Aurora Goldwin and The Rise of Night
5 De Repente Me Torno Curandeira
Notas iniciais
Percy suspirou e deixou que a água abaixasse, nos levando para a terra. Ele parecia cansado, mas eu ainda estava um pouco nervosa.
— Bom trabalho. — ele me olhou sorrindo — Você realmente canta muito bem. Uma boa junção dos talentos de Apolo e Morfeu. — senti meu rosto enrubescer — Ah, e falando nisso — ele continuou — seus olhos brilham em roxo quando você canta.
Percy, Nico e eu caminhamos por entre os campistas, que nos encaravam com admiração.
— Deixe eu me apresentar formalmente dessa vez. Sou Percy Jackson, filho de Poseidon. Vamos falar com Quíron... Krakens deveriam ser Nórdicos.
*****
Eu caminhei com Nico e Percy até a Casa Grande, mas antes paramos em nossos chalés para trocar nossas roupas encharcadas por roupas secas. Quando chegamos na Casa, parei um momento para olhar seu tamanho; Percy olhava para ela como se tivesse várias lembranças.
— Ei, pessoal, o que houve? — me surpreendi levemente ao ver Richard na varanda.
— Viemos falar com Quíron. — disse Nico.
— E eu cantei para um Kraken e ele dormiu. — falei casualmente.
— Sério, Rory? Bom trabalho. Joe não costuma voltar a dormir tão rapidamente. — meu padrasto sorriu — Então, quem passou da boia?
Ergui minha mão silenciosamente.
— Não se preocupe, Rory, você não sabia. E Joe é muito territorialista. Um dedo que você passe ele acorda. — disse Richard.
— Joe, o Kraken? — perguntou Percy.
— Sim.
— Tudo bem, essa não é a coisa mais estranha que já ouvi.
— Mas os Krakens são Nórdicos. Isso que viemos falar. — Nico assumiu a conversa.
— Percepção. — disse Richard — Apolo e Ártemis não herdaram o lugar de Helio e Selene, assumindo o sol e a lua?
— Sim.
— Isso foi porque a maioria dos mortais escolheram acreditar neles. Mais ou menos o mesmo principio aconteceu com o Kraken. — explicava Richard — Se vocês forem para a rua e perguntarem as pessoas de que mitologia os Krakens são, a maioria dirá que eles são da grega.
— Acho que entendi. — falei, e Nico e Percy assentiram.
Richard bagunçou meus cabelos levemente e entrou para dentro da Casa Grande.
Um sino se ouviu ao longe.
— Hora do almoço. — Percy sorriu.
*****
Já havia terminado meu almoço quando Nico apareceu na minha frente, na mesa de Apolo.
— O que vamos fazer agora? — sorri para ele.
— Podemos praticar arquearia, já que você é filha de Apolo. — ele devolveu o sorriso.
— Ah, vamos! — eu me pus de pé em um salto — Eu só atirei de arco e flecha uma vez, há uns dois anos...
Caminhamos até onde o alvos ficavam, mas ali estava vazio... acho que muito provavelmente só os campistas de me chalé iam ali treinar. Só havia um arco e flecha ali, dourado, que brilhava a luz do sol. Achei estranho e o coloquei nas costas.
— Acho que esse arco era mesmo para você. — Nico parou ao meu lado.
— Você acha? — perguntei.
— Sim. — ele sorriu.
Segurei o arco distante de mim e armei a flecha; mirei sem muita preocupação e soltei. Atingiu o centro do alvo perfeitamente.
— Incrível. — disse Nico — Mas já sabia que iria acertar.
— Já usou um arco e flechas? — perguntei o olhando.
— Não, prefiro minha espada. — ele tocou o cabo de sua espada escura.
— Gostaria de lutar a espada... — comentei pensativa.
— Vamos até a arena. — ele me deu as costas e começou a andar — Eu posso te ensinar.
Nós caminhamos juntos até a arena. Quando entramos lá, eu notei uma figura grande, com pelagem negra, avançando em nossa direção. Um cão infernal.
— Não! — gritei me pondo na frente de Nico.
Meus instintos me dominaram e uma coisa estranha aconteceu. Ergi minha mão; eu não sabia o como isso me ajudaria mas sabia que iria funcionar. Meus dedos se iluminaram com uma luz roxa e o cão começou a parar atordoado, até cair no chão.
— Você pôs a cadela do Percy para dormir! — Nico exclamou.
— Aquela coisa era do Percy? — engasguei.
— Sim, aquela é Sra. O'Leary. — ele estava me observando com atenção — Por que você não está cansada?
— O que?
— Quando uso meus poderes, geralmente me canso, mas você parece bem. — ele ainda me avaliava — E você usou o poder que veio da benção de Morfeu, não o de Apolo.
— Na verdade, me sinto como se tivesse mais forte, não como se tivesse perdido minhas energias... — isso era verdade.
— Então quando você usa os poderes de Morfeu, você toma a energia das pessoas, por isso elas caem no sono e você se sente mais forte. — Nico raciocinou — É engraçado... é raro meios-sangues receberem bençãos assim, quando nem sabiam que eram meios-sangues...
— Ok, — por algum motivo achei que seria melhor mudar de assunto — podemos treinar esgrima agora?
***
Meu pulso doía. A espada que eu usava não tinha um equilíbrio perfeito para meu braço, mas achei que seria melhor treinar com uma espada pequena. A principio, Nico havia pedido para que eu o atacasse, para ver o que eu podia fazer... mas ele era realmente um ótimo espadachim. Ele havia me ensinado a bloquear golpes; eu era melhor em bloquear golpes do que atacar.
— Nico, essa espada não serve para ela. — uma voz feminina nos fez parar de treinar.
Olhamos para o lado; de algum modo, Ariana havia entrado na arena sem que notássemos. Eu me lembrava dela, é claro... era a filha de Ares que havia se apresentado para mim com um tapa. E ela era provavelmente a mais baixa de seus irmãos.
— Ela é alta... a lâmina dessa espada é muito curta para o braço dela... — Ariana se aproximou das outras espadas e começou a avaliar cada uma — Tente essa aqui, Aurora.
Ela lançou a espada para mim, mas eu não a peguei a tempo, então ela caiu no chão.
— Não se preocupe, na próxima a pegará. — os olhos de Ariana estavam divertidos; sorri para ela porque notei a referencia que ela havia feito. Acho que poderíamos ser amigas.
— Veio treinar, Ariana? — perguntou Nico, sério.
Engraçado... quando estávamos sozinhos o Nico era tão legal e falante...
— Vim. — a filha de Ares respondeu, embora ainda me avaliasse com o olhar — Mas acho que posso ajudar você a treinar Aurora...
Olhei para Nico; ele parecia pensativo, mas então embainhou sua espada e se afastou, sentando no chão. Olhei novamente para Ariana, ela agora empunhava uma espada que parecia ter surgido do nada.
— Notei que é ótima no bloqueio. — ela me encarava — Então precisamos nos concentrar no ataque. Quero que me ataque, e quando eu te atacar, bloqueie meus golpes e me ataque.
Ela esperou, era a deixa para que eu desferisse meu golpe. Hesitei, então desci a espada na direção de seu rosto. Ela aparou o golpe, e ao mesmo tempo tentou atingir minha perna esquerda. Me defendi facilmente e lancei minha espada em seu quadril, mas ela desviou minha lâmina, a fazendo girar e machucar meu pulso. Me afastei.
— Flexione os joelhos. — Nico gritou. Obedeci.
Flexionei os joelhos e bloquei a espada de Ariana, que ela havia lançado em direção ao meu pescoço. Um pouco sem jeito, segurei a espada com minhas duas mãos e lancei minha força no golpe... que atingiu o punho da espada dela. Ouvi um estalido e Ariana ofegou, largando a espada e segurando o pulso com sua mão boa.
Remorso me consumiu.
— Ai minha nossa, me desculpe Ariana, me desculpe mesmo! — exclamei, segurando seus ombros. Ela parecia sentir dor, mas também parecia surpresa.
Pelo canto do olho, vi Nico se por de pé, mas ele não se aproximou.
Então, pela segunda vez naquele dia, agi por meus instintos. Segurei o pulso quebrado de Ariana, ela fez um som parecido com um grito contido, mas não soltei seus pulso. Então, palavras em grego começaram a me vir e eu as cantei... não sabia muito bem o que estava falando, mas a expressão de Ariana se aliviou. Soltei seu pulso e ela o girou. Estava em perfeitas condições.
Bem... o pulso dela estava em perfeitas condições, mas eu me sentia prestes a desmaiar. Estava fraca, então me sentei no chão, apertando minhas têmporas.
— Está se sentindo bem? — Nico e Ariana perguntaram simultaneamente, agachados em minha frente.
— Não. — respondi, e minha voz soava fraca — Me sinto fraca.
— Não é para menos... — Ariana me encarava — Nem mesmo o Will Solace consegue remendar ossos em uma questão de segundos apenas com um cântico... e ele é o melhor curandeiro do Acampamento!
— Agora você gastou sua energia. — disse Nico. Ele não sorria, mas eu sentia que ele queria muito.
Franzi minhas sobrancelhas para ele.
— Aqui. — Ariana me entregou um cubinho de uma coisa que parecia um doce — Come isso. Vai te fazer sentir melhor.
O "doce" tinha gosto de bolo de chocolate. Assim que engoli, me senti definitivamente melhor.
Me pus de pé.
— Ambrósia... sempre útil, é claro. — Ariana riu — É bom que vocês estejam fortes para hoje a noite. Vão precisar para a Captura da Bandeira... embora estejam no time de Percy, e não no meu.
— O que é isso? — perguntei, enquanto Ariana, Nico e eu caminhávamos juntos pelo Acampamento.
— É um jogo tradicional do Acampamento Meio — Sangue. — explicou Nico — Nós nos dividimos em dois times, com um dos chalés comandando como capitães, e precisamos capturar a bandeira do outro time.
— É divertido, você vai gostar. — ela tocou em meu ombro sorrindo. Ela era tão diferente dos outros filhos de Ares.
— É, aqui não é o Acampamento Júpiter, aqui não é permitido ferir gravemente. — murmurou Nico.
— Acampamento Júpiter? — indaguei... minha vida ficava mais estranha a cada momento, mas até que eu estava gostando.
— Nico, você não contou pra ela? — Ariana franziu as sobrancelhas.
Nico deu os ombros.
— O Acampamento Júpiter, é o Acampamento para os semideuses romanos. — explicou Ariana — Nós, do Acampamento Meio — Sangue, só descobrimos que ele existia no ano passado... bem, quase lutamos um contra o outro por uma armação de Gaia, mas agora somos amigos e podemos visitar o Acampamento um do outro.
— Entendi. — falei... semideuses romanos... outro acampamento...
Acho que nada mais pode me surpreender.
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