Notas iniciais
Flashback.

Amy entrou correndo na enorme biblioteca, a mochila sacolejando em suas costas, as lágrimas escorrendo por seu rosto vermelho e inchado. Sentou na última mesa, atrás de toda as prateleiras. Cruzou os braços sobre a mesinha de madeira, enterrou seu rosto no vão entre os braços entrelaçados e seu corpo.
E chorou.
Chorou todas as mágoas, todas as dores, todas as aflições. Ainda podia se lembrar do rosto perplexo de Elliot, do brilho cruel nos olhos verdes de Louise, das expressões espantadas dos outros alunos da Madison Academy.
Então, sentiu a mão pesada sobre seu ombro.

Olhou para traz, esperando encontrar os olhos azul céu de Elliot, lhe dizendo que estava tudo bem, que ela ainda era uma garota popular, influente, que ele a perdoaria, que continuariam namorando. Sem Elliot, ela sabia: Toda a popularidade conquistada com o passar dos anos acabaria.

Sentiu um misto de decepção e felicidade ao virar-se e dar de cara com Ben.

— Oi! — Disse o rapaz, sorridente — Posso me sentar?

Ela deu de ombros, ainda fungando. Ele puxou a cadeira de frente pra ela e se sentou.

— Como você está? — Perguntou Ben.

— A escola toda agora sabe como minha mãe, uma secretária, fazia para pagar o colégio mais caro da cidade. Elliot pensa que eu o traí. Todo mundo acha que eu não presto e que durmo com qualquer um. E quem desencadeou esse furacão na minha vida foi aquela que eu chamei de melhor amiga nos últimos dez anos. — Ela respirou fundo, engolindo o choro — Então, Benjamin, não venha perguntar como eu estou, porque eu estou realmente péssima.

Ben nada disse. Apesar pousou suas mãos sobre as dela, massagendo-as, do jeito que ela adorava quando eram crianças.
E o silêncio reinou entre eles durante longos segundos.

— Não guarde mágoa da minha irmã, Amy. — Ele disse por fim.

— Não venha me pedir isso, Benjamin. O que a sua irmã fez foi imp...

— Vamos nos mudar. — Ele disse abruptamente, cortando-a.

De repente, o ar lhe faltara. Sentira-se perdida por alguns segundos.

— Mudar? — Ela perguntou, coma voz embargada — Quer dizer, você e a Louise?

Ele balançou a cabeça, afirmativamente.

— Pra onde? — Amy perguntou, sentindo as lágrimas voltando á correr por seu rosto.

— Meu pai arranjou um emprego melhor, num jornal inglês. Louise vai para um internato católico em Londres. Eu... eu vou pra Academia Militar... na França.

Amy agora soluçava, desesperada. Não podia perder o garoto que amava.
Não podia perder a menina de quem gostava como se fosse uma irmã.

— Então — continuou Ben — por mais que a minha irmã tenha sido uma verdadeira estúpida com você, não perca tempo pensando nisso. Pense que é uma amizade de dez anos. Pense que ela vai pra outro continente. Pense que vocês podem nunca mais se ver.

— No momento — murmurou Amy — eu só consigo pensar que... nós, Ben, eu e você, é que podemos nunca mais nos ver.

Ele apertou as mãos dela com mais força.
Então, Ben a beijou.