Atmosphere

4 Going deeper


Notas iniciais
Oláááá! Bom, mais um cap. pra vocês! Boa leitura!

I'm going deeper underground

There's too much panic in this town

I'm going deeper underground

But I got to go deeper, got to go much deeper, yeah

— Deeper Underground, Jamiroquai

Clarke se sentiu frágil. Os seus dedos tremeram por alguns segundos e ela tentou se acalmar, impedindo as lágrimas de virem ao seu rosto. Aquela ação que ele tomara imediatamente a fez pensar em seu pai e em Wells.

Seu melhor amigo ainda não tinha notícias da mesma. A médica não tivera coragem de pegar o telefone e discar seu número. Bellamy colocou seu corpo para frente e a encarou por trás dos cabelos caídos, afastando-os com um dedo ensanguentado. Novamente, o sorriso de dentes perfeitos estava ali para ela. O moreno possuía um corte em seu supercílio e em seu lábio inferior, além de hematomas espalhados pelas bochechas. Os cabelos estavam totalmente desarrumados e a roupa amassada, manchada de seu próprio sangue, mas ele ainda parecia tão belo e perigoso quanto no primeiro dia em que a Griffin o conheceu.

— Ei, tudo bem. Acha mesmo que eu ia deixar aquele babaca machucar uma princesa como você? — um sorriso escapou dos lábios de Clarke. Ela queria ficar longe, mas o rapaz parecia um poderoso imã que a atraia de volta — Quanto tempo até esse corte fechar?

— Hum, eu acho que no máximo três semanas. — ela torceu o pano ensanguentado no pote com água, levando o mesmo para seu lábio ferido — Como Raven pode namorar um imbecil daquele?

O rapaz meneou a cabeça. Reyes era uma boa garota, trabalhadora, inteligente, independente e muito bonita. Havia terminado sua faculdade de engenharia mecânica a dois anos atrás, e agora trabalhava para uma grande empresa que lhe pagava muito bem. Clarke tentava ver o porquê de sua amiga ainda estar junto daquele emprestável. Conforme limpava o sangue da pele do homem, ela analisava de perto as sardas presentes ao longo de seu rosto. Propositalmente, ela roçava seus dedos contra a pele quente e macia de Blake, enquanto o mesmo permanecia de olhos fechados. O toque de Griffin era bom. Suave, cuidadoso e delicado. O toque de uma verdadeira princesa.

Evitando se distrair, a loira levou o pano até seu supercílio, onde um corte se alongava. Limpou-o com rapidez e passou uma pomada, uma leve ardência percorreu a testa do garoto. Passou o mesmo remédio em seu braço, e Bellamy mordeu seu lábio com força, reprimindo um grito de dor. A moça passou o pano frio novamente pelo corte, aliviando a sensação de calor. Juntou os pertences e deixou que ele se recuperasse da sultura, enquanto voltava a cozinha para guardar tudo aquilo.

Ela se apoiou na pia de mármore e respirou fundo. O aviso de Raven ecoou em sua mente. "Sei que você está pensando que ele é um problema, e bem… É isso mesmo. Mas Bell é um cara legal. Debaixo daquela casca dura de proteção que ele criou, é um coração mole, e uma pessoa incrivelmente boa." Ele era um problema, isso havia ficado claro. Agora, será que Clarke queria conhecer a parte secreta que ele tanto escondia de todos? Talvez pudessem ser bons amigos. Ela o observou pelo vão da cozinha. Uma tentativa nunca é inválida, disse para si mesma. Saiu da cozinha novamente e parou na frente do mesmo, que tinha os olhos fechados. Deveria estar sentindo fortes dores, o que fez a moça mordiscar seu próprio lábio, preocupada.

— Vou tomar um banho e logo desço para ficar com você, tudo bem?

— Claro, princesa. — ele sorriu, malicioso — Mas não demore muito. Quero aproveitar cada segundo do seu lado.

Ela revirou os olhos e subiu as escadas. Uma leve tontura atingiu sua mente, obrigando-a a apoiar-se no corrimão. Os efeitos dos goles da Moonshine voltaram com seu trabalho, visto que a adrenalina havia se dissipado. Ela subiu as escadas e enfiou-se no banheiro, arrancando as roupas e entrando no box. A água fria relaxava sua cabeça, e a enxaqueca que se desenvolvera diminuiu sua intensidade. Aquela era a ressaca mais rápida que Clarke viria a ter em toda a sua vida. Ela saiu do chuveiro, vestindo uma calça moletom e uma blusa de mangas compridas, visto que o frio havia dado as caras novamente na cidade. Penteou os cabelos loiros e tomou uma aspirina, tentando acabar de vez com a dor de cabeça. Quando pronta, ela retornou a sala, onde Bellamy observava um porta-retrato em cima da lareira, onde Jake, Clarke e Raven posavam para uma foto em frente a entrada de Atlanta. Ela escorou-se na parede da cozinha, examinando brevemente os movimentos do rapaz antes de caminhar até o mesmo e acomodar-se ao seu lado, no sofá.

— Obrigado pelos curativos. — ele agradeceu — Sabe, ir para o hospital está fora dos meus planos, definitivamente.

Ela sorriu, fazendo-o imitar seu gesto. Bellamy tinha medo de hospitais desde que sua mãe morrera dentro de um. Vê-la gritando e pedindo por ajuda ficara preso em sua memória para sempre. Era um trauma que jamais deixaria sua mente. Graças a ele, Octavia não precisara ver aquela cena, ele poupou sua irmã de noites com pesadelos terríveis e um sofrimento que jamais abandonaria sua cabeça. Um breve silêncio instalou-se por um momento, até voltarem a conversar novamente.

— Por que veio para Savannah? — ele perguntou com a voz macia — O me disse que você é de Denver.

— Esse é um assunto do qual não quero voltar a falar por muito tempo. — ela desconversou, abalada.

— Princesa, eu confiei meus machucados terríveis nas suas mãos. — ele sorriu mais uma vez, fazendo o coração da loira aquecer. Bellamy sabia bem como fazê-la derreter-se com apenas poucas palavras — Acho que já deve estar bem claro que tem minha confiança e fidelidade. E gostaria de ter o mesmo da sua parte.

O modo cordial a fez rir, e Clarke se perguntou se realmente queria ir tão fundo assim em relação ao seu passado. Não sabia se deveria ir tão fundo. Com um suspiro, ela deu um sorriso afetado, olhando para baixo, sentindo seus olhos começarem a arder. Ela queria colocar todo aquele peso para fora, livrar seus ombros do fardo terrível que estava carregando. Raven a mataria se soubesse que contou seu segredo primeiramente para ele, porém Bellamy lhe passava uma segurança que nunca havia sentido com nenhuma outra pessoa. Ele possuía uma aura ao seu redor que a fazia se sentir em casa, como se nada pudesse machucá-la, e que ele estaria ali para sempre protegê-la, por mais que se conhecessem a menos de um mês.

— Minha mãe estava envolvida com tráfico de órgãos. — começou, de cabeça baixa, enquanto ele apenas a ouvia — Eu não sei bem o porquê, mas ela matou meu pai, a pessoa mais importante da minha vida. Eu fugi de casa com medo e morrendo de ódio.

— Oh, bem, não temos histórias tão diferentes. — ele deu um breve sorriso, expulsando os fios teimosos que caíam no rosto de Clarke com o indicador, ainda manchado de seu próprio sangue, mas tomando cuidado para não sujar sua pele limpa e com cheiro de jasmins — Meu pai matou minha mãe à facadas. Ela morreu no hospital, deitada num leito. Ele chegou bêbado em casa e começou a discutir com Aurora. Só tinha onze anos, e Octavia seis quando assistimos nosso pai ser preso e nossa mãe ser levada para o Ark.

Ele fazia um enorme esforço para não chorar. Clarke compadeceu-se, arrastando-se pelo sofá até aproximar-se dele e o segurar num abraço apertado. Era isso; estavam indo cada vez mais fundo, cada um entrando em seu passado sombrio outra vez.

Notas finais
Awwwwwwwwwn, Bellarke tá acontecendo!! Ficou meio curto, mas eu gostei, hehe! Meu Twitter: @saikorreno Até o próximo! £ Küsse da Magic Mirror £