Aurora Azul

11 Capítulo 10 - Tão... perto mas tão... distante


Notas iniciais
Hey vocês!
Obrigado por estarem comigo em mais um capítulo. Espero que não esteja entediando vocês ou os decepcionando. Boa leitura!

Meu pai vivendo perto de mim era um pouco desagradável. Já vi esse episódio antes, ele irá me obrigar a ir assistir aos jogos de beisebol todo fim de semana. A idéia de que eu tenha uma banda, não o agradáva muito. A idéia não agradava a ninguém.

Mas nada podia tirar a minha alegria do ocorrido da semana passada. Especificamente do Sábado. Nada.

Eu consegui dançar com ela e dançávamos como loucos, sem nenhum pensamento. Seu cheiro era o melhor que já sentira de uma garota, suave, delicado e sexy. As más intenções não chegavam á minha mente, elas estavam relaxadas, algo só poderia acontecer se Dianna quizesse ou se me conduzisse.

Esses últimos dias tem sido diferentes. Uma garota nunca tinha mechido tanto comigo, nunca tinham me deixado sem ação, ou sem palavra. Talvez seja porque ela é diferente das outras garotas. Não havia falado com ela desde então, e pela primeira vez, sentia medo de ser rejeitado.

Fiquei me encarando no espelho depois da ducha, pela parte em que minha mão havia limpado o vidro por causa do vapor quente. Encarei me por um tempo pensando no que iria fazer hoje, coisa que não era acostumado a fazer.

Dianna Banister, o que você está fazendo comigo?

O que me deixa tão fascinado por ela? Por que ela? Logo a mais difícil, mas dizem que as melhores são as mais difíceis. Cadê o meu eu do passado? Eu a conheço a tão pouco tempo e tão pouco... Não me sinto mais focado em nada.

–Cara, você tá fascinadão por essa mina, está se apaixonando por uma garota Peter Mayer?

Zombou Duck no ensaio de ontem.

Dei mais uma olhada para o relógio ao lado da torneira, já estava quase na hora e sai do banheiro com uma toalha em volta da cintura.

Levei um susto ao chegar no quarto e me deparar com uma criatura desagradável.

–Maninho — sorriu Phillip com sarcástimo

–Cai fora — apontei para a porta — e nunca mais entre no meu quarto.

–Não quero ficar aqui — olhou em volta com cara de nojo — vim lhe avisar que pegarei carona com você para ir a nossa escolinha. — cantarolou balançando os ombros.

–Do que você tá falando? — olhei o com um olhar duro

–Você sabe. Eu. Você. Mesma. Escola — falou pausadamanete e me mandou um beijo com a mão no final.

–Saia do quarto, não quero nenhuma viadagem pra cima de mim.

Phillip me analisou da cabeça aos pés. Se levantou e veio em minha direção.

–Está sexy com essa toalhe baby — fez um rawwr com os dedos e o empurrei para fora do quarto fechando a porta. — te vejo em cinco minutos amor!

Phillip sabia ser irritante. Se premiassem pessoas assim, ele merecia o primeiro lugar. Eu sabia que ele estava sendo sarcástico e que queria me irritar. Mas não vou lhe dar alguma reação.

Porém... COMO ASSSIM? Eu pensava que ele só estudaria comigo pelo meio do ano, e meu pa... é, Harry nem tinha terminado com as mudanças. Após passar o final de semana dando fora e brigando com eles, vi que não havia mais volta.

Vesti uma camiseta e um jeans velho que estavam em uma cadeira, depois peguei o all-star e minha mochila. Minha mãe havia liberado o meu carro, depois de ir e voltar do homecoming sem arranhá-lo ou com algum sinal de embriaguez. Ele não era muita coisa, apenas um Ford corcel vermelho de 1981. Um velho deixado por meu avô. Ele foi batizado de Tony após atropelar um cara com esse nome e... a história é complicada.

Desci as escadas para tomar café. Por incrível que pareça, ainda amava cereal com leite. Phillip estava no jardim fazendo o que eu não sei, tentei espiar pela janela mas não dava para ver direito. Miranda havia saído cedo para o tribunal. Peguei a caixa de cereais do armário e a garrafa de leite da geladeira, jogando tudo em uma tijela.

–Vamos nos atrasar — sorriu o sardento aparecendo na porta.

–O que estava fazendo lá fora? — perguntei com a boca cheia

Ele olhou me com dúvida e me mostrou um sorriso em seguida.

–Fazendo novos amigos, já que você não quer ser um.

–Quem te deixou entrar? Está arrombando casas agora?

–Sua dócil mamãe me deixou entrar Peter bebê, e não, não estou arrombando casas. Te espero na garagem — piscou para mim e saiu.

Não sei quanto tempo irei aguentar esse babaca.

–//-

Virando para a direita, entrei no estacionamento do Arcadia. Meu carro não era uma novidade para as pessoas, sempre vinha com ele no ano retrasado. Estacionei na vaga em baixo das árvores e perto da entrada como sempre. Toda a fileira era considerada para os mais ''importantes da escola''. Com o tempo, as pessoas param de olhar para você com ar de surpresa, pelo menos não vi mais um ''Oh, ele é o Peter Mayer, o que largou o colégio e fugiu com a banda''. Desliguei o motor e me virei para trás, encarando o ruivo.

–Seguinte, você sai do carro e não nos falamos até a hora de voltarmos, não me pertube, não me procure, não fale de mim muito menos pergunte de mim, entendido?

–Sim Peter bebê.

–Pare de me chamar disso, e se intrometer no meu caminho, farei da sua vida um inferno e farei com que todos fiquem contra você. Quem tem o poder aqui, sou eu Phillip bebê.

–Jogos jogos jogos, quem quer jogos jogos jogos.

Bati com a mão no volante e olhei pra trás pronto pra dar lhe um fora, mas ele não estava lá. Deus! Esse viado as vezes me assustava.


~Danna~


Eu olhava para o pote em que segurava e mudava meu olhar para Jimmy que também encarava o próprio sorvete. O sol estava mais forte do que nunca hoje, diferente de Nova Iorque. Ainda tentava me adaptar direito ao clima. Estávamos sentados em cima da barreira de mármore, na porta principal, onde havia sombra. Poucos se arriscavam a sair no sol, poucos se arriscavam a sair com calça jeans e casaco. Por isso estava com um short e uma regata.

Uma sombra apareceu ao meu lado tapando meu sorvete do sol e evitando que ele continue a derreter. Olhei para cima e vi que era Peter.

–Oi — disse em um tom calmo.

Então ele finalmente resolveu vir falar comigo depois do que aconteceu no sábado — o que não aconteceu nada na verdade, apenas dançamos — . Olhei-o da cabeça aos pés e percebi que ele é um dos loucos que vestia jeans.

–Oi — disse e voltei a encarar meu sorvete novamente.

–Tudo bem?

–Uhum — assenti desviando meu olhar para Jimmy.

Ele me mostrou um olhar de safadesa e falou sem emitir som ''Ataque-o''.

–E você? — perguntei

–Muito melhor agora — sorriu — Você não quer é...

–Ai Meu Deus! — exclamou Jimmy atrapalhando Peter.

A sua boca estava aberta por surpresa e de admiração, segui a linha do seu olhar até á garagem, até á um...O QUÊ?

O que o Palmer está fazendo aqui!? MERDA!

Ele estava perto de um camaro preto e caminhava em direção ao portão, mais especificamente para a minha direção como se fosse um galã — o que pode ser verdade — com roupas de grife. Will estava como no dia em que o conheci, vestia uma camiseta polo vermelha e usava um jeans preto. Outro louco que não sentia calor, seus pés estavam cobertos por um par de all-star pretos — o que era novidade — e seus cabelos estavam soltos e rebeldes para trás. Logo percebi que todos o olhavam, como me olhavam semana passada.

Estou pronta para não ser mais o centro das atenções, alguém tirará meu título hoje.

Quando chegou até á mim, tirou os óculos escuros e me encarou.

–Sabe, eu tinha esquecido de te dizer que gostei do cabelo, não a minha cor favorita, mas... — sorriu sem mostrar os dentes.

–O que você está fazendo aqui? — murmurei como se estivéssemos cochichando

–Ficando de olho em você — murmurou também para que ninguém o ouvisse — Estou feliz em te ver Dianna Banister — falou normalmente agora

–E quem diabos é você? — perguntou Peter com os braços cruzados.

Estou tão confusa que tinha me esquecido que estava em um colégio, e que Peter e Jimmy estavam em minha volta, aliás, o bobo sentado na minha frente ainda estava de boca aberta.

–Mitchell Palmer, muito prazer — levantou sua mão para apertar a do Peter.

Mitchell Palmer?? Ele está usando o nome do meio dele? Sério!? Ainda estou tentando processar.

–Peter Mayer — se apresentou olhando ''Mitchell Palmer'' desconfiado — Vocês se conhecem?

Da minha boca saiu um ''Não'' e do Will saiu um ''Sim''. Peter parecia confuso.

–Sim, somos velhos amigos — Will disse. Ele voltou seu olhar para Jimmy e o cumprimentou. — Eu te conheço.

–Dimitri Slater, mas pode me chamar de Jimmy, bom te ver de novo — estendeu o braço para apertar a do Will. Ele ficou assim um bom tempo até Will puxar sua mão. Uma gargalhada chegou á minha boca mas eu me segurei.

–Michell Palmer. Eu sabia que você estava mentindo para mim — ele me encarou — Tem uma Dianna Banister aqui, em carne e osso.

–Eu sei eu sei, é... é... pergunte á ela, eu não sei de nada, nos vemos por aí. — Jimmy gaguejou e saiu correndo para dentro do pátio olhando para mim. Lancei para ele o olhar de ''traidor''.

–Nós temos as mesmas aulas então... te vejo daqui há pouco — Will beijou seu dedo indicador com o dedo do meio e tocou a minha testa, mas empurrei sua mão fazendo com que ele soltasse um riso.

Apertei meus olhos e encarei Peter.

–Ele é um problema pra mim?

–Por quê?

–Porque parece que ele tem as mesmas intenções que as minhas com você.

–Apenas ignore-o, eu não quero nada com ele. — e com o Peter? Você quer?

Minha consciência estava falando comigo.

E por que eu estou me explicando para o Peter? Eu sei muito bem de suas intenções, mas será que eu também tenho as minhas? Eu não apostaria nisso.

–Vamos, é biologia, se chegarmos atrasados... você já sabe.

Assenti e ele me acompanhou.

Vou fazer isso não parecer tão estranho, por que ele está tão na minha cola? Caminhamos até as escadas e subimos os três lances até chegar a sala que continha mesas retangulares de dois lugares. Ao entrar dentro do ambiente que era mais frescos por causa dos elementos químicos, meu olhar encontrou a de Jimmy e sorri. Ele havia guardado um lugar para mim ao seu lado como sempre e eu o agradeço por isso. Olhei para Peter como se fosse uma despedida e me sentei.

Coloquei minha bolsa no chão e percebi que Jimmy queria respostas.

–Traidor, isso é o que você é — acusei-o

–Me desculpe se eu fico sem fala perto do seu amiguinho. E foi você que me meteu nessa sem ao menos me dizer o por que — levantou uma sombrancelha — Você estava fugindo dele? Por isso me pediu para enganá-lo? Eu quero saber de tudo.

–Olha...

–E eu vou saber se você estiver mentindo. — apoiou sua cabeça com a palma da mão.

–Eu... eu só o conheço, nossas famílias se conhecem há muitos anos...

–Oh por favor, eu sei que tem mais coisas, se não tivesse meu bem, não estaria tão nervosa em me contar e não iria se esconder dele, vamos lá, me fala, T-U-D-I-N-H-O.

Ah, ele é bom nisso.

–Tudo bem tudo bem, já tivemos uma caso e é isso, fim da história — ele sempre me fazia entregar o jogo.

–Eu sabia! — ele se empolgou e revirei os olhos.

O senhor Hutman entrou na sala com a sua grande maleta, mas ninguém parecia notar a sua presença. O professor de biologia vestia um terno social, prata, o único que se vestia assim. Outro louco com calças nesse calor. Ele era meio cálvo e também barrigudo e sempre estava com o seus óculos com um grau que dava parar enxergar as craterias da lua de perto.

–Bom dia — falou, mas ninguém o respondeu.

–E vocês não tem mais nada? — continuou Jimmy. Ah cara! Ele não iria desistir tão cedo.

–Não... nada — falei olhando para o alambique ao meu lado

–Não senti firmeza em sua voz — Jimmy me olhava pelo canto dos olhos — Então por que vocês terminaram? Como Dianna? Como pode terminar com um cara gostoso daqueles? Minha filha, ele é o homem dos meus sonhos.

E falando nele... Will apareceu derrepente na porta com um olhar confuso, e logo que me viu, sorriu. Idiota.

–Desculpe Sr... Hutman, eu sou novo e acabei confundindo as salas. — ele poderia mentir melhor do que isso.

Todos pararam para olhá-lo e isso era novidade já que nas aulas do senhor Hutman ninguém calava a boca, ninguém.

–Sim senhor Palmer, entre e sente-se — apontou para uma cadeira vaga bem ao lado de uma garota nerd cujo o nome eu não me lembro — e por favor que isso não se repita.

–Não senhor — ele sorriu e se sentou na cadeira há duas mesas acima da minha, sem deixar de me encarar.

–Bom, já que todos estão em silêncio... — só bastou o sr. Hutman falar que todos voltaram a conversar. — Pessoal por favor... — sim, eu estava com pena dele.

–Di, ele não parou de te encarar! Ele ainda gosta de você! — sussurrou Jimmy

–Não fale besteira, ele adora um jogo.

–Então jogue com ele! Qual é o jogo hein? Conquistar o coração da Dianna? Por que o nosso amigo ali — apontou para o Peter ao nosso lado sentado ao lado de Lauren — também quer jogar.

–Pessoal vamos... pessoal? — sr. Hutman continuava a implorar por silêncio — por favor... — e pela primeira vez desde o primeiro dia, sr. Hutman pegou um apagador e bateu no quadro branco, uma... duas...três...quatro...cinco vezes.

Isso despertou a atenção pelo menos da metade dos alunos.

–É O SEGUINTE: QUEM FALAR NOS PRÓXIMOS DEZ SEGUNDOS LEVARÁ UM ZERO NA MÉDIA SEMESTRAL! — e todos calaram as bocas. — ÓTIMO! Pelo mal comportamento irei passar um trabalho valendo dez, isso mesmo, a nota máxima. O tema? Reprodução. — deu uma pausa para olhar nas nossas caras.

–É sempre assim, ele sempre surta e acaba ferrando com a nossas vidas. — murmurou Jimmy no meu ouvido, tão baixo que até eu tive dificuldade em entender.

–Formarei casais de acordo com a lista da chamada, o último menino com a primeira menina, o penúltimo menino com a segunda menina — deu mais uma pausa — vocês teram que cuidar de um bebê que eu lhes darei, terão que alimentá-lo, limpá-lo e colocá-lo para dormir por durante uma semana.

–Senhor? — falou uma voz feminina desconhecida

–Sim?

–Isso significa que vamos nos tornar uma família?

–Se quer saber se o casal será casado, sim. E o filho vai ser o fruto do casamento.

Alguns alunos exclamaram um ''Droga!" e uns só com um ''Ah não".

–Eu disse que ele iria ferrar com as nossas vidas.

–O bebê terá um horário para acordar, chorar e fazer suas necessidades, dentro de cada um, haverá um aparelho mágico que irá me avisar sobre alguma falta ou sobre um trabalho mal feito. Quem fizer tudo isso direito, ganhará uma boa nota e quem não fizer isso, já sabe. — sorriu maliciosamente.

Sr. Hutman pegou uma lista e começou a falar os pares. Will ficou com uma líder de torcida chamada Barbara, que estava sentada ao lado de Lauren.

Ela não me pertubava mais. E isso era algo inteligente da parte dela, sei que não tinha desistido, mas terei que aproveitar a paz enquanto durar.

–Dianna com... R...P... Peter.

Nada mal. Olhei para ele e me mandou uma piscadela.

–Alguém sobrando? — perguntou. Olhei ao redor e percebi que Jimmy não havia sido chamado. — Bem, senhorita Hale, você fará par com o senhor Slater.

–Puta qui pariu! — Soltou os dois juntos.

–Qual o problema? Lembrando que o relacionamente do casal também irá contar.

–Eu não vou fazer com essa bruxa! — criticou Jimmy

–E eu não vou fazer com esse rebaixado... gay. Não posso me casar com uma viado — Oh não, isso é jogo baixo.

–E o que você tem contra gays? — me esquentei sainda da cadeira. Derrepente todos estavam nos observando com um olhar de excitação. Por briga.

–Eles me incomodam... peraí, o que você tem haver com isso? — a magricela continou sentada na cadeira lixando as unhas.

–Ele é meu amigo e estou defendendo ele!

–Ah é? Então lá vai a minha verdade, ele é... uma bicha, que acha que pode trocar de sexo e agir como nós meninas — riu — ele nunca, nunca, nunca, poderá ser uma menina, é isso o que me incomoda, o jeito que ele fala, o jeito que ele age, como se veste, tudo!

Minha raiva estava aumentando e me controlava para não dar uma surra nela.

–Você é que é bicha daqui, você que vive andando de salto e saia pelos corredores com essas pernas de galinha e dando em cima dos meninos como se fosse uma prostituta, sabe o quê? Ele pelo menos tem caráter e personalidade, diferente de você que se sente a superior e que trata os outros como lixo. No fundo você é só uma menina ridícula e mimada com medo de rejeição e que se esconde em uma máscara.

Se é para jogar sujo, então que joguemos.

–Não ouse falar essas coisa de mim, entendeu? Enten...

–JÁ CHEGA! As duas na direção, agora! — Sr. Hutman nos interrompeu e dei um passo para trás, me virei para Jimmy e ele me encarava com gratidão. Dei um pequeno sorriso para ele e saí da sala sem olhar mais pra trás.

–//-

Eu e Lauren estávamos sentadas uma ao lado da outra esperando pelo diretor em sua sala. As paredes eram da cor vermelha, a cor representante da escola, e havia uma prateleira na parede cheia de livros. A sua mesa era retangular cheia de papéis e com uma placa escrita ''principal''. Quinze minutos depois, ele entrou e se sentou.

–Então senhoritas, qual o motivo dessa indisciplina? — O diretor perguntou enquanto nos encarava, ele era direto.

–Homofobia. Ela estava discriminando um amigo meu que é gay, é isso. — comecei a falar

–Isso é verdade senhorita Hale? — Lauren não respondeu — Isso é uma acusação muito grave. — continuou sem fala, com os braços e pernas cruzadas encarando a mesa — Terá que pedir desculpa para o senhor Slater, ou terei que contatar seus pais de novo, vamos resolver este problema civilizadamente.

Agora o gato comeu a sua língua é cobra?

–E senhorita Banister, eu sei que estava tentando defender seu amigo, mas por favor, sem discurssão dentro desta instituição entendido?

Assenti.

–Se eu ver vocês duas brigando outra vez, terei que suspendê-las. Podem se retirar. Minha agenda está apertada hoje.

Arrastei a cadeira para trás e atravessei a porta com os braços cruzados. Passei pela recepcionista e sai para o forno afora. Lauren seguiu o seu caminho indo em direção ao refeitório. Com esse estresse, tinha me esquecido de comer. Revirei os olhos para os meus pensamentos e um braço me puxou para trás em uma ação rápida. Logo descobri quem era.

–O que foi aquilo? — perguntou Will olhando para a minha cara

–Aquilo o quê? — retruquei sabendo do que ele estava se referindo.

–A briga. — deu meio sorriso — está mais durona Danna Walker.

–Pelo amor de Deus, eu só defendi um amigo William Palmer, ou prefere Mitchell Palmer? — ironizei.

–Eu posso ser quem você quizer. — E lá vem ele se atirar pra cima de mim de novo. — Mitchell era o meu nome de estudante antigamente.

–O que você quer? — perguntei ainda com os braços cruzados — o que você pensa que ta fazendo me seguindo desse jeito? Não pode estar aqui, não comigo, vai acabar destruindo tudo.

–Está mais do que óbvio o que eu quero. Quero viagiá-la, não posso perdê-la de vista de novo e aproveitando para conhecer o seu eu do colegial. Sinto que não a conheço o suficiente.

–Você está certo, você não me conhece e eu não te conheço. — levantei uma sombrancelha

–Viu? Uma ótima oportunidade para nos conhecermos. E quem devia fazer perguntas aqui sou eu. O que VOCÊ veio fazer aqui? Aonde esteve nesse último ano hein? — Ele derrepente me colocou contra a parede e eu sentia sua respiração na minha cara. Encarei-o.

Oh eu admito que senti falta disso. Olhei profundamente dentro dos seus olhos e consegui ver tudo pelo o que já passamos juntos.

–Não faz isso. — empurrei-o. Eu o estava deixando afetar o meu ponto fraco. Qual é, eu preciso da garota durona chamada Dianna Banister nesse exato momento. Cadê ela? Dianna precisa detê-lo antes que Danna Walker faça alguma merda. Cadê a garota de máscaras que enfrentou-o?

–Por quê não? — perguntou tentando se aproximar mais uma vez de mim, mas recuei.

O que eu mais temia estava acontecedo.

–Will! — Barbara apareceu de não sei onde — temos que pegar o nosso bebê!

Abri meus olhos de espanto e depois me lembrei do trabalho de biologia.

Barbara pegou sua mão e o puxou para longe. Will olhou para trás e me mandou uma piscadela.

Era inevitável, eu ainda não podia resistir ao seu charme. Não, isso não pode acontecer.

Depois de acordar após a minha queda, parecia que meus sentimentos começaram a dar sinal vida novamente. Ele ainda meche comigo, eu não sei como mas de alguma forma, meu coração ainda acelera ao seu toque. Houve um tempo em que o sentimento de ódio e raiva era mais forte que o de amor, o que me fez conseguir suportar esse último ano. Era difícil de lidar quando se está com a consciência pesada depois de descobrir tanta coisa. E a raiva me moveu, e continua movendo. Mas daí eu me deparo com o William Palmer novamente. Parece coisa do destino, ou é apenas uma coincidência, sei que nossas famílias estão conectadas, nosso sangue de certa maneira se atrai. Se eu me entregar agora, estaria traindo meu avô. Mas essa seria outra parte da história. A parte ruim.

Perdida nos meus pensamentos, apenas continuei a caminhar reto, pra onde? Eu não tenho a mínima idéia. Mas se ser a Dianna Banister era pra valer, então serei.


Notas finais
É isso, Will não vai desistir até descobrir toda a verdade, e sei que vocês também não kkkkkk vamos esperar no que essa coisa de bebê vai dar e vocês viram que coisa boa não é kkk ;)