Aurora Azul

18 Capítulo 17 - Viena


Notas iniciais
Hello.
Esse saiu mais rápido porque foi mais fácil de escrever.
Enjoy!

~Viena — sete meses atrás~

O avião particular pousara justo quando Danna havia pego no sono, não tivera a chance de dormir desde que se sentara no banco de couro daquele jato. Estar sendo atormentada por pesadelos e visões há quilômetros de distância da Terra firme era horripilante já que não tinha um lugar para se recuperar sozinha -ou se sentir protegida- além de uma cabine miúda que chamavam de banheiro.

Partes desses males aconteciam por consequências da cadeira elétrica. Desde que Danna fora eletrocutada, suas visões ficaram mais intensas e o aspecto de como elas vinham, a assustava mais ainda. Antes, Danna podia diferenciar a realidade da ilusão, porém, desdas sessões, ficara difícil separar, tudo parecia muito real. Ela continuava a ficar sem entender o porque tinha que fazer aquele tipo de terapia, suportar a dor? Talvez ela já suportara dor o suficiente para que resistisse ao desse tipo, ou talvez esses choques tenham mexido com seus neurônios e a estava deixando maluca.

Os meses de treinamento, tem sido bastante satisfatórios na opinião de seu avô, já havia aprendido de tudo e se saira muito bem nas simulações. Há algumas semanas atrás, Danna havia conhecido um menino chamado Austin. Ele era um gênio na computação e conseguia fazer coisas que muitos profissionais não teriam a capacidade de pensar sobre. Austin tinha apenas onze anos e desda primeira vez que tocou em um computador, nunca mas o soltara. A agência o descobriu de uma forma bem inusitada, o menino hackeara os sistemas dos computadores da compania e se infiltrou nos mais avançados programas, assim, tendo controle total sobre os arquivos e missões. O único jeito de resolver esse problema era o contratando para fazer trabalhos e invenções. Foi ele quem ensinou Danna a hackear todos os tipos de sistemas, desvendando todos os códigos independente barreiras.

A arma se transformara em um brinquedo para ela também, assim como outros brinquedinhos perigosos e mortais. Brinquedo que, você tinha o controle total. Danna conseguia manusea-la com bastante determinação, mas ainda lhe restavam algumas imperfeições para concertar.

Danna e Robert estavam a caminho da Áustria para uma reunião geral com todo o corpo da A.A.S.S. Viena fora o lugar escolhido para a assembléia por ser cercado pelo Estado da baixa Áustria, assim ninguém suspeitaria de nada e nenhum vôo particular seria autorizado até que todos os membros estivessem fora. O Estado tinha um acordo com a agência, um pacto para ser mais concreto, todo o exército e todo o armamento estaria á disposição se lhes oferecessem proteção. Depois de décadas, as pessoas ainda tinham medo de ataques após a primeira guerra mundial. Porém, ás vezes a troca de produtos pode ter uma balança diferente, um deles pode ser mais caro que o outro, assim, como Robert Walker era um dos homens mais matraqueados que qualquer um já vira, acrescentou mais algumas coisas ao trato. Barris de petróleo.

A aeromoça vestida com um uniforme formal de cor azul marinho apareceu com uma bandeja na mão com lenços de toalhas molhadas. Danna sempre se perguntava do valor desses lenços.

-Eu espero que aprecie a cidade minha querida — a voz grossa apareceu em sua cabine logo atrás da aeromoça — Vamos estadiar apenas dois dias nesse lindo lugar. — continuou seu avô.

Robert estava aptamente vestido para uma ocasião casual, com uma calça social, sapatos bem graxados, um pulôver preto e um cachecol verde escuro. Seu avô não tinha cabelos totalmente brancos, apenas algumas partes grisalhas e seus olhos eram de uma cor completamente diferente do de Danna. Uma vez, quando Robert a levou pela primeira vez para a sua casa nas extremidades de Phoenix, ela abriu seu closet e se assustara com a quantidade de roupas de marcas que ele tinha. Não a deixou muito surpresa pelo fato de seu avô ser um homem de contas bancárias gordas, ou melhor, suas contas bancárias com obesidade mórbida.

-Um frio incoveniênte está nos esperando lá fora, é melhor se agasalhar bem — disse parando em frente à ela.

Naquele momento, Danna estava deitada na poltrona com um cobertor em cima, não tinha notado o frio, e nem sabia quantas horas eram baseado no horária da Áustria. Ela espiou pela janela pequena e notou que o céu estava acinzentado e que as pessoas daquela pista de pouso estavam parecendo bolinhas pretas no meio de um asfalto cinza.

Danna também não troxera muitas roupas, a maioria eram de mangas compridas por ter sido alertada sobre o clima. Ela empurrou o endredon pro lado e se levantou em um pulo.

-Eu vou no toalete. — passou por ele caminhando em direção ao expremido corredor com o banheiro.

Ela odiava falar formalidades, mas ás vezes quando passava tempo demais com seu avô, era isso o que acontecia. Ao entrar, logo se deparou com uma imagem no espelho de uma pessoa completamente exausta com olheiras parecidas com peitos caídos abaixo dos olhos. O seu cabelo também estava de assustar, as suas ondas que normalmente batiam em sua cintura, agora batiam no seu pulmão por causa da embolação. Depois que conhecera seu avô, Danna também passava alguma horas a mais no salão, era o que seu avô insistia. O antigo ruivo, foi substituido por um castanho mais natural com algumas luzes douradas.

Danna ligou a torneira e juntou as duas palmas das mãos para jogar na cara. Imediatamente começou a ter calafrios por conta da temperatura da água, que notara estar um pouco mais fria que o normal. Porém nada se comparava a Phoenix, onde as águas das torneiras saiam quentes. De alguns meses pra cá, se acostumara com a humidade e o calor do lugar, sem alguma dificuldade, pois ela sempre estivera adaptada á aquele ambiente, só tinha que reativar a adaptação.

Depois de fazer todas as necessidades no banheiro, e isso incluia ajeitar o cabelo, abriu a maleta para pegar algum suéter de lã para se vestir. Danna pegou o primeiro suéter que viu, pois sempre achou que combinava com qualquer calça jeans e bota.

-Pode deixar senhora, eu me encarregarei de todas as malas até o hotel, não se preocupe — sorriu a aeromoça para ela. Seus dentes eram brancos parecido com os da propaganda na tevê, e sua maquiagem era muito bem feita.

-Obrigada — sorriu Danna tentando ser simpática e percorreu os corredores do avião até á ponta, onde ficava a porta.

Como sempre, havia um carro de luxo a esperando depois das escadinhas, algo que ela não estava conseguindo se acostumar facilmente. Para todos os lugares que ia, os carros variavam de marca e modelo. Dessa vez, não fazia a mínima idéia de que tipo de carro era esse, porém achou charmoso pelo estilo sofisticado nas portas e na frente. Danna desceu todos os degraus fechando um pouco os olhos por causa das correntes de ar frio e deduzindo pela claridade do céu, apostava que não passava das duas da tarde.

Um cara vestido com um terno, com um chapéu esquisito e usando um par de luvas, abriu a porta para ela entrar e Danna não pensou duas vezes para poder sair do frio congelante. Seu avô não estava no carro, parecia que já havia partido em outro, para algum lugar particular resolver um assunto importante. O mesmo homem apareceu se sentando no banco do motorista e ela perguntou:

-Para onde o meu avô foi? — e logo quando soltou essas palavras, algo velho, de muito tempo aconteceu. Havia fumaça saindo de sua boca quando soltava o ar e Danna sorriu por se lembrar de Nova Iorque.

-Senhora, o senhor Walker mandou lhe avisar que estará a esperando no hotel daqui há duas horas. — tudo era uma mera formalidade. Danna percebera que o motorista não era americano e que forçava um pouco o sotaque.

-Só isso? Mas nada? — perguntou e o homem assentiu.

Danna viajara bastante com seu avô nos últimos meses, mas o problema era quando ele não tinha tempo para aproveitar alguma coisa, como na viagem para o Canadá. Eles fizeram apenas três viagens internacionais até o momento, a outra fora pra Grã-Bretanha. Mas essa parecia ser séria.

No caminho inteiro para o hotel, ela não conseguia desgrudar seus olhos da janela e observava tudo o que as pessoas faziam na rua. No ensino médio, estudara uma vez sobre Viena ser o melhor lugar para se viver e pelo aspecto do ambiente, confirmaria metade dessa afirmação.

A arquitetura dos prédios eram iguais, no mesmo estilo mas cada um tinha o seu diferencial. Assim como vira em Londres, Viena também era recheado de parques e restaurantes e Danna estava louca para sair do carro e andar pelas ruas, como os turístas que tiravam fotos juntos a uma estátua. Outra coisa que chamara a atencão dela, eram as iluminárias que eram perfeitamente esculpidos em um U de cabeça pra baixo depois de um tronco de cerca de quatro metros.

Enquanto o motorista ainda se concentrava na estrada, Danna notou no seu lado direito, um canal. Eram também um tipo de rio em que vira em alguma revista ou livro na escola. Nele, havia uma espécie de barca, muitos diziam ser um meio de transporte para a população local, o que deixou-a mais curiosa ainda. Dois dias não era tempo o suficiente para aproveitar as maravilhas que esse lugar tinha. Ouvira dizer também que Viena tinha uma das áreas verdes mais bonitas do mundo com uma diversidade imensa de flores e plantas esculpidas em formatos de objetos e palavras. Os mais famosos são o Burggarten e o Volksgarten. Lá, é possível conhecer as Rosas Sissi, homenagem à imperatriz Sissi.

Não demorou muito e o carro estacionou em frente ao hotel. Tudo em Viena parecia muito sofisticado e luxuoso para ela, mas logo quando olhou para a fachado do hotel, se exaltou em um susto. Era o Hotel Imperial. Um dos hotéis mais famosos do mundo, mas se o lado de fora, cujo a infraestrutura lembrava a de um palácio, que a assustava tanto, Danna não podia imaginar do que a esperava por dentro.

O motorista saiu do carro e abriu a porta do lado direito para ela, logo na entrada, um tapete vermelho a esperava, porém isso não era novidade em hotéis.

-Senhora, já fizemos o seu check-in, uma outra madame a espera na porta do quarto, as malas já estarão á sua disposição. — disse o motorista novamente forçando o sotaque americano.

Danna sorriu para ele e o homem abriu a porta para que ela entrasse. Mas antes que Danna entrasse totalmente para dentro do hotel, ela olhou para cima e pode ver quatro esculturas em cima do teto de vidro, quatro homens parecidos com deuses e com expressões engraçadas.

No lado de dentro, ela logo se deparou com um enorme lustre de cristais pendurado no teto, era mais brilhoso e grande do que a que estava na sua casa. O piso, era completamente liso, todo montado com algo parecido com mármore, a recepção era uma mesa retangular bem comprida com quatro recepcionistas em pé atrás dela. O que chamou a atenção de Danna também era a pequena sacada parecida com uma varanda em cima no lado direito, a estrutura era idêntico ao da época colonial.

As quatro mulheres acenaram com a cabeça para Danna e ela retribuiu sem graça, estava morrendo de vontade de deitar em uma cama de verdade. Camas realmente faziam a falta. Ela apressou o passo e o motorista a conduziu até os elevadores.

-A senhora quer que eu a acompanhe até o seu quarto?

-Não vai ser preciso, eu só quero que me diga o andar. — soou simpática.

-O último andar, na suíte presidêncial. — Danna queria revirar os olhos, era claro que seu avô gostava de grandezas.

-Obrigado. — a porta do elevador se abriu.

-Deseja que eu lhe traga alguma coisa, senhora? — ele segurou a porta com o braço para que ela entrasse.

-Hã... comida de verdade? — franziu o cenho. Danna não percebera estar com fome até a palavra comida ser mencionada.

-Vou providênciar — ela apertou o último botão.

-Estarei no aguardo — e mais uma vez, ela usara uma frase com formalidade.

As portas do elevador se fecharam a deixando sozinha. A cabine era um pouco maior do que os elevadores normais, suas laterais eram revestidos com uma textura vermelha que refletia, sinal que estava completamente limpa. Não muito tempo depois, as portas se abriram novamente e Danna se pôs para fora. O corredor tinha as mesmas características que o saguão principal, e mal esperava para abrir logo a droga da porta do quarto. Ao virar para á direita, notou uma senhora de meia idade esperando em frente á portas duplas brancas.

-Oi, é... eu sou Danna Walker — falou se perguntando se a mulher sabia inglês.

-Senhora Walker, todas as suas malas já foram posicionadas no quarto ao lado da cama, seja bem-vinda á Viena, aproveite a estadia. — mais uma pessoa jogando formalidade para cima de Danna. Era difícil enguli-la o tempo todo, para ela, isso era uma chatisse.

-Obrigada.

A mulher vestida com uma calça longa e uma camisa parecida com um jaleco, vermelhos, abriu as portas revelando o famoso quarto. Danna ficou sem ar ao se deparar com tudo aquilo. Não podia se dizer que era um quarto normal, isso, era tudo o que ela queria, porém seu avô sempre intensificava as coisas. ''Será que me transportaram de volta no tempo?'' se perguntou. Por dentro, Danna não conseguia parar de receber vozes com um ar de surpresa e espanto. A mulher fechou as portas atrás dela e sentiu a privacidade tomar conta do ambiente.

-Meu.Deus.Do.Céu — disse quando ouviu o barulho da tranca. — Mas que porra é essa?

Danna se sentia a própria Maria Antonieta. A altura do quarto era de aproximadamente uns três metros e meio. Todos os móveis lembravam móveis de quadro de pinturas que estudava em seus livros, parecia estar dentro de um palácio. A cama de casal, que ficava no centro da parede lateral era todo enfeitado com os mesmos tecidos que os bancos e cortinas, que pareciam véus. No alto da cama, havia um véu enorme nas cores dourada e azul marinho. O toque que o quarto tinha de móveis rústicos mais sofisticação era o tão assustador e surpreendente. Aquilo não parecia real para ela, o quarto também tinha dois lustres de cristais pendurados, mas não tão grandes como o da entrada.

Danna começou a andar pelo quarto, parecia que a empolgação de se deitar em uma cama havia desaparecido. Na parede do meio das janelas, havia um espelho do chão até o teto. Ela atravessou o local e afastou as cortinas das janelas gigantes. A vista recompensava tudo, mas parecia que ela conseguia ver pessoas vestidas formalmente andando nas ruas com carruagens, mulheres com vestidos compridos rodados, usando luvas e segurando uma sombrinha e homens de ternos antigos.

Danna empurrou todas as cortinas deixando livre a passagem da claridade. O lugar de outro século a assustava. Será que outros quartos também eram assim? Não. Ou ao menos pensava que não tão estranhos e cheios de antiguidades. O homem pintado no quadro á sua frente estava a encarando embaixo de uma lareira, e para piorar um piano antigo feito de madeira estava posicionado no canto da sala. Os nervos foram á flor da pele e abriu a porta com rapidez.

A mulher de meia idade ainda estava lá fora e arregalou os olhos ao ver Danna branca que nem um fantasma.

-O que aconteceu senhora? — perguntou parada no seu lugar ainda olhando para Danna.

-Esse quarto é... bem... sabe como posso falar com meu avô? Acho que vou querer um quarto mais simples. — O coração de Danna estava para saltar de seu pulmão de tão forte que estava batendo.

-O senhor Walker está em uma reunião na cidade, não muito longe daqui então posso providenciar um quarto para a senhora?

-Estaria muito agradecida — sorriu se distanciando da porta — você faria isso por favor?

-Absolutamente senhora, devo também avisar para que mandem a comida para o outro quarto? A senhora tem alguma preferência de andar? — a mulher parecia tão frágil falando desse jeito que Danna sentiu pena dela. Será que ela estudara todas as etiquetas?

-Você conhece esse hotel? Conhece algum quarto confortável e humilde?

-Sim, senhora. Tenho o cartão para esse quarto, deseja que a leve para lá?

Danna apertou a mão contra a barriga roncando e se aproximou mais um pouco da mulher.

-Sim por favor, e a comida também, estou com muita fome.

Ela assentiu e conduziu Danna até o elevador. O andar número sete foi escolhido nos botões e um ar de desconforto surgiu com as duas dentro do elevador. Danna queria conversar com ela, ou pelo menos perguntar se ela podia lhe fazer compania. Não tivera com quem socializar nesses últimos tempos e sentia que iria explodir por dentro. O único problema era que Danna não a conhecia e não podia lhe contar segredos, muito menos os da vida dela.

O que ela queria era ter a sua amiga Tereza de volta.

As portas se abriram e as duas sairam de dentro no mesmo tempo. O corredor era um pouco mais largo, já que, haviam mais quartos. O ar desse andar também era completamente diferente da suíte assutadora, seu avô poderia ficar nela a vontade. Apenas por pensar naquele quadro e naquele piano, seus pelos dos braços ficavam arrepiados. Danna nem havia conseguido notar os outros detalhes do quarto.

A mulher de meia idade passou o cartão no aparelho ao lado da porta de um quarto e a fechadura se destrancou no mesmo momento fazendo um pequeno barulho.

-Sinta-se a vontade senhora, voltarei em breve com as suas malas — falou e saiu sem ao menos deixar Danna lhe agradecer.

Será que ela a deixara irritada por querer trocar de quarto? Ou poderia ser demetida por isso? Mas Danna faria qualquer coisa para isso não acontecer com essa pobre moça. Esse quarto era apenas um pouquinho mais moderno que o outro. Ele era decorado em tons de verde, com os mesmos estilos de móveis, era um pouco mais baixo, tinha um lustre em cima e as janelas tinham veus. Esse quarto não tinha quadros. Nem pianos. E o ambiente parecia mais livre e confortável, as poucas luzes do dia podiam penetrar pelas cortinas sem ter que afastá-las.

Pelos cantos do quarto, podia se ver cadeiras espalhadas e bem em frente á uma janela que também ocupava do pé até o teto, podia se notar uma espreguiçaderia luxuosa. Danna encarou a cama por um instante e se jogou nela como se sua vida dependesse disso. Nessas horas de viagem, esquecera de como era confortável estar deitada com os braços e pernas abertas em cima dos endredons. Porém logo tirou as botas as jogando no chão e se envolveu nas camadas e camadas de endredon verde. Os travesseiros estavam bem posicionados, até ela esticar a mão e pegar um deles. Haviam mais de seis deles, uma na frente do outro, todos verdes.

Cinco segundos com os olhos fechados, logo os abriu porque alguém batera na porta. Danna resmungou e foi até ela sem vontade.

-Senhora, estamos com as suas malas e a refeição — era um outro homem, que também falava a língua formal. Ele empurrava um carrinho e nele estavam bandejas com tampas ovais em cima.

-Deixe-as naquele canto — ela apontou para o fundo do quarto — a comida também.

O homem fez exatamente o que ela pediu e depois voltou para o corredor trazendo mais uma coisa que Danna desconhecia.

-O senhor Walker nos enviou isso e pediu para que entregássemos á senhora — ele segurava uma capa protetora preta de vestido — com um vestido provavelmente dentro — .

-Deixe-a em cima das malas por favor — ele a deixou exatamente em cima delas, sem erro de cálculo. — Obrigado. — O homem de aproximadamente vinte e tantos anos mostrou um sorriso tímido e saiu.

Danna mordeu a unha pensativa encarando aquela capa. O que será que seu avô estava planejando agora? Ela não se conteve e aproximou-se do objeto o pegando na parte de cima do suspensório. Com os dedos, deslisou o zíper habilmente para baixo com tamanha facilidade, e antes que conseguisse deslumbrar do vestido, um pequeno papel quadricular pardo caiu no chão. Danna deixou o vestido e se abaixou para ler o que estava escrito no bilhete.

''Querida, hoje teremos uma ocasião muito especial, se embeleze com este vestido feito especialmente para você e ás sete em ponto o mesmo motorista estará á sua espera no saguão. Não se preocupe, saberá quando for a hora.

P.S: Espero que tenha apreciado o quarto''

E como. Pensou

Danna dobrou o papel duas vezes e o enfiou no bolso da calça jeans. Pegando novamente na capa, tirou o vestido de dentro. Ele era um tomara que caia comprido, formal de uma cor esmeralda cheia de detalhes e pequenas pedrinhas brancas na parte de baixo da faixa de cetim dourado. A textura do vestido era de um pano grosso, mas liso e macio, todo costurado. Danna se perguntou o quanto seu avô gostara apenas nesse vestido e dentro da capa preta, bem no fundo, estava grudado um saco de pano cor de pele, ela o pegou com a outra mão e caminhou até a cama.

Deixando o vestido em cima do colchão, abriu o saco puxando dois pares de um salto alto. A sandália em si era toda trabalhada nos detalhes, os pequenos brilhos da linha era o que mais chamava atenção. Ele era de um dourado misturado com o verde esmeraldo, a combinação perfeita do vestido e em excessão das linhas curvadas da frente, ele era todo dourado. Combinava com os seus olhos.

Será que era ouro? coçou a cabeça se perguntando o quão neurótico era o seu avô. Danna entendia que ele apenas queria o seu conforto, porém mordomias não era a sua praia. Ela também temia que Robert a obrigasse a ter aulas de etique para poder se vestir bem — o que realmente aconteceria no futuro-.

Ela largou tudo em cima da cama e abriu as tampas das bandejas para ver o que haviam providenciado à ela. No prato mais grande em cima do carrinho, havia um assado de pernil todo montado com ervas e tomates. Ela nunca iria saber como comer uma coisa dessas formalmente, por isso deu graças á Deus por estar sozinha em um quarto. Tirando a tampa do outro prato, havia um pedaço de doce parecido com pudim com um suspiro grudado. Na bandeja mais pequenina, continha nada mais nada menos que uma taça de sorvete também todo montado com camadas de chocolate e creme. Antes mesmo de tocá-lo, Danna o devorou com os olhos.

Sem perder tempo, escolheu um dos sete talheres em cima do pano branco e comeu pedaço por pedaço do pernil.

-//-

O banheiro era um pouco mais moderno que os quartos.

No seu caso, o banheiro era todo de mármore, eram placas de pedras brancas e pretas por todo o cômodo. A banheiro ficava entre três paredes e do lado, duas pias com um espelho retangular moldado em um quadro. Resumindo, o banheiro era moderno com um toque de luxo.

Quando o relógio anunciou cinco horas, ela abriu a água da banheira e depois se derreteu para dentro dela. Ficara mais ou menos quarenta minutos se deliciando do calor que as águas transmitiam e ficou surpresa com o quão cheirava bem as lavandas do hotel. Parecia que as jasmins estavam plantadas no banheiro, Danna adorava jasmins.

O vestido lhe serviu perfeitamente, se encaixava em cada curva do seu corpo fazendo-as se destacar. Danna revirou os acessórios que trouxera de casa e colocou uma corrente de ouro que havia achado na casa. Sobre a maquiagem, ela apenas passou um delineador, uma base, um rímel, blush da cor da pele, um brilho lábial de cor pêssego, uma sombra escura e máscara preta. Fixou os sapatos nos pés e começou a andar pelo quarto, tentando se equilibrar para não cair na hora da ocasião especial. Ela ficou aliviada pelas unhas estarem bem feitas com cores neutras, ambas das mãos e ambas dos pés. A cama estava a chamando desde que chegou, mas lamentou não poder ter se deitado por mais de uma hora. Danna deu mais uma olhada no relógio, que marcavam seis e cinquenta e resolveu descer.

Será que era o mesmo motorista que a trouxera no hotel? Ela se identicava com ele e na próxima vez que o encontrasse, o daria liberdade para ser menos formal. O que houve com a mulher de meia idade? Será que a despediram? Quando Danna saiu, não a viu na porta, na verdade, não a vira em nenhum lugar.

Chegando no sagão, avistou o mesmo homem parado em frente a porta com o olhar direcionado para o elevador e comprimentou ela quando a viu caminhando em sua direção.

-Senhora. — abaixou a cabeça puxando um pouco o chapéu.

-Por favor, me chame de Danna.

-Senhora, eu não posso.

Ela franziu o cenho e abriu a boca para protestar, mas percebera que respeito e formalidade, eram pontos importantes no seu trabalho, pois no contrário... poderia acontecer o que aconteceu com a mulher de meia idade, se é que aconteceu alguma coisa com ela.

-Me diga o seu nome — disse com um tom casual.

-Sean Peterson, senhora.

-Ok então Sean, me leve para onde meu avô lhe ordenou. Você pode me dizer onde é?

-Vienna State Opera, senhora. O carro está á nossa espera lá fora. — forçou novamente o sotaque.

Sean parecia um homem de família para Danna e sua caricatura era fácil de se lembrar, cabelos negros, olhos castanhos e sombrancelhas grossas formando um V separado. Ele a conduziu para fora do hotel, e Danna sentiu rapidamente o vento frio bater em seus ombros. Sean abriu a porta para que ela entrasse no carro, como tinha feito com a porta do hotel em um ato de cavalheirismo. O automóvel continuava o mesmo, e também estava no mesmo lugar, parecendo que ele ficara ali esse tempo inteiro.

Danna já ouvira muitas críticas sobre essa Ópera, e todas elas foram elogios. Os sites de cultura americana, a elogiava sempre que podia e sempre a sugeria como um excelente lugar para se visitar. Ela estava anciosa e curiosa ao mesmo tempo, se pergunta o tempo todo o que diabos seu avô queria fazer em uma ópera. Talvez isso era apenas uma coisa de sua cabeça e Robert queria apenas aproveitar a noite. Mas e sobre a reunião? O que aconteceria?

Com tantas perguntas circulando por dentro de sua cabeça, não percebeu que havia chegado. Sean viu seu olhar de surpresa e sorriu educadamente para Danna.

-São apenas duas quadras de distância senhora Walker — disse e saiu dando a volta para abrir a porta dela. Mais uma vez, a corrente de ar fria passou por seu ombro a fazendo estremecer — Por aqui senhora — Sean fechou as portas do carro e a deixou ali mesmo, sem se preocupar em estacionar num lugar melhor.

O Vienna State Opera se parecia com um museu, sua fachada lembrava o Congresso em Washington D.C. porém com uma arquitetura mais fina e bonita. Enquanto pessoas com trajes formais se direcionavam para a entrada, Sean também a conduziu para lá, Danna automaticamente soube que estava indo ver uma ópera, mas onde estava o seu avô?

A parte de dentro era exatamento como Danna vira nas revistas, a altura do salão a assustava e a maioria das pessoas estavam entrando para uma porta gigante que ela deduziu ser a verdadeira entrada para o acesso ás cadeiras, já que, algumas pessoas com trajes de ternos iguais, uma mulher e dois homem, estavam em pé na entrada confiscando todas as pessoas. Danna caminhou diretamente para lá, mas Sean a cutucou e balançou o dedo apontando para o lado esquerdo.

-Senhora, o senhor Walker está á sua espera em uma sala. — disse e Danna parou.

O motorista se virou e Danna o acompanhou para fora da multidão. Ela não iria ver uma apresentação? Se não estava aqui para isso, então não sabia realmente o que seu avô estava tramando em fazer em uma ópera. Fora das filas, eles atravessaram para uma outra porta de ferro e vidro, Sean empurrava com um pouco de dificuldade e logo Danna se viu em um corredor. O barulho das conversas das pessoas já estava um pouco abafado e ao longo do caminho, o de seu salto era o que ecoava mais alto.

-Pode me dizer para aonde estamos indo Sean? Cadê o meu avô? — perguntou, agora pensando em coisas ruins.

-Logo após aquela porta, senhora.

O longo corredor tinha o mesmo estilo que seu hotel, grandes janelas ocupavam a lateral, com cortinas e móveis antigos posicionados ao longo do espaço. Quadros também podiam ser apreciados como muitos outros artefatos, jarras de porcelana, relógios, escrivaninhas, pratos expostos etc. Sean empurrou a porta do final do corredor e logo anunciou a sua chegada.

-Senhores, a senhorita Danielle Walker está aqui — Danna percebeu três coisas.

A primeira, era que ele não estava falando somente com o seu avô, mas para mais de uma pessoa, talvez fosse o corpo da agência? Mas por que agora e em uma ópera? A segunda era que ele havia a reduzido de senhora para senhorita, e a terceira era que ele sabia o seu nome verdadeiro.

Danna encarou-o pasma, se perguntando como aquilo era possível, mas percebeu que estava sendo observada por todo mundo presente naquela sala. Ela desviou a atenção de Sean e se endireitou para entrar através da porta.

Dentro, haviam poucos móveis, mais o suficiente para ocupar todo o espaço. Uma mesa comprida de madeira estava ocupando o centro da sala e ao redor dela, cadeiras. O ambiente todo refletia dourado, parecia que tudo em Viena era da cor do ouro. Sete cabeças e quatorze olhos a encarando.

Danna não fazia a mínima idéia do que falar, se deveria se apresentar — se é que já não soubessem seu nome, mas faria isso por mera educação — ou apenas escolher um lugar para se sentar. No total, a mesa tinha doze cadeiras em volta, e as pessoas que estavam sentadas, ocupavam a ponta dela.

-Finalmente — seu avô foi o primeiro a se pronunciar depois de Sean, mas quando isso aconteceu, as portas foram totalmente fechadas e trancadas, restando apenas eles dentro. — sinto muito por não ter me juntado á você no hotel, soube que não gostou daquela suíte, muito brega? — Robert se levantou e foi cumprimentar a sua neta.

-Assustador — fez careta.

-Irei melhorar na próxima vez, prometo. Porém, não estamos aqui para discutir sobre isso.

-Pensei que iríamos á ópera — Danna percebeu que eles estavam conversando entre si, se esquecendo dos outros.

-Essa, é uma reunião particular, por favor, sente-se. — Robert puxou sua neta pela mão delicadamente e arrastou a oitava cadeira do lado de uma mulher velha, para que se sentasse. -Danielle, — Ouviu mais uma vez esse nome e se irritou — estamos na A.A.S.S. da Áustria e aqui na mesa, — fez mais uma pausa olhando para as seis pessoas — está as seis cabeças do mundo inteiro.

-Essa ópera é a agência? — falou intimidada com a presença dos membros, eram três mulheres e três homens.

-Abaixo, — elevou o tom de voz — desta ópera. — sorriu — Esta reunião é sobre a decisão do futuro da nossa agência de segurança. Como pode perceber, estamos todos pertos da morte, sendo direto. Estamos velhos.

-Não sabemos por mais quanto tempo estaremos vivos — falou um velhinho que usava óculos ao lado de Robert.

Não era irônico estarem em uma sala conversando sobre morte?

-Esse é o ultimato final. A decisão será tomada esta noite. — a velha ao seu lado disse.

Todos usavam roupas formais, como se fossem disfarces.

-Não podemos mais lutar, mas podemos nos defender — esse tinha um sotaque diferente, puxando muito o r.

Danna sabia exatamente para onde a conversa iria parar.

-Nós queremos você minha filha, queremos que você tome o lugar de tudo. — Robert se pronunciou.

-O quê? — soltou mais alto do que deveria — Estou tentando fugir de tudo isso e você me vem com essa coisa?

-Calma Danielle — disse um outra velha — Não se exalte, por isso necessitamos de sua presença aqui — Outra vez, a chamaram disso outra vez. Agora Danna sabia da onde Sean havia tirado esse nome, parecia que todos ali a conheciam por ele.

-Danna, se não for você, não terá mais ninguém. Não há mais ninguém da linhagem Walker, você é a única, é o seu sangue. — murmurou Robert com a maior tranquilidade do mundo.

-Precisamos de você — dise outro velho.

Danna estava confusa, com a cabeça nas nuvens, ela não estava acreditando no que acabara de ouvir. Se por acaso ela assumir o poder, com certeza ganharia mais inimigos do que tinha, fariam de tudo para atacá-la e prejudicá-la. Estar no poder, significava a morte.

Mas no fundo, sabia que era a coisa certa a se fazer.

-Vocês precisam de sete para controlar tudo, como vocês esperam que eu vá conseguir tomar conta do mundo? — se encostou na cadeira cruzando os braços.

-Porque você é capaz, e você não está sozinha Danielle. O mundo mudou, as coisas mudaram, estamos em uma nova era, uma nova época, e você faz parte dela — disse uma outra velha com uma voz suave e musical, ela tinha os cabelos negros com alguns fios brancos.

-Seu pai e sua mãe estavam contando com você minha filha. Faça com que a morte deles tenham valido a pena e enfrente isso. Seu chip, é o segredo de tudo. — Robert encarava sua neta com compaixão e tinha uma certa habilidade de convencer as pessoas.

-Por favor, não envolvam meus pais nisso. Eles estão mortos por causa desses problemas. — Danna puxou a sua cadeira mais para a frente — O que o meu chip realmente tem haver com isso?

-É muito mais do que você pensa — disse a mulher do lado mais uma vez — Robert a criou com um objetivo.

-Que objetivo? Isso tem haver com o Protocolo D? — perguntou e todos direcionaram seus olhares para ele como se estivesse escondendo algo dela.

-No momento certo você saberá. Não estamos pedindo que tome conta dos negócios agora. Apenas esteja no meu lugar quando eu falecer. — Danna nunca pensou dessa maneira. — Suponho que isso irá levar um tempo para acontecer e sei que no momento, você fará o que é certo. Estamos pedindo a sua benção para isso, apenas.

-Certo... — disse — Eu não gosto de brincar com o futuro, e não faço idéia do que possa acontecer, se até lá eu estiver viva também... pensarei melhor no caso. Mas e os Palmers? — no momento em que ela mencionou esse nome, todos se entreolharam.

-Eles são inconvenientes como uma agulha no pé. — disse o velho á sua frente.

-Danna, estamos cuidando deles não estamos? Esse foi o seu primeiro objetivo quando me aceitou. Eles são perigosos, já conversamos sobre isso, mais cedo ou mais tarde, terá uma guerra, e preferimos que seja cedo. — todos assentiram — Por isso estamos os destruindo aos poucos, primeiro as pequenas coisas, depois as maiores. Quando o último filho for destruído, conseguiremos destruir a mãe.

-Eu acho que nunca confiarei em um Palmer outra vez — se lamentou.

-Também há os Hills. Desejo que nunca tenha o azar de se encontrar com um. Principalmente Zachary. — o mesmo velho anterior disse.

-Eu já me encontrei com um, com a sua filha, mas não acho que ela seja perigosa.

-Nunca se sabe Danielle, nunca soubemos o que esperar deles. Mas são perigosos. — a velha ao lado disse com uma voz autoritária.

-Mas lembre-se, apenas quando eu chegar a falecer.

No momento em que Robert terminou a frase, barulhos de tiros soaram do lado de fora da sala e gritos de desesperos tomaram conta do ambiente de paz.

-O que está acontecendo? — perguntou Danna com os olhos arregalados, sentindo o frio novamente atingir a sua pele.

-Eles descobriram que estamos aqui — disse alguém mas Danna não prestou muito atenção.

-Tolos.

Notas finais
Então, eu queria dizer que a minha demora para postar, não é porque eu quero, e sim, por causa da falta de tempo e problemas pessoas, gente, eu tenho uma vida fora daqui e não é sentar no computador e começar a escrever, é preciso ser elaborado as idéias e se concentrar o máximo possível.
Os meus capítulos são longos, uma das razões para eu demorar, depois de terminados, eu os reviso e isso leva tempo. E para terminar um, leva uns cinco á sete dias.
Então por favor, entendam, e não abandonem a fic, por favor!
Obrigado.