Notas iniciais
Nada a comentar. Aproveitem a leitura! :D

Uma semana tinha se passado desde a entrada de Stella.

Ela foi colocada como colega de quarto de Edmund, pois ambos diziam se conhecer em outras vidas. Porém o que os incomodava era que as vidas que eles se lembravam eram diferentes.

Nesse instante, ambos tinham acabado de chegar no dormitório depois das aulas. Já tinham almoçado no refeitório e agora descansavam, cada um em sua cama.

— Você acha que está na hora de falarmos sobre nossas vidas passadas? – Edmund pergunta, ele estava curioso sobre o tal Vorn, mas ambos andavam evitando o assunto.

— Hum... Eu acho que sim. – Stella se levanta e vai até a cama de Edmund, se sentando nela.

O garoto se senta junto dela.

— Eu posso falar primeiro. – Stella se ofereceu.

— Ok. – Edmund aceitou.

— A época é a era medieval, nós estávamos em um lugar da Europa, mas não me lembro exatamente onde é. – Edmund ouvia atentamente. – Nós dois éramos... Próximos um do outro. – Ela sorriu depois da última fala e Edmund percebeu que ela corou um pouco.

Talvez eles eram namorados. Estranhamente, Edmund não repudiou a ideia como pensou que faria, pois eles já foram irmãos e seria uma relação bem estranha.

— O reino no qual nós vivíamos era cheio de corrupção e por causa disso milhões de pessoas sofriam, mas isso era mais na capital. – Ela continuou. — As pessoas do interior não tinham muito acesso à informação e muitas nem sabiam da situação do reino.

— Você era dono de um pequeno feudo localizado no extremo sul. – Edmund começou a se interessar pela história, afinal, ele parecia se alguém importante.

— Um noite, o rei mandou tropas para invadir o seu feudo e destruí-lo, pois você representava um risco. Felizmente você conseguiu chegar a tempo de salvar uma boa parte das pessoas. – Stella parecia não gostar de lembrar daquele dia. – Mas muitas famílias foram desfeitas.

— Então você, muito irritado com aquela situação, resolveu iniciar uma revolução. – Edmund se orgulhou do seu “eu” do passado. – E eu fiquei ao seu lado.

O jeito com que Stella disse fez parecer que eles tinham passado muitas coisas juntos.

Edmund esperou a continuação da história, que não veio.

— E então? – Edmund questiona. – O que aconteceu?

— Um dia te conto, afinal, você não tem memórias daquele tempo, não é? – Ela perguntou sorrindo, mas Edmund percebeu que ela estava triste. Do mesmo jeito que ele tinha ficado quando soube que ela não sabia sobre Eufemie e Laim.

— Me desculpe por isso... – Ele murmura.

— Eu sei que não é sua culpa. – Ela sorriu, o tranquilizando.

— Bom, você contou a sua parte. – Edmund volta a sorrir. – Então parece que agora é a minha vez.

— Eu não me lembro de muita coisa, mas sei que nós dois éramos irmãos, na Inglaterra medieval. – Stella ficou surpresa pelas duas vidas acontecerem no mesmo período histórico.

— Por algum motivo que não me lembro, nós éramos fugitivos. – Stella estranhou isso. — Você era bem pequena. Eu te protegia e nós íamos de cidade em cidade para tentar achar algum lugar para termos uma vida feliz. – Edmund termina.

— Só isso? – Stella parecia desapontada. – Você só se lembra disso?

— Sim... – Edmund também queria saber mais. — E é por isso que eu sou chamado de O Pior: por que eu não consigo me lembrar mais nada. – Edmund explica tristemente.

— Desculpa por tocar na ferida. – Stella coçava a cabeça sem graça.

— Não tem problema. – Os dois ficaram em silêncio por um tempo.

Logo, os dois ouvem o sinal tocando, anunciando que os treinos para restauração da memória iriam começar.

— Vamos? – Edmund a chama enquanto se levanta, estendendo sua mão.

— Sim. – Ele a ajuda a se levantar.

Através das Eras

Depois de chegarem, eles se sentaram próximos na sala de treino, pois Stella era a única amiga que ele tinha naquele lugar, talvez pela sua má reputação ele não conseguia se aproximar dos outros.

Ele olhou para o professor que estava dando dicas de como se lembrar mais e alguns exercícios para fazer antes de dormir para que haja maior chance de ter um sonho lúcido.

No início Edmund prestava total atenção nessas aulas, porém nunca tinha dado certo para ele, tanto que ele tinha até parado de escutar o professor.

Apesar de conseguir reconhecer que ele era um Salvatore e que ele tinha memórias de uma vida passada, Edmund achava que ele tinha alguma espécie de problema, pois para alguém não conseguir lembrar nada em um mês tinha que ser, no mínimo, “especial”!

— Ei, preste atenção na aula Edmund! – Stella o beliscou.

— Ai! – Gemeu baixinho de dor. – Tudo bem!

Depois disso, Edmund passou a olhar para o professor, mas mesmo assim sua cabeça estava em outro lugar, certamente ele não estava prestando atenção

— Então turma, hoje vamos fazer um treino bem diferente. – O treinador falou, parecia bem animado. – Vocês tiveram um bom tempo para se lembrarem de suas vidas passadas e tenho certeza que todos tem o que é preciso.

— Tem certeza professor? – Um garoto da sala de Edmund começou. – Eu acho que tem pessoas aqui que talvez não estejam prontas. – Terminou rindo.

Tanto Edmund como Stella se irritaram.

— Eu não acho isso. – A voz grossa do treinador e sua aparência fez o garoto se calar na hora. – Todos que estão aqui são Salvatore, então todos tem condições de fazer isso.

Edmund estava desenvolvendo uma espécie de afeição por esse treinador.

— Bem, se ninguém vai dizer nada, eu vou continuar. – O treinador ficou menos sério. – Agora vocês tentarão manifestar a força ou o poder que vocês tinham em outra vida. Os guerreiros materializarão armas, enquanto algo estranho acontecerá ao redor os magos. – Ele explicou.

Basicamente, aquele também era um teste, para saber se você era um guerreiro ou um mago. Mesmo que a explicação sobre os magos tenha sido difícil de entender.

Um por um, os alunos se levantaram do chão e iam até o meio da sala gigante e se forçavam ao máximo. Embora a turma de Edmund possuir trinta e dois alunos, apenas quatorze tinham conseguido fazer algo.

Alguns materializaram espadas, lanças ou maças – os guerreiros. Já outros fizeram a sala ficar mais quente ou que todos ficassem com sono – os magos.

Perto do final, faltava apenas Edmund e Stella.

— Eu vou primeiro. – Stella avisou Edmund. Ela se levantou e foi até o centro.

Dentro de poucos minutos, um arco apareceu em suas mãos. Stella mirou para uma das paredes e atirou. Mesmo sem estar carregado com uma flecha, algo tinha atingido a parede. Todos foram ver e acharam uma espécie de flecha brilhante feita de energia.

— O meu arco não precisa de flechas, esse é o poder dele. – Stella ficou muito orgulhosa quando todos ficaram impressionados com ela.

Até Edmund tinha achado aquilo inacreditável. Um arco que não precisa de flechas era uma arma incrível e muito útil.

— O Pior vai ser o último, nada mais justo. – O mesmo cara de antes falou.

O insulto não tinha conseguido atingir Edmund que, ainda sentado, estava muito nervoso, com medo de não conseguir.

Ainda assim ele levantou e foi até o centro.

Contudo mesmo depois de vários minutos, nada aconteceu. Ele não tinha ideia do que deveria fazer.

Bom, mesmo se ele não conseguisse, houveram alunos que também não conseguiram então estava tudo bem, não é? Aqueles caras não poderiam falar nada, já que não foi só ele que falhou.

Ele tinha desistido.

Quando foi voltar para o lugar onde estava, um grito o parou.

— Edmund, não desista! Eu sei que você pode conseguir! – Stella era quem gritava.

Edmund tinha gostado bastante do esforço de Stella, mas ele sabia que palavras não poderiam ajuda-lo naquele momento.

Até que, como um estouro, algo veio à mente de Edmund.

— Irmão, não desista! Eu sei que você pode conseguir! – Ele se viu de frente com a pequena Eufemie. – Afinal, você é o mais poderoso!

Laim se abaixou e abraçou a pequena.

— Não se preocupe, eu vou te proteger para sempre, Eufemie. – Ele sussurra carinhosamente.

Era uma memória bem feliz.

Edmund não se lembrava onde isso tinha acontecido, por isso só se lembrava da pequena. Porém, ao invés dessa memória continuar, outra foi sobreposta em sua mente.

Edmund não conseguia ver nada. Sentia um pano em seus olhos, logo, ele deveria estar vendado. Estava tentando descobrir porque ele estava ali, até que ouviu alguém chorando. Era um choro bem familiar, mas ele não conseguia reconhecer a pessoa que chorava.

— Irmão, me ajude, por favor... – Ele percebeu que era Eufemie na hora.

Logo depois ouviu a voz de vários homens, provavelmente adultos, essa vozes pareciam se aproximar dele e de Eufemie.

— Por favor, irmão... – Ela pedia.

Edmund não conseguia entender o que os homens falavam, mas ver sua irmã chorando e pedindo ajuda daquele jeito enquanto ele não conseguia nem ao menos vê-la trouxe a fúria de Laim.

Na realidade, todos tinham fugido até a extremidade mais distante de Edmund.

Do corpo dele, irradiava um frio imenso. O chão próximo à ele estava congelando e a temperatura estava caindo rapidamente.

Todos estavam impressionados com aquilo, afinal, Edmund tinha, de repente, começado a exalar um poder muito grande, coisa que nenhum deles tinha conseguido.

Edmund voltou a realidade depois de alguns minutos, quando “acordou”, percebeu o estrago que tinha feito.

Por um lado ele estava feliz e surpreso por ser capaz de fazer algo como aquilo, porém ele também estava assustado, ele não era perigoso por ter tal poder? Mas talvez fora esse o motivo da sua dificuldade.

Ele conseguiu parar com o frio após algumas tentativas.

— Acho que a aula acabou por aqui. – O treinador fala, ainda surpreso. – Amanhã nós iremos aprofundar mais ainda em seus poderes. Agora estão liberados.

Todos saíram da sala, exceto Edmund, que ainda estava feliz por ter tal poder e Stella, que queria parabenizar Edmund.

Ela se aproximou dele vagarosamente.

— Por essa ninguém esperava... – Ela começa.

— Eu sei! – Ele exclama entusiasmado e um pouco assustado. – Foi realmente incrível!

— Sim, nós vimos. – Ela sorriu. – Mas eu sabia que ia ser assim.

— Como? – Ele perguntou curioso.

— Porque você nunca me decepciona, Edmund! – Ela diz.

De primeiro momento, Edmund fica feliz, porém algo faz sua cabeça latejar. Como se ele não conseguisse se lembrar de algo importante.

Ele olhou novamente para Stella.

Agora, ela parecia lembra-lo de uma pessoa que ele tinha visto há muito tempo atrás, mas não era Eufemie. Era uma mulher que tinha dito a mesma coisa para ele.

Ele não se lembrava do rosto dela, mas o nome... O nome dela era...

— Valentina... – Ele sussurra. Sim, era esse o nome da mulher, mas por que Stella o fez lembrar dela?

Quando ele voltou seus olhos para Stella, ela estava com as mãos na boca, chocada com algo.

— Desculpa, eu falei algo errado? – Edmund perguntou preocupado.

Os olhos de Stella lacrimejavam.

— V-você... – Stella começou, mas não conseguiu continuar.

Ela respirou fundo e tentou se acalmar.

— Você se lembra, Vorn?

Através das Eras

Mais tarde, no dormitório, Stella ainda estava surpresa.

Edmund descobriu que em outra vida ela era Valentina Vurmund, mas ele não sabia explicar como ele sabia sobre aquele nome.

— Então voce não se lembra? — Stella perguntou depois da explicação do garoto.

— Na verdade, eu me lembrei de uma mulher que tinha me dito exatamente o que você me disse. — Stella ficou esperançosa, apesar de não entender como isso é possível seria perfeito se Edmund se lembrasse.

— Eu não me lembro do rosto dela, mas o nome parecia fresco em minha memória. — Edmund confessa. — Já teve um caso onde uma pessoa se lembrasse de duas vidas passadas? – Perguntou nervoso.

— Sinceramente, eu não tenho certeza... — Ela diz. — Mas isso não importa agora. — Stella abraça Edmund — O importante é que você vai lembrar de tudo!

— Calma. — Ele pede se afastando. — Eu recentemente descobri que fui um mago e você quer que eu me lembre de uma outra vida, acho que pode demorar muito tempo. — Ele abaixa a cabeça.

— Eu não me importo em esperar, desde que você se lembre um dia... — Ela sorria para ele, passando segurança.

— Você... — Edmund estava feliz por ter a conhecido.

De repente, outra memória vem à cabeça de Edmund.

Ele estava numa varanda de um castelo.

Ele estava olhando para as casas do seu povo, pensando na batalha que estava por vir.

— Pensando em alguma estratégia, Vorn? — Uma mulher se aproxima dele, ao chegar mais perto, Edmund percebeu que era Stella, ou melhor, Valentina.

— Não, apenas pensando que talvez você devesse ficar aqui, em segurança. — Ele pede, apesar de saber que de nada adiantaria.

— Isso é impossível. – Ela o abraça. — É o dever de uma esposa estar ao lado do marido... — Os dois se aproximam cada vez mais.

Eles iriam se beijar.

Porém Edmund volta para a realidade assim que ouve batidas na porta.

— Quem é? — Ele grita de onde estava. Queria saber por que Stella não tinha dito isso antes e estava irritado por ter sido "acordado" bem na parte do beijo.

— Edmund Moore! Venha aqui, agora. — Pelo modo que falava o sujeito parecia bem arrogante.

Edmund caminhou até a porta e a abriu.

Lá estava um cara de cabelos albinos, bom porte físico, provavelmente atleta, olhos azuis, conseguia ser milhares de vezes mais bonito que Edmund.

— Você apenas precisa saber que me chamo Claus. — Ele se lembrou dele no primeiro dia de treinamento e já não gostava dele. — Naquela sua "demonstração" de poder, você acabou ferindo minha namorada. — Ele parecia irritado. — Eu vim até aqui para acertar as contas com você.

Edmund olhou estupefato para o garoto na sua frente. Que motivo mais idiota para começar uma briga. Não era como se Edmund pudesse controlar seu poder, se ele tinha machucado alguém foi por puro acidente.

— Eu não vou brigar com ninguém. — Edmund diz, prestes a fechar a porta novamente.

— Não confunda as coisas. — Ele impediu Edmund de fechar a porta. — Eu não quero uma briga, eu quero um duelo. Tudo de acordo com as normas da escola. – Ele mostrou uma autorização assinada pelo diretor.

Edmund não podia acreditar que aquela escola permitia duelos, porém ela era uma escola militar para treinar Salvatore, que são vistos como armas também, então era bem possível.

— Eu não vou duelar. — Edmund permanecia firme em sua decisão.

— Tem certeza? — Claus perguntou de um jeito estranho. — Eu penso que seria bem ruim para Stella, andar com um perdedor como você. — Edmund não se importava de ser insultado de medroso, mas ele não gostava da ideia de envolver Stella nisso.

— Pense bem, mesmo que você perca pelo menos você não terá fugido. — Claus tentou ser persuasivo.

Considerando os prós e contras do duelo, Edmund decidiu que não tinha um bom motivo para ele duelar.

— Eu não... — Foi cortado.

— Ele aceita! — Stella diz, aparecendo de repente.

— Ótimo! — Claus sorri. — Te vejo amanhã, no horário do treino, na sala de treinamento. Todos nossos colegas irão estar lá.

Depois de falar isso ele vai embora.

— Você está louca? — Ele quase grita depois de fechar a porta. — Se ele me desafiou significa que ele sabe lutar e eu nem sei se vou conseguir fazer aquilo de novo e também eu...

— Não importa. — Ela o cala. — Eu sei que você vai ganhar.

— Como você pode confiar tanto em mim? — Ele pergunta um pouco irritado e desacreditado.

— Porque eu sei do que você é capaz. — Stella diz e Edmund se lembra que eles foram casados em outra época.

Se ela dizia aquilo, era porque provavelmente ele tenha dado motivos para isso, em outra época.

— Entendo... — Ele sorri, agora mais confiante. – Então eu prometo que irei ganhar.

— Então se você ganhar, eu te darei uma recompensa. — Ela sorriu marotamente.

— O que será? — Ele questiona.

— Ganhe e saberá. — Ela disse, por fim.

Através das Eras

Notas finais
Obrigado pela leitura :D Não se esqueçam de recomendar, comentar e favoritar. Até semana que vem!