Atmosphere
3 Isn't exciting when a party stops by for a kiss?
Notas iniciais
Only fools fall for you, only fools
Only fools do what I do, only fools fall
Only fools fall for you, only fools
Only fools do what I do, only fools fall
— Fools, Troye Sivan.
Por algum motivo secreto e um tanto assustador, Raven insistira para que Clarke fosse bem arrumada, e fizera questão de escolher o modelito da moça. Alguns minutos depois, a loira estava pronta, com os cabelos dourados soltos e perfumados à jasmim, sentindo-se um tanto desconfortável em relação ao vento soturno que soprava do lado de fora. A neve havia parado, e pela previsão do tempo, só voltaria na noite do dia seguinte. Estava tão arrumada que suspeitou dos interesses de sua amiga; afinal, era só uma festinha em alguma casa abaixo. Para que todo aquele preparatório?
Se sentia exuberante. Sabia que era imprescindivelmente linda, pois seu pai fazia questão de deixar isso claro para todos que conhecia. Puxara os olhos azuis de Jake e o rosto fino de Abby. Clarke também tinha um corpo saudável e esbelto de dar inveja, apesar de nunca saber valorizá-lo. Preferia esconder suas pernas atrás de calças jeans e moletons confortáveis. Era uma menina caseira e muito dedicada, uma verdadeira benção para qualquer pai. Não participava das festas escolares por dizer que eram "inúteis e fúteis", passando o resto da noite em sua cama. Mas bem… A Griffin também não era uma santa a ser canonizada.
Raven também estava maravilhosa, apesar do visual menos expositor. A calça jeans e a camiseta vinho caíam bem em seu corpo tão bem modelado quanto da loura. Terminando de dar o último toque em seus cabelos castanhos, a garota riu e puxou o braço da amiga, enquanto a mesma trancava sua porta. Era apenas algumas casas abaixo, mas a música alta já era ouvida da esquina. Como ainda eram seis horas da tarde, os anfitriões da festa não teriam problemas com a política da Boa Vizinhança. Clarke se perguntou se seus outros amigos também estariam na festa.
Ao longo dos anos, Raven apresentou várias pessoas para sua amiga, fossem em festas mais tranquilas ou passeios em grupo de verão. Era fácil para a garota dos olhos azuis se enturmar, todos gostavam do seu bom humor e de seu jeito amigável de ser. Griffin era como a bailarina da caixa de ouro, amada, querida e tratada como uma porcelana. Em parte, aquilo lhe agradava. Seu outro lado, o rebelde interior, queria mostrar a eles que podia ser tão ousada quanto seus amigos. Já próximas a festa, Raven virou-se para ela, com um sorriso.
— Lembra da O, Clarkey?
— Como eu poderia esquecer aquela maluca, Rav?
A loura riu. Octavia era uma garota extrovertida e pra cima, que estava sempre em festas e todo o tipo de comemoração. Era teimosa que só ela, a verdadeira rainha da ironia e quase sempre carregava um olhar superior em seus olhos azuis. De repente o sorriso sumiu do rosto de Griffin. Octavia era uma Blake.
Assim como Bellamy.
Era óbvio. Por que não conseguira ver aquilo antes? Os dois eram muito parecidos, psicologicamente falando. Ambos tinham a forma superior de agir, o mesmo jeito arrogante e cruelmente zombeteiro, a postura marrenta, o jeito encrenqueiro, até mesmo a idêntica forma de falar… E claro, sem contar o fato de que Octavia já havia mencionado ter um irmão, porém a outra nunca dera muita bola para isso. Clarke deu um suspiro.
Agora sim tinha motivos de sobra para ficar longe dele.
— Sei o que você 'tá pensando. — Raven riu, conforme as duas se aproximavam da casa e o estômago de Clarke revirava em protesto para voltar para casa — A velha Diana que mora na frente da sua casa disse que viu você e Bellamy conversando quando chegou em Savannah.
— Pra sua informação, eu não estava pensando nele. — ela mentiu, desconfortável, deslizando os dedos claros pelos cabelos dourados.
Raven a olhou incrédula. Seus tenazes castanhos estavam cerrados e ela apertou suas mãos, sentindo o fogo da raiva subir pelas suas veias. Ela odiava quando Clarke agia assim, fingindo que não sentia ou não pensava algo. A mecânica respirou fundo e contou mentalmente até cinco, olhando bem fundo nas lagoas claras de sua amiga.
— Olha, eu te conheço a sete anos e quatro meses, Clarke. Sei que você está pensando que ele é um problema, e bem… É isso mesmo. Mas Bell é um cara legal. Debaixo daquela casca dura de proteção que ele criou, é um coração mole e uma pessoa incrivelmente boa.
Aquelas palavras ecoaram na cabeça dourada da Griffin. Não queria arriscar. Era certinha demais para isso.
A casa entrou na visão das duas e logo a morena tocava a campainha. Quem abrira a porta fora Octavia, que parecia tão bêbada quanto podia. Os cabelos castanhos da moça estavam presos numa trança que vinha do topo da sua cabeça até o final. Uma regata preta e short até o meio de suas coxas, além de um par de botas de cano longo. Era simples, mas agradável e bem a cara da modelo. O deu um gritinho animado e segurou Clarke num abraço apertado, puxando-a para dentro enquanto a levava diretamente para o bar. Ali, Monty Green e Jasper Jordan estavam abraçados e rindo de uma planta, tão bêbados quanto a própria Blake. Uma garrafa marrom com uma fita crepe presa na mesma estava no balcão, e pelo o que estava escrito, se chamava Moonshine. A loira deu risada enquanto os meninos gritavam seu nome e voavam na mesma, segurando-a num abraço grupal. Raven já havia desaparecido em meio a tanta gente.
— É bom ver vocês, pessoal. — ela riu.
— Então, Clarkey, você se mudou pra cá? — o asiático perguntou, tomando um gole da garrafa.
— Sim, moro na mesma casa dos verões. O que é isso aí, Monty?
— Uma bebida que Jas e eu criamos. — ele riu, bobo, batendo a palma contra a de seu amigo em um high five — Experimenta!
Ele empurrou a garrafa em suas mãos. O cheiro era razoavelmente agradável e parecia ser adocicado. Receosa, Clarke deu um gole, sentindo sua garganta arder e todas as moléculas de seu corpo acordarem, energizadas. Um gole cedeu ao outro, e mais outro, e mais outro, e logo, Griffin estava dançando loucamente na pista, sacudindo sua cabeça de forma elétrica ao som de Pure Grinding, do Avicii. As pessoas ao redor riam e se juntavam a ela. Aquela bebida era incrível. Monty e Jasper finalmente haviam dado uma dentro.
Em questão de segundos, um garoto de cabelos compridos dançava ao lado de Clarke. Os olhos escuros a olhavam com desejo, e seus dedos estavam loucos para passearem pela pele branca e deveras cheirosa da moça. Esperto, ele começou a encurralá-la na parede, e em segundos suas mãos estavam na cintura da loira. Ela riu e o empurrou com os pulsos, totalmente fora de si. Com o indicador, ela sinalizou um "não" e se soltou, mordiscando a orelha do rapaz.
— Eu nem sei seu nome. — ela sussurrou, risonha.
— Não seja por isso. — ele sorriu, galanteador — Finn Collins.
Ela franziu o cenho. Aquele não era o namorado de Raven? Não sabia dizer. Bem, mesmo bêbada, Clarke preferiu não arriscar; o empurrou com brusquidão para frente e saiu de perto do mesmo. O rapaz a perseguiu e a segurou contra seu peito, enquanto a mesma batia com força em seus ombros, mandando-o se afastar. Finn selou seus lábios em um beijo forçado, e Clarke começou a se debater. Estava prestes a acertar-lhe um soco na barriga quando o rapaz foi brutalmente puxado para trás, e um soco fora desferido em seu olho. Bellamy o empurrou no chão, acertando um pontapé em suas costas. As pessoas não perceberam nada, todas bêbadas demais para sacarem alguma coisa. Collins arrastou-se para longe murmurando xingamentos, enquanto Blake virava-se na direção da garota para saber se estava bem.
— Ele é um babaca. — o rapaz sorriu.
— Eu percebi. — ela confirmou, desconfortável. De repente, arregalou os olhos azuis, apoiando seus antebraços nas omoplatas do homem — Cuidado!
Finn arremessou um vaso contra Bellamy, que acertou em suas costas. O rapaz gemeu e se virou, recebendo um soco em seu maxilar. Ao cair, o moreno acertou uma rasteira no outro, o derrubando no chão. Subiu no peito de Collins e desferiu alguns socos em seu rosto, quando fora jogado para trás. A aquela altura, todo o álcool presente no corpo de Clarke havia se dissipado e ela estava em alerta e totalmente consciente, tentando separar a briga. Finn voou contra o pescoço de Bellamy, que o acertou um soco novamente. Ele atingiu a barriga do adversário, mandando-o para perto da onde o vaso se quebrou. No chão, Collins agarrou um caco afiado e abriu um talho largo no braço de Blake, profundo o suficiente para jorrar muito sangue no carpete branco da sala de estar.
Jasper e Monty perceberam a briga e desligaram a música, enquanto Octavia caminhava até os dois e os separava. Alguns adolescentes expulsaram Finn da casa pelo quintal, enquanto Bellamy se jogava no sofá, sentindo seu braço arder feito o inferno. O parecia desesperada, e finalmente tocou-se de que Clarke estava ali.
— Griffin, leve-o pra sua casa! Você precisa cuidar dele.
— O que? Mas ele precisa ir para o hospital e…
— Por favor, Clarke.
A loira imediatamente apiedou-se da mesma. Sabia que ele era a única família que a Blake possuía, e não poderia deixar que algo ruim acontecesse com ele, ainda mais sendo por sua causa. Raven surgiu do meio dos adolescentes e ajudou sua amiga com o homem ferido, apoiando-o em seus ombros. Bellamy gemia de dor e seu rosto estava repleto de sangue, cortes e hematomas roxos. Arrastaram-se pela rua acima, ignorando os olhares curiosos dos vizinhos até entrarem na casa de Clarke e posicionarem o rapaz deitado no sofá.
— Pode ir, Rav. Vai atrás do seu namorado.
Reyes saiu em disparada, gritando um "obrigada". Griffin correu até a cozinha e encheu um pote de água fria, enquanto procurava linha para sutura na caixa de primeiros socorros. Juntou alguns panos e medicamentos, uma agulha esterilizada e logo retornava a sala, onde o moreno tinha a expressão contorcida em uma face de dor, apertando seu braço ferido. Ele se sentou quando a médica apareceu. Com extremo cuidado, a garota limpou o sangue acumulado na ferida, molhando o pano na bacia. Logo depois, ela pegou a agulha e encarou os olhos negros do rapaz, que a encaravam de volta. Eles tinham um leve brilho de dor, raiva e agradecimento.
— Preciso que mantenha o braço o mais imóvel possível enquanto eu faço a sutura. Isso pode doer um pouco.
— Não deve ficar pior. — ele gemeu baixinho enquanto a agulha atravessava sua pele — Você está bem?
— Melhor que você, com certeza. — ela riu, imediatamente se arrependendo — Desculpe.
Fora a vez de Bellamy rir, apesar da dor em suas costelas. Clarke era cuidadosa e tinha delicadeza, além da extrema leveza que sua mão possuía. O moreno não conseguia prestar atenção na dor, pois abaixada enquanto costurava seu braço, o busto de Griffin estava um tanto exposto pela sua blusa traiçoeira. Ela era incrivelmente linda. Pegou-se sorrindo para ela e imediatamente se repreendeu, sacudindo a cabeça. Não poderia se envolver daquela forma. Não queria quebrar seu coração novamente.
— Ainda acho que você deveria ir ao médico.
— Se O disse que você dá conta do recado, eu confio nela. E em você. — ele soltou outro gemido quando a agulha atravessou novamente sua carne — Aquele merda do Finn anda sempre arrumando problema.
— Ei, Bellamy? — ele ergueu os olhos escuros até os dela, que brilhavam numa chama fraca de gratidão — Obrigada por me defender. De verdade.
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