Atlântida: O Motim
3 O exército do general Ragendra

Enquanto Poseidon passava a noite ajustando as suas obrigações como monarca de Atlântida, Calliste estava em seu quarto, no castelo. Ela passou muito tempo mexendo no iPod touch, procurando mais coisas sobre a superfície, até que encontrou um filme salvo ali, chamado Titanic.
A princesa estava curiosa para saber mais sobre o filme, então ela o colocou para tocar. E ficou maravilhada com a história e o romance do filme. Se emocionando com a história de Jack e Rose, ficou tão fascinada com a história do grande navio que naufragou que pensou ir nadando até lá, ver se o navio é tão bonito quanto no filme.
Após assistir o filme, Calliste estava cansada, mas feliz. Ela se deitou na cama e fechou os olhos. Ela começou a sonhar com encontrar um amor como o do filme, com alguém da superfície.
Em seu sonho, Calliste estava na superfície, caminhando por uma praia. Ela viu um homem sentado na areia, olhando para o mar. O homem era bonito e tinha olhos azuis.
Calliste se aproximou do homem e eles começaram a conversar. Eles conversaram por horas, e Calliste sentiu uma conexão com ele que nunca havia sentido antes.
No final do sonho, o homem se virou para Calliste e a beijou. O beijo foi doce e apaixonado. Calliste sentiu seu coração se encher de amor.
Calliste acordou do sonho, sentindo-se esperançosa, tocando carinhosamente os seus lábios, desejando que esta experiência pudesse ser real um dia. Ela sabia que seu sonho era impossível, mas ela não podia deixar de sonhar.
Calliste se levantou da cama e olhou para o iPod touch. Ela sorriu, pensando no filme que havia assistido. E ela sabia que nunca esqueceria o sonho que teve.
Serena entrou no quarto de Calliste algum tempo após esta acordar, ela estava tão pensativa que não conseguiu voltar a dormir. Serena estava acompanhada de mais 2 servas, especialmente escolhidas para ajudá-la a limpar e organizar o quarto.
Calliste estava sentada na cama, olhando ao longe pela janela. Ela ainda estava pensando no sonho que teve, no homem da superfície que ela havia beijado.
Serena se aproximou da princesa e a cumprimentou.
"Bom dia, princesa", disse Serena. "Como você está se sentindo hoje?"
Calliste sorriu, um sorriso sincero.
"Estou bem", disse ela. "Ainda estou um pouco cansada, mas estou feliz."
Serena sorriu de volta.
"Isso é bom", disse ela. "O rei vai viajar para o Olimpo hoje, então precisamos nos preparar."
Calliste assentiu, ela esperava que Poseidon viajasse para o Olimpo, mas não tão rápido, isso significava que seu casamento seria muito em breve.
"Eu sei", disse ela. "Eu vou me arrumar."
Serena ajudou Calliste a banhar-se em uma banheira perolada. Enquanto Calliste se banhava, elas conversavam sobre o sonho que a princesa havia tido.
"Você já beijou um homem da superfície?", casualmente perguntou Calliste a Serena, em seus pensamento, a princesa imaginava que todos os atlantes tinham essa curiosidade com o povo da superfície.
Serena ficou vermelha, a princesa estava tão acostumada com sua vida de semideusa que não percebeu ainda que Serena era muito mais jovem e não estava acostumada a falar abertamente sobre relacionamentos.
"Não", disse ela. "Eu nunca conheci nenhum homem da superfície."
"E como você acha que é?", perguntou Calliste. "O gosto dos lábios deles é diferente do nosso? Será que também é salgado?"
Serena não sabia o que responder, seu rosto estava vermelho como um tomate neste momento, mas a princesa não reparou. A jovem serva do castelo nunca havia pensado nisso antes.
"Eu não sei", disse ela. "Eu nunca experimentei."
Calliste sorriu, imaginando-se em uma cena do filme, substituindo Rose.
"Eu gostaria de saber", disse ela. "Eu acho que seria muito interessante."
Serena sorriu de volta.
"Eu também acho", disse ela.
Após terminar de banhar-se, Calliste se vestiu com um lindo vestido verde. Serena a ajudou a pentear o cabelo e a colocar os acessórios.
Quando Calliste estava pronta, as duas saíram do quarto. Elas precisavam encontrar-se com o rei Poseidon para despedir-se, antes que ele vá para o Olimpo.
Calliste e Serena encontraram Poseidon na sala do trono. Ele estava sentado em seu trono dourado, olhando para os relatórios dos batedores.
"Bom dia, Majestade", disse Calliste.
Poseidon sorriu ao ver a neta.
"Bom dia, minha querida", disse ele. "Você já foi informada sobre a minha viagem para o Olimpo? Irei avisar os outros deuses da decisão de casar você e negociar alguns acordos com eles. Está pronta para ficar aqui nestes dias?"
Calliste assentiu.
"Sim, vovô", disse ela. "Estou pronta."
Poseidon se levantou do trono e se aproximou da neta. Ele a abraçou, como se fosse demorar para retornar da viagem.
"Seja forte, minha querida", disse ele. "Eu sei que isso é difícil para você, mas é para o bem de Atlântida."
Calliste sorriu. "Eu sei", disse ela. "Eu vou fazer o meu melhor."
Poseidon se afastou então da princesa.
"Eu vou voltar assim que puder", disse ele. "Eu prometo."
Calliste assentiu. "Eu sei", disse ela.
Calliste e Serena acompanharam Poseidon até o porto. Eles se despediram e Poseidon embarcou na carruagem especialmente arrumada para sua ida até o Olimpo.
Calliste e Serena assistiram a carruagem partir. Calliste estava triste em ver o rei partir, mas ela sabia que ele voltaria.
"Ele vai voltar", disse Serena.
Calliste assentiu, sentindo um aperto no coração.
"Eu sei", disse ela. "Ele vai voltar."
Calliste e Serena voltaram para o castelo. A princesa estava cansada, mas ela também estava aliviada. Ela sabia que Poseidon estava fazendo o que era certo para Atlântida, neste momento, ela somente poderia esperar os próximos acontecimentos.
Neste momento, o general Ragendra estava sentado em sua mesa, no quartel militar da cidade de Atlântida. Ele estava lendo uma pilha de relatórios entregues por batedores, todos eram unânimes em negar que houvessem movimentações hostis por parte dos povos da superfície.
O general amassa a folha de um destes relatórios e joga em uma tocha, que queimava iluminando a sala. Ele estava furioso.
"Esses relatórios nunca vão sair daqui", ele pensou em voz alta. "Para todos os efeitos, os povos da superfície estão planejando uma guerra contra Atlântida!"
Logo depois, o capitão Dimitrios entra, carregando uma pesada pilha de papéis.
"Meu general", disse Dimitrios, "aqui estão os relatórios adulterados. Eles devem ser apresentados para o rei Poseidon o quanto antes, um dos meus homens vai confirmar para o rei que soldados da superfície estavam espionando próximo a nossa cidade."
Ragendra olhou para os relatórios com desdém.
"Esses relatórios não serão mais necessários", disse ele. "O rei já partiu para o Olimpo."
Dimitrios ficou surpreso, o soldado esperava ter mais alguns dias até a viagem do rei, para fazê-lo acreditar que o confronto já estaria começando.
"O rei já partiu?", ele perguntou. "Mas como?"
"Ele partiu na carruagem real", disse Ragendra. "Eu o vi se afastando, da janela."
Dimitrios assentiu.
"Então, o que vamos fazer?", ele perguntou.
Ragendra sorriu.
"É hora de colocar nosso plano em ação", disse ele. "Chame os soldados mais leais ao nosso objetivo. Temos que ser rápidos. Se agirmos durante a noite, podemos eliminar os apoiadores do rei antes que se organizem, então durante os próximos dias, será somente uma resistência desorganizada."
Dimitrios saiu da sala, apressado.
Ragendra olhou pela janela, novamente. Ele viu a carruagem real se tornando cada vez menor, à medida que se afastava.
"Tudo está indo conforme o planejado", ele disse para si mesmo. "Em breve, eu serei o rei de Atlântida."
Ragendra saiu da sala e olhou ao redor. O quartel militar ficava na parte submersa da cidade, mas existia uma magia atlante que impedia que a água entrasse em seu interior.
Ao sair do quartel, Ragendra viu algumas crianças órfãs nadando por ali, pedindo esmolas. Ele lembrou de sua infância, de viver na pobreza. Essa triste nostalgia o tocou, e ele entregou algumas moedas de ouro a uma das crianças.
A criança olhou para as moedas com surpresa.
"Obrigado, senhor", disse ela. "Você é muito gentil."
Ragendra sorriu sinceramente.
"Não há de quê", disse ele. "Eu sei como é viver na pobreza."
Ragendra nadava em direção a uma pousada que ficava nos limites dos bairros submersos de Atlântida. Ele entrou na pousada e se dirigiu ao dono, que lhe disse que ninguém mais tinha chegado.
Ragendra sentou-se em uma mesa e esperou. Ele sabia que seus apoiadores chegariam em breve.
Algumas horas depois, o capitão Dimitrios e alguns outros militares de patentes elevadas chegaram. Eles entraram na pousada e se dirigiram à mesa em que Ragendra já ocupava.
"Meu general", disse Dimitrios, "está tudo pronto."
Ragendra assentiu, batendo com os dedos sobre o tampo da mesa.
"É hora de colocar nosso plano em ação", disse ele.
Os militares se reuniram em volta da mesa. Eles começaram a discutir o plano de dominação de Atlântida. Um dos homens puxou um mapa de sua cintura e começaram a traçar os planos.
"O rei não está na cidade", disse Ragendra. "Esta é nossa chance de capturá-la e assumir o controle."
Os militares ficaram hesitantes.
"Isso é perigoso", disse um dos militares. "O rei não é um homem fácil de derrotar. Se ele desconfiar de algo e retornar, será questão de tempo até ele eliminar cada um de nós."
"Eu sei", disse Ragendra. "Mas é a única maneira de salvar Atlântida, temos que pensar no futuro, em como planejamos manter este reino para os nossos filhos."
Os militares ficaram em silêncio por um momento. Eles sabiam que Ragendra estava no comando desta operação desde o primeiro momento, não poderiam recuar agora e esperar que não houvesse uma retaliação no futuro.
“Se estivermos com a princesa como nossa prisioneira, Poseidon jamais irá atacar a cidade. Ela é a nossa garantia de segurança.” Completou o general.
"Estamos com você, meu general", respondeu Dimitrios.
Ragendra sorriu.
"Ótimo", disse ele. "Vamos começar. Cada um de vocês tem uma divisão para comandar nesta noite, todos os alvos devem ser eliminados e a princesa deve ser capturada antes que a Guarda Real possa reunir-se para protegê-la."
Horas se passaram desde o encontro de Ragendra com seus apoiadores. No castelo de Atlântida, a princesa Calliste se preparava para ir dormir após o jantar. O dia foi muito silencioso no castelo, mas este silêncio foi rompido durante a noite.
Calliste estava em seu quarto, quando ouviu um som de tumulto vindo do corredor. Ela se levantou e foi investigar, imaginando que talvez algum dos servos do castelo tivesse caído ou se machucado.
Quando ela chegou ao corredor, viu que o lugar estava cheio de soldados. Os soldados estavam gritando e lutando entre si, era impossível para ela entender o que acontecia. Entre os soldados que lutavam, ela reconheceu os guardas que cuidavam da entrada do palácio, mas não lhe fazia sentido os guardas estarem lutando entre si.
Calliste ficou assustada. Ela não sabia o que estava acontecendo, ela até tentou voltar para o quarto antes que fosse notada.
O capitão Theltor, da Guarda Real, apareceu, após trocar golpes com um soldado desconhecido e rapidamente derrotá-lo.
"Minha princesa", disse ele. "Precisamos sair daqui. Há um motim entre os militares."
Calliste assentiu, ela ainda não conseguia entender a extensão destas palavras, mas, se Theltor estava ali para buscá-la, instintivamente ela sabia que deveria segui-lo.
"Vamos", disse ela.
Theltor, que já levava Serena consigo, guiou Calliste para um corredor secreto. Eles nadaram até um túnel que levava a um lugar seguro fora do castelo.
Quando estavam prestes a sair do túnel, foram interceptados por Ragendra, Dimitrios e mais meia dúzia de soldados leais a estes.
"Onde vocês estão indo?", perguntou Ragendra.
"Estamos fugindo", disse Theltor. "O castelo está sendo tomado por um grupo de soldados amotinados."
"Não é bem assim", disse Ragendra. "O castelo está sendo tomado por mim."
Calliste ficou chocada.
"O que você está fazendo?", perguntou ela.
"Estou tomando o poder", disse Ragendra. "Eu sou o novo rei de Atlântida."
Calliste se recusou a acreditar, o homem que estava jurando proteger o reino juntamente com seu avô estava abertamente traindo tudo o que ela amava.
"Isso não é verdade", disse ela. "Meu avô ainda é o rei."
"O rei Poseidon não está mais aqui", disse Ragendra. "Ele partiu para o Olimpo, mas eu estou aqui, e não pretendo deixar que outro sente naquele trono."
Calliste se sentiu perdida. Ela não sabia o que fazer.
"Você não pode fazer isso", disse ela. "Atlântida não é sua."
"Sim, é", disse Ragendra. "E eu vou provar isso."
Ragendra ordenou que seus soldados prendessem Calliste e Serena. Neste momento, alguns dos soldados, carregando bestas criadas para o exército atlante, apontaram suas armas para as garotas.
"Você vai se arrepender disso", disse Calliste.
"Não acho que isto seria possível", disse Ragendra. "Atlântida vai ser um lugar melhor sob meu comando."
Calliste estava apavorada. Ela sentia o perigo no ambiente.
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