora, está livre para explorar o Acampamento. — ele sorriu.

Apenas assenti e sai da Casa Grande.

— Nico? — tive um sobressalto ao ver o filho de Hades parado na varanda.

— Aurora, eu quero te mostrar uma coisa. — ele se aproximou de mim — Uma coisa que ninguém sabe.

Ele segurou meu pulso fortemente e me puxou em direção à floresta.

Nico segurava fortemente meu pulso, me impulsionando a correr pela florestas. Ele parecia conhecer aquele caminho, muito provavelmente explorava bastante aquele lugar. Estava escuro; apesar do sol já estar alto no céu, quase nenhuma luz passava pelas folhas das árvores... que pareciam muito, muito antigas.

Avançamos o suficiente para que eu não pudesse mais ver a entrada dela, quando Nico finalmente soltou meu pulso.

— Por que me puxou com tanta pressa? — resfoleguei.

— Porque não queria que nos víssemos e viessem atrás de nós. — ele me olhou por cima do ombro — Me siga.

Corremos mais um pouco pela floresta, até Nico parar de repente e me fazer quase colidir com ele. Estávamos de frente para uma grande árvore, um carvalho se não me engano, mas era muito antigo e muito grande. Mas uma parte da árvore, eu notei, era uma junção de galhos que parecia muito bem feito para ser natural. Ergui minhas sobrancelhas.

— Você é muito observadora, — Nico sorriu para mim — isso te ajudará como uma meio-sangue.

— Obrigada. — agradeci, mas de um jeito pouco paciente.

— Eu fiz isso alguns meses atrás, assim seria mais fácil de me transportar para o palácio de meu pai. — ele se virou e tocou na junção dos galhos.

A principio nada aconteceu, mas então outros galhos se dissolveram para o nada, formando um vão negro, que parecia ser feito de sombras. Eu caberia ali, pelo tamanho, e eu era alta.

— Quando eu estiver com meu pai, você pode usar isso para vir me visitar. — ele disse. Seus olhos brilhavam com orgulho, o que me fez pensar em quanta energia ele gastou para fazer esta entrada para o mundo inferior.

— Então você quer que eu intencionalmente caia na toca do coelho? — perguntei, com ar risonho.

— Sim. — ele respondeu.

— Bem, e como eu fecho isso? — perguntei.

— Fecha automaticamente atrás de você.

— E como sairei?

— Terá uma pedra no chão ao lado da entrada do outro lado, basta pisar nela e a parede irá abrir.

— E como fechamos agora? — olhei novamente para o vão.

— Apertando a junção novamente. — ele tocou no nó de galhos e o vão se fechou.

***

— Então, o que mais podemos fazer por aqui? — perguntei a Nico quando já havíamos saído da floresta.

— Muitas coisas. Você já tem uma arma?

— Nós podemos escolher nossas armas? — o encarei animada.

— É, acho que você ainda não tem uma arma... — ele murmurou.

— Não. — falei.

— Então vamos até o arsenal.

Quando entramos no arsenal, apenas uma pessoa estava lá. Uma garotinha, que parecia ter uns dez ou onze anos; tinha os cabelos espessos e loiros escuros. Ela segurava alguns girassóis recém colhidos nas mãos.

— Cloe? — chamou Nico.

A garota teve um sobressalto e se virou para nos olhar. Ela olhou Nico de forma receosa e pressionou as flores contra seu corpo, como se para protege-las de Nico. Aquela cena quase me fez rir. Mas ela olhou para mim e relaxou a postura, sorrindo.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Nico.

— Estava procurando a nova campista. — ela se aproximou de mim timidamente, mas sorrindo ainda — Queria entregar isso como boas vindas. — ela estendeu os girassóis para mim.

Sorri para a garotinha; girassóis não eram minha flor favorita, mas aqueles eram tão lindos...

— Seu pai é Apolo. — Cloe continuou, antes que eu pudesse agradecer — Então achei que seria melhor girassóis, aí os fiz crescer e colhi para você.

Sorri outra vez para Cloe e beijei sua testa.

— Obrigada, mas... você é filha de quem? — perguntei, curiosa.

— De Demeter. — ela sorriu.

— Sua mãe gosta muito de cereais... — ouvi Nico murmurar. Um trovão soou ao longe, e ele ergueu os braços em derrota.

— Você conheceu minha mãe? — Cloe se virou para ele.

— Sim, ela foi visitar o mundo inferior quando eu estava lá. — disse Nico — Mas, mudando de assunto, você deveria estar no arco e flecha com o Chalé de Afrodite.

Cloe fez uma expressão emburrada, mas me abraçou e saiu do arsenal.

— Então... — Nico pôs as mãos nos bolsos de seu casaco — Que tipo de arma você preferiria? Espadas? Lanças? Adagas?

— Por que não facas? — perguntei, passando meus dedos por três facas idênticas, que pareciam estar escondidas ali a muito tempo. Estavam empoeiradas, mas eram douradas.

Tirei a poeira o melhor que pude com meus dedos. Olhei para a parede do arsenal, onde um escudo mediano era segurado por dois fios. Mirei, segurando a faca pela lâmina e lancei. Atingiu certeiramente o fio e o escudo caiu.

— Puxa, você é boa! — Nico sorriu.

Eu ri, e peguei a bainha com as três facas e prendi em minha cintura.

— Vou ficar com elas.

***

— E agora? — perguntou Nico, enquanto caminhávamos pela grama perto do lago.

— Podemos ir nadar! — sorri, quando paramos perto da água.

— Não vai trocar de roupa? — Nico ergueu uma sobrancelha.

— Não. — tirei meus tênis. Eu estava de shorts e a camisa do Acampamento.

Nico tirou as botas e a camisa. Deixamos nossas coisas na grama e entramos na água. O lago era mesmo muito grande!

— Vamos apostar quem chega primeiro naquela boia! — apontei para uma boia laranja, que ficava alguns metros de distancia.

Nico olhou para mim como se não houvesse me entendido, mas logo avançou nadando. Me pus a segui-lo... eu adorava nadar, Richard que havia me ensinado quando eu tinha seis ou sete anos.

Chegamos na boia lado a lado, mas ele tocou nela primeiro. Me apoiei na boia, recuperando o folego. Vi que havia algo escrito em tinta preta ali.

NO APIT DSETE PNOT. KEN K ADMCDI

Eu não conseguia ler bem, devido a dislexia, mas não quis me preocupar com o que dizia ali.

— Revanche! — afundei Nico na água e nós dois rimos — Solte meu pé. — falei para Nico, sentindo algo roçar em meu pé.

— Não segurei seu pé... — ele pareceu confuso. Não me importei.

Me lancei na água em direção a terra, nadando bem depressa. Faltava alguns metros para eu chegar na margem, mas a água começou a tremer e a ondular. Alguns campistas que estavam no lago saíram e se afastaram da margem, gritavam por lanças e arcos...

Subitamente virei para olhar Nico, ele estava á cinco metros de distancia de mim e me olhava com um olhar que dizia: "Saia do lago. AGORA!" E se erguendo do fundo do lago, estava uma enorme criatura com longos tentáculos... como aquela criatura que tinha aparecido em Piratas do Caribe e em Fúria de Titãs.

Então eu entendi o que estava escrito na boia:

NÃO NADE APARTIR DESTE PONTO. KRAKEN ADOMERCIDO.

Mas Krakens não eram nórdicos?

Oh, não.

O Kraken jogava os tentáculos para todos os lados, derrubando construções de pedras próximas do lago e lançando os campistas longe.

Eu ainda estava tentando assimilar tudo aquilo, quando Nico se lançou sobre mim me puxando em direção da margem, mas paramos onde estávamos quando a agua do lago se ergueu, formando uma barreira entre o Kraken e os campistas.

— Percy!

— Estamos salvos!

Os campistas gritavam, mas quem era Percy?

Então eu notei um garoto vindo voando e caindo na agua em frente a mim e Nico. Ele parecia desorientado. E a barreira de água se desfez.

Ele era muito bonito. Tinha cabelos negros e olhos verdes como o oceano. Era bronzeado e aparentava ter uns dezessete anos.

Ele me olhou.

— Quem é você? — ele me perguntou.

— Aurora. Nova campista. Filha de Apolo com benção de Morfeu. — respondi.

— Benção de Morfeu? — ele franziu as sobrancelhas.

— Podemos nos concentrar no problema em pauta? — Nico nos cortou — Temos um Kraken que acabou de despertar aqui!

— Sou Percy Jackson. — o garoto se pôs de pé rapidamente — Então, seu pai é o deus da música, não é?

— Sim... — respondi.

— E você tem a benção do deus dos sonhos?

— Exato. — eu queria saber aonde ele ia chegar.

— Se preparem. — ele disse para mim e Nico.

E então ele levantou nós três em uma plataforma de água, até estarmos frente a frente com o Kraken.

— O que está fazendo? — perguntei, assustada.

— Ele é grande demais para matar. — disse Percy — Precisamos pô-lo para dormir então... e acho que você pode fazer isso. Cante para ele uma canção de ninar!

— O que? — eu quase ri.

— Acho que pode funcionar. — disse Nico.

Automaticamente, me veio na cabeça a canção Good Night.

Cantei, a principio com a voz tremula, mas em seguida mais confiante. Me concentrei na canção... e antes que eu terminasse de cantar, o Kraken afundou... adormecido.

Notas finais
Por favor, comentem!!!