Através das Eras
2 Escola Militar
Notas iniciais
— Então você viu uma garota que era idêntica à que aparece no seus sonhos? – Edmund não entendeu o porquê daquela confirmação, ele não tinha acabado de dizer aquilo para a psicóloga?
Ele estava novamente naquela cadeira, respondendo perguntas que talvez o ajudariam mais tarde.
— Sim... – Ele resolveu falar mais. – E depois do encontro eu tenho sonhado muito mais com ela, isso está realmente me assustando. – Foi honesto.
A psicóloga começou a pensar sobre algo, ela parecia ter chegado a uma conclusão, contudo não tinha total certeza, então resolveu não compartilhar por hora.
— Deixe-me perguntar algo: você já sonhou com ela acordado alguma vez? – Ela pergunta.
— Sim! – Edmund responde de imediato, na esperança dela saber o que estava havendo. – Na verdade foi bem estranho, foi quando eu estava com dificuldade para... – Resolveu não contar que ele não sabia cozinhar.
A psicóloga esboçou um sorriso com a resposta.
— Entendo... – Ela anota algumas coisas em um pequeno bloco de notas. – Acho que eu sei o que você tem.
— Sério?! – Edmund quase grita de felicidade.
— Sim. – A psicóloga se levanta e sai do quarto por alguns minutos. Quando volta, ela traz consigo um copo de água. – Antes de começarmos o tratamento, é necessário que você tome esse medicamento, ele será necessária.
Edmund estende a mão e pega o copo. Antes de beber ela dá uma boa olhada para água, cheira, como uma criança que examina um remédio antes de beber, percebeu que realmente tinha algo na água. Por fim, ele bebe por inteiro a água.
— E agora? – Edmund pergunta.
— Nós esperamos o efeito do remédio. – Ela sorri.
— E como vamos saber se funcionou... – Com um ataque de sono repentino, Edmund dorme na cadeira onde estava.
Através das Eras
— Eu me lembro agora! – Edmund levanta em um estalo da maca onde estava, mas se acalma e senta novamente.
Agora ele se lembrava de como tinha parado lá. Ele se irritou bastante ao saber que foi levado à força.
Percebendo que o paciente tinha acordado, a mesma enfermeira que tinha falado com ele com o velho militar se aproxima.
— Vejo que está bem. – Ela sorri para ele. – Conseguiu se lembrar agora?
— Sim... – Ele fala baixo, contendo a raiva e se acalmando novamente.
— Então me acompanhe. – Ela espera até que ele levante.
Quando consegue se levantar da maca, Edmund consegue sentir um par de calçados em seus pés. Rapidamente ele os calça e passa a seguir a enfermeira.
— Nós estamos indo para onde? – Ele pergunta.
— Até o escritório do diretor dessa instalação. – Ela responde.
Enquanto andavam, Edmund ficou observando e analisando por onde passavam. Parecia ser um lugar bem seguro, realmente era uma instalação do governo.
Depois de um tempo, os dois chegam até uma porta um pouco maior que as outras, nela estava escrito: “Diretor”. Edmund achou que aquilo era bem parecido com uma escola, até porque ele viu no caminho muitas pessoas com idades próximas da de Edmund.
A enfermeira bateu três vezes e após um tempo os dois entraram.
Edmund se surpreendeu com o fato do diretor ser exatamente aquele velho militar que tinha falado com ele na ala médica.
— Você é o diretor, mas você não é um militar? – Edmund pergunta.
— Eu já fui um militar, agora estou velho e aposentado. – Agora, ele tinha um ar bem mais agradável do que quando falou com Edmund antes.
— Desculpe, mas eu não sei o seu nome...
— Eu me chamo Martin Scorsese, sou o diretor dessa escola.
— Escola?! – Edmund perguntou surpreso.
— Sim, uma escola própria para os Salvatore. Essa é verdadeira identidade da instalação subterrânea G-10. – Edmund não conseguia acreditar, aquilo era um colégio militar?
— Meus pais sabem onde eu estou? E minha outra escola? Meus amigos? – Edmund começou a bombardear Martin com perguntas.
— Calma, calma... – Edmund se acalmou. – Não se preocupe com seus pais, temos uma autorização deles. – Martin pegou um papel em uma gaveta e entrega até Edmund. – Você foi transferido para cá, suas aulas irão começar amanhã. – Ele termina com um sorriso.
— O que?! – Edmund não aceitava que algo assim ocorresse sem o seu consentimento.
— Bom, agora vou te explicar algumas coisas. – O loiro não gostava como aquele velho simpático atropelava as vontades dele.
— Nesta escola, de manhã você terá aulas normais com professores excelentes. De tarde você terá treinamento para se lembrar da sua vida passada e aprender a fazer o que fazia nela. – Isso fez Edmund lembrar da vez quando ele cozinhou algo com uma memória.
— Aqui os alunos são postos em dormitórios normalmente através de sorteios, sempre combinando pessoas do mesmo sexo, para que não ocorra coisas “desagradáveis”. – O velho deixou para Edmund entender o que seriam essas coisas.
— Porém há casos especiais de duas pessoas que se conheciam em uma vida passada, aí elas serão obrigadas a dividir um quarto, isso é, se eles não tiverem sido inimigos em uma outra vida.
— Agora explicarei mais coisas sobre os Salvatore. – Edmund resolveu prestar mais atenção nessa parte, parecia importante.
— Na instalação G-10 apenas aqueles com menos de dezoito anos são aceitos, porém existem Salvatore mais velhos. E apenas aqueles que em outra vida empunharam uma arma divina conseguem reencarnar em um Salvatore.
— Arma divina? Como assim? – Edmund não tinha entendido.
— Existe uma lenda desde eras mitológicas que um dia os deuses desceram até a terra e deixaram centenas de armas extremamente poderosas, conhecidas como armas divinas. Mas é só uma lenda, ninguém sabe a real história por trás dessas armas.
— Continuando: Existem dois tipos de Salvatore: aqueles que tem uma arma divina ofensiva e são lutadores corpo-a-corpo – os guerreiros – e aqueles que tem uma arma divina de suporte e podem usar magia – os magos.
— Eu consigo entender as armas divinas ofensivas, mas como são as de suporte? E com assim magia? – Era muito difícil para Edmund engolir tudo aquilo de uma vez só.
— As armas divinas de suporte não são realmente armas. São objetos que ajudam os Salvatore do tipo mago, como uma arma divina que dá asas, cria uma barreira defensiva e etc... – A primeira pergunta tinha sido respondida.
— Eu sei... É realmente difícil acreditar em magia não é? – O diretor estica seu braço e uma chama negra surge do nada na palma da sua mão. – Mas é verdade. Ela sempre esteve aí, mas era camuflada pela ciência.
— Por exemplo: A viagem do homem até a lua, é óbvio que aquilo foi obra de uma série de magos, porém nas mídias foi divulgado que aquilo foi conseguido através de propulsores do foguete em ignição.
Aquilo sim era realmente difícil de aceitar. Martin estava dizendo que boa parte das coisas que Edmund sabia poderiam ser uma total mentira. Edmund não queria aceitar esse fato, mas a prova estava em sua frente. O fogo negro que saía pela mão do diretor era inexplicável.
— Bom, acho que você deve ter entendido. – Ele pegou outro papel na mesma gaveta e o entregou a Edmund. – Aqui estão os seus horários e o número do seu dormitório. Seus pertences e seus matérias já estão lá.
— Mais alguma coisa? – Edmund parecia mais calmo agora, mas ainda estava um pouco abatido pela notícia recebida.
— Não, apenas aproveite seu tempo aqui e aproveite a juventude. – O velho deu um sorriso bem carismático e voltou sua atenção para a papelada disposta em sua mesa. – Vocês já podem ir.
— Por aqui, Edmund. – A enfermeira o guiou da saída até o seu dormitório.
Quando chegaram, Edmund se espantou com o tamanho do seu quarto, era maior do que o da sua casa, mas como era para dois, então teria que ser dividido ao meio.
— Quem é meu companheiro de quarto? – Edmund queria conhece-lo.
— Você não tem um, esse quarto estava vago, então você terá que esperar até que mais alguém se transfira. – Edmund se entristeceu por estar sozinho. – Então eu vou indo, até mais.
Ela se despede.
Através das Eras
— Entendam! É extremamente necessário que vocês se lembrem tanto quanto possível sobre suas vidas passadas, se possível, tente se lembrar sobre tudo. – O treinador fala.
Edmund estava na sala de treinamento da escola, ela era gigante e toda branca, parecia ser feita de um material bem forte, para que todo dano permanecesse do lado de dentro.
Não tinha mesas ou cadeiras lá, o professor ficava em pé na frente e os alunos se sentavam no chão e o ouviam.
O treinador não parecia nenhum pouco agradável, ele era todo musculoso e parecia que iria te matar cada vez que você olhasse nos olhos dele. Alguns alunos tinham até medo de perguntar alguma coisa.
— E-eu tenho pergunta. – Uma garota levantou a mão, mas quando o treinador olhou para ela, a garota rapidamente abaixou a mão, tendo medo de perguntar.
— Pode perguntar, não se acanhe. – Ele tenda dar um sorriso para acalma-la, mas foi tão grotesco que ela se assustou ainda mais.
Talvez ele não fosse mal, apenas tinha um jeito assustador mesmo.
— Por que nós temos que lembrar de tudo, até mesmo de momentos inúteis? – Um garoto do lado da garota que levantou a mão perguntou, depois ele dá um sorriso para ela, bancando de corajoso.
— Qual é o seu nome? – Ele perguntou. Edmund notou que o garoto quase trava, mas conseguiu continuar.
— C-Claus, senhor! – Ele responde gaguejando.
— Claus, não existe essa de memória inútil. Alguns momentos até podem parecer chatos, mas não desvalorize nenhum pensamento. – O treinador coçou a cabeça. – Talvez não consiga entender agora, porém mais tarde você entenderá.
Para Edmund esse treinador pareceu ser um cara inteligente.
— Então começaremos forçando suas cabeças, para que vocês se lembrem de memórias muito antigas. Não se sinta mal se você não conseguir de primeira, alguns demoram até uma semana para conseguir. – Ele senta no chão depois de terminar de falar.
O treinador começou. Ele sentou em uma posição de meditação e pediu para os alunos o imitarem. Edmund fez tudo que lhe era possível para conseguir se lembrar, seria maravilhoso se lembrar mais sobre Eufemie.
E foi com esse pensamento que Edmund começou o treinamento.
Através das Eras
Edmund agora estava na sua cadeira na sala de aula.
As suas aulas normais ainda não tinham começado, porém ele sempre chegava cedo.
— Ei pessoal, olha lá, O Pior! – Alguns dos seus colegas mais traiçoeiros o chamavam assim por causa da sua inaptidão, mas ele sabia que os outros pensavam o mesmo.
Edmund estava extremamente aborrecido com seu rendimento. Ele realmente não esperava fazer progressos logo de primeira, nem de segunda, mas já havia se passado um mês! Ele até foi levado até a sala do diretor por isso, onde teve que responder muitas perguntas.
Seu treinador tinha falado que os casos mais lerdos demoravam duas semanas, Edmund tinha chegado ao dobro disso. O diretor tinha lhe falado no dia anterior que talvez suas memórias não consigam fluir por algum motivo.
Talvez Edmund precisasse de algo que desse um “empurrãozinho”.
O grande problema era que Edmund já tinha tentado muitas coisas durante a noite anterior, contudo nenhuma delas tinha funcionado. Ele estava começando a desistir. Afinal, seus sonhos eram realmente sobre uma vida passada? Sua história com Eufemie realmente aconteceu?
A garota que ele tinha visto que era idêntica à Eufemie foi uma ilusão?
Esses pensamentos poderiam ter se tornado uma coisa perigosa se Edmund não tivesse sido interrompido pela voz do professor.
— Turma, pode parecer repentino, mas temos uma aluna transferida que chegou hoje, então sejam legais com ela. – Ele olhou para alguém que estava do outro lado da porta. – Venha.
Entrou uma garota, aparentemente da idade de Edmund, com uma pele bem clara contrastando com seus cabelos negros. Porém o que lhe chamou atenção foram os seus olhos verdes claros.
Era realmente ela ali? Ele estava vendo uma ilusão? Edmund não sabia se estava feliz ou confuso.
Ele olhou para seus colegas e percebeu que eles também conseguiam vê-la, então ela não era uma ilusão, então ela existia e ele era um Salvatore! Ninguém dali conseguiria entender a paz que a garota tinha lhe passado apenas por estar lá.
— Prazer, meu nome é Stella! – A tom de voz dela, o jeito, tudo nela lembrava Eufemie. – Espero que possamos ser amigos!
A garota correu os olhos pela turma inteira, porém ela ficou bastante tempo encarando Edmund, como se tivesse visto um amigo de infância. Ela percebeu que ao lado dele tinha um lugar vago, então ela rapidamente se apossou dele.
— Coitada da novata... Vai ficar ao lado do Pior! – Os mesmos garotos voltaram com as piadinhas. Edmund apenas rangeu os dentes em descontentamento.
— Ei! Não falem assim dele! – Stella se levantou. Ela pareceu ficar irritada com os insultos. – Ele é... – Ela foi interrompida.
— Não tem problema... – Edmund puxou o braço dela, a fazendo sentar novamente. – Eles são insuportáveis, mas estão certos, eu sou o pior Salvatore que já existiu. – Stella pareceu se chocar com isso.
— Co-como assim...? – Ela parecia não acreditar em Edmund.
— Eu não consigo me lembrar direito da minha vida passada. – Ele assumiu.
— Mas isso não dá o direito... – Ela parou ao ver a expressão de Edmund, ela percebeu que ele também queria revidar os insultos.
— Eufemie... Entenda que contra fatos não há argumentos. – Edmund nem percebeu do que tinha a chamado.
— Eufemie? Mas meu nome é Stella. – A garota pareceu estranhar algo.
— Ah! – Ele se envergonhou, se esquecendo dos insultos. – Desculpe... É que você me lembra alguém.
— Então somos dois! – Ela sorriu para ele.
— Como assim? – Ele não entendeu.
— Não importa agora, Vorn!
Através das Eras
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