Até que ponto é fantasia
11 Um bei...
Notas iniciais
— O que é um Len? — “Um deles pergunta encarando-a com seus grandes e curiosos olhos esverdeados que ficam mais azulados quando ele sai da sombra e se aproxima. ‘As fotos… Isso explica muita coisa.’ Pensou a princesa reparando que alguns deles pareciam ter olhos azuis e outros até mesmo acinzentados. Ela senta na cama”.
— Eu te confundi com um amigo meu. Hm… Prazer em conhecê-los. — “Sorri achando-os muito fofos”. — Posso tentar adivinhar quem vocês são? — “Pergunta com a impressão de que tinha visto isso em algum lugar”.
— Pode. — “Diz o único que usava óculos”.
“Sete pares de olhos azul-esverdeados a encaravam enquanto ela os analisava. Mesmo tendo literalmente a mesma cara, cada um se vestia e agia de um jeito diferente. Ela aponta para o de óculos de grau”.
— Você deve ser o mestre.
— Exatamente. — “Ele sorri”.
— E você o Feliz! — “Sorri para o que mais ria”.
— Isso e ele é o Dunga. — “Aponta para o menor deles que olhava distraído para o outro lado do quarto”.
— E você, o Soneca. — “Olha para o que se espreguiçava”.
— Oi? — “Dunga volta a aprestar atenção fazendo os ‘irmãos’ rirem”.
— Isso… Mesmo. — “Soneca Boceja”.
— Você o Dengoso e você o Atchim. — “Aponta primeiro para o que não parava de fazer e desfazer nós na barra da blusa e depois para o que esfregava a ponta do nariz avermelhado”.
— Acertou. — “Dengoso olha para o chão corando um pouco”.
— E você com certeza é o Zangado. — “Ela balança a cabeça”. — É igualzinho. — “Ri lembrando-se de Len bravo”.
— Ótimo! Todos sabem quem nós somos, mas quem é você? — “Zangado vira os olhos com os braços ainda cruzados”.
— L… Branca de Neve. — “A princesa parecia não saber o próprio nome. Ela contém a súbita vontade de revirar os olhos”.
— Por que está aqui? — “Pergunta Mestre”.
— Tive que fugir. A rainha queria me matar por inveja ou algo do tipo. E-eu realmente não entendo. — “Ela solta os cabelos amassados observando Soneca que quase dormia”.
— A rainha? — “Atchim pergunta aproximando-se”.
— Ela é uma bruxa! — “Diz Zangado”. — Você precisa sair daqui agora, ela pode mandar o reino inteiro atrás de você se quiser.
— Mas eu não tenho para onde ir. — “Ela abaixa a cabeça”. — Ela acha que estou morta. — “Olha para todos eles”. — Pelo menos por um dia…
— Mas, ela tem que ficar aqui! Está muito tarde para sair. — “Feliz olha bravo para Zangado”.
— A rainha não sabe onde ela está. — “Completa Dengoso”.
— Você pode ficar o tempo que quiser, mas terá que cuidar da gente.
“Mestre diz com a voz bem clara depois de conseguir chamar a atenção de todos que logo voltaram a cochichar pensando na garota limpando, lavando, passando e cozinhando para eles. Ela franze o nariz e limpa a garganta chamando a atenção deles”.
— Eu também posso pedir uma coisa?
— Lá vem ela com condições. Mulheres… — “Zangado vira os olhos”.
— P-pode. — “Diz Mestre. Ele sempre se enrolava quando tinha que decidir algo relacionado às escolhas de outra pessoa”.
— Eu concordo em cuidar de tudo, desde que vocês me ajudem também. Se todos nós trabalharmos juntos aposto que o resultado sairá cada vez melhor. Perto da hora de vocês voltarem, por exemplo, eu farei o almoço e quando terminar vocês me ajudarão com a louça. Podem pensar sobre isso, podem?
— Vamos pensar. — “Diz Feliz abafando a pequena discussão dos garotos”.
— O que você sabe cozinhar? — “Pergunta Dengoso apertando as próprias mãos”.
— Sei fazer bolos, geleias, várias sobremesas e… — “Fica surpresa por se lembrar de receitas que nunca tinha aprendido”. — Também ensopados, assados, tortas, pudins…
— Ela fica! — “Todos dizem ao mesmo tempo”.
— Muito obrigada. — “Impulsiva, como sempre, ela os abraça”.
“Ela se afasta deles notando que Atchim estava muito vermelho. Tocando na testa dele, ela percebe que ele estava realmente quente, mas ele não era de admitir essas coisas”.
— Deve ser nada. — “Atchim encosta o queixo no joelho dela. Estava com um sono…”.
— Talvez… Mas vou fazer um chá e manhã preparo uma canja para você.
— Onde ela vai dormir? — “Dunga pergunta depois que todos entraram na cozinha”.
“E assim a princesa passou a cuidar de todos eles. Logo cedo eles saiam para garimpar, voltando pouco antes do anoitecer. Quando chegavam, o jantar estava preparado com capricho, todos a ajudavam ganhando tempo para descansarem e conversarem bastante. A cada dia gostavam mais e mais da presença dela, principalmente quando pararam de reclamar enquanto a ajudavam nas tarefas”.
— Eu estava aqui pensando… — “Mestre senta ao lado dela”. — Você precisa tomar muito cuidado com a sua madrasta.
— Mentiras têm pernas curtas… — “Dunga sussurra fazendo drama pouco antes de derrubar e tropeçar na blusa que segurava”.
— Poderosa do jeito que ela é… já-já descobre que você está aqui. — “Mestre o ignora, estava acostumado com as trapalhadas dele”.
— Eu sei. Obrigada. — “Ela repara que todos eles estavam à sua volta. Ela achava um tanto estranho conviver com, como diria, miniaturas do ‘Len’ ao seu redor. Tantas vezes nesses dias eles quase a deixaram maluca… Mas agora até que estava acostumada”.
— Nunca deixe estranhos entrarem na casa. — “Alerta Feliz”.
— Podem ser cúmplices dela. — “Diz Atchim”.
— Vamos todos dormir! — “Soneca faz manha abraçando um travesseiro”.
— Tá bom… — “Todos concordam, mas Zangado fica para trás”.
— Não quero que você se machuque. — “Fala encostado na porta, Ele tentava soar indiferente apesar do que dissera”.
— Obrigada por cuidar de mim. — “Ela sorri e ele sai carrancudo para o quarto”.
“Na manhã seguinte, eles seguiram a mesma rotina, porém ela estava sendo um pouco mais cautelosa. Como não tinha muita coisa para fazer, decidiu tirar um cochilo.”
— Lindas coisas para vender por um ótimo preço. Alguma bela moça quer comprar? — “Repete pelo menos três vezes e bate na porta antes da princesa finalmente acordar”.
— Oi? — “Pergunta Branca de Neve, ainda muito sonolenta, pela janela da cozinha”.
— Tenho bons produtos para vender, estaria interessada? — “Sorri a senhora de roupas e rosto um tanto sujos”.
— Eu te conheço? — “Pergunta se aproximando, mas a velha se afasta”.
— Não nos conhecemos. Eu me lembraria de uma jovem tão bela. — “A vendedora a bajula. Branca de Neve pensou que talvez tivesse uma ponta de inveja no fim da frase”.
— O que a senhora está vendendo? — “Pergunta por educação”.
— Belíssimos corpetes. Tenho em todas as cores. Esse vermelho ficaria maravilhoso em você, realçaria seus lábios. — “Sorri”. — Vamos, deixe-me entrar para ajudá-la a experimentar.
— Não, obrigada, estou sem dinheiro. — “A princesa sorri deixando-a com cara de taxo”. — Tenha um bom dia. — “Boceja fechando a janela”.
“Pouco antes do anoitecer os sete voltam carregando pedras preciosas brutas”.
— Que bom que voltaram bem. — “Branca de Neve beija a bochecha e recolhe o casaco de cada um”. — Está quase pronto, podem ir tomando um bom banho. Esquentei a água para vocês.
“Mesmo reclamando todos aproveitam. Logo depois de cuidarem da louça, eles trataram as pedras e Mestre as lapidou fazendo belas joias. Às vezes ele pedia sugestões para a princesa e destas eram as de que mais gostavam”.
“No próximo dia eles saíram um pouco mais cedo para garimpar. Branca de Neve, imaginando que voltariam para o almoço, resolveu caprichar no ensopado e sobremesa. Chegou a preparar um bolo e uma torta sabendo que sobraria nada”.
— Veja se não é uma bela moça. — “Diz a senhora”. — Você poderia me entregar um copo de água ou vinho?
— Aqui está! — “A princesa entrega um copo cheio e debruçada na janela a observa bebendo”.
— Muito obrigada. — “Devolve o copo se aproximando”.
— Você também veio aqui ontem, não? — “Pergunta Branca de Neve”.
— S-sim. — “Murmura surpresa. Havia trocado de roupas e achou que a princesa não a reconheceria”. — Seu cabelo está todo bagunçado. — “Ela comenta”.
— Sério? — “Branca de Neve tenta ajeitá-los”.
— Deixa que eu te ajudo. — “Ela tira um lindo pente de sua cesta e os passa sobre as pontas dos cabelos da garota”.
— Ops! — “Ela quase caí pela janela no momento em que a velha iria encostar o pente na raiz de seus cabelos”. — Acho que assim está bom. — “Sorri”. — Obrigada.
— Tudo bem. — “Ela dá um sorriso amarelo”. — Acho que devo ir agora. Pena que não tenho o que fazer com essas maçãs… — “Dessa vez estava preparada. Ela tira uma maçã encantadoramente cheirosa de sua cesta”.
— Como assim preparada? — “A princesa sussurra ao nada sentindo água na boca ao ver aquela maçã”.
— Tenho tantas delas. Você quer uma? — “Estende a maçã”.
— Não, obrigada. — “Ela morde o lábio”. — Acabei de almoçar.
— Então é uma sobremesa. — “Ela ri”. — Vamos… Está achando que está envenenada ou algo assim? Que bobagem…
— Não, na verdade…
— Vamos fazer assim, eu te dou essa metade como forma de agradecimento. — “Ela parte a maçã ao meio com uma faca”. — Pode provar. — “Dá uma mordida em sua parte, cuja casca era bem mais amarelada do que a parte rubra que oferecera à moça”.
— Tudo bem. — “Ela sorri e engole um pedaço da maçã envenenada”. — Envenenada!? — “Tenta dizer, mas a voz mal sai. Ela solta a maçã que cai para fora da janela e se segura na pia”.
— Vamos ver se agora a resposta do espelho muda. Ele nunca mente, por isso mesmo acreditei quando ele me disse que você ainda estava viva. Mandei te encontrarem e olha só… — “Observa a princesa se engasgando mais e mais até cair no chão sem respirar”. — Agora voltarei a ser a mais bela de todas. — “Gargalha voltando à sua postura ereta”. — Você não quis comprar meu corpete, quase consegui lhe envenenar com aquele pente, mas com essa maçãzinha… — “A rainha suspira, estava tão contente. Ela vai embora com o coração sossegado, confiante de que Branca de Neve nunca mais atrapalharia sua vida”.
“Pouco tempo depois os sete voltam para casa. Eles estranham o fato de Branca de Neve não recebê-los na porta como sempre fazia. Tentaram abri-la, mas estava trancada”.
— Ela deve estar dormindo. — “Propõe Soneca”.
— Quem sabe brincando com a gente. “Diz Feliz”.
— Brincadeira de mau gosto, isso sim. — “Resmunga Zangado”.
— Dá-se um jeito. — “Mestre cutuca Dunga”. — Venha, pegue a chave do batente.
— Sim, senhor. — “Dunga o escala quase pisando em seu rosto ao invés dos ombros”
“Escutam a chave de dentro cair do outro lado da porta. Quando entram eles a recolhem reparando que o único barulho por ali era o do caldeirão fervendo o ensopado”.
— Será que aconteceu alguma coisa? — “Atchim esfrega o nariz”. — A rainha pode ter sequestrado a princesa!
— Não, a porta estava trancada por dentro. — “Zangado cruza os braços”.
— Branca de Neve, onde você está? — Pergunta Dengoso.
“Eles ficaram aterrorizados ao vê-la caída no chão da cozinha. Ela estava tão imóvel que qualquer um diria que estava morta. Tentaram ouvir seu coração ou respiração, mas não ouviam. Procuraram por alguma coisa que pudesse tê-la envenenado, mas nada encontraram”.
— Ela parece estar tão viva! — “Dunga soluça, chorando desajeitado”.
— Mas as mãos dela estão esfriando. — “Feliz deixa as lágrimas rolarem”.
— O que faremos agora? — “Os olhos de Zangado ardem enquanto a ajeita”.
— Não podemos enterrá-la. — “Mestre começa a chorar seguido por todos os outros”. — Precisamos fazer alguma coisa…
“Eles imediatamente constroem um caixão de vidro. Quando pronto eles o colocam em uma clareira da floresta e deitam-na lá dentro, fazendo parecer que estava dormindo enquanto, parados à sua volta, todos choravam por ela”.
— Parem de me seguir! — “Pede o príncipe pela centésima vez”.
— Mas príncipe… — “Tenta em vão segurá-lo”.
— Eu já disse. — “Ele desvia de uma árvore”. — Não vou voltar agora. — “Acaricia seu cavalo, graças ao movimento dele que tinha esquivado”.
— Vossa majestade disse que cortaria nossas cabeças se não fizéssemos nosso dever! — “Fala o mais novo deles”.
— Eu não preciso de mais duas sombras, já tenho uma, não? — “Ele bufa andando um pouco mais rápido, pensando em cavalgar”.
— Mas é perigoso! — “O primeiro tenta argumentar”.
— Só se vocês ficarem me distraindo. — “Ele tropeça”. — Viram!
— Vamos… Já está quase anoitecendo! — “Diz o mais velho”.
— Dá no mesmo. — “O príncipe dá de ombros”. — Deve ter uma casa por aqui.
— Não vemos uma há quilômetros.
— Eu não quero morrer! — “Sussurra o outro”.
— Se vocês parassem de falar eu agradeceria. — “Vira os olhos tentando escutar o riacho às suas costas”. — Ainda não fui por aqui. — “Sentia que deveria procurar na floresta”.
— Por isso mesmo que… — “Os dois param de andar”.
— O que aconteceu? — “Ele para seu cavalo estranhando o primeiro silêncio em horas de viagem”.
— Uma clareira não muito longe. — “Diz o mais velho”.
— E… — “Bufa impaciente”.
— Parece que têm um monte de crianças envolta de alguém deitado numa cama com flores em volta. — “Completa o outro”.
— Como assim? — “O príncipe dá um passo”.
— Acho que você não deveria…
— Mas vou. — “O príncipe se aproxima sem deixar que o impedissem”.
— Droga. — “Diz o mais velho. Ele não tinha escolha a não ser segui-lo”.
— Isso mesmo! — “Sorri para o serviçal que se engasgava com sua adivinhação”. — Agora me diga se dá para ver quem é.
— É uma garota. E nossa, ela é linda!
— Como ela é? — “O príncipe fica preocupado”.
— Cabelos escuros, bochechas rosadas, pele muito, muito clara…
— Branca como a neve? — “Ele sente o coração acelerar”.
— Boa observação. — “Aponta, mas logo franze o nariz”. — Espera… — “Olha confuso para o príncipe cego”.
— Fiquem aí e não espiem. Isso é uma ordem. — “Soa firme o bastante para não ser contestado”.
“O príncipe anda em direção à moça sem hesitar. Apenas para quando encosta os joelhos nas costas de uma das crianças, esta era a única que não o viu se aproximar e quando o faz, limpa o rosto na barra da roupa dele”.
— Q-quem é você? — “Pergunta Mestre de longe”.
— O nome dela é Branca de Neve? — “Ignora a pergunta tocando o objeto a sua frente. Estava confuso por sentir o vidro na borda da suposta cama”.
— Sim. O que você quer? — “Ralha Zangado com sua voz meio rouca”.
— Nos diga o que faz aqui? — “Pede Soneca”.
— Espera, isso são nomes? Nossas vozes estranhamente se parecem… — “Sacode a cabeça voltando a pensar no que importava”. — Procurei por ela por muito tempo. Ela está bem? — “Seu coração batia forte por causa daquela situação estranha”.
— Claro que não, ela está morta bem na sua frente! Ela não decidiu tirar um cochilo dentro de um caixão. — “Ironiza Zangado”.
— Como assim? — “Ele desliza a mão pela minúscula borda de vidro parando perto de seu rosto”.
— Quer que eu desenhe!? — “Volta a falar”.
— Ela não pode estar morta. — “Ignora tocando a mão fria da garota”.
— É… ela parece tão viva! — “Lamenta Dengoso”.
— O que aconteceu com ela? — “Pergunta sentindo a garganta fechar”.
— Nós não sabemos. Quando chegamos do trabalho ela estava morta. Achamos que foi alguma bruxaria da rainha. — “Mestre esclarece”.
— Cheguei tarde. — “Suspira ao confirmar a falta de pulso”. — O que acontece agora? … — “Sua voz soa estranha. ‘Ela não pode estar morta…’ Ele engole em seco”. — Vocês podem me deixar levá-la?
— Você é um príncipe, certo? Não vá achando que vamos trocá-la por dinheiro. — “Briga Zangado. Ele era o único que mesmo naquele estado continuava reagindo rápido”.
— Por favor. — “Tenta olhar para cada um deles”. — Ela é muito importante para mim. — “Seus dedos envolvem a pequena mão dela”. — Não posso simplesmente deixá-la aqui…
— Você a conhece?
“Dunga se levanta puxando o braço do príncipe despreparado que quase cai em cima dela. Com o movimento ele tem um flash da história. Lembrou-se de sua prima contando que príncipe beijava a princesa morta”.
— Claro que sim. Prometi que nunca desistiria de procurar por ela. Bom… Talvez eu deva tentar… — “Ele murmura corando violentamente. Coloca uma de suas mãos na bochecha levemente morna da moça deslizando-a para os macios lábios dela e se inclina selando-os com os seus”.
— Se for magia… — “Feliz se aproxima esperançoso”.
“O príncipe separa os lábios dos dela, mas nada acontece. Ele toca o braço dela percebendo que sua temperatura parecia ter caído mais ainda. A decepção ficou tão clara em seu rosto…”.
— Eu sinto muito, por um momento podia jurar que funcionaria. — “Ele se afasta dela. ‘A carta não falava sobre mortes nas histórias…’ O incômodo em sua garganta apertou. Aquilo não podia estar acontecendo”.
— Pode levá-la. — “Mestre se aproxima”.
— Vimos que você foi sincero. — “Zangado abaixa o olhar”.
— Ela também é importante para você. — “Dengoso evita encará-lo”.
— Vamos dizer adeus.
“Os sete se aproximam da princesa. ‘E se ela morrer de verdade?… Eu falhei’ Pensou o príncipe angustiado enquanto eles beijavam a mão dela. Depois de tamparem o caixão ele acena e os dois serviçais se aproximam”.
— Vamos levá-la para casa. — “Diz sem emoção na voz tocando a tampa de vidro”.
— Nós dois carregaremos. — “O mais velho o bloqueia. Os dois servos tentam erguer o peso dela, do vidro e do ouro com bastante dificuldade”.
— Eu ajudo. — “Diz firme segurando do lado do mais novo”.
“Juntos, os três a erguem com facilidade e se afastam do centro da clareira, mas por causa de um tranco que eles deram o príncipe tropeça e o caixão quase cai. Eles colocam o caixão de volta no chão preocupados”.
— Eu não disse? — “Olha para o arranhão no braço do nobre”.
— É perigoso para você. — “O mais novo imita o tom do mais velho”. — Você está vermelho, o que foi?
— Não. Não é mais perigoso para mim do que para vocês. — “Ele respira fundo várias vezes”. — Eu posso ter chegado tarde, mas não vou ser inútil até nisso. — “Eles não viam muito de sua expressão”. — Vivo dizendo para avisarem quando forem parar.
— D-desculpa. — “Curvam-se ao mesmo tempo. Para eles era como se a qualquer momento fossem ser executados por algum nobre possesso”.
— Já disse para não dramatizarem tanto. — “Vira os olhos e suspira imaginando que ela estaria toda torta”. — Como ela est…
— Onde estou? — “Pergunta Branca de Neve depois de abrir a tampa e cuspir o pedaço de maçã envenenada”.
— Que bom que você está viva! — “O príncipe a abraça aliviado sentindo-a tremer de frio. Quando percebe o que fez ele se afasta colocando a própria capa nos ombros dela”.
— Você acha que eu daria um jeito de suportar seus “sete humores” para morrer logo depois? — “Ela sorri”.
— Sete humores?
— Os sete anões, garotos, mini Lens… — “Ela sorri olhando para os olhos dele”.
— Droga… — “Ele bufa virando o rosto para o outro lado. Nem tinha percebido… Mas era um alívio, pelo menos ela não teve a reação que ele temia. A princesa faz uma cara estranha, mas logo dá de ombros e levanta”.
— Eles devem estar voltando para casa. Vamos atrás deles!
“O príncipe assobia e o cavalo vem até eles. Deixando os serviçais, ainda calados e confusos, eles cavalgam encontrando os sete na frente da casa. Quando a veem, todos a abraçam muito felizes”.
— Que estranho… Parece que eu sei onde as coisas estão aqui… — “O príncipe entra na casa atrás deles desviando de tudo o que estava no caminho. Aquela história de que os sete também eram ele começava a fazer sentido”.
— O que aconteceu enquanto eu estava “morta”? — “A princesa pergunta quando todos sentam no chão da sala”.
— Procuramos alguma coisa que pudesse ter feito isso e nada. — “Fala Mestre”.
— Ficamos em volta de você na clareira o tempo todo. — “Dengoso mexia nos cabelos dele”.
— Parecia que você estava dormindo. — “Soneca suspira”.
— Aí chegou esse Sujeito. — “Diz Zangado”.
— Ele pediu para levar você. — “Diz Atchim pouco depois de espirrar”.
— Ele gosta tanto de você! — “Comenta Feliz”.
— Aí ele bei… — “Dunga começa a falar, mas o príncipe tampa a boca dele antes que terminasse”.
— Bei? — “Branca de Neve encara o príncipe confusa”.
— Nada. — “Ele desvia o olhar soltando Dunga para balançá-lo no colo feito criança”.
— Beijou você! — “Completa Dunga sorrindo com uns dos dentes da frente faltando”. — O-o que f-foi? — “Pergunta com os olhos cheios d’água ao sentir os olhos do príncipe perfurarem sua alma”.
— M-me beijou!? — “Ela fica quase roxa”. — C-como assim Len!???
— Desculpa te enjoar. — “Ele vira o rosto ficando pálido”. — Foi necessário, pensei que isso quebraria o feitiço.
— E-eu não estou enjoada… Você não… É-é outra coisa. — “Ela evita olhar para ele. Aquilo era muito estranho, ela se sentia perdida”.
— Então é o que? — “Ele e Dunga perguntam ao mesmo tempo”.
— N-não quero falar disso agora. Nós precisamos fazer uma festa no seu castelo para resolvermos tudo de uma vez. — “Ela levanta de uma vez só”.
— Mas…
— Por favor… Não vamos falar disso agora. — “Ela estava aflita”.
“Eles vão para o castelo. Todos extremamente surpreendidos por, no ponto de vista deles, ele ter ‘se arranjado’ com uma princesa herdeira. Fizeram os melhores preparativos para a grande festa”.
— Por que você convidou sua madrasta? — “O príncipe tenta dar um nó de gravata naquele lenço esquisito”.
— Por que em uma das versões é isso que acontece. — “Ela arruma para ele rindo”. — Isso não funciona como uma gravata.
— Eu já estou pronta. Vamos. — “Branca de Neve coloca a mão dele sobre seu ombro”.
“Quando os dois descem algo parecido com o que acontecera no baile do castelo da rainha se repetiu. Todos os encaravam e cochichavam entre si. Ignorando os olhares, serviram-se de um grande banquete e passaram um bom tempo evitando falar sobre certas coisas”.
— Ela chegou. — “A princesa olha sua madrasta, impecavelmente vestida, entrar pelo salão”.
— Vamos cumprimentá-la? — “O príncipe fica de pé”.
— Precisamos.
“Ao vê-la a rainha fica horrorizada. Branca de Neve estava vestida com muito menos extravagância do que ela. Seu vestido azul marinho realçava seus lábios rubros e bochechas cada vez mais rosadas. Sua pele branca estava exposta em seus ombros e busto, enquanto seus cabelos escuros se reuniam a eles dando tanta vida aos seus olhos castanhos que perecia loucura. Definitivamente ela a superava na beleza como o espelho lhe dissera”.
— Parece que você já fez o bastante, não? — “Pergunta a princesa levando-a ao jardim”.
— Então acabou se arranjando com um príncipe? — “A rainha aponta para ele que, por algum motivo desconhecido por Branca de Neve, estava bastante distante e até corado”.
— Exato. — “Ele soa firme”. — E não vou deixar você se aproximar dela com toda essa sua inveja.
— Inveja? — “Ela ri com deboche”. — Só porque a cada dia ela se torna mais bela e eu mais velha?
— Só você se importa com isso. — “Branca de Neve suspira”. — É a vida. Você não está feia. Por que querer ser a melhor em uma coisa que vai embora?
— Assim eu sou eterna. — “Ela ri orgulhosa”.
— Eterna? Você ainda não percebeu que o que importa é o que as pessoas são, não como elas se parecem. Está nos olhos, não no rosto.
— Muitos acham que eu deveria te punir agora. — “Continua Branca de Neve rosada”. — Mas o tempo fará isso e vai levar o seu tipo raso de beleza junto e francamente espero que alguma coisa verdadeira sobre. Agora vá embora com todo esse seu orgulho e nunca mais apareça em nosso reino.
“Eles voltaram contentes para o salão. Nunca mais precisariam se preocupar com a rainha má que foi arrastada para fora por alguns guardas por se recusar a sair. Cuidariam do reino do pai da princesa assim que a rainha se retirasse, já que o príncipe não pretendia tirar o trono de seu irmão do meio. Depois da festa, cavalgando junto ao pôr do sol, eles iriam para a festa de verdade na pequena casa perto da clareira da floresta”.
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