Audaciosos - Interativa

8 Dias Ruins Vêem á Tona


Notas iniciais
Enfim, cap concluído agora!
Bom, ele foi inteiro pra Sarafine, mas não fiquem chateados que os seus personagens também terão cap assim!
Até os próximos!

– E se ela nos encontrar? — Sarafine murmurava, com a respiração entrecortada pelo beijo. Kyle sorriu, zombateiro, ainda com os lábios pressionados contra os da garota.

– Não vai.

Ela se afastou levemente, encarando as expressão do rapaz.

– Quem te garante isso? Ela pode estar atrás desta porta neste exato momento — Disse, apontando para a entrada do alçapão escondido, perto do abismo, onde os dois iam ás escuras quase todas as noites. Kyle afagou os cabelos da mesma com mais intensidade e aproximou seus rostos.

– Eu sei porque ela não desconfiaria de mim. — Ele sorriu, sedutor, desferindo-lhe outro beijo faminto.

– Se eu fosse sua noiva, do jeito que te conheço bem, desconfiaria. — A garota saiu do colo do loiro, passando as mãos nervosas pelos cabelos — Quer saber? Já chega com essa mentira toda. Não posso ficar saindo com você todas as noites. Muito menos agora, que está prestes a se casar.

– E quem liga para casamento? — Kyle agarrou seu pulso e chocou o corpo de Serafine contra seu peito — Eu gosto é de você. De vir aqui com você. Casamento é só detalhe.

– Detalhe de uma vida inteira, Kyle — Ela tentou se soltar, mas o rapaz era dez vezes mais forte. — E além do mais, eu não gosto de você. Apenas de vir aqui com você. Isso sim é um detalhe, então, faça-me o favor de me deixar ir!

Kyle a encarou friamente como resposta, enquanto ela se debatia em seus braços, tentando se soltar. Ele a empurrou contra uma parede revestida por heras e a agarrou com violência, tapando sua boca com a mão.

– Mmmh!

– Se é isso que você prefere, Sarafine, tudo bem. — Sua voz rouca e sussurrada fazia cócegas nas orelhas da garota — Mas se você abrir a boca para espalhar o que fizemos aqui, eu juro, que te faço se arrepender no mesmo instante.

A pressão contra os lábios de Sarafine se esvaiu e Kyle deixou a saleta, fechando a porta de metal com cuidado. A garota suspirou aliviada, mas em seguida escorregou as costas até o chão, arranhando sua camisa preta de algodão. Choramingando.

No que eu me tornei? — Questionava si mesma, todos os dias desde aquela noite. Desde que Ayden a olhava daquele jeito estranho, toda vez que um veterano encrenqueiro acenava para a mesma. Desde que virava garrafas de uísque sem dó, como se tivesse feito aquilo a vida inteira. Desde que ficara com muitos, como Kyle, mesmo quando eles já estavam comprometidos. Desde que teve de olhar na cara da noiva traída pela mesma e tiver coragem de mentir.

Desde que pulou daquele prédio e se escondeu de Ayden, para que ele não a visse com os outros veteranos que a arrastavam para o fosso, onde provavelmente se embebedariam.

Sarafine engoliu o gosto da cerveja com uma careta de remorso.

Ele não tem culpa nenhuma das burradas em que me meto.

– Ei, Sara Fina! — Uma voz debochada ecoou ao seu lado. Ela empurrou o líquido alcóolico garganta abaixo e fez uma expressão irritada.

– Já disse para pararem de me chamar assim.

– Oh, desculpe, madame — A garota de cabelos azuis soou debochada — Eric está te procurando, e eu acho melhor ir logo antes que ele te expulse da iniciação.

– Ele não faria isso — Mesmo depois do dito, Sarafine se levantou por prevenção. Não duvidava do que Eric era capaz de fazer quando irritado.

– Ah, pode crer que faria e fará se não se apressar.

– Tudo bem, já estou indo. — Mesmo sob a fadiga, ela seguiu o rumo até o fosso, onde Eric, Híria, Zeke e Quatro estavam recepcionando os iniciados. — Não me veja, por favor, não me veja — Murmurava, enquanto se esgueirava pelas brechas da multidão, na esperança de não ser pega chegando tão atrasada.

– ... Bom, já que vocês, transferidos, já sabem todo o perímetro da nossa Facção, irei mostrar os seus dormitórios. Por favor, me sigam — Híria prosseguiu, enquanto uma leva da multidão se desprendia e seguia caminho para o outro lado. Então eles já visitaram o abismo e o refeitório. Já jantaram, até. Sarafine bufou, não que estivesse com fome, mas um pedaço de bolo era sempre bem-vindo em seu estômago.

Ela já imaginava que tinha se safado, porém Eric encontrou de súbito seus olhos e ela instantaneamente soube que estava ferrada.

– Enquanto á vocês, nascidos aqui, não terão vantagem nenhuma. Irão ficar em dormitórios também, sem regalias de dormirem nos próprios compartimentos. — Zeke disse. Uma onda de murmúrios de revolta preencheram o lugar, mas ninguém se opôs. — Vocês vão calar a boca ou vou ter que faze-lo por mim mesmo? — Os murmúrios cessaram ate o ponto do mais completo silêncio — Bem melhor. Enfim, Eric irá guiar vocês até seu novo confinamento, a introdução da iniciação começará, de fato amanhã. Por isso acordem cedo se não quiserem se juntar aos sem-facção.

Eric deu um passo á frente, gesticulando com a cabeça para o restante dos iniciados o seguisse. Sarafine se espremeu em toda brecha possível, tentando se camuflar. Uma mão áspera e máscula agarrou seu braço e a mesma soltou um grito abafado. Eric não iria deixar sua ausência passar em branco. Virou-se receosa, os nós dos dedos esbranquiçados, mas ao invés de encontrar aquele par de olhos intimidadores e ornamentados por piercings, encontrou os de Ayden. Ele tinha as sobrancelhas curvadas de maneira acusativa e brava. Sua boca era uma linha reta de amargura. Ele com certeza deveria estar preocupado, mas sua expressão mais parecia irada.

– Posso te explicar... — Ela começou, mas ele a cortou.

– Não quero mais saber — Disse, soltando seu braço bruscamente, em um baque surdo — Você iria mentir de qualquer maneira, assim como seus amiguinhos veteranos. Prefiro não saber de nada do que ficar fingindo me contentar com suas mentirinhas.

E avançou no meio dos outros audaciosos, sumindo, deixando uma Sarafine acuada e estática para trás. Finalmente chegaram á entrada do dormitório, e todos começaram a adentrarem no cômodo e se jogarem nas beliches, fazendo algazarras.

Enquanto caminhava para sua cama, pensou que mais nada poderia estragar o seu dia, quando a cena da mão agarrada ao seu braço se repetiu. Dessa vez, olhos marrentos e sádicos a encaravam de volta. Eric sorriu, peverso.

– Temos umas coisinhas para conversar, senhorita Sarafine.