Atemporal
6 Desejo
Notas iniciais
No dia seguinte eu acabava de acordar para ir trabalhar, mas me surpreendi no momento em que acordei, pois lembrei do sonho que tive a noite. Seria outra premonição? Já fazia um tempo em que eu não tinha sonhos, pra falar a verdade eu pensei que esses sonhos, as premonições, já tinham acabado. Poderia ter sido apenas um sonho comum, mas nada era comum como antes, dessa vez a Amber fazia parte do sonho. Decidi então esperar para encontrar com ela no trabalho e debater sobre a suposta premonição.
E ao chegar no trabalho eu me encontrei com Isaac logo de cara, e eu ia esfregar na fuça dele que eu conversei com a Amber, independentemente do que ele fosse pensar. Ele tava lá sorrindo com aquela cara irritante de sempre dele, mas eu ia tirar esse sorriso bobo do rosto dele.
— Isaac! Como é que você tá cara? Tudo beleza?
Eu disse, com toda a falsidade do mundo, há.
— Ian! Tô tranquilo cara, e você?
— Eu tô ótimo. Na verdade tô mais que bem, adivinha com quem eu falei ontem?
— Hã...?
Isso, tenta adivinhar.
— Não faço ideia.
— Eu falei com a Amber cara!
Ele logo tirou o sorriso do rosto e perguntou:
— Quem é Amber?
— A nova funcionaria, a ruiva!
Morra de inveja Isaac! Há, há, há, há! Como está se sentindo? Estou um passo na sua frente.
— Ah? Ela chama Amber? Nossa, olha só o Ian... E ai? Pegou?
Ele consegue estragar toda a minha alegria.
— Não, não peguei, só conversei com ela.
— Então eu tô liberado?
— Pra que cara?
— Ora, como pra que? Pra fazer o time entrar em campo!
— Não, não tá liberado não, meu time ainda tá jogando!
Que raiva desse Isaac cara. Naquela hora graças a deus Amber me fez um sinal de mão querendo conversar comigo, eu então interrompi a conversa com Isaac dizendo:
— Olha, ela tá me chamando, vou ver o que ela quer.
— Vai lá, Ian. Mas já sabe né?
— Sim eu já sei!
Se eu não conseguir, ele vai tentar. Mas duvido que consiga. Não acho que a Amber seja o tipo de mulher que sai com cafajestes iguais ao Isaac. Ao me encontrar com a Amber, ela logo me perguntou sem pensar:
—Ian, você não está contando nada sobre a gente não é?
"Sobre a gente?" Eu pensei.
— Tem algo entre a gente?
— Você sabe do que eu estou falando.
— Sei é?
Ela pegou a gola da minha camiseta, me puxou para perto dela e falando cara a cara comigo, com uma face irritada disse bem baixinho:
— Sobre os poderes Ian.
— Ah, tá, sobre isso! Não, não disse nadinha.
Ela me soltou, e calmamente voltamos a conversar:
— Bom.
— Falando nisso, tem algo que eu quero te perguntar Amber.
— Agora não dá. Tô trabalhando, só no intervalo. E evite ser visto comigo em público.
— Nossa, porque isso?
E ela olhando para o monitor do computador nem ligando para mim disse:
— Porque eu não quero que pensem que tem algo entre a gente.
— Nossa, isso machuca sabia?
— Não tô nem ai.
Como ela é fria! Malvada! Maldita! Depois de algum tempo trabalhando, a hora do intervalo chegou. Todos do escritório de jornalismo almoçavam num pátio no terraço do escritório, e lá estava Amber comendo um sanduíche e admirando a vista, eu me aproximei dela, e comecei a falar:
— Amber, tinha algo que eu devia ter te perguntado ontem.
— E o que é?
Esperançoso de uma real resposta para tudo o que acontecia, eu perguntei a ela, imaginando que soubesse de algo:
— Qual é o motivo de nossos poderes? Porque nós? De onde eles vieram?
E ela respondeu friamente:
— Eu não sei. Podemos ter sido abençoados com um dom.
— Essa é a sua resposta? "Não sei?"
— O que você quer que eu fale Ian? Você sabe de alguma coisa? Sabe? Se souber me conta.
E pensativo eu respondi:
— Não, não sei de nada. Além do mais eu tive um sonho essa noite.
— Um sonho? Apenas um sonho?
— Não. Acho que foi uma premonição.
— E como você sabe?
— Eu não sei. Só sinto que é.
— E como era o sonho?
Um pouco initimidado pela possível resposta que ela poderia dar, eu disse:
— No sonho eu... Estava em um restaurante e você estava em uma das mesas junto comigo, bem arrumada por sinal, como se fosse um encontro.
— Um encontro?
Ela espantada respondeu, e continuava a falar:
— Porque você acha que foi uma premonição e não um sonho? Porque eu deveria sair com você?
— Ei, eu nunca disse que deveria, só disse que foi um sonho. Mas e se caso for uma premonição? Todas as vezes que eu não cumpri essas premonições eu me dei mal.
Nós dois paramos de conversar por um instante, até que eu tive uma ideia e empolgado disse:
— Já sei! Tente ver o meu futuro! Se eu realmente devo sair com você, você será capaz de comprovar com seus poderes.
No momento ela hesitou, mas pensou bem e disse.
— Ora, porque não? Tudo bem, estenda as mãos.
E eu as estendi ela segurou minhas mãos e fechou os olhos, será que ela seria capaz de ver o meu futuro dessa vez? Me perguntava, com medo da resposta.
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