Attack On The Crazy
1 E assim nós fomos presos.
Notas iniciais
Boa leitura!
Era noite de domingo, mas não uma noite de domingo qualquer. Era a última que quatro amigos passariam juntos antes das aulas começarem. Adam, que era o mais animado, se ofereceu até para pegar mais uma bebida só para exibir sua roupa, que por sua vez estava realmente muito chamativa: uma camisa preta coberta por uma jaqueta dourada brilhante que realçava seus cabelos azuis, calça jeans pretas e um tênis que mais dava a impressão de que ele estava indo para o carnaval fantasiado de árvore de natal – piscava a cada pisada que ele dava.
No caminho para balcão do bar, duas mulheres passaram encarando-o feio, e ele não poupou o deboche e deu um leve beijo no ombro. Voltando para mesa já com as bebidas, lá estava Kido – um garoto asiático de cabelo preto, liso e grande ao ponto de às vezes cobrir o olho direito, vestido todo de preto–, Claire – de cabelo preto e ondulado usando tranças e parecendo uma criancinha retardada, usando roupas pretas e vários anéis que, provavelmente, eram roubados, já que ela podia ser quase considerada uma cleptomaníaca – e Kimberly – cabelo ruivo alaranjado, liso com franjinha, usava calça legging e uma blusa em homenagem a sua diva, Demi Lovato. Sentando em seu lugar, Adam distribuiu as bebidas para cada um, e com uma na mão, Kimberly falou:
–Qual era a daqueles “restinhos de aborto” que passaram te encarando, Adam?
–Não sei, mas beijinho no ombro pro recalque passar longe. – Disse Adam batendo três vezes na mesa, que nem era de madeira, e sim de metal.
–Não liguem para elas, estão aqui pelo mesmo motivo que a gente: Despedida de férias! – Falou Claire.
–Como você sabe? – Perguntou Kido.
–Pelo jeito que elas andam, parecem duas putas de colegial. – Todo mundo caiu na gargalhada, assustando algumas pessoas que estavam perto.
–Ok, vamos parar. Mas Claire, você é cruel! – Sussurrou Adam.
–Me ame mais!
Depois de um longo tempo conversando na mesa, Kimberly, Claire e Adam resolveram dançar, e só Kido ficou sentado no balcão observando o ambiente, que era grande e estava lotado de jovens e infestado com um alto som de música eletrônica.
–Se James estivesse aqui, ele me faria companhia e ficaríamos rindo do jeito tosco que as pessoas dançam. – Falou Kido para si mesmo.
–Falou algo, meu jovem? – Perguntou um garçom, que limpava uma mesa.
–Não, não! Tô falando sozinho. Ignore, por favor...
–Esses jovens de hoje... – Saiu resmungando o garçom.
Depois de um longo tempo na pista de dança, Kimberly deixou cair, por acidente, seu brinco, e ficou desesperadamente procurando por ele pelo chão da pista, sendo empurrada e pisoteada. Até que, finalmente, ela o achou e colocou-o na orelha, depois disso, voltou a dançar. Mais tarde quando Kido já estava dormindo no balcão, Claire parecendo que tinha tomado um banho de tão suada, Adam de ter perdido todo o seu brilho e Kimberly os dois brincos, eles resolveram acordar Kido e voltar para mesa. E com uma ou duas olhadas para os “restinhos de aborto”, Kimberly percebeu que seus brincos estavam na orelha de uma delas.
–Para tudo! Aqueles são meus brincos!
–Se são seus, por que estão com outra pessoa? – Perguntou Kido logicamente correto.
–Não sei, vou saber agora! – Exclamou Kimberly já andando em direção à garota.
–Espera Kim! – Exclamou Claire também em direção à garota.
–Me esperem! Não façam barraco sem minha humilde presença! – Agora foi Adam que berrou.
Kido ficou sozinho na mesa, então voltou a dormir. Parando em frente à garota com os supostos brincos da Kimberly, ela colocou as mãos na cintura e falou:
–Onde você achou esses brincos?
–Oi? Te conheço? – Rebateu a garota.
–Não, deve ser por isso que eu não te emprestei meus brincos! – Ironizou Kimberly.
–Como assim? – Perguntou a garota.
–A única ladra que está nesse bar é a Claire!
–Isso é uma doença! – Falou Claire para esclarecer as coisas.
–Quem é Claire? Do que você está falando? Esses brincos? Foi meu pai quem me deu! – Exclamou a garota meio confusa.
–Ah, é?! Então chama ele aqui, sua vagabunda! – Kimberly passou do nível “revoltada” para o nível “se você não devolver meus brincos eu faço um escândalo”.
–Mas é claro que eu chamo, ele é o dono desse estabelecimento!
–O que essa garota tá dizendo? O que significa estabelecimento?! – Exclamou Kimberly para todo o bar ouvir.
–Kimberly, é melhor a deixar ficar com os brincos, o pai dela é dono desse bar! – Sussurrou Adam.
–É claro que não! O brinco é meu e ele estava custando R$10,99 na liquidação!
E com isso, Kimberly partiu pra cima da garota, deu tapa, chute, cuspe, puxão de cabelo. Adam e Claire conseguiram separar as duas, com a ajuda de um senhor, que, provavelmente era o pai da garota – dono do bar.
–Quero ver todos vocês fora do meu bar! Agora! – Exclamou o senhor que estava vermelho de tanta raiva.
–Mas sua filha tá com meu... – Kimberly foi interrompida pelo balconista.
–Senhorita? Achei esses brincos no chão da pista de dança, já que todo mundo parou de dançar para ver esse barraco, então deduzi que fosse seu. Tome.
–Mas... Mas... Obrigada. – Falou Kimberly sem jeito
–Amiga, fodeu! – Exclamou Adam já prevendo o que ia acontecer.
Surgiram seguranças de tudo quanto é canto do bar para jogar todos eles na rua. Claire acordou Kido que já estava até babando na mesa. Quando já tinham sido expulsos do bar, Kimberly falou em um tom de revolta:
–Eu não paguei a conta desse muquifo pra parar no meio da rua!
–Calma, olhem aqui o dinheiro de todos vocês, peguei do caixa quando a gente estava sendo expulso. – Falou Claire tranquilamente.
–Claire, você é a bandida mais legal do mundo! – Exclamou Kido com uma felicidade gigante, coisa difícil de ver.
Na manhã seguinte, todos eles tinham que acordar cedo para ir à escola – primeiro dia de aula na terceira série do ensino médio. Mas cada um recebeu uma visita muito desagradável antes de sair de casa, inclusive James, o garoto que não foi ao bar na noite anterior porque estava doente. Na casa da Claire:
–Deixe que eu abra a porta, mãe!
Depois que a porta foi aberta:
–Claire Williams? Você está presa. – Falou o policial já algemando a garota.
–Mas como assim? Ainda nem tomei café, moço!
Na casa do Adam:
–Posso lhe ajudar seu policial?
–Sim. Estou procurando o senhor Adam Brecht.
–Sou eu, o próprio e único. Por quê?
–Você está preso.
–Santa bicha louca!
Na casa da Kimberly:
–Não existe nenhuma Kimberly Flowers aqui senhor, garanto-lhe.
–Você mora sozinha? – Perguntou o policial.
–Sim.
–Você está presa.
–Não! Eu não moro sozinha! Minha cadela está lá dentro, ela se chama Kimberly! – Gritou ela enquanto estava sendo algemada.
Na casa de Kido:
–Senhor Kido Cata-Rato, você está preso.
–É Kayaharo! Kayaharo, porra!
–Tanto faz! – Exclamou o policial impaciente enquanto algemava Kido.
Na casa de James:
–Senhor James Bolton, você está preso.
–Hã? Como assim? Eu não fiz nada! – Exclamou James muito confuso.
–Diga isso ao juiz. – E então James foi algemado.
Depois que todos se encontraram na delegacia algemados, os quatros que estavam na noite anterior encararam James e exclamaram na mesma hora:
–James?!
–Vocês?... Espera um pouco, o que vocês fizeram ontem à noite?! – Gritou James raivoso.
–Uma longa e desastrosa história. – Falou Kimberly olhando o amigo todo pronto para ir à escola: calça jeans, camiseta, moletom e uma mochila com as coisas escolares nas costas.
Já na cela, eles contaram toda a história para James e o porquê que ele estava lá também. Provavelmente, os “restinhos de aborto” já tinham ouvido falar do quinteto que sempre anda junto e deduziram que James também estaria no bar naquela noite. Ele era o mais inteligente e podia-se dizer que o líder do grupo. Todos eles perderam o primeiro dia de aula, e a escola toda já podia estar sabendo que eles estavam presos, porque a fofoca rola solta. Depois de um longo dia na cadeia, muito ao contrário do que eles pensavam, suas famílias pagaram a fiança e eles puderam sair.
No dia seguinte, todos tiveram que ir à escola, e enquanto para as outras pessoas já era o segundo dia de aula, para eles ainda era o primeiro. Encontraram-se lá, e ninguém falava com eles, coisa difícil de acontecer, porque sempre foram muito conhecidos. Adam se revoltou e colocou cartazes por toda a escola, escrito “Falem com a gente, somos legais!”. Sem falar na foto de cada um que tinha no cartaz. E Claire ficou chateada porque pegaram a pior foto dela.
No mesmo dia, a diretora chamou todos os cinco à coordenação, para esclarecer toda essa confusão.
–Eu quero saber quem foi que deu permissão para vocês espalharem pela escola toda cartazes como esses! – Exclamou a diretora com a cara fechada. Kimberly a chamava de buldogue ou demônio mesmo.
–Eu posso explicar, diretora. – Falou James.
–Não, ninguém precisa explicar nada, porque bem no final dos cartazes estão escrito os nomes de vocês como autores!
–Adam! – Exclamou Claire.
–Quieta, Srta. Williams! A partir da semana que vem, como castigo, vocês terão de fazer trabalhos voluntários dentro da escola durante duas semanas!
–Mas diretora, e os meus estudos?! – Falou James.
–Ora, Sr. Bolton, eu não mandei vocês vandalizarem a escola!
–Mas são só cartazes! – Exclamou Kimberly.
–De papéis reciclados! – Dessa vez foi Adam.
–Não me importo, são cartazes que mancharam a escola com essa fita super colante!
–Porra, vocês ainda tinham que botar fita super colante?! – sussurrou Kido para Claire.
– Foi a única que deu pra roubar! – Sussurrou Claire de volta.
–Ok, diretora. Faremos esses serviços voluntários. – James falou pelo grupo, que ficou chateado com o sermão.
Por fim, a escala de serviços voluntários ficou essa:
• Auxiliar da professora no maternal: James e Kimberly.
• Auxiliar na cantina da escola: Kido e Adam.
• Auxiliar de segurança nos corredores: Claire.
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