Até Que A Morte Os Separe

2 Capítulo 2- Um maroto arrasado e outro nervoso.


Notas iniciais
Heeey.. Capítulo super dedicado a NathalieJamesP , que fez a primeira recomendação da fic, mesmo ela só tendo 1 cap! Eu ameei! Isso me dá mais inspiração para continuar..
Bem, não sei se vocês vão ter a paciência de ler tudo, mas o cap ficou grandinho.. hehe. Até lá em baixo =)

No dia seguinte, Lily acordou com um nariz roçando sua bochecha esquerda, descendo direto para seu pescoço. Um arrepio subiu por sua espinha fazendo-a abrir os olhos, deparando-se com um pescoço que tinha um cheiro que de longe reconheceria.

–James? -Lily murmurou, com a voz rouca devido ao sono. Ela sentiu ele sorrir com os lábios em seu ombro esquerdo.

James murmurou algo, que ela não pode compreender. Ele, então, começou a subir com beijos por seu pescoço, voltando para o rosto da ruiva, caminhando até seus lábios, onde deixou um beijo um pouco mais demorado.

–Bom dia, lírio. -Disse o maroto, com um sorriso lindo nos lábios. Seus olhos castanho-esverdeados a fitavam por trás das lentes de seu óculos, e seus cabelos continuavam no mesmo bagunçado de sempre.

Lily se despreguiçou, e cobriu-se com o lençol. Sua cama estava consideravelmente confortável para sair dela.

–Me deixa dormir mais um pouquinho... -Pediu, manhosa. Por de baixo do lençol, Lily ouviu a risada de James.

–Você, por acaso, sabe que horas são?

A ruiva arregalou os olhos, e saiu de baixo do lençol, sentando-se na cama rapidamente.

–Deus, James! Tenho que sair com a minha mãe! -Lily descobriu-se por inteiro, e levantou-se da cama, abrindo seu armário a procura de uma roupa para vestir.

James sorriu, e levantou-se da cama da namorada, e a abraçou por trás, beijando uma das bochechas de Lily.

–Ei, sem problemas. Sua mãe achou melhor que vocês saíssem depois do almoço. Disse que você estava mesmo precisando dormir até tarde.

–Sério? -Ela virou-se para ele, mais calma.

Fazia tempos que Lily não dormia até tarde, como costumava fazer quando estava de férias. Quase todas as manhãs, ela saia para resolver algo para seu casamento com Sarah e Dorea. Não que ela não gostasse de escolher os detalhes do seu grande dia, mas aquilo a estava esgotando. Não fisicamente, mas mentalmente. Ficar longe de James não era algo que ela esperava que acontecesse.

–Uhuum -Respondeu ele, fazendo carinho nos cabelos ruivos de Lily. -Eu estava morrendo de saudades de você, lírio.

Naquele momento, ela se deu conta de como estava. Seus cabelos deviam estar completamente desalinhados, sua cara amassada e sua camisola nada apresentável. E olha que ela não era curta ou muito reveladora, mas ela escolhera dormir com a camisola que mais gostava, ou seja, a mais velha.

No entanto, no momento em que James encostou seus lábios nos dela, a ruiva esqueceu completamente de se importar com seu cabelo, com sua camisola e muito menos com sua cara inchada.

A sensação maravilhosa que sentia sempre que James a beijava a invadiu, que ela não teve escolha e outra vontade a não ser correspondê-lo. Quantos dias havia ficado sem beijá-lo? Um. Mas, um dia pareceu várias semanas para ambos.

–Bela camisola. -Disse James, assim que terminaram com o beijo, e Lily sentiu seu rosto esquentar. Mas, pensou, parecia até engraçado ela sentir vergonha do homem que acordaria com ela todos os dias em menos de uma semana.

–Não repare nela. É a minha preferida. E você me pegou de surpresa! O que está fazendo aqui? -Perguntou a ruiva, ainda em meio aos braços de James.

–Vim te pegar para um almoço. -Respondeu, colocando uma mecha do cabelo rubro atrás da orelha direito de Lily.

–Eu ainda nem tomei café, mas aceito seu convite. -Disse Lily, dando um selinho em James e afastando-se dele, indo procurar alguma roupa para vestir depois do banho. -Onde está Lene?

–Tomando café com a sua mãe. Seu pai abriu a porta pra mim quando estava indo para o trabalho, e Sarah sugeriu que eu viesse acordá-la. Ela disse que você ficaria furiosa se passasse das dez...

–É claro que ficaria, mas tenho que admitir que estava mesmo cansada.. Passei o dia fora ontem. Provando meu vestido de noiva..

–Sério? -James sentou-se na cama, enquanto acompanhava Lily tirar algumas peças de roupa de dentro de uma gaveta. -Você vai ser a noiva mais linda do mundo, lírio. E minha, claro.

Lily lançou-lhe um sorriso, aproximando-se dele e apoiando as mãos na coxa do mesmo.

–Eu não sou de ninguém, Potter.

–Eu não sou ninguém, Evans. — Respondeu ele, puxando-a para um beijo, enquanto ela sorria em meio aos lábios dele.

James esperou Lily sair do banheiro já pronta para saírem Quando os dois desceram em direção a cozinha, Marlene e Sarah já acabavam suas xícaras de café. Lily nem se deu ao trabalho de sentar-se a mesa. Apenas beliscou algumas coisas, e se despediu da mãe, alegando que voltaria depois do almoço. Lene recusou o convite de James, quando esse a convidou para os acompanharem. Era o dia dela na Ordem, e não queria estragar o encontros dos amigos.

–Ah, Lily! Sarah liberou a casa para a sua despedida de solteiro!-Disse Marlene, antes que Lily e James saíssem para a sala. A ruiva, não soube o motivo ao certo, mas corou na frente do maroto, que a olhou com as sobrancelhas levantadas.

–Ah.. Er.. Nós vamos indo, então. -E puxou James pela porta de entrada.

O sol brilhava no céu, embora o dia nem estivesse tão quente. Aquele clima os fizeram lembrar de Hogwarts, dos momentos em que fugiam para os arredores do lago negro, onde caminhavam de mãos dadas enquanto Lily ria de algo que James falava.

Ambos se esconderam em um beco e aparataram outro canto de Londres, que não ficava muito longe do Caldeirão Furado. Voltaram a caminhar sorrateiramente, mas Lily sabia que James queria falar algo. Sua mente xingava Marlene por ter dito aquilo na frente do maroto. Não que ela fosse esconder aquilo dele por muito tempo, afinal, se ele teria uma despedida de solteiro, ela também tinha direito de ter uma, certo?

–Então.. Despedida de solteiro, hum? -Começou James, olhando para Lily com um sorrisinho nos lábios. -O que vai acontecer nessa festa, posso saber, lírio?

–Claro.. se você também me disser o que vai acontecer na sua... E não adianta me fazer essa cara. Eu sei muito bem que Sirius não iria deixar passar em branco o seu último dia de solteiro. -Disse Lily, com um tom autoritário.

James puxou a mão de Lily que segurava, e envolveu os ombros da ruiva com seu braço, mantendo-a mais próxima a ele.

–Bem, suponho que terá bebidas, música, garotas...

Lily parou de andar antes mesmo que ele terminasse a palavra 'garotas'. Olhou-o surpresa, e James reconheceu a expressão que ela usava sempre que brigavam.

–E elas irão tirar a roupa pra você? Eu vou matar o Sirius! E não brinque comigo, James Potter.

–Calma, lírio. Não precisa dar um ataque de ciúmes. -Ponderou ele, parecendo se divertir com a cena. Puxou-a de volta para que voltassem a andar. -Elas não vão tirar a roupa pra mim, e se tirarem, prometo que não vou olhar...

Lily deu um tapa no ombro de James.

–Ei! -O maroto soltou uma risada. -Eu disse que não iria olhar, lírio!

–Você não me engana, James.

–Vai ser uma festa normal, Lily. Confia em mim. -Pediu o moreno, passando uma das mãos pelos cabelos bagunçados.

–Eu confio em você.. Só não no Sirius. -Informou Lily, e James gargalhou. -Eu não sei o que vai ter na minha despedida de solteiro, James. Marlene que inventou isso.

–Claro. Tal Sirius, tal Lene, não é mesmo?

–Só espero que isso não me dê trabalho...

–Por que? Ainda falta muita coisa para o casamento? Sinceramente, Lily, acho que você está exagerando. Eu já disse pra você que não precisa se preocupar. A minha mãe e a sua podem resolver as outras coisas e...

–Por Deus, James! Eu sei que elas podem fazer isso, mas a questão é que eu quero organizar o meu próprio casamento. Claro que eu confio na sua mãe e na minha, mas eu quero que seja tudo.. tudo perfeito. E eu não estou exagerando... Mas escolher vestido de noiva não é tão simples quanto escolher um terno, Sr. Potter. E ainda tem a comida, as flores, o bolo...

–Hey, lírio, só pelo fato de eu estar me casando com você, eu sei que vai ser tudo perfeito. Mas você está se matando a toa. Deixe a comida com os Elfos e com a mamãe.

A ruiva revirou os olhos, mas concordou.

Passou-se alguns minutos, e Lily contou o episódio de Petúnia no dia anterior. James fez uma careta quando soube que a irmã mais velha da namorada estava grávida. Realmente, o pensamento não era muito agradável.

James já havia conhecido Valter, marido de Petúnia. Já havia alguns meses que Sarah organizou um jantar¹ entre as filhas e os noivos, mas tudo saira por água abaixo quando Valter começou a se gabar por seu trabalho e por ter uma vida absolutamente normal, como se James e Lily vivessem em outro planeta. O maroto, claro, não deixou barato e não aguentou as provocações. E, enquanto ele e Valter discutiam, com Petúnia concordando com tudo o que o marido falava, Lily não segurou as lágrimas. A noite resultara em mais uma briga entre James e Lily, mesmo que a ruiva soubesse que ele não fosse inteiramente culpado do acontecido.

–Eu tenha pena do seu sobrinho, lírio. O garoto não terá culpa dos pais abomináveis que tem. -Comentou James. -Nossos filhos serão muito bem cuidados.

–Nós ainda nem casamos e você já está pensando em filhos?

–Claro! Criamos Sirius, agora temos que providenciar os outros..

–Vou pensar no seu caso, Potter. Mas só depois do casamento. -Disse Lily corada, com um sorrido nos lábios, antes que James lhe rubasse um beijo.

E, assim, passaram boa parte da manhã.

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Quando Sirius chegou em casa¹, Remus o esperava sentado na mesa da cozinha, comendo algo que, pelo cheiro e pelo vapor quente que saia do prato, ele acabara de preparar. Sua aparência estava um pouco melhor, visto que estavam longe da próxima lua cheia.

–E aí, Aluado. -Cumprimentou Sirius, dando um tapinha no ombro do amigo, enquanto passava por ele, parando em frente ao seu fogão e abrindo a tampa da panela para ver o que o amigo cozinhara. -Só vou perdoar você por ter invadido a minha casa porque preparou o meu almoço.

–Achei que diria isso. -Falou Remus, antes de levar o garfo a boca. -Estava na Ordem?

–Onde mais eu estaria, querido Aluado? Voldemort não sossega o traseiro. — Sirius convocou um prato, e começou a se servir do ensopado que o amigo fizera. A comida do amigo não era tão boa quanto a de Lene mas Sirius não se importou. -Onde está Dorcas?

Remus deu de ombros, e colocou mais um punhado de comida dentro da boca. Sirius sentou-se do outro lado da mesa, esperando a resposta do amigo, que não veio.

Fora um sacrifício fazer Remus finalmente se declarar para Dorcas. Mas, mesmo depois que eles engataram no namoro, o maroto ainda se sentia desconfortável com seu problema 'peludo' todas as noites de lua cheia. Remus achava que ninguém, e principalmente Dorcas, merecia alguém que se transformava em um monstro.

Pareceu séculos o tempo em que Remus levou para finalmente se dar conta que, independentemente de ser um lobisomem, ele deveria levar uma vida normal, incluindo amigos e garotas.

–Problemas com os pais dela, de novo?

Remus descansou o garfo ao lado do prato, e suspirou. Sabia que não conseguiria fazer Sirius desistir do assunto.

–Não os culpo por não gostarem de mim, Sirius.

–E você acha que isso vai mudar se você se afastar da Dorcas? -O maroto balançou o garfo. -Francamente, você merece um pé na bunda, Aluado.

O amigo olhou estranhamente para Sirius, que continuou a comer como se não tivesse dito nada demais.

–Veja bem, ela vai ficar magoada com você. Achou que você já tinha superado esse problema. Ou que você, bem, não quer ficar com ela.

Remus se levantou da cadeira, e colocou seu prato dentro da pia. Com um aceno na varinha, fez a louça ficar imediatamente limpa e as guardou no armário.

–Não seja idiota, Aluado. Mande pelo menos uma coruja. -Sugeriu Sirius, vendo o amigo se virar para ele.

–Nunca pensei que você fosse me dizer alguma coisa útil em relação a Dorcas, Almofadinhas.

Sirius deu um sorriso torto.

–Eu tento.

Enquanto Remus escrevia a carta para a namorada, Sirius terminou com seu prato e os guardou logo em seguida. Seguiu para a sala e tirou sua blusa, jogando-a de qualquer maneira em algum canto da sala. Havia migalhas de biscoitos no seu sofá, que com certeza Peter deixara cair.

–Hey, Aluado, temos que organizar a despedida de solteiro do Pontas. -Lembrou-se ele, largando-se no sofá enquanto via o amigo despachar sua coruja por uma janela.

Remus riu, e caminhou na direção do amigo, colocando uma carta em um dos bolsos de sua calça.

–Hum, Lily sabe disso?

–Deixei isso com James. Enfim, já convidei um pessoal de Hogwarts, e algumas garotas, claro. O que acha de Uisque de Fogo, hum?

–Podemos falar com a Madame Rosmerta. Deixe essa parte comigo. Agora, eu tenho que ir. Ainda não encomendei meu traje para o casamento do Pontas. -Remus começou a caminhar em direção a porta, quando um instalo na lareira o fez parar. De dentro dela, uma mulher esguia, de cabelos claros quase batendo em seus ombros surgiu, limpando suas vestes que estavam cheias de fuligem. -Dorcas?

–Oi, Remus... Sirius. — Cumprimentou ela, com um sorriso meigo nos lábios. Sirius levantou-se do sofá e beijou a bochecha esquerda da garota.

–Olá, lobinha. -Disse o moreno, fazendo Remus revirar os olhos.

–Peter me contou que você estava aqui. -Falou Dorcas, olhando para o namorado que não via há dias.

–Bem, o casalzinho pode conversar a vontade. E sintam-se livres para alguns amassos do sofá. Eu vou tomar uma ducha. -Sirius deu um tapinha na cabeça de Remus, e depois sumiu pelo corredor, onde se ouviu o barulho de uma porta se batendo.

Dorcas olhou para Remus um pouco corada, enquanto ele ainda azarava o amigo mentalmente.

Passou-se um minutos de silêncio. Ambos olhavam para qualquer lugar, menos nos olhos um do outro. Mas, aquilo não poderia ficar daquele jeito. A loura respirou fundo antes de começar a falar.

–Porque não foi me ver? E você sabe quanto tempo estou procurando por você? Toda vez que chego na sede, você não está mais lá.. O que está acontecendo, Remus? Se você não quiser ficar mais comigo, tudo bem.. Mas, bem, eu achava que eu merecia alguma explicação e...

Remus não ouviu nada que Dorcas falara. Duas semanas. Duas semanas que ele ficara a evitando, desde quando fora visitar a casa dela e teve que aguentar os olhares estranhos dos pais dela. Contudo, a saudade era inevitável, e no momento em que a viu diante de si, seu coração começou a bater feito louco.

Então, não aguentando o impulso, aproximou-se dela com a mesma rapidez com que a beijou, pegando-a de surpresa. De início, não houve reação alguma da parte dela, mas depois de alguns segundos Remus sentiu os braços dela rodearem seu pescoço e suas mãos massagearem sua nuca.

As mãos do maroto não ficaram muito tempo no rosto de Dorcas. Elas voaram como se fosse uma força involuntária para a cintura da garota, colando seus corpos. Os lábios se acariciavam, enquanto as línguas se encontravam. Que fosse as fervas a conversa, que fosse as fervas Sirius, que fosse as fervas qualquer barreira que estivesse entre eles. Eles seriam capaz de derrubar todas elas naquele momento.

Dorcas esperava uma conversa, logo depois seguida de uma briga, mas aquilo tudo evaporou quando ele a beijou. Ela e Remus estavam começando a considerar a ideia de Sirius sobre um amasso no sofá...

–Me desculpe, mas eu.. Eu não aguentei. -Disse Remus, quando separou seus lábios dos dela. As testas coladas enquanto tentavam regular a respiração. -Eu estava com muita saudade de você, Dorcas.

A loura abriu os olhos e encontrou os dele já abertos. Encararam-se por alguns minutos antes de ela finalmente se lembrar do motivo que a levara ali. Afastou-se um pouco relutante de Remus, e caminhou em direção a janela, colocando uma mecha de seus cabelos para atrás da orelha, fixando seu olhar para a vista da rua.

–Estava? Bem, não me pareceu... -Falou Dorcas, ainda olhando pela janela.

O barulho de chuveiro vindo do quarto no fundo do corredor foi só o que se ouviu por um momento.

–Er, Dorcas... -Ela, então, se virou para ele, olhando-o nos olhos. Remus teve vontade de agarrá-la mais uma vez. -Me desculpe.. Eu não queria te chatear ou algo parecido, mas é que.. Naquele dia, na sua casa...

O maroto suspirou, e começou a andar pela sala, nervoso. Era incrível seu ódio por seu eu lobisomem.

–Os seus pais...

–Eles fizeram algo de errado? Falaram alguma coisa pra você? -Perguntou Dorcas, olhando-a ansiosa.

–Não. Pelo contrário, eles me trataram muito bem, mas... Eles sabem o que eu sou, Dorcas. Eu entendo eles, de alguma forma.

–Eu não estou entendendo, Remus. O que aconteceu naquele dia?

Remus passou uma das mãos pela nuca. Céus, como falar sem colocar Dorcas contra os pais dela? Ele não queria aquilo, de jeito nenhum.

–Eu já falei pra você, Remus... Não tem problema nenhum você ser um lobisomem. Isso não muda nada..

–Eu sei, Dorcas. Mas e os olhares? Nós não podemos andar pela rua sem que alguém me olhe como se eu fosse um fantasma te assustando, ou tentando te matar.. E os seus pais.. Eles me trataram bem, mas tenho certeza que eles não querem que a única filha deles namore um monstro!

Dorcas ficou o encarando por um tempo, incrédula. Pensava que aquilo não os atrapalharia mais.

–Você está inventando coisa, Remus!

–Não estou!

–Está sim! Quase ninguém sabe que você é um lobisomem, e quanto aos meus pais.. Foi você que pediu para eu contar! -Exclamou a loura, olhando com uma expressão que mostrava raiva e ao mesmo tempo tristeza.

–Mas e os que sabem? -Indagou Remus. Um assovio lembrou-os que Sirius estava a poucos metros de ambos, no quarto. -Seus pais querem o melhor para você, Dorcas..

–Eu sei o que eles querem pra mim, Remus. Eles querem que eu seja feliz! E eu me sinto assim quando estou do seu lado. -Uma lágrima escorreu dos olhos castanhos de Dorcas, e se Remus tivesse uma faca em mãos, ele já teria se matado ali mesmo. -E, se eu não me importo com que os outros pensam sobre eu namorar você, porque você se importaria? Pouco me importa o seu lado lobisomem, Remus... Não me importo com o que os outros pensam sobre você, sobre o que falam de você porque eu sei que você é muito diferente e melhor que tudo aquilo.

Ela fez uma pausa para respirar, mas o maroto não se atreveu a desviar o olhar dos olhos dela.

–Você deveria se importar com o modo como eu te olho, e não como os outros te olham. -Disse ela, por fim.

Remus abaixou a cabeça, suspirando. Vendo que ele não falaria nada, Dorcas caminhou até a lareira, onde pegou um pouco de um pozinho dentro de um vaso me cima da mesma.

–Até mais, Remus. — E sumiu pela lareira, mas não antes de anunciar seu destino.

Remus caiu sentado no sofá, tombando sua cabeça para trás, literalmente arrasado.

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–E o Ivan? Monitor da Lufa-Lufa.

–Definitivamente não.

–Qual é, Pontas? Qual o seu problema com o pobre do Ivan?

–Ele saiu com a Lily no sexto ano, Almofadinhas. O cara me odeia. -Exclamou James, deitado em sua cama com um dos braços da nuca, servindo-lhe de travesseiro. -Como se eu tivesse culpa de ela ter preferido a mim...

Sirius, que estava sentado em uma cadeira, apoiava os pés em cima da comoda do amigo. Seus braços descansavam cruzados em cima de seu peito, enquanto a mão do outro levava 'feijãozinhos de todos os sabores' em sua boca. Ele ainda havia um bom estoque de doces vindos direto da Dedos de Mel, onde comprara as guloseimas na sua última aventura em Hogsmeade.

–Por isso mesmo devíamos convidá-lo. -Falou o moreno, com a boca cheia de feijãozinhos.

James fez uma careta, olhando para o teto de seu quarto. Já era noite, mas o maroto continuava com a cabeça naquela manhã, junto com Lily.

–Emilia Lance? -Sugeriu Sirius, e James o olhou, franzindo o cenho.

–Não foi com ela que eu saí depois que ganhamos a taça de Quadribol no quinto ano?

–Essa mesmo. Saí com ela no Dia das Bruxas. -O moreno jogou o saco cheio de doces para o amigo. -Acho que não teria problema se ela viesse...

–É.. Convida. -Falou James, dando de ombros.

Houve uma batida na porta, e um homem alto, nem tão magro e nem tão gordo, adentrou no quarto. Seus cabelos era grisalhos, embora o sorriso em seu rosto lhe desse um ar mais jovial. No rosto, óculos muito parecidos com os de James estavam no alto de seu nariz, e os olhos eram castanhos claros.

–Olhá só! O principal Maroto acabou de chegar!- Exclamou Sirius, olhando para o pai do melhor amigo.

–Como vai, Sirius? — Perguntou Charlus Potter. -O que vocês estão aprontando?

–A despedida de solteiro do Pontas, é claro!

–Hum... E suponho que Lily esteja por dentro de tudo, não é? — Indagou o Auror, indo até a cama do filho e roubando-lhe o saco de doces, de onde tirou uma varinha de alcaçuz.

–Fico feliz que o senhor pensa muito bem de mim, pai. — Murmurou James, sentando-se em sua cama. -E, se o senhor quer saber, Lily vai ter a festa dela também.

Charlus levantou as sobrancelhas, depois deu de ombros, abocanhando seu doce.

–Justo. -Disse o auror. — E onde está Remus e Peter? Estava pensando em marcarmos uma partida de Quadribol, como nos velhos tempos, hum?

Sirius abriu um largo sorriso, levantando-se da cadeira em que estava e ficando ao lado de Charlus, passando o braço por seus ombros.

–To dentro! E quanto ao Aluado e Rabicho.. Bem, Remus provavelmente deve estar jogado no meu sofá, lamentando a briga que ele teve com a gata dele hoje depois do almoço.. e Rabicho deve estar comendo, é claro. Mas, deixe comigo, Charlus. Quadribol é sempre prioridade.

O pai de James riu, virando-se para o filho.

–Chamem as garotas então. Um jogo antes do casamento sempre ajuda, filho... Sabe, com o nervosismo e tudo o mais.

–Não estou nervoso! — Exclamou James, ao mesmo tempo em que passava uma das mãos por seus cabelos revoltos.

–É... Pontas só fica imaginando que Lily pode cair na real e ver a besteira que está preste a fazer e fugir com o Voldemort que, dias atrás, jurou amor eterno a ela. É só isso. Ele não está nervoso. — Disse Sirius, irônico, e Charlus soltou uma risada enquanto James jogava sem piedade alguma um travesseiro na cara do amigo.

–Cala a boca, Sirius!

–Você diz isso agora. No dia do meu casamento com a sua mãe, eu estava nos nervos!-Comentou Charlus, dando um tapinha nos ombros de Sirius para caminha de volta a porta. -E não se preocupe se a noiva atrasar, James. Elas sempre se atrasam...

–Valeu, pai. Me ajudou muito.

Sirius deu uma risadinha.

–Não demorem a descer. O jantar já está na mesa. — E James e Sirius viram Charlus passar pela porta novamente, fechando atrás de si.

–Nada como um jogo de Quadribol para animar as coisas. -Disse Sirius, com um sorriso nos lábios. -E deixe que eu resolvo a lista de convidados para a sua despedida de solteiro, Pontas. Mas não se preocupe. Não chamarei nenhum ex da sua ruivinha.

Passaram alguns minutos em silêncio. Sirius comendo seus doces e James, pensando no dia de seu casamento. E se Sirius tivesse razão? E se Lily o abandonasse no altar? Eles não tinham um histórico cheio de amores até quase um ano atrás. Viviam brigando, a ruiva o xingando enquanto ele se divertia com outras garotas.

James balançou a cabeça, tirando a ideia de sua mente. Não. Lily o amava, tinha certeza disso. Ela não teria coragem de o deixar plantado no altar, sozinho. Estava delirando. Seu pai tinha razão.. ele estava nervoso! Faltava apenas 6 dias! Ele, James Potter, estava nervoso! Ele riu da própria desgraça.

Não tinha motivos para ficar nervoso, ele pensou. Ela aceitara se casar com ele, então ela certamente iria fazer aquilo.

As vezes, enquanto beijava Lily, James pensava se não estava em mais um de seus sonhos. Foram anos flertando com ela, tentando desesperadamente uma chance, convidando-a para passeios em Hogsmeade, que ele até chegava a duvidar de que eles realmente estavam finalmente juntos.

E quando beijou-a pela primeira vez.. Ah.. Foi como ganhar a taça de Quadribol todos os dias. Bem, primeiro beijo de verdade. Primeiro que ela o correspondeu. Pois já havia perdido as contas de quantos beijinhos inocentes ele já havia roubado da ruiva. Ele sempre se pagava lembrando de quando ela finalmente cedeu...

–Cheguei! -Anunciou James, ainda com sua roupa de Quadribol, entrando na sala onde dividia com Lily os afazeres de Monitor-Chefe.

–Atrasado, Potter. -Falou a ruiva, que fazia algum de seus deveres de casa em sua mesa, no outro lado da sala e levantou os olhos quando ele entrou, e o achou lindo, claro. Ainda mais vestido com o uniforme de Quadribol..

James sentou-se em sua cadeira, de frente para sua mesa, onde largou-se, deitando a cabeça em cima de seu braço.

–Estou morto, ruiva. Vamos logo fazer essa ronda.

–Pois você deveria organizar melhor os seus horários! Eu já fiz a ronda.-Lily ainda o olhava, e via que ele estava claramente cansado.

–O que? Você fez a ronda sozinha? — Perguntou ele, levantando a cabeça para olha-la. Ela, no entanto, voltou a atenção para sua redação de Poções. -Vocês está ficando louca?

–O que está dizendo? -Ela não o olhou, apenas molhou a pena no tinteiro para voltar a escrever.

–Mérin, Lily! Você é uma nascida trouxa! -Exclamou, exasperado.

–Eu sei.

–Não seja boba! Você deveria ter me esperado! E se acontecesse algo com você?

–Não exagere, Potter. Foi só uma ronda. O que diabos poderia ter acontecido comigo?

–Talvez o mesmo que aconteceu com a garota da Lufa-Lufa! -James estava preocupado, e começava a se irritar com a indiferença de Lily. -Atacaram ela porque ela era nascida trouxa! E eu tenho quase certeza que isso tem dedo do Malfoy. Você deveria ter me esperando. Foi muita irresponsabilidade sua, Evans.

Houve um estampido quando Lily deixou a pena cair no chão. Ela levantou a cabeça, com o rosto um pouco vermelho. Suas sobrancelhas franzidas e seus olhos verdes estavam ferozes. James a achou linda, mesmo ela estando furiosa.

–Irresponsabilidade? Quem é você para me falar sobre irresponsabilidade? Que eu me lembre, foi você que chegou atrasado para a ronda!

–Eu estava em um treino! A partida contra a Corvinal é nesse final de semana! Temos que treinar, a não ser que você queira que a gente perca.

–Ah, claro.. Quadribol! -Lily encostou suas costas em sua gaveta, e James percebeu que ela estava sem a capa do uniforme. Vestia apenas sua saia preta e sua camisa de botões brancas, que realçava a cor de seus cabelos rubros. -Será que os meninos desse castelo não pensam em outra coisa?

–Você está mudando de assunto! Por que não me esperou? Alguma coisa poderia ter acontecido com você!

Pronto. Mais uma vez, estavam brigando. James estava achando bom demais passar quase uma semana sem brigar com a ruiva, até pensou que finalmente estavam evoluindo. Até aquele momento.

–Não aconteceu nada comigo, Potter! E eu não preciso de ninguém para me defender, muito menos você! -Ela levantou-se da cadeira, irritada, e começou a arrumar suas coisas em cima da mesa. Houve um barulho irritante quando James arrastou sua cadeira, levantando-se também.

–Deixe de ser orgulhosa! Eu só estou me preocupando com você! -Disse o maroto, dando a volta por sua mesa e chegando mais perto da de Lily.

–Se você realmente se preocupasse teria chegado no horário! -Exclamou Lily, dando a volta por sua mesa, ficando de frente para James. Ela arrependeu-se do que disse no mesmo instante em que a boca de James se abria em um 'O'. Aquilo mostrava que ela se importava, que ela queria a companhia dele. Mas não era verdade.. era?

James passou uma das mãos por seus cabelos, suspirando.

–Olha, Lily... Eu tentei, ok? Eu estou me esforçando ao máximo com o time porque esse é o nosso último ano! Eu não quero perder o campeonato, mas isso não quer dizer que eu só me importe com Quadribol. Eu vim o mais rápido que eu pude, e você deveria sim ter me esperado! Eu não demorei tanto assim.

–Você deveria ter marcado o treino mais cedo, Potter. -Disse Lily, olhando-o. -Mas.. Tudo bem. Da próxima vez, eu espero você. Mas só para evitar brigas como essa, porque eu sei muito bem me defender!

James revirou os olhos.

–Você não está vendo que eu estou preocupado com você? -Ele deu um passo para mais perto da ruiva. Foi involuntário. Bem, talvez o fato de ela estar completamente linda naquela noite tivesse ajudado um pouco no ato. -Eu não iria suportar se acontecesse algo com você, Lily...

Ela sentiu seu rosto esquentar com aquelas palavras. Seus olhos pareciam ter ficado presos nos dele, assim como seus pés, que não obedeciam o comando de seu cérebro para se afastarem de James.

–V-você não precisa se preocupar comigo, James...

James! Será que ele ouviu bem, mesmo? Lily acabara de lhe chamar pelo primeiro nome! Aquilo era bastante raro, e considerando o fato de que eles haviam acabado de sair de uma briga, aquilo o instigou a continuar, e deu mais um passo, ficando consideravelmente próximo a ela, sentindo seu perfume de flores entrar por suas narinas. Ela o olhava atordoada, com os olhes incrivelmente verdes.

–Eu sei... Mas é mais forte que eu, Lily... Você é importante demais. — Ele sorriu de leve ao ver a ruiva desviar os olhos dos seus e encarar seus lábios. Aproximou-se mais, o bastante para sentir a respiração dela se misturar com a sua. Passou uma das mãos pela cintura dela, enquanto os olhos dela voltavam para seus olhos.

–O-o que você está fazendo? -Perguntou Lily, com a voz quase morrendo. Suas pernas tremendo, enquanto suas mãos involuntariamente pousavam no peito de James.

Ele deu um sorrisinho antes de responder:

–Você sabe o que eu vou fazer, Lily...

E beijou-a.

E Lily não o afastou.

James tomou os lábios da ruiva nos seus em um beijo calmo, mas cheio de sentimentos. Por Deus, ele gostava tanto dela... Seu braço direito apertou a cintura dela contra si, enquanto a outra mão subiu por suas costas, para passear por entre as mechas ruivas. Lily, no entanto, ficou na pontinha dos pés, e deixou com que ele aprofundasse o beijo, passando seus braços pelo pescoço dele. Estava completamente rendida.

Ele sentia as mãos delicadas de Lily bagunçando seus cabelos, e sorriu por entre o beijo. Ele sempre soube que ela não teria forças para resistir por muito tempo... A boca da ruiva era como ele sempre imaginou: completamente deliciosa de se beijar. O maroto ouviu um resmungo vindo dela quando dele a apertou mais em sues braços, como se tivesse certificando-se de que aquilo não era mesmo um sonho.

–Lily... -Falou James, com sua voz rouca, quando ele parou de beijá-la, mas não distanciou seu rosto do dela. -Fica comigo, Lily...

Mas ela não respondeu. Apenas puxou-o pela nuca para seus lábios grudarem novamente nos dele, começando um beijo mais feroz que o anterior. James não reclamou, apenas retribuiu com mais fervor, tirando Lily do chão.

Não importava que havia acabado de brigar com ele, não importava o fato de ele ter se atrasado para a ordem, não importava que ele fosse James Potter. Lily não estava preocupada com nada naquele momento, apenas em manter seus lábios nos dele até que seus pulmões clamassem por ar.

–Eu não aguento mais, Lily..-Voltou a dizer James, com a respiração ofegante, enquanto Lily encostava a cabeça em seu peito. — Namora comigo, Lily..?

Ela afastou seu rosto do peito dele, abrindo seus olhos e se deparando com um maroto de cabelos totalmente bagunçados e com o óculos torto na cara.

Incapaz de dizer alguma coisa naquele momento, Lily apenas balançou a cabeça, assentindo, e viu um sorriso lindo nascer nos lábios de James. Então, voltaram-se a se beijar.

Lily não conseguiria lhe negar nada naquele momento...

Ele lembrava-se bem daquele dia, e achava que nunca seria capaz de esquecer. Ele e Lily passaram boa parte da noite trancados na sala, se beijando. Não pensando em nada, a não ser em eles mesmos. Ficaram lá, sentados no chão, de mãos dadas e de lábios colados, até finalmente conseguirem se desgrudar um do outro, lembrando-se de que teria o outro dia.. e o outro, e a outra semana, os outros meses e até o fim da vida deles...

–Você ouviu o que eu disse, Pontas? — Perguntou Sirius, que estava em pé do lado da porta, olhando-o.

–Hã? Que é?

–Disse que a sua mãe está nos chamando! Anda logo que eu estou faminto. A comida do Aluado não chega nem aos pés da dos elfos dessa casa...

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1- Esse jantar com Petúnia e Valter e James e Lily realmente aconteceu. Tia J.K. Rowling revelou isso em um dos primeiros capítulos do Pottemore.

2- Sirius passou a morar sozinho desde seus 17 anos, sendo sustentado pelo dinheiro de um tio falecido. Essa informação consta em HP5.

Notas finais
Heeeeeeeeeey... me desculpem pelo tamanho do cap.. mas é que eu posto tbm em outro site, e lá os leitores reclamam que o cap ficou pequeno.. Mas, espero realmente que vocês tenham gostado. Eu não curti muito esse cap kkk.
A fic terá um pouco de Dorcas e Remus e Sirius e Marlene!
Comentem! Me contem tudo! Critiquem" haha
Beijão!
Giks xx