Atlantis
9 A Face do Assassino
Notas iniciais
Narração de Joanne.
Acordei nos braços de Ben. Eu só via uma luz forte na minha frente e pensei estar no médico. Mas não, era um lugar diferente. Eu pisquei os olhos e coloquei o braço na frente do rosto pra tentar me esquivar da luz:
– Onde estamos ? – Pergunto. Ele fica em silêncio. Eu me levanto, me apoiando nele, eu vejo algo. Algo que faz minhas pernas tremeram e meus olhos lacrimejarem, algo que me faz voltar ao passado. Não liguei para que as paredes que estavam cheias de sangue, eu liguei apenas para aquela garotinha ruiva com seu sorriso fofinho em um quadro na parede, quase caio quando Ben me segura.
– Você está bem ? – ele diz
– Eu... Eu.. – Não consigo dizer mais nada. Apenas olho a foto enquanto choro, então, eu me encho de raiva :
– Estamos perto. Muito perto. – Pego minha arma. Ainda incapaz de digerir o que tinha acontecido eu teria de lutar.
– Somos seus amigos , estamos sempre aqui- Disse Roy.
– Joanne, quem é a garotinha ? – Geovanne pergunta, inocentemente. E eu percebo que ele é como se fosse ela, porque ele me lembrava ela, uma criança frágil que teve que passar por muita coisa.
– Minha irmã. Seu nome era Tibby. Ela era muito doente – suspiro lembrando, e engoli o choro. – Eu e minha mãe cuidávamos dela, e eu estava fazendo Ballet. Daí um dia ela saiu de casa e não voltou mais. O corpo dela não foi encontrado, mas o entregador de jornais deixou o nome dela sujo de sangue na porta da minha casa. Dias depois minha mãe se foi.
– E te abandonou até você ficar fraca, pra eu ir atrás de você – Disse uma voz, familiar até, quando eu me viro, eu vejo dentro de um terno quem eu menos esperava ver. Ele estava careca, com a aparência mais velha do que da ultima vez que o vi. Ele segurava uma faca com um sangue seco nela. E uma revolta dentro de mim.
– Pai ? – digo e todos olham pra mim, no momento que percebo que estão todos armados para lutar.
– Pensei ter se esquecido de mim – Ele sorri friamente, quando lágrimas de raiva descem do meu rosto.
– porque você se foi ? – perguntei.
–Porque chegou a hora, você sabe que fui trocado e... sabe como são as coisas.. – ele encara tudo como se fosse a coisa mais normal do mundo.
– E você sai por aí matando pessoas ? Pessoas que trabalham honestamente todos os dias ?
–Sim, e antes que pergunte porque, eu amei você, até sua mãe se casar com outro homem e ter essa garotinha – apontou para a foto de Tibby – Ela sim que realmente significa pra sua mãe, eu realmente queria tirar você daquele buraco.
Uma voz trêmula dentro de mim, eu só balançava a cabeça dizendo “Não, não...”
–Mas eu amava você pai!
– E não ama mais porque ? – ele começou a girar a faca segurando pelas duas extremidades.
– Você é um monstro! – disse.
– Sabe, antes que queira voltar a sua mãe e dizer que eu sou o tal assassino... saiba que eu pedi pra que ela se retirasse para que eu pudesse levar você, mas você rejeitou o meu amor.
– Você sabe que está perdido. – disse.
–Sei, mas ficaria feliz se pudesse matar pelo menos um de vocês – Todos estavam em choque e pareciam não ouvir o que ele acabara de dizer. Ele lançou a faca em minha direção e Geovanne dá uma flechada no peito dele. Mas a faca pega em Ben, pela única abertura em seu Sobre tudo. A faca afunda em seu peito e ele cai.
Ben se apaga por um momento, ainda meio tonto. O sangue começa a aparecer e papar sua camisa branca, por baixo do casaco.
– Ben, acorde! – ele não reage, Roy e Liah de olho no velho, caso ele sobrevivesse.
– Ben, eu sei que há poucos dias tenho rodado lugares com você, mas eu me sentia segura com você. Eu te amo Ben, e não quero perder você agora.
– O que você disse ? – Ben acorda e eu sorrio.
– Graças a Deus você está bem! – digo
– estou... sangrando.
– Ele precisa de Ajuda. – comenta Liah, e Geovanne se aproxima.
–Eu, queria ajudar de alguma forma, só tenho atrapalhado vocês.- ele diz
– Que isso garoto.. – Ben estava fraco.
–Não se esforce Ben.. – eu disse. — Tudo vai ficar Bem..
Precisávamos de um Hospital, urgente. Ligamos aos futuristas para dizer que encontramos o assassino. E precisávamos da Ajuda, antes que fosse tarde demais. Eu me ajoelhava no sangue de Ben , tentando Mantê-lo acordado por mais tempo possível. Mas eu senti que teria que sair dali antes que a ajuda chegasse, ou coisas ruins pudessem Acontecer. E eu senti pelo cheiro. O gás.
– A porta está trancada – disse Roy, desesperadamente. – Não respirem.
Mas o tempo estava se esgotando. Mais cedo ou mais tarde, tudo acabaria ali.
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