Aurora Azul
19 Capítulo 18 - Chama dourada
Notas iniciais
Espero que ainda estejam aqui comigo :}
No momento, eu teria que fazer uma escolha.
Por um lado, parecia fácil apontar o dedo para uma alternativa, porém era uma escolha com outra várias direções. Eu queria estar em apenas um lado, mas a minha força interior me mandava escolher os dois, conhecer os dois para fazer uma escolha final. A balança estava equilibrada, ambos tinham as suas vantagens e desvantagens.
Eu confiava no Will. Desde o dia em que o conheci, vi a confiança, mas ele a tirou de mim, passaram-se apenas um ano e sentia como se fosse a minha vida inteira, apenas me recordava daquele sentimento de culpa e desgosto ao assitir aquele video. Dissera pra mim que havia me procurado, eu sabia disso, ás vezes eu o seguia mas foram apenas nas primeiras semanas.
Agora que tudo tinha ficado mais claro, confiar no meu avô era uma ilusão, eu queria fazer isso e me convencia de que era o certo a fazer. Depois daquele dia em que Hayden apareceu na minha casa -o qual não tive mais notícias, era comum da parte dele sumir do mapa- seus rastros foram deletados por completo. Talvez Robert sabia que eu suspeitava de alguma coisa e tenha tomado uma outra decisão. Nesses últimos dias, também não tivera nenhuma ordem para fazer algum ataque, era estranho, já que elas eram semanais e viajava para o país inteiro, menos Nova Iorque.
Esses e entre muitos problemas que me trouxeram, somente um me preocupava mais que os outros.
Peter.
''-O que aconteceu? Do que você estava falando com o Palmer? Como conseguiu a nossa liberdade?''
Ele estava começando a desconfiar e desconfiança, levava a problemas.
''-Eu tenho um amigo dentro da polícia local, ele nos libertou contanto que não façamos de novo''
Parecia uma desculpa certa e me sentia mal por ter que fazer isso, porém me sentia pior ainda por ter me deixado envolver.
Caminhei para todos os cômodos da minha casa procurando por algum indício da vivência dos meus pais. No fundo sabia que Robert não tivera a coragem que jogar tudo fora, pelo homem que ele aparentava ser. Uma porta de madeira clara estava trancada e deduzi que podia me levar ao porão. Seria fácil arrombar a porta ou chamar um chaveiro para resolver a situação, mas e se houvesse mais ali em baixo? Se estava trancada com uma senha, algo ali não pode ser revelado para qualquer pessoa e era isso o que me deixava mais e mais curiosa.
Parei no meio do corredor em frente á porta e suspirei olhando para a caixinha eletrônica na parede com os números. Nunca era datas, pois era a primeira coisa que um sujeito pensaria. Mas pensando melhor e se o óbvio fosse o óbvio? E se a pessoa que pensou na senha, deduzira que a pessoa que estava tentando abrir acharia fácil demais ser uma data e que partiria para uma outra mais difícil?
Circulando por toda a minha mente tentando procurar uma resposta, tentei os primeiros quatro dígitos. Os números 0000 passaram pela minha cabeça como flashes, era o mais óbvio do óbvio e automaticamente a porta se deslizou para o lado liberando a minha passagem para as escadas. As luzes estavam acesas e pareciam estar acesas todo esse tempo, mas deviam se acender automaticamente. A escadaria abaixo era da cor azul cara e de aço. Ao dar o primeiro passo para a frente, ele ecoou em um som agudo por todo o corredor.
O corrimão de ferro grosso e arredondado estava gelado e ao tocá-lo uma onda de frio fez o meu corpo estremesser, foi quando notei que o ambiente estava frio como um frigorífico. Porões não tinham o costumes de serem tão gelados e sairia de lá quando desse uma pequena olhada no que estava escondido. Do corredor, a porta de madeira parecia totalmente inofensiva, e nunca tive um pio de coragem para perguntar sobre ela pois não queria ser enxerida. Olha onde estava agora?
Pisando todos os degraus até o final, avancei com a cabeça pra frente e uma enorme caixa retangular de vidro estava no centro daquela sala quadricular e pequena. O ambiente era todo azul, tudo por causa do frio e algumas redes de gelo dominavam as laterais das paredes. Aquilo realmente se parecia com um frigorífico. O chão estava cheio de linhas de fumaça branca e fria, em poucos segundos, meu joelho começou a doer.
A caixa estava toda coberta por flocos de gelo branco, o que ocultava qualquer coisa que estivesse dentro. Ao me aproximar, andando lentamente para perto do vidro, tive uma leve impressão de ver um rosto humano. Pequenas formas de fumaça saiam do vidro e ao me colocar ao lado do objeto, tive uma nítida visão de que o que estava dentro daquilo era um corpo humano.
Congelada não pelo frio mas pelo medo, fiquei paralisada sem conseguir dar um passo para os lados e os gritos saíram como uivos de dentro de mim, tapando o meu rosto depois de ver realmente quem era.
–O que aconteceu? — perguntou uma voz familiar. Não consegui olhar para o lado e ver seu rosto, mas senti o impacto das minhas nádegas em um sólido congelante. — Danna?
Will correu para o meu lado e me pôs com dificuldade em pé. As lágrimas que saíam dos meus olhos me deram a impressão de que iriam congelar no meu rosto.
–Está muito frio aqui em baixo — murmurou ainda me erguendo.
–Nã-ã-ã-ã-o — gaguejei.
Ele percebeu o choque em meus olhos e se aproximou da caixa para ver o que havia me feito ficar assim. Ao espiar, Will deu um grande suspiro de surpresa e espanto.
–Vamos, vamos para cima ou vamos congelar aqui em baixo.
Will me sustentou com seus braços e me conduziu até as escadas. Meu corpo estava leve e ainda paralisado, o choque que sofrera na hora foi o pior deles depois de tanto tempo, não era um choque comum, mas um sentimental aquele que doía mais, até nos deixar malucos. Passando pela porta, o calor que fazia no ambiente natural se misturou com o frio que estava em minha pele, me fazendo calafrios. Foi praticamente inevitável ter que me encolher no Will e a sentir o seu próprio calor. Ele estava com um jeans, chinelo e camisa de malha vermelha.
Quando finalmente estávamos no sofá, ele me colocou para sentar ao seu lado, seu braço envolvendo os meus ombros e me afagando transmitindo ondas de calor.
–Por quê? Não pode ser... — falei com a voz falhando por causa do choro — meu pai está ...
–Você está congelando — disse me afagando mais forte me puxando para o seu lado — Danna, sinto muito por isso, você está bem?
–Por que está aqui? — retruquei percebendo a sua presença anormal — como consegue aparecer sempre em momentos tão...
–Apenas para saber se já se decidiu, ouvi seus gritos e entrei para ver o que estava acontecendo. — falou inocentemente me envolvendo com os seus dois braços — Uma vez, prometi para uma pessoa que eu amava muito que nunca a deixaria, e a deixei ir por um tempo. Agora que a encontrei, não vou mais cometer o mesmo erro.
Me afastei um pouco dele, o encarando profundamente nos olhos. Um de seus braços deslizou pra baixo mas a outra continuou a afagar as minhas costas.
–Você está me vigiando? — estreitei os olhos turvos para Will. Levei uma das mãos geladas para os olhos e limpei as lágrimas que estavam quase secando no meu rosto, mas ela ainda insistiam em sair.
–Isso não importa agora. — disse dando um pulo na minha direção — Como conseguiu encontrar...? — Meu pai morto e congelado.
–A porta apenas estava... trancada há tempos e resolvi desvendá-la para ver se eu tinha sorte encontrando algum objeto dos meus pais, alguma coisa... e... — minha voz começou a sair manhosa outra vez.
–Não...
–Will, meu pai está congelado! Como meu avô pode esconder isso de mim? E por quê? — minha visão voltou a ficar embaraçada — Eu não entendo... meu pai está aqui, nessa casa, não enterrado mas congelado! O quão estúpida eu sou?
–Você está prendendo a sua respiração, respire e se acalme para trazer todas as hipóteses possíveis á tona. Eu te entendo Danna, também estou chocado, mas é sobre isso que teremos que tomar cuidado. Essas coisas... tudo é e está em perigo, acredite em mim, nada parece ser fácil, nada é normal, isso é apenas um dos segredos que todos estão escondendo. — Will podia estar falando a verdade, mas também parecia estar me convencendo de que tinha razão e que tinha que confiar nele.
–Estou dentro. Por favor, me ensine o que puder me ensinar, estou cheia. — falei apressadamente para que não voltasse mais atrás caso me arrependesse. — Ou, eu posso ligar pro meu avô agora para pedir alguma explicação... — me levantei exaltada — para pedir que pare de esconder as coisas ou posso ligar pro seu pai para dizer ''Hey voltei dos vivos'' ou me expor ou posso simplesmente sair por aí matando todo mundo ou começar uma guerra nesse exato momento ou por mais vidas em perigos ou expor a empresa para a imprensa ou tentar sumir do mapa deixando tudo para trás o que sooaria um pouco egoísta ou...
–Calma — Will se levantou e pegou no meu pulso para que eu parasse de andar pra lá e pra cá revirando as mãos nervosas. Naquele momento, percebi que estava com falta de ar e aspirei tudo o que podia — Você está vermelha — riu — Você é fofa vermelha, mesmo quando está com raiva — sorriu outra vez — E... tenho o pressentimento que está brava comigo agora.
–Uau, sou tão previsível assim? — ironizei — Estou falando sério, são muitas mentiras. Não posso confiar em pessoas que passam vinte e quatro horas mentindo pra mim.
–Isso significa que você confia em mim? — perguntou e tirei meu pulso de seus dedos.
–Não, não cem por cento. Mas acho que agora você é a pessoa que tem menos mentido pra mim.
Will esboçou um sorriso dócil nos lábios.
–Sabe que posso fazer mais do que apenas te ajudar a encontrar as verdades. — disse em duplo sentido. — Tenho acesso a todos as coisas e mais.
–Oh, eu quase me esqueci que você está bancando o maldito CEO — voltei me sentando no sofá plantando meu rosto nas palmas das minhas mãos. — Passei por tanta coisa que... não acredito. Realmente, não acredito. Acho que se eu ainda fosse a velha Danna, eu estaria chorando.
–Hum, eu gosto da antiga Danna, mas gosto mais da atual, ela está mais interessante e posso fazer coisas com ela que eu não podia antes. — olhei pra cima e ele estava me encarando.
–Não, não pode ok? E pare de me encarar.
–Pessoas bonitas precisam ser admiradas. — levantou o canto da boca.
–E flertar — revirei os olhos — Não acha estranho estarmos aqui? Agora? Quero dizer, você e eu depois de tudo...
–Você e eu, somos reais. Não há nada de estranho, se estamos aqui é porque fomos destinados a estar.
–Você acredita em destino? — perguntei — não acha isso uma baboseira?
–Nada acontece por acontecer. O que você quer fazer agora? Seu... pai...
–Eu não sei, não consigo mais ficar nessa casa mais um segundo. — me levantei e dei o primeiro passo mas logo em seguida me mobilizei e comecei a rir — Não acha isso... irônico? Meu pai já estava morto pra mim, está morto, qual é a diferença que faz agora? — caminhei para fora da casa ainda com risos e cobri meu rosto com as palmas das minhas mãos — Isso me deixa maluca, já estou louca! Louca! — resmunguei e chutei a grama do meu jardim.
–Me responda uma coisa — disse atrás de mim — Por que Dianna Banister existe? — me virei para enxergar as suas expressões e desvendar o que ele queria dizer com aquilo.
–Você sabe o porque — ergui uma sombrancelha.
–Até onde eu sei, é para fugir da sua vida real, uma vida dupla, estou certo? — suas mãos se reconfortaram nos meus ombros.
–Dianna Banister é meu disfarce, para que ninguém me encontrasse. Mas esse plano não deu muito certo pelo que está acontecendo agora .
Will ergueu o seu celular no ar para que eu visse o que estava escrito nele.
–Eu entendo que isso tudo não é fácil e é por isso que levo da forma mais banal possível. Sei que esses dias tem sido infernais para você Danna, fugir da realidade é a maneira mais simples de colocar a cabeça no lugar. Todos estão indo e tenho certeza que você também irá.
Os The Rockers irão se apresentar há noite e parecia que aquela mensagem havia chegado para todos. Fugir depois do que vira há poucos minutos era uma maneira de colocar a cabeça no lugar como Will se referia.
–Peter vai estar lá — disse com sarcásmo.
–Para com isso! Por que você está dizendo isso? — meus gritos faziam ecos nas montanhas ao nosso redor — Pare! Pare pare pare! — o ar começava a ficar fraco e para ajudar, minha boca entrou em ação para puxar oxigênio — Vê? Estou maluca! Se formos pra lá, não acha que iria descontar a minha raiva em alguém?
–Eu não deixaria que isso acontecesse — sorriu mesmo quando meu olhar para ele era mortal — Você nunca leu Alice no país das maravilhas? Os mais louco são as melhores pessoas. Tudo o que tenho dito pra você nesse último mês são verdades. — Will era uma cabeça mais alto que eu e o sol batia em seus cabelos naquele momento, refletindo um doirado para os meus olhos. Mas os raios estavam no lado leste, prestes a se pôr.
Continuei a tranquilizar a minha respiração.
–Que horas? — perguntei
–Vai começar ás oito e meia.
–Então temos tempo. Acha que pode começar a me ensinar agora?
–Ah Danna, eu gostaria de te ensinar todas as coisas. — disse esboçando outro sorriso de malandro.
–//-
Will estava ao meu lado. Agora e no sentido concreto.
Quantas vezes mais ele teria que me provar a sua lealdade? Ele parecia estar decidido a me ajudar. Porém a pergunta que me atormentava era o que você está fazendo? Não era a primeira vez que me pegava fazendo essa medíocre pergunta. E quantas vezes mais teria que repensar e repensar nos meus princípios? Todas as vezes que essa medíocre pergunta chegava aos meus pensamentos. A vingança, nem sempre é como esperamos, mas no momento, eu estava decidida a correr todos os riscos sem pensar duas vezes. Eu tinha coisas para perder, pessoas, mas ninguém sabia disso e ninguém ousaria descobrir.
Deixar tudo para trás é fácil, tão fácil como a soma um mais um, mas tão ludibria quanto parecia. O difícil era viver o presente preso no passado evitando o futuro. Duas coisas quando se colidem quebram, duas coisas frágeis o que nós humanos somos, a colisão pode ás vezes ser tão funesto que a prova de ser algo tão pernicioso é o diamante, tão poderoso, tão resistentem mas que tem seu calcanhar de aquiles, um outro diamante, a matéria da matéria.
O meu futuro não fora selado quando tomei decisões e sim quando dei o meu primeiro suspiro no planeta. Esse era o meu erro, pensar que meu destino estava predestinado desdo início sendo que eu faço ele. Eu o selo, eu o vivo. Talvez as coisas estavam difíceis por distância e do tempo que ficara sem Robert. Porém ainda não engolia o fato de que escondia coisas por trás de mim e que me usava. Isso entalou na minha garganta impedindo que eu tivesse paz. Doía em pensar que a única pessoa do seu sangue lhe traía e que fazia coisas pelas costas. Uma solução estava se formando dentro da minha cabeça, o relógio fazendo tic-tac ecooava nos meus neurônios me fazendo lembrar do pouco de tempo que me restava para calcular um plano.
O tempo, era um ótimo remédio, mas assim como a colisão, ele era ludibria. Teve uma época que ele se tornara o meu amigo, mas acho que ele cortara todas as relações no momento. Meus olhos encaravam uma linha reta para a estrada que rolava para trás, mas eles estavam enxergando outra coisa. O que eu iria fazer? Confrontar o inimigo? Quem eram eles e quantos eram?
–Não tente pensar muito, a sua cabeça pode explodir. — disse ao meu lado desviando o olhar para me observar.
–Por que todo mundo me diz isso? — perguntei me ajeitando na cadeira de couro bege.
–Todo mundo? Então não é apenas eu?
–Meu avô, ele também diz isso.
–Deve ser porque você fica vermelha quando está se forçando muito a pensar. No que está tão intrigada?
–Também queria saber. Ás vezes eu sei exatamente o que eu quero, mas ás vezes um vazio aparece dentro de mim me obrigando a repensar em todas as coisas. É doloroso. — comecei a puxar a pele dos meus lábios para conter o tédio.
–Estou te tediando não é? — disse lendo os meus pensamentos — Você sabe que eu posso parar o carro e fazer a tarde ficar mais iluminada.
–Will, pare. Esse é o nosso espaço, não o rompa. — e ele parou carro — O que você pensa que está fazendo? Não temos muito tempo! — protestei e vários carros que estavam na fila de trás começaram a businar — por favor.
–Você me disse para parar — sorriu sem mostrar os dentes e com um ar de deboche — então eu parei.
–Você me entendeu! — grunhi — É sério, ligue esse carro e vamos seguir com o que planejamos, isso é sério!
–E quem está brincando aqui? Também estou falando sério. Imprevistos são sempre bons, sabia disso? — ele apertou na parte laranja do cinto e se livrou dele.
–O que você está fazendo!? — perguntei arregalando os olhos — Quer levar um chute na bunda? Que você fique sabendo que lixei as minhas unhas antes de ontem.
–Adoraria levar um chute na bunda — Will estava começando a me deixar irritada e agoniada com as suas concordâncias. — Danna, você está com medo de mim? Pensei que fosse badass. — ele riu e fiquei mais irritada ainda — isso foi para uma boa causa. Apenas observe.
–Sério, eu vou sair do carro e te deixar sozinho.
–Eu não estaria sozinho, você estaria. Eu com carro, você sem. Aliás, se quisesse mesmo sair de perto de mim já teria feito isso há muito tempo. — meu rosto se ferveu e senti toda a área se queimar.
Will apertou no botão do painel do carro e um barulho de motor rangeu acima de nós. O teto do conversível começou a se abrir e a se encolher para trás, sem a ajuda de uma mão. Quando o teto ficou completamente desfeito, Will voltou a colocar o cinto e girou novamente a chave.
–É isso? — Ele começou a dirigir e disse aos poucos quando o vento de final de tarde batia em nossas peles.
–Solte seu cinto e se levante.
–O quê? — o som do vento estava abafando a sua voz.
–Se sentir livre e solto no ar é a melhor sensação do mundo!
Ao ver o seu intusiasmo, liberei o cinto e aos poucos fui me equilibrando para cima, encaixei a trava mais uma vez para que me segurasse enquanto estivesse de pé.
O vento parecia devastador naquela altura, Will dirijia á sessenta quilômetros por hora e meus braços se abriram automaticamente para os lados como se fossem asas. Meus fios loiros balançavam como se fossem um véu para trás com a força do vento e ao fechar os olhos, pude finalmente ver o vazio. Nem uma preocupação, nem uma lembrança ou tormento. Era apenas o brilho da luz.
Sorri. Era a libertação para as minhas preocupações.
–//-
O centro de treinamentos era em uma casa triangular na zona das casas do subúrbio. O lugar não era grandioso nem venusto, me lembrava muito a área de Brooklyn. Phoenix tinha uma parte dela pelo que parecia. Depois da cena do carro, meu nível de humor havia subido o suficiente para relaxar as sombrancelhas e as rugas de preocupação que começavam a surgir.
–Melhor? — perguntou enquanto caminhávamos em direção a casa, um ao lado do outro com os passos sincronizados. De certo modo, me sentia bem ao seu lado. Minha mente me conduziu para uma outra série de pensamentos ao me expressar. Peter me fazia sentir bem de uma forma diferente.
–Sim, valeu — lhe agradecer com uma palavra mais formal não era o apropriado no momento.
Will encaixou a chave na porta e uma buzina fez bip duas vezes não muito longe. Nos viramos ao mesmo tempo para checar avistando um carro preto de sete assentos grande parada logo atrás do conversível.
–O nosso garoto chegou — disse sorrindo voltando em direção da caminhonete.
A porta traseira fez um pequeno som ao se abrir e Austin saiu pulando para fora carregando uma maleta preta com adesivos de vespas. Sempre me perguntei o porque desse inseto ser tão importante para ele.
–Oi Danna — disse mostrando os pequenos dentes brancos. Apesar da idade, Austin não era baixo nem alto, tinha no mínimo 1,63 de altura. Ele também era gordinho com as bochechas redondas e rosadas, as mais engraçadinhas que já havia visto. Mas a sua inteligência não se aplicava a isso.
–Oi, obrigado por vir gênio — sorri para ele o cumprimentando dando-lhe um abraço.
–Então esse é o famoso menino nerd... — disse Will logo atrás de mim.
–Então esse é o famoso idiota da bunda branca — murmurou ainda sorrindo. Meu riso saiu sem a minha permissão e mordi os lábios para conter uma gargalhada. Will franziu o cenho confuso.
–Ignore ele — pisquei para Austin e logo estávamos dentro da casa. A sua fachada era totalmente normal, com algumas pedras lisas indicando o caminho para a porta e nas laterais, gramas com flores que cheiravam bem. O tapete de boas vindas indicava que pessoas normais moravam aqui.
Porém era apenas um esconderijo, ninguém suspeitaria.
–Idiota da bunda branca? Será que você tem alguma coisa haver com isso? — perguntou sussurrando no meu ouvido enquanto desciamos uma escada de umalçapão.
–Eu ouvi. E não, Danna não tem nada haver com isso. ''Nerd'' sabe de coisas que pessoas se matariam para descobrir, idiota — mostrou seus dentes para Will e logo desfez o sorriso ao nosso lado.
–Ok camarada, porque sou um idiota? Se ganhei um apelido pelo menos tenho direito de saber — descemos a escada e Will ligou o interruptor iluminando o salão de treinamento. Estava, por incrível que pareça, frio ali em baixo. As luzes brancas batiam nas paredes brancas as fazendo brilhar mais ainda.
–William Mitchell Palmer, você é um idiota. Sei tudo sobre você e você é um idiota. I-D-I-O-T-A. Vo-cê en-ten-de a lín-gua dos Nerds?
–Quer bancar o sabixão né? Você só tem doze anos. — oh ele não devia ter dito isso.
–Acho que já chega não é? Estamos aqui como profissionais, certo? — Austin andou até o outro lado da sala de um tamanho absurdamente grande, maior do que aparentava a casa, se sentou na cadeira de operações e ligou os computadores.
–Mexeu com a Danna mexeu comigo. Sou o único amor da vida dela — ele se virou para me encarar com os pequenos olhos castanhos — não sou?
–Claro que é. — corri para lhe dar um beijo na bochecha.
–Então é esse o problema...
–5...4...3...2...1 — contou Austin — agora o lugar está nas minhas mãos, que belezura — esfregou uma mão na outra animado — Se eu quiser te explodir, eu vou te explodir.
–Por favor Austin, não ameace ninguém. E Will? Não o subestime.
O garoto era apenas uma peça chave para o passo que eu queria dar, e prometera guardar segredo sobre a nossa parceria. Com a sua ajuda, podíamos transformar esse lugar em um verdadeiro centro de treinamento. Antigamente, esta casa era uma base da A.A.S.S. que falhou e que teve que ser evacuado, sendo deletado do banco de dados e substituido como uma casa habitada por uma família chamada McCall.
–Tudo bem, esses computadores estão todos ferrados e sem o software certo, vou precisar de um novo o mais rápido possível, acho que posso mandar a lista pra eles trazerem todas as peças e montar o painel aqui. Vou tentar também fazer um banco de dados único com os mesmos acessos e bloqueio total. Assim que estiver pronto, este lugar ficará um espetáculo. Ah, e eu também vou querer uma pizza.
–Certo. — falei.
–Podemos usá-lo hoje, mas só por hoje, não sei se sobreviveria com ele mais que vinte e quatro horas. Essas latas velhas me deixam agoniado, o máximo que eu posso fazer agora é tirar esse lugar do radar, assim eles não irão descobrir sobre o nosso pequeno segredo. — Austin sorriu. Era arriscado o por em perigo e nessa posição mas o garoto parecia ser imune a todas as coisas, o mundo parecia estar no seu controle. — Agora é com você bunda branca.
–A sua mãe não te deu educação? — perguntou Will.
–Eu não vejo ela desde quando me tiraram de casa — disse sem se importar. Austin não demonstrava reação quando o assunto era família, ele era forte, mas para a sua própria proteção. Família pode ser um talismã para afetar as pessoas.
–Sinto muito por isso — Will disse com um olhar de conforto. Há quando tempo não via a sua mãe? Britt? Não estava com saudades dele?
–Sim, eu sei, você não é o primeiro que me diz isso. Vocês tem exatamente duas horas para fazer o que tem que fazer. A festinha proibida para ''nerds'' está começando agora. Tem uns caras com instrumentos tocando dentro do bar. — falou olhando para a tela do computador. Eu sabia exatamento o que ele estava fazendo.
–São os The Rockers.
–Eu sei Danna. Scott, Chase, Patrick e o cara que você está afim, Peter. Sabe, eu gosto dele, gosto mesmo, mas a família dele está em crise, não que já não estivesse mas o problema não é...
–Ok, já chega, vamos só... começar com isso. — Se eu não o interrompesse, Austin falaria por duas horas ou a noite inteira.
–Desculpe, virou mania. Enquanto vocês fingem que não querem pular um em cima do outro, vou terminar os gráficos do meu jogo novo — ele colocou um grande fone nos ouvidos e começou a teclar rapidamente sem piscar. Austin fazia os seus próprios jogos.
–Eu não finjo. — sorriu o grandalhão ao meu lado — Vamos começar com a defesa corporal, já que não temos nenhum tipo de equipamento certo ainda e assim posso ter contato com você.
–Por favor, leve isso á sério, eu não estou pra piada, eu quero que me ensine tudo o que você sabe ou posso pedir ajuda pra outra pessoa.
–Só mais uma coisa, você não irá achar outra pessoa como eu. — Will se colocou na minha frente e me encarou. Seus olhos penetraram nos meus com facilidade, a barreira que o impedia estava indefesa. Mas no exato momento em que ele entrava mais profundamente, sua mão puxou o meu braço e me fez girar chocando meus ombros contra o seu peitoral. Seu braço se curvou envolvendo o meu pescoço me sufocando. — Nhêê, sempre sonhei com esse momento sabe? Estar te treinando e lhe ensinando. Mas nunca seja um livro aberto perto de um inimigo, para que ele não descubra o seu ponto fraco. — murmurou no meu ouvido, que estava tão próximo de seu rosto e ainda exercendo poder sobre mim — Não derrube a barreira que a torna misteriosa. — tossi me afogando com a minha própria saliva e me soltou.
–Isso é pra me colocar na beira da morte? Eu não consigo respirar!
–Você me disse para levar isso a sério. Isso é o que aconteceria se estivesse frente-a-frente com o seu inimigo de verdade, em um só movimento e suas articulações já eram, e seu pescoço? Quebrado. Das duas vezes que lutamos percebi isso em você e é uma tática que você tem. A sedução é uma arma letal.
Me recuperando, minha respiração voltou ao normal e dei passos para frente até ficar cara-a-cara com ele. O chão era de maderia, o que amortecia um pouco a queda do que se fosse de porcelana.
–Entendi. — rolei meus olhos pela sala apenas o olhando pelo canto dos olhos. — Está quente aqui.
–Um velho truque. Não vou cair nisso — esboçou um sorriso cruzando os braços.
–Não, é sério, estou ensopada por causa do suor. — torci meus braços para dentro da camisa e o passando por cima da cabeça ficando apenas de top.
Segurei a blusa com uma mão e a sacodi, nesse movimento inofensivo, passei a blusa em volta de seu pescoço o fazendo se chocar do mesmo jeito que havia feito comigo. Segurei as pontas da camisa com as duas mãos o deixando preso a mim.
–Um velho truque, me ensine algo que eu não saiba. — Seu pescoço estava na altura dos meus lábios e o meu instinto foi beijá-lo bem ali. Mas meus instintos não dominavam totalmente as minhas ações. Mordisquei-o para conter o meu desejo e sussurrei lentamente em seu ouvido — um só movimento e suas articulações já eram, e seu pescoço? Quebrado. — Soltei-o e seu olhar ao se virar para mim era de surpresa.
–Você é uma boa aluna. Aprende rápido, acho que terei que rever as falhas do procedimento.
–Tem medo de machucar uma dama? Sempre um cavelheiro não? — falei com um velho tom de sarcásmo.
–Sim... sempre um cavalheiro. Mas tem uma coisa que eles não tem medo de fazer. Algo como... — minha primeira reação era fugir, mas Will era rápido e senti uma dor martíria na altura do meu pescoço e logo isso era tudo o que eu sentia. Todo o meu corpo havia sido paralisado e senti-o caindo para trás, minhas pernas, eu não as sentia no momento, nem mesmo as minhas mãos, nem mesmo nada. Will me carregou antes que eu pudesse chocar contra o piso — O que me diz sobre isso? Todos os músculos do seu corpo foram paralisados em um piscar de olho com um simples movimento no local certo.
Tentava desesperadamente falar mas não conseguia sentir a minha boca para isso, e estava começando a me sentir tonta. Will me deitou no chão e com as duas palmas para baixo, uma do lado da outra, empurrou forte o meu pulmão duas vezes seguidas e logo meus movimentos foram voltando aos poucos. Um grande suspiro desesperador saiu de mim descontroladamente a procura de oxigênio, eu queria todo o ar do mundo para mim.
–E sim, é para te colocar na beira da morte. É assim que as coisas funcionam.
Tossi ao tentar formular as palavras na minha boca e bati algumas vezes no meu peito para que parasse.
–Como... — falei fracamente com os braços e pernas dormentes.
–No momento em que desativei os seus movimentos, você teria exatamente quinze segundos de vida, caso ninguém a reanimasse, estaria morta. — Will esticou suas mãos para me puxar e cambaleei para frente me apoiando nele. — O ataque não necessariamente precisa de armas para se ferir o adversário. Desativar as articulações pode ser muito mais mortal que uma bala no corpo.
–Como? — insisti melhorando a voz.
–A veia concentrada bem atrás do seu pescoço — ele dirigiu sua mão até a minha pele, no local em que me fizera ficar paralisada — tem que ser a correta, bem... — passou o dedo ao longo da linha e parou — aqui. — O lugar era bem na curva entre o pescoço e o início os ombros. — Porém a veia é bem escondida e para que ela apareça, espere o adversário posicionar o pesçoco em um ângulo de noventa graus. Preste muita atenção.
Deslizei as minhas mãos para o seu pescoço, no local que ele havia indicado, então propositalmente se posicionou em noventa graus. Afastei meus dois dedos e apertei o local. Nada.
–Você tem que fazer força, isso não funciona se não for forte. — ao terminar de me explicar, tentei novamente e não foi — Forte... — tentei de novo e Will desabou no chão. Foi tão rápido que não pude o segurar. Seus olhos refletiam agonia. Me ajoelhei ao seu lado, parecia saber exatamente o que fazer para animá-lo mas sentia o peso da responsabilidade de sua vida em minhas mãos. Com as duas palmas, empurrei seu pulmão duas vezes seguidas como tinha feito comigo mas não sofreu efeito e tentei novamente agora concentrando toda a minha força nas mãos.
Ele suspirou e uma gota de suor escorreu pelo meu rosto.
–//-
Já era noite, as estrelas circulavam no céu alegremente para mim porque sabiam exatamento o que aconteceria amanhã. Calafrios surgiam quando esse tipo de pensamento vinha á tona.
–Como sabia que eu iria conseguir reanimar você? — perguntei enquanto estávamos em direção do bar. Will havia insistido em me levar porque estava sem carro, mas Austin também me fizera essa proposta, a minha pequena paixonite. Mas era domingo e eu sabia que ele tinha planos, então não queria mais ocupar seu tempo.
–Você não me deixaria morrer — sorriu.
–Will, você só está falando isso porque você está vivo.
–Não, eu estou falando isso porque eu confio em você. A minha hora está chegando mas não será por isso que iria deixar o mundo.
–Você quer que eu confie em você, mas como vou saber o que você está tramando para amanhã? Seu pai estará aqui com mais diabos não sei quem. — levantei meus braços para me exaltar e as relaxei de volta no meu colo.
–Ninguém sabe sobre você além de mim, eu posso te garantir que nada vai acontecer com você Danna, eu não vou deixar, tudo bem? Eu sei do que você quer, mas eu não sei de uma coisa, como você irá fazer alguma coisa sem deixar ele saber que é ?
–Usando Dianna Banister. — retruquei.
–Mas Dianna Banister é só um nome. Danna é real, em carne e osso.
–Eu quero terminar com isso, quero mas tem coisas que me impedem...
–Seu avô não pode mais te dar ordens, você tem as suas próprias escolhas Danna.
E o silêncio começava a reinar no momento em que a última fala foi solta no ar. O dia era para ter sido proveitoso, sem nenhum estresse ou algo que envolvia no assunto ''vida real da Danna''. O que estava vendo era que todos os assuntos, não importavam quais, desde que eu esteja com algum pedaço do passado, tudo voltava para a vida real. Por isso não podia deixar as minhas vidas duplas se envolverem pessoalmente.
Dez minutos mais tarde, o conversível de Will parou em frente ao bar que ficava nas redondezas do pequeno bairro em que Peter vivia. A casa tinha um estilo rústico como muitos comércios nessa região e uma placa com o nome do estabelecimento estava pendurado em cima da porta de vidro.
–Você só vai... parar aqui? — perguntei
–Tenho licença para parar em todos os lugares. — sorriu.
–Ah claro, nada que o dinheiro não possa comprar, certo. Eu também posso fazer isso, comprar uma licença onde eu possa estacionar em qualquer lugar — abaixei o olhar.
–Está competindo comigo para ver quem tem mais dinheiro? — zombou — Isso importa pra você?
–Eu vi minha conta bancária subir seis zeros, o quão assustador isso pode ser? — arregalei meus olhos para ele — para você pode ser normal, mas para mim? Percebi que poderia comprar esse bairro inteiro com esse dinheiro e que poderia mudar o nome dela para Dannatown.
–Não é normal, nem mesmo para mim. Nunca vi muitos números antes porque meu cartão era ilimitado, poderia comprar o que eu quizesse sem me preocupar se a conta iria para o vermelho. George é o presidente do banco central, o quão alto você acha que chega o seu poder?
A parte que eu estava esquecendo. George Palmer tinha altas influências.
Empurrei a porta do carro e a bati com força. Não seria bom se alguém nos visse chegando em um mesmo carro, ou até mesmo juntos.
Subi os degraus até a porta um de cada vez e entrei me deparando com vários alunos do Arcadia High School.
–Tsc tsc tsc tsc tsc — Jimmy fez um barulho com a língua bem atrás de mim — Señorita Banister, quando acho que não tem mais surpresas da sua parte, voilá! Você me vem com outra. — Essa era uma parte da minha vida que adorava — O que está acontecendo entre você e o senhor gostosão misterioso?
–Oi, Jimmy! — Will atravessou a porta logo em seguida fazendo um triunfo com os braços.
–Mitchell Mitchell! — soltei um riso — Como está Mitchell? — continuei a rir em como ele estava forçando a voz para parecer mais grossa e madura. — Eu estava agora mesmo conversando com a nossa amiga aqui sobre o quão bonito você está hoje — Jimmy balançou a sua cabeça positivamente.
–E a nossa amiga concorda com essa idéia? — Estávamos com as mesmas roupas desde hoje de manhã.
–Ah é claro que sim, não é? — ele me cutucou com o cotovelo — Não é Di? — me cutucou de novo. — Vocês sabiam que os The Rockers irão cantar uma música nova? Rolam boatos que a música foi inspirada na nossa amiguinha aqui — e me cutucou mais uma vez. — Acho que invadir aquele parque o inspirou — falou com ar de aprovação.
Olhei para Will e ele não demonstravou nenhum sentimento anormal. Ele era bom, sabia disfarçar, porém eu via nos seus olhos.
–São boatos, só boatos — afirmei.
–Bom, não vamos esperar para ver não é? Reservei uma mesa bem ali — Jimmy apontou para a pequena mesa redonda e alta encostada na parede.
O bar não tinha mesas, mas sim, pequenos bancos altos com mesas redondas um pouco mais altas. O ambiente cheirava a madeira velha e a única coisa que iluminava o ambiente eram as luzes posicionadas no pequeno palco na frente.
–O que você estava fazendo? — perguntei para Jimmy quando nos sentamos um ao lado do outro, murmurando no seu ouvido.
–Sou um máximo não sou? Mitchell ficou fervendo de ciúmes! Amiga, ele gosta de você, está na cara! Tenho as esperanças de que um dia você irá me contar sobre o passado sombrioooo — fez o som de ''u'' estendido — de vocês — piscou.
–Não temos passado, não temos nada, para de ficar achando que temos algo por favor — Dianna nunca teve algo com Mitchell mas Danna teve com o Will. Era apenas uma questão de nome.
–Ah não? Então porque vocês dois chegaram juntos? No mesmo carro como se atrás estivesse escrito ''Recém-casados''?
–Moramos perto e meu carro quebrou no meio do caminho então ele me ofereceu carona, só isso. — Nada melhor que uma mentira fácil.
–Seu carro quebrando no meio da estrada? Aquele carro chique?Por quê eu não acredito em você? — franziu o cenho enquanto eu ainda observava o palco me perguntando onde estavam os quatro integrantes.
–Porque você está obcecado. — Potato foi o primeiro a subir e se posicionou na bateria. — Vai começar.
Duck entrou em seguida, depois Donald e Peter. A visão dele coberto de luzes azuis e verdes me fez querer sorrir, o que não pude evitar. Ele estava mais lívido do que antes, seus cabelos estavam bagunçados mas charmosos. Sua boca tremeu com uma palavra não formada e seus olhos miraram os meus. Peter sorriu para mim e fez um gesto com a mão dizendo ''oi''.
–Boa noite galera! — disse no microfone e ajeitando o vilão pendurado no seu corpo — Obrigado por estarem aqui.
–LINDO! — disse alguém na frente com uma voz que eu não reconhecia de nenhum lugar.
–Obrigado — respondeu.
–Seu namorado tem carisma. — Jimmy soltou do meu lado
–Ele não é o meu namorado Dimitri Slater, pare com isso — olhei furiosa para ele.
–Nossa, disse o meu nome inteiro, me recuso a continuar, cortando as relações com você. — emburrou a cara e se virou para o outro lado.
–An... a música que iremos cantar agora foi inspirada em uma pessoa muito especial, que inclusive está presente...
–ELA ESTÁ AQUI! — Jimmy gritou me surpreendendo mais do que me deixando surda pelo grito. Todos os olhares caíram em cima de mim como se várias setinhas estivessem sobre a minha cabeça. Por instinto, olhei para cima e Jimmy estava com um dedo apontado para mim.
Filho da mãe.
–Pensei que tinha cortado as relações — disse com raiva.
–Mudei de idéia. E eu tinha razão, a música é pra você.
–Essa música se chama beautiful flame.
Peter olhou uma última vez para mim e tocou a introdução da música no violão acompanhado por Potato com as batidas pausadas da bateria.
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''The morning was cold in this hot city
The world began to cry because all you're doing is wrong
The wind told me you were coming
It was white like the snow, It was lucid like a tear''
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''And you came you came you came like a flame
everybody was here to watch you shi-i-ine''
''And you was a beautiful flame, like I never saw
like I never saw before
I was enchanted''
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As batidas eletrônicas começaram a surgir, mas o som do violão ainda estava presente.
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''Oooooh I can't wait for see more blaze
All lit up like goold
It was the color you obfuscates
You are everything I expect to you to be
You are not just a flame to me,
´cause you are the queen between those bees to me''
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–Uau, ele te chamou de rainha — murmurou Jimmy
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''You have lovely eyes,
When I saw you for the first time...you got me paralyzed''
''I like when you smile, and your white tears, with your beautiful lips.
I smile, with you''
''I still have the mark of your lipstick on me
But all I want is a chance to prove that I am good
It'll be not like, before.''
_
''My whole world lights with your flame
When my skin touch yours,
I see the hope inside of me,
I want to make something ours''
''I was enchanted''
_
''Oooooh I can't wait for see more blaze
All lit up like goold
It was the color you obfuscates
You are everything I expect to you to be
You are not just a flame to me,
´cause you are the queen between those bees to me''
_
A batida soou mais rápida agora. Meu coração estava batendo cada vez mais rápido com cada palavra que saia para a linda melodia.
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''I believe in destine, I see something good and real for us''
''And I want you to know,
I'll never ever let they turn off your flame
'cause my whole world lights with her.''
''And I want to be selfish by your side,
hug you kiss you love you''
_
Todo o som foi desligado deixando apenas a do violão e o holofote se concentrou apenas no Peter.
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''Oooooh I can't wait for see more blaze
All lit up like goold
It was the color you obfuscates
You are everything I expect to you to be
You are not just a flame to me,
´cause you are the queen between those bees to me''
''You... you left me enchanted''
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O som parou e todos começaram a aplaudir, incluse eu. A humidade subiu aos meus olhos mas passava as costas das minhas mãos para limpar e a não deixar nada sair.
–Obrigado. — sorriu
Olhei para o lado, para Will, mas ele não estava lá.
Peter e sua banda saíram do palco para uma pausa e antes que as luzes fossem desligadas, uma criatura subiu segurando um microfone.
–Oi — disse — Eu sei que nenhum de vocês me esperavam — todos soltaram um ar de surpresa — mas eu queria cantar uma música, para a mesma pessoa — e o ar de surpresa saiu mais forte ainda, inclusive a minha.
–Espere espere espere, agora isso virou uma competição para ver que ganha o coração de Dianna Banister? É isso? Uau, se Mitchell for tão bem como Peter, eu acho que vai ser um pouco difícil de escolher — suspirou — Você é a garota mais sortuda do mundo, quem dera ter dois bonitos fazendo isso por mim.
Eu também não acreditava no que estava acontecendo. O que Will iria fazer? Cantar? Ele realmente iria arriscar pagar esse mico?
–Posso pedir o violão emprestado por um momento? — perguntou e alguém levou um violão velho e alaranjado para ele. Aquele idiota iria mesmo pagar um mico daqueles. — An... eu sou Mitchell Palmer e essa música define os meus sentimentos para uma pessoa que está na platéia, Dianna.
–UAU! Esse aí é direto! UAU! UAU! — Jimmy não parava de se animar ao meu lado.
Idiota Idiota Idiota! O que você está fazendo? Desce dessa droga de palco! Gritei nos meus pensamentos esperando que ele ouvisse e acabasse com isso.
Os dedos de Will eram longos o que lhe oferecia mais facilidade em tocar nas cordas.
A introdução da música era conhecida, um famoso hit do Coldplay.
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''Come up to meet you, tell you I'm sorry.
You don't know how lovely you are
I had to find you, tell you I need you
And tell you I set you apart
Tell me your secrets, and ask me your questions
Oh let's go back to the start
Running in circles, chasing in tails
Heads on a silence apart''
''Nobody said it was easy
It's such a shame for us to part
Nobody said it was easy
No one ever said it would be this hard
Oh take me back to the start''
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Era impressionante o quanto a sua voz era linda cantando.
Era arrebatador o que ele estava fazendo. Eu não escondia a surpresa em minhas expressões e o que mais me fazia ter o coração partido eram seus olhos se focarem nos meus penetrando neles como sempre fazia e suas linhas do rosto demonstravam a mesma coisa que a frase e a dor dela queria dizer.
A letra dizia que Will queria voltar para o início e começar tudo de novo. Mas será mesmo que daria certo se começássemos desdo início? Será que o destino nos daria outra chance? No dia em que me deparara com ele e Rogers foi um dia agitado. Um dia frio. O ônibus que pegava todas os dias para voltar pra casa sempre se atrasava, mas naquele dia não tinha se atrasado. O banco em que pagava as minhas contas sempre tinha filas que dobravam quarteirões, mas naquele dia, não tinha. A menina que pegava o turno depois do meu sempre chegava dez minutos atrasadas pela ignorante resposta de que o trabalho anterior, o de babá, a atrasava, mas naquele dia, ela não se atrasou. Se todas essas coisas não tivessem acontecido, se o ônibus tivesse demorado, se o banco tivesse filas e se a menina do turno estivessem como sempre estiveram, talvez eu não o tenha conhecido.
Ou talvez eu o conheceria mais tarde, com Eric. Mas teria uma outra visão dele, eu não teria me apaixonado pelo estranho que levara para casa naquela noite da boate, nem falaria com ele. Foi o jeio dele de ser que me atraiu. Somos dois seres humanos com personalidades totalmente diferentes, mas de um jeito curioso ficamos juntos. Will era teimoso, eu também era, mas ele era compreensivo, eu nem tanto. Eu tinha ciúmes, mas guardava para mim, ele tinha ciúmes e de um jeito estranho de me fazer querer ficar ao seu lado. Will era irritante, convencido, entre outras coisas, mas era por essas coisas que eu tinha me apaixonado e que amava. Eu amava, eu o amo. Um mês ao seu lado fez com que esse sentimento ficasse mais agudo e forte.
Will me conhecia. Pelo menos me conhecia o suficiente. Peter conhecia Dianna Banister, não Danna, e nunca conheceria.
Entre todos esses pensamentos com a música ecooando no meu ouvido, me levantei da cadeira, andei até a porta e a empurrei. Não aguentaria estar naquele lugar mais um minuto, não com essa pressão e esses pensamentos me deixando maluca. Eu pouco aguentava lugares em que ele estava.
Eu queria ir para um lugar privado, um lugar onde ninguém poderia me achar. O lugar que eu chamava de casa não era mais a minha casa, não com o meu pai morto e congelado nele. As lágrimas começaram a rolar por todo o meu rosto como um rio sem fim e não tive o trabalho de enxugá-las, queria que elas caíssem no asfalto frio. Eu não tinha nenhum lugar pra ir. Queria ser forte, pensava que essa onda havia passado, porém eu estava enganada. Teria que evoluir muito mais para acabar com essa fraqueza que sériamente me irritava.
Andei até o conversível do Will bem na minha frente e subi nele por estar sem o teto. Antes que alguém viesse atrás de mim fiz a conexão com os fios ligando o carro. Afundei o pé no acelerador e movi o carro para estrada a frente. Eu poderia ficar em um hotel, voltaria para a minha casa só para pegar algumas coisas e ficaria em um hotel, mesmo sabendo que me encontrariam. Eu sabia também que o carro tinha um rastreador, talvez se eu o deixasse no meio da estrada e voltasse metade do caminho a pé para a casa.
Dirigi o mais rápido que pude, passando por sinais e desviando pelos carros, eu não iria ligar se tomasse uma multa, a droga do dinheiro dentro da minha conta podia pagar os danos. Em menos de vinte minutos eu já estava na estrada para subir á casa. Desconectei os fios e comecei a correr para ladeira acima. A estrada dava voltas e voltas até chegar a propriedade.
As lágrimas do meu rosto voavam para trás enquanto minhas pernas trabalhavam, não era longe, não cansava, não quanto o que estava acontecendo. A casa branca aos poucos começava a aparecer na minha visão e meu coração começava a acelerar mais do que estava ao lembrar sobre o corpo. Como podia? como como? Como alguém ficava conservado daquele jeito? Como era possível?
Empurrei a porta que estava aberta para dentro e acendi as luzes.
–Olá filha, sentiu a minha falta?
Me saltei em um susto, meu coração acelerava de um modo desesperador, prestes a ter uma parada cardíaca.
Notas finais
Me desculpem a demora, mas é porque fiquei sem nenhum tempo mesmo e aos fins de semana eu só tinha domingo como pausa :{ Sorry
Vamos para o halloween! O/
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