Notas iniciais
Nome do capítulo altamente criativo, hein!

Kimberly estava muito irritada. Entrou na escola bufando, ameaçando derrubar os livros de quem se aproximasse dela e pisando com força no chão, quase a ponto de quebrar seus saltos altíssimos. Claire, à distância, ao ver o estado da amiga, começou logo a rir. Quando a ruiva se aproximou, Claire não aguentou mais e teve uma crise de risos.

–Qual é a graça, diabo cleptomaníaco? –Perguntou Kimberly, ríspida.

–A graça é... que você é quem está parecendo o diabo! –A menina sardenta não parava de rir do olhar indignado da outra. –Para de me olhar com essa cara de cú.

–Desculpa, mas eu só tenho essa cara.

–Se fodeu, então.

E Claire voltou a rir loucamente, até que a ruiva lhe deu um belo tapa na nuca e ela ficou subitamente séria.

–Isso é só por causa do trabalho que a diretora nos mandou? –Claire perguntou. –Qual é o seu mesmo...?

–Auxiliar de professora do maternal! –Berrou Kimberly, pisoteando o chão com violência novamente. –Eu não tenho vocação para isso! Vou acabar matando todas as criancinhas...

–Deixa de ser idiota.

–E você vai fazer o que mesmo?

Claire abriu sua mochila, e dela tirou um megafone amarelo. Kimberly franziu a testa.

–Segurança dos corredores! –Respondeu Claire pelo megafone, quase deixando a amiga surda.

À distância, uma coordenadora gritou:

–Claire Williams, é proibido usar megafones no corredor!

Kimberly olhou para Claire com cara de: “isso vai dar uma merda muito grande”, e a cleptomaníaca deu de ombros, indiferente. A coordenadora ficou na porta de sua sala, encarando as duas meninas que conversavam como se elas estivessem prestes a começar um incêndio na escola.

–Onde conseguiu o megafone? –Perguntou ela.

Claire abriu um sorrisinho maligno e Kimberly deu três passos para trás.

–Esqueça, eu não quero saber! –E ela saiu correndo pelo corredor.

Claire pegou seu megafone e gritou:

–Kimberly Flowers, é proibido correr nos corredores!

–Williams! –Berrou novamente a coordenadora.

–Ai, que cú. –Resmungou Claire, guardando o megafone.

Perto do refeitório da escola, Kido estava sentado a uma mesa, ouvindo música em seu fone e rabiscando o dever de matemática que ele se esquecera de responder quando estava em casa. De repente, alguém puxa uma cadeira e a coloca ao lado da dele. Kido vira o rosto e encara o sujeito com cara de “saia daqui, filho de uma quenga”, até ele perceber que era Adam.

Os cabelos azuis do garoto estavam bagunçados, ele usava uma bandava vermelha amarrada na testa e um casaco camuflado. Seus olhos tinham um brilho esquisito.

–Não vou perguntar. –Murmurou Kido.

–O quê?

–O motivo de você estar vestido assim. Aposto que não quero saber.

Adam bufou e murmurou algo como “ratter”, e Kido tinha certeza de que o garoto o estava xingando em alemão. Adam só falava em alemão, a língua de seus pais, quando queria dizer algo que, em português, resultaria num chute bem no meio da cara.

–Eu estou pronto para a guerra! –Anunciou o garoto.

–Que guerra, seu retardado? –Perguntou Kido, entediado.

–A guerra da cantina! –Disse Adam. –Eu sempre achei que as tias da cantina sofriam muito. E hoje eu serei uma tia da cantina.

–Você sabe o quanto isso soou estranho?

–Foda-se. –Disse Adam. –O que é isso que você está fazendo?

–Meu dever de matemática.

–É O QUÊ?!

Kido deu um tapa na própria testa.

Enquanto isso, James andava tranquilamente pelos corredores da escola, quando viu uma garota do conselho estudantil tentando arrancar um dos cartazes que Adam e Claire haviam colado pela escola toda com fita extremamente resistente. Vendo que ela não iria conseguir arrancar o cartaz até a próxima vida, ele se aproximou.

–Oi, quer ajuda? –Perguntou James, sendo simpático e abrindo seu sorriso Colgate.

Assim que ela virou o rosto para ele, o garoto se arrependeu imediatamente. Era uma dos “restinhos de aborto” (como dizia Kimberly), a filha do dono do bar, que estava com o cabelo todo ferrado por causa dos puxões e tinha um hematoma no braço. Ela olhou para James com cara de nojo.

–Ora, ora, ora, se não é James Bolton, o delinquente. –Falou, colocando as mãos na cintura e fazendo um olhar arrogante.

–Ei. –Protestou James. –Eu nem estava lá quando “aquilo” aconteceu. Por que sou um delinquente?

–Claro que estava! Eu vi você lá!

–Não, não. Acho que a Kimberly bateu muito forte na sua cabeça, e...

–Me respeite, garoto!

–Mas...

A garota deu meia-volta com estilo, jogando seus cabelos vermelhos no rosto de James, que acabou ficando um monte na boca sem querer e começou a tossir. Ela foi embora desfilando, e James ficou ali parado com um ar indignado.

Mais tarde, depois das primeiras aulas, Claire foi para os corredores. Kido e Adam foram virar “tias da cantina”, e o trabalho de James e Kimberly só começaria no final do dia, para a sorte deles.

Na cantina...

–Não vai dar certo! Eu não estou pronto para a guerra! –Berrou Adam, sacudindo Kido loucamente.

–Me solta! –Berrou o asiático. –Você vai me fazer vomitar meu pâncreas!

–Foda-se o seu pâncreas, eu não quero servir comida!

Kido deu uma cotovelada em Adam, que cambaleou para trás. Em seguida, ele murmurou um “ai” ofendido e afeminado. Kido revirou os olhos.

–Ande logo, os alunos vão começar a chegar e temos que esquentar esse monte de comida.

–Eu SABIA que essa comida era requentada... –Murmurou Adam.

–Cala boca e trabalha, miséria.

Adam fez uma careta. Enquanto Kido arrumava toda a comida, Adam ficava limpando as coisas com cara de quem quer morrer, quando de repente um garoto alto, bronzeado e de olhos verdes apareceu e entrou na fila para comprar sua comida. Adam derrubou o pano no chão e fingiu que ia desmaiar.

–Ai, me segura, Jeová!

–Que é? –Perguntou Kido, desinteressado.

Adam abriu um sorriso de garanhão, soltou um gemido estranho e em seguida miou como um gato.

Kido e todas as pessoas que estavam perto dele fizeram caretas.

–Que porra foi essa? –Perguntou o asiático.

–Meu canto de acasalamento.

Nos corredores, Claire berrava com seu megafone:

–Não masque chicletes no meu corredor! Não corra no meu corredor! Não dance no meu corredor! Amanda, eu estou vendo isso! Não pode me dar dedo no MEU corredor!

Kimberly e James foram passando, quando Claire berrou:

–NÃO PODEM NAMORAR NO CORREDOR!

James olhou para tudo que é lado, perguntando-se se era com ele.

–Você é doida, Claire? –Perguntou Kim. –Você sabe que não somos namorados.

–Não posso ser chamada de doida no meu corredor. Quer uma advertência, Flowers?

–Acho que ela tá vendo filmes colegiais demais. –Murmurou James.

–Você leu o livro de regras, garota? –Kimberly perguntou a amiga, erguendo uma das sobrancelhas.

–Hã, não. –Respondeu Claire. –Estou improvisando. Dá pra perceber?

Kimberly e James se olharam, e sem dizer nada, saíram andando pelo corredor ouvindo Claire berrar: “Não podem me deixar falando sozinha no MEU corredor!”

De volta à cantina, quando o paquera de Adam teve sua vez na fila...

–Cara, você é como o sucrilhos Kelloggs. –Disse Adam. – Desperta o Tigre em mim.

Kido começou a se engasgar lá atrás.

O garoto de olhos verdes olhou para Adam sem expressão nenhuma por alguns segundos e então falou:

–Moço, me dá minha pizza, por favor?

–Você tem twitter? –Perguntou Adam, ignorando a pergunta. –Por que minha mãe me mandou seguir os meus sonhos.

E Kido começou a sufocar lá atrás.

–Hã... Minha pizza, por favor.

–Pare de ser insistente! –Disse Adam. –Comida não é tão importante assim. Você pode viver sem ela!

O paquera franziu a testa e perguntou:

–Posso?

Esperto como a Kim.

–Claro que pode! Mas eu não posso viver sem você!

Kido estava praticamente tendo convulsões, chutando o chão e arrancando os cabelos. Ele puxou Adam para trás, entregou uma pizza quente ao garoto de olhos verdes e gritou:

–Corra para o mais longe possível! E não olhe para trás!

O paquera de Adam saiu correndo num piscar de olhos com sua pizza (o verdadeiro amor de sua vida), e Adam começou a choramingar em alemão.

–Você supera essa, cara. –Disse Kido.

–Cala boca, Caça Rato. –Berrou Adam, procurando uma faca para cortar os pulsos.

Mais tarde, Claire fora parar na coordenação por ter roubado um megafone e quase ter deixado todo mundo surdo, Adam fora parar lá também por perseguir o garoto de olhos verdes ao invés de trabalhar, e Kido por atirar um bolinho na cabeça de uma garota que havia tentado zoar com a cara dele:

–Uma pizza? –Perguntara a menina. –Mas eu pedi um pastel...

–Ah, desculpe. –Disse Kido, franzindo a testa e pegando a pizza de volta. Foi buscar o pastel. Quando voltou e o entregou, a menina disse:

–Pastel? Opa... Eu disse pastel? Era para ser um sanduíche.

Kido revirou os olhos, irritado, e levou o pastel de volta. Quando ele trouxe o sanduíche, a garota e suas amigas estavam rindo. Ela disse:

–Tenho certeza de que pedi para você pegar um bolinho.

–Você quer um bolinho? –Perguntou ele com um ar inocente.

–Sim. –Respondeu ela.

–Então toma! –Berrou Kido, tirando um bolinho da bandeja e o atirando no rosto da garota.

Depois de um sermão enorme sobre educação e autocontrole, e, é claro, ligações para os pais, os três alunos foram liberados da coordenação. James e Kim os esperavam do lado de fora.

–Que feio... –Disse ela em tom reprovador. –Não conseguem fazer um trabalho sem irem parar na coordenação? O futuro da nação está perdido.

–Do que você tá falando, garota? –Perguntou Kido. –Você nos fez ser expulsos de um bar e até fomos presos!

–Mas eu NÃO fiz vocês pararem na coordenação. –Disse Kim, triunfante.

Adam ergueu os braços e gesticulou como se pedisse que um raio caísse na cabeça da garota.

–Vamos pra casa, gente. –Disse Kim.

–Casa? –Claire, Adam e Kido falaram ao mesmo tempo, maliciosos.

–Hã, é...

–Nada disso, mocinha. –Disse Adam, negando com o dedo indicador e sorrindo. –Você vai trabalhar com os pirralhinhos, lembra?

Kimberly pareceu querer desmaiar ali mesmo. Ela começou a se abanar dramaticamente.

–Ah, não! –Resmungou. –Eu tinha me esquecido.

–Não tinha nada. –Disse James. –Você só queria nos fazer pensar que não tínhamos mais nenhum compromisso e ir para casa.

–A Kim não tem inteligência pra arquitetar um plano desses. –Disse Claire, sendo fitada mortalmente pela amiga. –Sem ofensas.

–Tá! –Berrou Kimberly, irritada. –Vamos logo para aquele inferno, James!

–Que horror... –Disse James.

–Cala boca e me segue. –E com isso, a menina saiu desfilando pelo corredor.

Notas finais
O capítulo não foi editado ainda, então qualquer problema, avise-nos! Agradecemos pela leitura.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.