At first sight
2 Capítulo 2: Strangers in the dark
Notas iniciais
We’ll be glowing in the dark
Exceto que tinha mais alguém ali.
Dominique congelou. Tinha alguém ali. E o pior de tudo é que o garoto, ela tinha certeza ser um garoto fosse pela altura ou pela voz, falava sozinho. Sim, ela tinha certeza que não existia mais ninguém ali naquele beco além dele. Num beco. Que decadência, Dominique, pensou. Tinha duas opções. Ou ficava ali, respirando ar puro e com a música num volume mais ou menos aceitável, ou voltava para dentro, onde o som era ensurdecedor e as amigas a tinham a abandonado. Não que ela não esperasse por isso.
O garoto que falava sozinho pareceu notar que não estava mais tão sozinho assim. Ele parou de falar. Dominique não fez nenhuma menção de falar alguma coisa também, então ficaram ali parados num silêncio constrangedor. Ela resolveu que se ia mesmo ficar ali fora, tinha que dizer alguma coisa.
–Então você sempre fala sozinho assim?- perguntou, caminhando lentamente para o outro lado do beco.
–Não, eu só estava...
–Dizem que falar sozinho aumenta o Q1. Não que sei lá, você precise, eu nem te conheço então...
Para a surpresa de Dominique, o garoto riu.
–É, eu sabia disso. Eu estava só treinando, loira.
–Já sei. Vai fazer um discurso de formatura. – ela disse, andando em círculos para simplesmente ter o que fazer e ignorando que ele tinha a chamado de “loira”.
–Como você sabe que eu vou me formar?- ele perguntou visivelmente confuso.
–Joguei verde e colhi maduro- admitiu. — E então? Treinando?
Ele não respondeu. Na verdade, James estava um tanto confuso. Ele tinha saído da festa por não aguentar a visão de Jane flertando com Blake Newstone. Fred tinha encontrado Molly e Roxanne, e brigava com a irmã enquanto dava em cima da prima, como sempre. Teddy tinha sumido. Provavelmente, estava se agarrando com uma garota num dos quartos. Ele tinha ficado sozinho, e aproveitou para ensaiar o discurso que tinha quase noventa e nove por cento de certeza que não ia dizer. Nem hoje nem nunca.
–Okaaay- a garota loira disse. – Não é da minha conta.
Ela se virou para sair, mas James a impediu.
–Espera. Oh, droga, eu não acredito que vou dizer isso... – ele respirou fundo. – Eu preciso de uma opinião sincera sobre isso.
–Hum, sim?- ela respondeu, sentando no chão. – Vamos lá. Só não comece a fazer nenhuma loucura, tipo um strip ou qualquer coisa.
James arregalou os olhos.
–O que? Não, não não. É que eu estou apaixonado e eu queria me declarar para ela hoje. — ele disse, passando a mão nervosamente pelo cabelo.
A loira bateu a mão no queixo.
–Entendi. Você é mais um preso na friendzone, não é? Mas que merda. — ela disse sincera. – Mas, tá. Eu tento te ajudar. Meu padrasto diz que falar com desconhecidos é bom porque eles vão ser sinceros com você, já que nem te conhecem mesmo.
–É, um tio meu diz isso.
–Deve ser um conselho comum- ela deu de ombros. – O que você pretende dizer para ela?
James pegou o papel amassado no seu bolso.
–Eu já decorei, mas... — ele tentou desamassar o papel. — É para minha amiga, Jane. Jane Harmon.
–Continue. — ela fez um gesto com a mão, indicando que ele falasse.
James respirou fundo.
–Jane. Janey. Atualmente, eu tenho sentido como tivesse muito barulho, sabe? Toda essa estática. Todas essas vozes buscando atenção. Professores, pais, familiares, revistas, a TV. O que é legal, o que não é, quem é legal e quem não é legal... E todo esse tipo de coisa fica tão alto que eu nem mesmo consigo me ouvir pensar. Tudo que eu quero é entrar no meu carro e dirigir e dirigir. Mas aí eu vejo você. Eu vejo você do outro lado do corredor, encostada no meu armário, com aquela jaqueta que você adora. E o jeito com que você coloca seu cabelo atrás da orelha. Então você me vê e sorri e só sorri e é como se todo o barulho diminuísse... e a única coisa que eu consigo ouvir é o som da sua voz chamando meu nome.*
Silêncio.
–Foi horrível, eu não acredito que eu disse isso, eu só...
A garota tinha se levantado agora.
–Não, não é isso. É só que... Você quer a verdade... Me desculpe, qual o seu nome?
–James.
–James. Você quer a verdade, James?- ela repetiu.
James balançou a cabeça.
–Seria bem legal se você dissesse.
Ela começou a andar de um lado para o outro, fazendo gestos enquanto falava.
–Okay, James. É que você idealiza essa garota, sabe? Você a enxerga sobre um pedestal, sem nenhum defeito. Você a enxerga como se ela não fosse uma pessoa real, uma pessoa com qualidades e defeitos. E sinceramente, não acho que ela deva estar ligando muito para o barulho. — apontou em direção à festa, com uma expressão irônica.
James deslizou as costas pela parede ate sentar no chão. A garota sentou ao seu lado.
–Algum conselho?
–Tire-a do pedestal. Comesse a pensar nela como uma pessoa real. Supere o amor platônico. E então, talvez dê tudo certo.
–Certo. Certo. Espera, qual o seu nome?
A garota riu.
–Dominique. Mas é grande demais para mim, pode chamar de Nique.
Ele virou para observa-la por um segundo. Tinha um longo cabelo loiro e olhos azuis demais para serem reais ou mesmo para desviar. Ela era bonita, e James se repreendeu inteiramente por pensar aquilo. Nem a conhecia.
–E então? O que veio fazer aqui?- ela indicou a casa atrás deles.
James suspirou.
–Eu vim com alguns amigos. E vim, hm, ver Jane. — coçou a cabeça, um tanto envergonhado. – E você? O que veio fazer aqui?
Dominique cruzou os braços.
–Aparentemente, não era aceitável eu ficar em casa remoendo que amanhã seria meu aniversário de namoro se ele não tivesse terminado comigo. Então as vagabundas das minhas amigas me arrastaram até aqui.
James tinha convivência o suficiente como melhor amigo de uma garota para saber o que responder a ela.
–Sinto muito.
Para sua surpresa, ela mexeu a mão com descaso.
–Obrigada, eu acho. Mas nunca entendi porque as pessoas se desculpam por algo que não é culpa delas. Como isso.
–Acho que é um modo de dizer que nos solidarizamos com a dor dela.
Dominique meneou a cabeça, como se estivesse considerando a hipótese.
–É, hã, onde você estuda?- James perguntou, não aguentando ficar muito tempo em silêncio. Havia alguma coisa nela que o fazia querer descobrir mais e mais.
–Beauxbatons. Sou meio francesa. E você?- ela devolveu a pergunta, interrompendo o começo da resposta de James logo depois. – E, ah, estou no segundo ano. Ainda.
James voltou a encara-la, surpreso.
–Você não parece estar no segundo ano.
–Obrigada. Imagino que isso seja um elogio.
–Eu não sei quanto a você, mas é, eu acho isso uma coisa boa. E, a propósito, eu estudo em Hogwarts.
–Hogwarts?- ela repetiu. – Quase fui para lá. Mas mamãe preferiu Beauxbatons, e eu também.
James sorriu.
–Seria legal se você estudasse em Hogwarts.
Ela sorriu de volta para ele, que estava prestes a falar mais alguma coisa, quando ela se levantou, repentinamente.
–Eu amo essa música.
Ela começou a se balançar no som de uma música lenta. James sorriu com a cena, e ficou observando alguns instantes. Nunca tinha conhecido uma garota como aquela. Não sabia mais o que estava fazendo.
–Me concede a honra?- perguntou, estendo a mão para ela.
Dominique pareceu surpresa e hesitou antes de aceitar. Ele a puxou para perto. Não sabia ao certo o que estava fazendo. Os dois começaram a se mover no ritmo da música. Ela cantava baixinho. Era tão pequena. Era diferente das vezes que dançou com Jane. Mais como se outra coisa estivesse no ar. De certa forma, era bom.
A música acabou. Os dois ficaram parados por algum tempo naquela posição, até se afastaram.
Dominique balançou a cabeça.
–Você deve pensar que eu sou maluca.
–Se eu penso isso, penso num bom jeito de ser maluca.
Um sorriso tímido encheu o rosto dela.
–Eu, err, vou voltar lá para dentro. Procurar minhas amigas, apesar de ter certeza que elas não foram embora sem mim. – ela alisou o vestido. — Legal te conhecer, James.
–Digo o mesmo, Nique.
Ela se virou para ir embora quando o temido som das sirenes começou. O pesadelo de qualquer festa do colegial. Pessoas começaram a correr para fora da casa.
–O que vocês estão fazendo parado aí? É a polícia, porra!- alguém gritou.
Dominique olhou para James, a boca levemente aberta.
–E agora a gente corre?
–Acho que sim.
–Você tem carro?
–Vim de carona.
–Mas que droga. Tudo bem. Tudo bem.
Uma garota descabelada chegou gritando.
–Andem logo, seus dois bobões!
Dominique olhou para casa e para as muitas pessoas correndo.
–Agora elas vão embora sem mim. Vamos, minha casa fica a dez quarteirões daqui.
E correram.
*tradução que eu fiz do discurso que o personagem do Dylan O'Brien, o Dave, faz na cena em que conhece a Aubrey. E é mais ou menos isso aí que acontece no filme também lol
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