Notas iniciais
Relatos do presente. Continuação do capítulo 01.

— Ben? — Perguntou Amy, a voz trêmula.

- É, sou eu! Hey, quanto tempo, não? Sua voz continua a mesma, Amy. — Soltou um suspiro — Exatamente a mesma.

A garota sentia o coração acelerado. Tinha mil perguntas para fazer. Queria saber se ele realmente tinha seguido carreira militar, se ainda morava na França, se Louise estava bem...
Resolveu começar pela pergunta mais simples de todas:

- Como você está?

- Estou bem, quero dizer, na medida do possível.

Amy sentiu desânimo na voz do garoto. Ficou apavorada.

- Tá acontecendo alguma coisa, Ben?

Ele demorou para responder.

- Na verdade, sim — admitiu — Para ser sincero, foi por causa do que está acontecendo que eu te liguei.

— Oh, que droga. — Murmurou Amy — Precisa de ajuda? É algo grave? Sabe, eu continuo morando em NY, meu apartamento é pequeno, mas se você quiser...

- Não é comigo. — Cortou Ben — É com Louise.

Amy soltou um suspiro. Sentiu um repentino alívio por Benjamin estar bem. Um alívio que logo deu lugar á preocupação.

- Deus. O que há com ela? — Perguntou Amy, nervosa.

Louise sempre foi bonita e extrovertida. Na verdade, ela podia, realmente, ter sido a garota mais popular da Madison Academy.
Só não era porque o posto já era de Amy.
Provavelmente, Louise tinha se tornado popular em Londres. Amy respirou, aliviada. Talvez Louise estivesse grávida e o namorado não quisesse assumir a criança. Talvez tivesse brigado com o pai e fugido de casa. Não, isso não, quer dizer, Louise já devia ter vinte anos, era uma mulher, e não faria uma coisa estúpida como essa.
Conforme pensava nas possibilidades, Amy apenas ficava mais e mais aflita.

- Louise está doente, Amy. — Murmurou Ben — Muito doente.

Amy sentiu suas pernas ficarem bambas. Seu estômago começou á doer de repente.

— Doente? — Sussurrou Amy, para si mesma. — Como assim doente?

— Olha Amy, não vou dar mais detalhes. Essa realmente não é uma notícia que se dá pelo telefone, eu só te liguei mesmo porque não sabia onde você estava morando. Consegui seu número pelo 411*. Escute, tem uma caneta por perto? Para anotar o endereço do lugar onde eu estou agora.

Amy olhou em volta.
Morava em um apartamento de dois cômodos. Não tinha nada além de uma grande cômoda, uma cama, uma mesinha de centro, um telefone e uma pequena televisão. Tudo estava sujo e bagunçado. Latas de cerveja em todos os cantos, roupas jogadas pelo chão, uma caixa vazia de pizza ao lado do telefone.
A casa da garota sempre ficava daquele jeito quando Sam, seu namorado, aparecia por lá.
Ela suspirou, infeliz.

- Ben, a casa não está muito arrumada. Está meio difícil arrumar uma caneta agora.

— Merda. — Ben murmurou, arrependo-se em seguida — Desculpe.

— Tudo bem.

— Amy, você por acaso conhece o Hospital St. Louis?

— Conheço.

Amy não quis dizer, mas morava á duas quadras e meia do hospital.

— Quanto tempo precisa para chegar aqui? — Perguntou Ben.

— Uma hora, mais ou menos. — Mentiu Amy.

Na verdade, poderia chegar em cinco minutos. Mas queria falar com Sam, refletir sobre tudo o que acabara de ouvir, reorganizar seus pensamentos. Aquelas notícias tinham abalado Amy horrivelmente.

— Ótimo! Estarei te esperando em uma hora, na recepção do hospital.

— Estarei lá, Ben. — Ela disse.

De repente, Amy sentiu nojo de si mesma. Combinava tudo tão cordialmente com Ben... como se fossem sair para um encontro no cinema.
Achou-se a pior pessoa da terra.

— Vou desligar. — Disse Amy.

— Espera, Amy! — Exclamou Ben, de repente, fazendo o coração de Amy acelerar novamente.

— O que foi? — Perguntou a garota.

— Eu... eu... senti saudades de você. De ouvir sua voz, sabe?

Amy podia sentir que ele estava terrivelmente envergonhado.

— Eu também. — Ela disse, feliz. — Agora vou indo. Até logo, Ben.

E desligou.

Atirou-se em sua pequena cama. Sorria, feliz, com o som da voz familiar de Ben ainda em seus ouvidos.
De repente, lembrou-se do motivo de ele ter lhe ligado.
E o sorriso desapareceu.

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* 411 é o número de telefone que dá acesso aos números da lista telefônica americana. É exatamente igual ao 102 aqui do Brasil.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.