Até a Lua
11 Eles Permitiram
Eu dormi enquanto saíamos de perto da casa de Miles. Brad e Caleb estavam discutindo pra variar, sobre o que fazer agora. Não tínhamos pista alguma, só que o projeto era algo que, ou apenas queriam muito, ou queriam muito destruí-lo.
Tive a impressão que eu estava dentro de um armário apertado, eu estava sentada no chão e encolhida para que ninguém me visse, tentei não fazer barulho nenhum. Até que senti uma mão tampando a minha boca, eu chorei e quase gritei.
– Calma – Caleb sussurrou no meu ouvido – sou eu.
Soltei o ar aliviada, mas minhas lágrimas encharcavam sua mão.
– Não queria te assustar – ele sussurrou – desculpa.
Caleb soltou sua mão devagar. Notei que meu corpo estava apoiado no seu e seus braços estavam me abraçando.
– O que está acontecendo ? – sussurro.
– Estão procurando você, por causa do projeto.
– Mas eu não sei onde está.
– Eu sei que não sabe, Ana.
– Então, por que ele não me deixam em paz ?
– Porque... Ana, olha pra mim.
Viro meu corpo com dificuldade para Caleb, seus olhos estão vermelhos, posso ver isso sob a luz franca que entra pelas frestas da porta.
– Você confia em mim ? – ele pergunta.
– Sim.
– Então, acorde.
– O que ?
– Acorde, Ana.
Então eu acordei....
Estava sendo carregada, abri os olhos um pouco mas a luz forte fez eles arderem.
– Ana ? – a voz de Caleb me chamou, ele me carregava.
– Hm? – digo sonolenta.
Sinto o cheiro do seu perfume, ouço o som do seu coração batendo tranqüilo, porque meu ouvido está em seu peito.
– Você está bem ? Dormiu a viagem inteira.
– Uhum. Quantotempoeudormi ? – digo embolado por causa do sono.
Ele ri.
– O que ? – pergunta.
– Quanto tempo eu dormi ?
– Cinco horas.
– Cinco horas! – levanto a cabeça – Me coloca no chão , por favor.
Ele me coloca no chão e eu entendo porque dormi tanto tempo, minha cabeça começou latejar assim que pisei no chão.
– Ai – resmungo colocando a mão na cabeça.
– O que foi ? – Caleb pergunta.
– Minha cabeça – faço uma careta.
– Ah. Vamos, Brad deve ter comprado alguma coisa pra você.
Olho em volta então entendo onde estamos. No corredor de um hotel. Caleb sai andando e eu o acompanho. Quando chegamos na frente do quarto, Caleb entrou direto, a porta não estava trancada como eu esperava.
– Que bom que acordou – Brad diz sorrindo ao me ver.
Sorrio de volta.
– Temos que planejar nossos próximos passos – Caleb corta.
– Ok.
Nos sentamos a mesa. Dessa vez nós ficamos na cobertura do hotel, que na verdade era mais um apartamento luxuoso.
– Já sabemos o que o projeto é, sabemos que o querem e querem matá-la. Agora precisamos saber onde está – Caleb diz.
– Sim – concordo – mas não tenho a menos idéia de onde está.
– Talvez nos saibamos – Brad diz.
– O que ? – Caleb pergunta.
– Os pais, eles trabalhavam comigo uma vez, na verdade na mesma base que eu, talvez ainda tenha alguma coisa lá.
– Qual base ?
Brad engole seco.
– A que eu estava quando perdi a perna.
– Perai, era uma base ? – pergunto.
– Na verdade, era.
– Caramba! O que vocês tem contra contar tudo de uma vez só ?
– De qualquer forma – Caleb diz – não podemos tirá-la do país sem autorização.
– Na verdade, podemos. Podemos alegar que isso ajudará a encontrar o projeto, e ajudará na proteção dela também. É tudo uma questão do que falar.
– Ok, talvez tenha razão – Caleb se levanta – vou tentar convencê-los.
Caleb saiu e em seguida ouvi o som de um porta se fechando.
– Por que não me contou ? – pergunto frustrada.
– Eu não queria que criasse expectativas a toa. Pode ser que não tenha nada lá... não quero que se sinta decepcionada.
–Não acho que dê pra eu me decepcionar mais – digo deitando a cabeça nos braços em cima da mesa.
– Ana... – senti a mão de Brad pousar na minha cabeça – me desculpa, eu só não queria mais nada pra te decepcionar.
– Tudo bem – meu som está meio abafado, mas acho que ele entende – obrigada, de qualquer forma.
– Quer assistir um filme ?
– Quero – levanto a cabeça – só vou tomar um banho primeiro.
– Ok.
– Sua mochila está em cima do sofá.
Assinto e pego a mochila, em seguida procuro o banheiro que fica perto de onde eu acho que Caleb está trancado. Entro embaixo do chuveiro esperando que a água leve tudo embora, mas isso só funciona por pouco tempo, por isso não demoro muito, pelo menos acho que não. Coloco meu pijama azul claro e braco, de calça três quartos e camiseta de ursinho, super infantil, mas ele me lembra um pouco de casa.
O sofá era enorme, parecia mais uma cama e Brad estava deitado em um dos lados dele, ele me fitou assim que me viu e seus lábios ficaram ligeiramente abertos.
– Seu...cabelo...
– O que tem ele ?
– Está pingando.
– Ah, jájá ele seca – dou de ombros e me sento ao seu lado – o que vamos assistir ?
– Hm, não sei. Não tem nenhum filme aqui, podemos dar sorte na TV.
– Ok.
Brad ligou a TV e ficou passando pelos canais até parar em um. Eu demorei pra descobrir o nome do filme, o nome era: Te Amarei Para Sempre. Sinceramente, eu gostei, era do tipo romance-eu-vou-chorar. E serviu para me distrair um pouco.
Brad suspirou fundo e chamou minha atenção, ele estava quase dormindo.
– Está cansado ?
– Uhum – ele diz fechando os olhos.
Nesse momento eu já tinha chorado e meu olhos provavelmente estavam vermelhos. Brad se desencostou do sofá e deitou a cabeça no meu colo. Minhas mãos pousaram no seu cabelo macio recém lavado e ele fechou os olhos de novo. Não falei nada, ele também não, o filme já estava no final e eu já estava chorando de novo. Brad respirava fundo, indicando que estava dormindo. O filme acabou e eu mudei de canal, coloquei em um canal onde estava passando desenhos animados. Brad estava dormindo tão quieto que fiquei com dó de acordá-lo, então fiquei apenas acariciando seu cabelo. Ouvi uma porta se abrindo, mas eu não podia ver o corredor, então a porta se fechou. Caleb apareceu na sala e seus olhos para mim, depois em Brad e em seguida em minhas mãos no seu cabelo. Seus olhos ficaram escuros no mesmo momento.
– Eles permitiram – foi só o que disse.
– Isso quer dizer que...
– Que nós vamos. Partimos amanhã de manhã.
– Caleb...
– Melhor você descansar – então ele volta pelo corredor.
Ouço uma porta se bater com força e Brad se levanta num pulo por causa do barulho.
– O que ... ? – ele pergunta desorientado.
– Caleb conseguiu, saímos amanhã de manhã – eu ainda estava olhando para onde Caleb estava.
– Ótimo – Brad então para – aconteceu alguma coisa ?
– Não sei – me obrigo olhar em seu rosto e sorrir – não, acho que não.
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