Aurora Azul
10 Capítulo 9 - Ficar
Notas iniciais
Nesse capítulo, vocês vão descobrir sobre o Senhor Walker e finalmente um pouco de Danill (Danna + Will) Shipper dado por um leitor.
Eu poderia estar perdendo a minha cabeça, mas jurava que estava no paraíso. Branco era a única cor do ambiente, parecia o céu, em minha volta haviam nuvems que mais se pareciam com...algodão!? Ok, eu estava perdendo a cabeça. Mas o que é isso? Um dos meus sonhos malucos?
Não tinha um desde muito tempo.
Olhei para baixo e vi meus pés. Eu não os sentia, parecia que meus movimentos haviam sido tirados de mim, apenas minha cabeça se movia. Na minha frente, havia uma mesa redonda pequena e duas cadeiras de aços que pareciam objetos do passado.
Uma figura apareceu sentada em uma das cadeiras tomando chá. Era a minha mãe. Agora sabia que era um sonho.
-Sente-se — falou tomando um gole do que parecia chá em uma xícara.
-Não posso, não consigo me mover — tentei mais uma vez levantar meus pés nus.
-Agora você pode — falou Dora sorrindo para mim.
Caminhei em sua direção e me sentei na cadeira vazia.
-Isso é um sonho certo? — perguntei
Minha mãe apenas sorriu para mim.
-Eu avisei — foram suas palavras — o menino iria descobrir cedo ou tarde — tomou mais um gole de sua xícara
-Vou ter que matá-lo
-Terá? — arqueou uma sombrancelha para mim — Danna, você é incapaz de matá-lo.
Por que minha mãe falava comigo desse jeito? Por ser um sonho, será coisa da minha cabeça?
-Eu tenho...
-Você tem mais não é o que você quer. Você guarda seus próprios segredos Danna, sei que o tem vigiado de longe. — e esse foi o momento que percebo que quem estava falando comigo era a minha própria consciência.
Ninguém sabe... eu o vigiava ás vezes... Cheguei a viajar escondida para Nova Iorque no ano novo para vê-lo... era arriscado, mas eu não havia superado o que eu sentia.
-E não sente agora? — perguntou a figura da minha mãe
Meus pensamentos eram como alto falantes. Não respondi
-Ainda o ama.
-Não.
-Sim.
-Não
-Sim.
-É difetente.
-Minha filha, você está arrumando um outro significado para o amor? Uma vez ele aparece e nunca mais se vai. Me escute.
Derrepente o ambiente estava se desfazendo aos poucos.
-Escutar a minha própria consciência... — bufei
-Não é hora de ser teimosa.
E tudo desapareceu, sobrando apenas o escuro.
Minha mente estava novamente ativa e estou começando a perceber que toda vez que estou á beira da morte, esses sonhos com minha mãe aparecem. Já se passaram anos e eu sinto que ainda não havia superado sua morte.
Mas se eu superasse, o que seria de mim? O amor desapareceria completamente do meu eu.
Isso me fez com que lembrasse sobre o acidente. Sentia ainda o vento em meu rosto e o impacto em cima das árvores, o que amorteceu um pouco a queda, pois caso contrário, eu estaria junta a minha mãe e meu pai agora. Tudo aconteceu rapidamente, ele havia me encurralado, eu não poderia bater nos carros pois chamaria muita atenção. Parte de mim queria acabar logo com isso, mas a outra vinha atrás me lembrando dos meus objetivos.
-Você está acordada — falou a antiga voz conhecida.
Em um choque, dei um salto para cima me lembrando do que tinha acontecido. William estava no pé da cama me olhando fixamente sério.
-Se quer me matar, me mate logo! Não precisava me jogar daquela altura! — Gritei com raiva e sai da cama tentando me equilbrar na parede.
-Nunca foi a minha intenção te matar, e sim Dianna Banister. — falou ainda sério — passei as últimas vinte e quatro horas sentado aqui, pensando sobre as respostas da sua sobrevivência. Pensando no seu sumiço... pensando em tudo. Agora sente-se porque estou confuso demais e preciso de respostas. — seu olhar era vago, repleto de confusões e incertezas.
-Espere sentado, eu não lhe devo respostas — falei sem forças e acabei cainda na cama novamente. Meu avô havia me explicado que minha recuperação dependia da minha alimentação. — Não era pra isso ter acontecido — murmurei
-Passei meu último ano angustiado e com raiva, pensando que havia te perdido e que a culpa era minha, então por favor Danna — falou meu nome com dificuldade — me diga o que está acontecendo.
-Para isso terei que matá-lo — murmurei friamente
Will não tirava seus olhos dos meus. E eu não conseguia parar de encará-lo.
-Então me mate — disse — prometi a mim mesmo que iria descobrir o que aconteceu com você, mesmo se fosse a última coisa que fizesse. Então vamos lá, me conte e me mate, faça com que seja a última coisa que eu descubra. — falou frio
Então esse é o novo William se revelando, o maduro e responsável.
Então lhe mostrarei mais da Danna Walker.
-Você está dizendo isso para que eu tenha pena de você.
-Não preciso de ninguém tendo pena de mim.
-Se eu não te dizer nada, o que vai fazer? Me trancar aqui?
-Quem deve fazer perguntas aqui sou eu e você deve respondê-las. Droga Danna! Pare de ser teimosa e me diga — agora seus olhos estavam cheios de dor — eu acabei de descobrir que você está viva — franziu o cenho — será que você não pensou em mim?
-Você tentou me matar! — acusei-o
-Sim, Dianna Banister.
-Estou dizendo, antes disso, há um ano atrás. — o que você está fazendo Danna? Está entregando o jogo para ele.
-O quê? — olhou me confuso — eu nunca tentei te matar. Pode me dizer por favor do que está querendo se referir?
-Xavier me mostrou o video da sua conversa com seu pai, e ele ordenou que me matasse. — eu estava muito cansada, eu poderia me jogar pro lado e dormir, mas não podia. Minha boca estava seca, sem ao menos com um pouco de saliva satisfazendo minha sede...
Will parecia confuso, intrigado e pensativo. Adivinhei estar tentando se lembrar.
-Foi por isso que fugiu? A batida de carro... Xavier resgatou você?
-Não. Ele nem sa... — não terminei
Eu precisava descansar, me alimentar, mas estava em uma zona inimiga.
-Me deixa ir.
-Você está fraca, eu vejo pelo seu olhar e seu corpo, não tente lutar nem fugir, não conseguirá.
Ele estava falando a verdade.
-Quem te resgatou? — insistia — Por onde esteve?
Me recusei a responder e ele entendeu.
-Vou buscar alguma coisa para você comer — disse e saiu pela porta.
Eu realmente não tinha forças para ir a algum lugar. E sem ao menos esperar, adormeci.
-//-
Eu estava sonhando outra vez, mas não era com a minha mãe. Era com o casal sem rosto. Ele havia parado no cenário em que eu me lembrava, as águas do rio estavam negras e a mudança de agora é que o rio estava com as águas baixas, bem baixas. A paisagem estava indo para a escuridão. Um barulho vindo de um outro cômodo me acordou.
Abri meus olhos derrepente e sai da cama. O que eu ainda estava fazendo ali?
Mesmo estando fraca, andei para fora do quarto. Me deparei com um corredor espaçoso com várias portas, continuei andando para a direita e desci as escadas. Olhando através das janelas, percebi ser tarde e conseguia ver Phoenix bem abaixo. Eu conseguia reconhecer esse lugar até com os olhos fechados. Ótimo pra mim, meu doce lar não estava longe.
Ao descer todos os degraus, encontrei a cozinha toda escura. Andei lentamente na ponta dos pés e me direcionei até a porta tomando todo o cuidado para não esbarrar em nada.
Acho que seria mais fácil do que eu pensava, mas as coisas só eram fáceis quando tinha alguma armadilha... olhei ao redor e vi uma câmera apontada para mim. Dei o dedo do meio em sua direção e sai para fora.
Estava frio, mas era assim em Phoenix, manhãs e tardes calorosas com noites frias. Desci a rua olhando cautelosamente para trás e verificando se alguém estava me seguindo.
Eu sabia que ele não ia deixar por isso e que faria alguma coisa. Era disso que eu temia. Depois de trinta minutos, descendo e subindo as estradas acima, cheguei em casa. Seria mais fácil se William não tivesse pego meu celular. Poderia ligar para Hayden, mas pelo visto, ele não serveria pra nada.
Ao digitar a senha da porta e falar a frase secreta com a minha voz, ela se abriu e a fechei imediatamente. Acendi as luzes e me dirigi para a geladeira, pegando comida congelada e água. Sem ao menos pegar um copo, coloquei a boca da garrafa na minha, ingerindo todo o líquido e matando minha sede infernal. Me sentia muito melhor, mas precisava me alimentar.
Coloquei o prato todo no microondas e esperei cinco minutos. Dois pedaços de frango com arroz e salada foram devastados em pouco tempo.
Entrei na sala secreta e liguei o computador.
-Por onde esteve filha? — perguntou meu avô
-Aquele filho de uma cadela me capturou — falei com raiva me lembrando das cenas — eu quase morri!
-Calma querida — falou Robert mais relaxado do que nunca, como as pessoas conseguiam? Será o Yoga? Eu deveria fazer — Foi um descuido, mas você cuidou dele? O matou?
-Não tive esse prazer — murmurei olhando para a tela, Robert pareceu ficar tenso — Fui jogada de uma altura de cento e cinquenta metros! E se eu não tivesse reabilitado o chip, estaria morta!
-Tenho a absoluta certeza que você pode lidar com ele mais tarde querida. Como lhe ensinei, qualquer intruso é um inimigo. — falou com a sua voz surreal. Com o tempo, deixei de ter medo dele.
-Sim — falei com incerteza. Ainda lidava com o assassinato de pessoas, eu não gostava disso, mas... meus pais foram assassinados. Robert foi a única família que me restou. — O que devo fazer daqui pra frente? Me esconder?
-Fontes me confirmaram que George Palmer estará atrás de você em breve. Suponho que...
-Eu não vou me mudar de Phoenix.
-É preciso.
-Não! Olha vô... estou feliz em descobrir que eu não sou a última da linhagem Walker e estou feliz em saber que tenho você, mas... precisamos dar o passo que combinamos, reagir.
-É perigoso demais agora Danna, você não está treinada o suficiente para isso. — Robert parecia obscuro.
-Eu tenho potêncial , está no meu sangue! — eu estava revoltada demais.
-Por favor se acalme filha, vamos resolver isso do modo mais adulto e responsável que podemos. Arrume suas malas e se junte a mim aqui em Seattle.
Fechei meus olhos pensando nisso. Minha vida não podia estar mais complicada do que está.
-Vejo que está cansada, vejo suas feridas... Por que não descansa um pouco e conversaremos sobre isso mais tarde?
-Não há mais tarde, eu vou ficar aqui! Eu gosto daqui, pela primeira vez em muito tempo, estou tendo uma vida aqui, amigos...
-Esse é o problema. Você se apegou ao lugar, o que não deveria. Dianna Banister é só um disfarce, ela não é real. — mas eu sou real.
-Me deixa ficar aqui por favor — Olhei-o pela câmera — me deixa ter um sossego depois desses anos todos.
Robert estava pensativo.
-Tudo bem — cedeu — Mas lembrando que alguém sairá mal nesse jogo. — encostou seus dedos em baixo do queixo formando um triângulo e se sentou ereto — não faça nada ainda até eu voltar.
-Não quer que eu mate o Palmer?
-Não — respondeu — viva um pouco, como desejar.
-Obrigado. — ele sorriu pra mim
-Não me agradeça, isso não é um prêmio nem suas férias, será apenas um pequeno intervalo.
''Senhor Walker, o setor 8273 está com problemas e a reunião geral será daqui há uma hora'' Ouvi uma voz feminina falar ao fundo.
-Tenho que ir querida, tenha um ótimo dia — sorriu e cortou o contato.
Senti uma pontada de ironia em sua voz.
Olhei para o relógio que indicava duas da manhã, estava começando a suar, minhas mãos estavam escorregadias, eu estava cansada. Entrei dentro do banheiro principal da casa e liguei a água da banheira. Precisava relaxar. Parei em frente ao espelho e visualizei uma criatura pálida, com os lábios inchados e arranhões na testa. Meu corpo estava todo ferrado, o osso de uma das mãos estava deslocado e meus dentes quebrados.
Desliguei a água e me deslisei para o fundo. Sua temperatura estava perfeita, nem quente nem gelada. Peguei a garrafa da minha loção favorita e comecei a me lavar passando a loção em todos os hematomas e arranhões do corpo. Até amanhã, já estaria curada.
Ao terminar, vesti meu roupão e me sentei na cama olhando para a varanda e para a cidade abaixo.
O quê eu fiz? Por que quero ficar aqui?
Talvez as respostas para as minhas perguntas estivessem no Arcadia. E pensando nisso, eu quase havia me esquecido sobre minha vida de estudante. Amanhã tinha aula.
Amanhã seria um novo dia.
Fale com o autor