Notas iniciais
⚠️ Aviso de direitos autorais Miraculous Ladybug e seus personagens originais pertencem a Thomas Astruc e ZAG Entertainment. Esta história é uma fanfic de universo alternativo (UA) criada por mim, Kasthiel Brooks. Não possuo nenhum direito sobre a franquia original. Esta obra é feita com fins puramente criativos e de homenagem ao universo de Miraculous.

O parque era tomado por um vento sutil, como se a noite criasse coragem para tomar o lugar do sol. Este, por sua vez, se tingia de um alaranjado profundo no céu de Paris.

Leo parecia congelado onde estava. O tempo seguia seu curso, mas não parecia afetar o jovem, preso ao banco, refém da árvore que ainda parecia observá-lo. As pessoas passavam normalmente pelo parque; Leo, porém, as observava de canto de olho, vendo sorrisos e conversas fluírem ao seu redor.


"Não é assim o tempo todo... o que eles estão realmente sentindo?"


O banco, antes desconfortável, agora parecia cada vez mais quente e acolhedor. O alinhamento imperfeito da madeira já nem incomodava mais. O pé arrastava pela calçada, desgastando a sola do tênis — tudo parecia distante demais.


Pensamentos cortantes giravam como fragmentos de vidro em sua mente.

Tentar não fazia diferença.

Por mais que fosse ele mesmo, sempre haveria alguém para ditar o que os outros deviam pensar, o que deviam sentir.


Mas por que com ele?

Por que não bastava ser quem era?


As palavras que não conseguiu dizer diante da paranóia de seu ex-melhor amigo ainda ressoavam. Aquela amizade não era apenas uma entre tantas; era uma das poucas que não se baseava em momentos supérfluos da escola. Era divertida, deveria ser duradoura.


Mas o olhar que recebera infligia mágoa, dizendo coisas que Leo nunca imaginou ouvir de alguém que supostamente conhecia. Era uma dor que ambos não podiam controlar, mas jogar as consequências de uma mentira sobre uma única pessoa era cruel — como um copo amargo de traição.


Vinda de alguém que o mandava baboseiras no meio da madrugada e o fazia rir em seus momentos de cansaço.


Agora, no final, a rejeição viera de alguém que Leo mal reconhecia. Mas por que deixara que se aproximasse tanto?


"Eu deveria ter previsto.

Eu deveria... eu deveria conseguir controlar também."


As lágrimas mal se formavam e já eram secadas no rosto que se recusava a acreditar que dera brecha para uma falsa amizade. Mas por que o peito pesava mais do que nunca?


As mãos apertavam o próprio corpo, como se buscassem conter algo prestes a transbordar. Cada respiração parecia mais curta, mais difícil — como se o ar não fosse suficiente para soltar o grito que queria dar.


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Longe dali, em um salão oculto, uma figura imóvel sentia o fluxo dessas emoções como um perfume raro no ar. No silêncio, uma sombra roxa e azul, com leves tons prateados, se destacava em um refúgio repleto de seres alados, brancos como a neve.


Ali estava Shadow Moth, que ergueu o rosto de olhos fechados, manuseando com a mão esquerda seu leque diante do corpo, enquanto a bengala, debaixo da mão direita, permanecia fixa ao seu lado.


A corrente de sofrimento que emanava de um canto específico da cidade era intensa, cristalina.


— Mas que pobre alma... — murmurou. — O desejo de controle emocional nunca foi tão intenso... tão único. — disse, ansiando pelo caos que seu futuro vilão poderia causar.


— Sinto que basta seguir os sentimentos, não é, querido Akuma? — continuou, estendendo uma das mãos.


Uma das borboletas pousou suavemente em sua palma aberta. Por instantes, a criatura inocente pareceu brilhar sob a luz artificial. Então, com um simples gesto, foi envolta por um fluxo de energia escura. A brancura se tingiu de púrpura profundo, as asas marcadas por veios negros.


— Vá... terrível Akuma. Traga este jovem emotivo para o mal.


Com um movimento suave, Shadow Moth libertou a criatura. Ela alçou voo com um brilho espectral, cortando a noite de Paris assim que saiu pela grande janela.


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Enquanto isso, Leo permanecia encolhido no banco. O peito arfava de forma irregular, como se lutasse contra uma onda invisível. Não percebia mais o ar ao seu redor, que começava a mudar, escondendo o bater de asas sutis que se aproximavam de forma quase imperceptível.


Logo, uma forma púrpura brilhou à margem de sua visão — a borboleta transformada se aproximava diretamente, em busca de um portador.


A pulseira no braço esquerdo, com o velho pingente de sol metálico, guardava grande valor para Leo. O Akuma logo se esgueirou até o acessório. A criatura pairou sobre o pingente por um instante... e então se fundiu a ele, como névoa infiltrando-se nas frestas mais íntimas.


Leo arqueou o corpo, as mãos indo imediatamente às têmporas. Um calor estranho subia pelo braço, espalhando-se pelo peito e pela cabeça. A visão oscilou. Seu olhar se ergueu, mostrando a tensão em sua face.


Um símbolo de linhas sutis formava a silhueta de uma borboleta em tom roxo vibrante. As extremidades superiores e inferiores das asas eram agudas, com duas protuberâncias adicionais em ambas as laterais, acentuando seu contorno. Um símbolo típico da akumatização, agora adocicado por um tom mais agressivo.


O reflexo do poder fundido dos Miraculous da borboleta e do pavão surgia à sua frente, tentando consumi-lo por completo até abraçar a maldade.


Então, uma voz ecoou em sua mente. Profunda. Suave. Irresistível.


"Sentimentos... frágeis, não?

Como cristais. Lindos. E tão fáceis de quebrar."


As mãos apertaram ainda mais as têmporas, os dentes cerrados.


— Cala a boca... cala a boca, cala a boca! — exclamou Leo, cada vez mais alto, percebendo que se tornara um mero alvo de Shadow Moth.


"Eu posso ver a sua sede de controle pulsando... ansiando controlar toda a emoção que lhe aparece.

Estou aqui para ajudar."


— Isso é pura besteira... — respondeu, erguendo o olhar e pressionando ainda mais as mãos na cabeça, como se quisesse que o vilão o ouvisse claramente. — Acha que eu sou tão idiota assim?


"Você é uma mera vítima... assim como eu.

Usado. Ignorado. Descartado.

Por não se alinhar ao que os outros desejam sentir."


As palavras do vilão ecoaram em sua mente, trazendo flashes de situações, decisões, momentos em que tudo que Leo queria era poder escolher sem julgamentos.


Sentir — ser apenas quem era, e não o que lhe era imposto.


Tamanha era sua insegurança que talvez houvesse ali uma fagulha de pena por alguém que já causara tanto mal.


— Não... não! Você só quer me usar para pegar os Miraculous! — respondeu agressivo, como se estivesse debatendo cara a cara com o vilão, defendendo com clareza seu ponto.


"Quero apenas te dar a chance de consertar o que foi mal escrito.

Uma nova história, com você no controle.

Eu te ofereço o poder de moldar os sentimentos. Você não precisa mais se sentir manipulado.

Sinta-se agora o autor de tudo o que os outros pensam.

Os seus sentimentos serão a nova lei."


O peito subia e descia em arfar descompassado.

O desejo de resistir se diluía a cada batida do coração.


— Eu... não vou lutar contra a Ladybug e o Cat Noir... eles são meus heróis... — Leo tentou usar seu último argumento válido. Mas cada passo para longe apenas o fazia repensar: estaria ele destinado a aceitar algo tão tentador que o fazia questionar a própria índole?


"E onde eles estavam...

Quando você mais precisou?

Quantas das suas emoções despedaçadas eles conseguiram salvar?"


O tom aumentava lentamente, fazendo a voz parecer crescer dentro da mente de Leo.


"Quantas vezes mais você terá que mudar seu pensamento... suas emoções, diante dos outros?

Apenas para não se sentir um mero objeto, digno de ser usado e depois descartado?"


A perna recuou involuntariamente.


As palavras rasgavam o que restava de sua vontade.


— I-isso... não é verdade... eu... — as cordas da amargura puxavam Leo mais e mais fundo em seu abismo subconsciente.


"Ajude a limpar esta cidade de quem não merece sentir algo bom.

Faça justiça nos corações daqueles que fingem não ver a dor alheia."


A marca diante de seus olhos brilhou mais forte.

A respiração tornou-se pesada.

As defesas internas ruíram.


Uma névoa densa, escura, púrpura, começou a se formar a partir do símbolo da borboleta, envolvendo seu corpo como um casulo vivo.


A névoa deslizou por seus ombros, braços, pernas — envolvendo-o por completo.

A voz final atravessou a cortina escura.


"Sentimental."


Shadow Moth não conseguiu conter o quanto estava satisfeito por impregnar uma vítima tão valiosa.


"Agora você pode consertar as pessoas.

Ditar o que elas devem ou não sentir.

Elas ficarão tomadas pelo sentimento que seu raio decidir que elas merecem.

Aqueles que falharem em seu teste... não merecem sentir nada.

Ajude seus heróis a enxergarem a verdade... mesmo que isso custe seus Miraculous."


Quando a névoa finalmente se dissipou, Leo havia desaparecido. Sentimental ergueu o rosto com um novo brilho nos olhos. A pulseira, agora tingida de um preto opaco, pulsava em seu braço.


O sorriso que curvou seus lábios era amargo, seguro.


— Que todos sintam... apenas o que eu quiser que sintam.


Paris não estava mentalmente preparada para o que estava prestes a sentir.

Notas finais
Nota do Autor 🌓🎧 Oi! Muito obrigado por continuar acompanhando essa história. O Sentimental nasceu — e agora, Paris jamais será a mesma. Este capítulo foi um dos mais importantes para mim, porque mostra o quanto um vilão também pode nascer da dor, da mágoa e da vontade de se proteger. Já parou para pensar quantas vezes você foi julgado por sentir algo "errado"? Sentiu de modo que os outros não achavam aquela a emoção certa... Espero que você tenha gostado! Se curtir a jornada, não esqueça de deixar um voto e um comentário — isso ajuda muito e me motiva a seguir contando essa história. Nos vemos no próximo! ✨ — Kasthiel Brooks