At first sight

3 Capítulo 3: Late Night Talks


Notas iniciais
HEEEEEY FOLKS! Olha quem voltou ou ou. Acabei de chegar de viagem, to mortíssima de cansaço mas com vontade de abraçar vocês pelos comentários e tal. Consegui os cinco que pedi, vocês merecem abracinhos virtuais. Fico muito muito imensamente feliz de alguém estar gostando dessa ideia louca. Esse capítulo é baseadíssimo no filme The First Time, uma coisa bem impulsiva mesmo (na verdade, assistam esse filme que ele é ótimo). ENJOY IT!

I found out that everybody talks
Everybody talks, everybody talks

Estavam andando há uns bons quinze minutos. James agora contava uma das suas histórias de tentativas falidas de jogar videogame.

–Que tipo de nerd não sabe jogar videogame?

–Então você é um tipo de nerd?- Dominique perguntou, pulando os galhos de árvore na calçada. — Graças a Deus eu coloquei uma sapatilha.

–Não entendo a relação das mulheres com os sapatos. — James confessou e Dominique deu de ombros.

Ela parou de pular, e agora andava de costas a sua frente, as mãos no bolso do casaco.

–Se você é do tipo inteligente, vai para que faculdade? É um formando, certo?

James olhou para baixo.

–Columbia.

–Wow, Ivy League. Você é do tipo inteligente, então. Com certeza. Está indo para NY, né? Já sabe o que quer fazer da vida?

James riu da expressão dela ao dizer isso.

–Sei. Eu queria virar professor de universidade. Enquanto isso não acontece, eu vejo o que vou fazer da vida. E quanto a você? Já sabe o que quer?

Dominique diminuiu o ritmo de caminhada.

–Não exatamente. Eu sei que não quero nada relacionado à matemática. Ou física. Ou química. — ela riu. – Eu queria viajar. Só isso. E eu gosto de tirar fotos. Mas... Não sei. — ela deu de ombros. – Já é um avanço saber o que eu não quero.

James acompanhou seu sorriso. Estavam passando em frente a um Walmart agora. Uma das luzes do logo estava piscando. Um carro parou na entrada do estacionamento a frente deles. James puxou Dominique para trás. Ela murmurou um “obrigada” baixinho.

–Woonsthantion?- o motorista disse.

Dominique segurou a risada.

–Hum, eu não sou Woonsthantion. Eu nem conheço esse cara. — James respondeu.

O motorista olhou para o banco traseiro, gargalhando. Todos os passageiros no carro estavam fantasiados de um jeito muito estranho.

–Corta essa, Woosthantion. Garota bonita que você tem aí. Estamos indo a essa festa... Uns cinco quarteirões para lá.

–A festa acabou. Acabamos de voltar de lá.- Dominique disse, olhando na direção apontada.

–Estamos indo de qualquer jeito. Ei, querem carona?

–Não, obrigada. Estamos perto de casa. – James respondeu, sendo uma mentira para ele e uma verdade para Dominique. Ele apontou para direção contrária a do que o motorista do carro tinha indicado.

O motorista, com um cocar indígena de papelão, suspirou.

–Que pena. Bom te ver, Woosthantion!

O carro deu ré e saiu ziguezagueando pela pista.

Dominique ergueu uma sobrancelha.

–Woosthantion, hã?

–Ah, fica quieta- James respondeu, ouvindo a gargalhada da garota.

Depois de mais algum tempo de caminhada, ela parou em frente a uma casa branca, estilo clássico.

–É aqui. Obrigada pela companhia.

–Eu não deixaria uma garota como você andando sozinha a noite. — ele disse, naturalmente.

Dominique revirou os olhos, escondendo uma careta. Começou a se virar a caminho da porta, quando James segurou seu braço, soltando logo depois.

–Pode me passar seu celular?

Ela hesitou. Nem conhecia aquele garoto. Também não conhecia Ronny, mas era... Diferente. Foi uma das amigas que deu seu telefone a Ronny, não o ela. Por fim, pegou o celular dele. Digitou os dois primeiros números, quando fez uma coisa louca. Uma coisa que nem ela esperava que um dia fosse fazer. Parou de digitar.

–Você quer entrar?- perguntou. — Eu juro que não somos uma família de antropófagos, ou algo assim. – ela apontou para a porta de entrada da casa.

James engasgou sem nenhum motivo para isso.

–Como?

–Você me escutou.

–E seus pais? E se eu fosse um maníaco?

Dominique riu, caminhando para a porta devagar.

–Primeiro: É só falar baixo. Eles nunca acordam com nada mesmo. E segundo, se você fosse um maníaco já teve muitas oportunidades de se aproveitar de mim em ruas escuras. Por que faria isso agora? Por pura burrice?

James observou que ela ainda estava como seu celular na mão. Ela abriu a porta fazendo um gesto exagerado. Ele ficou surpreso com a aparência de dentro da casa. Era maior do que pensava. E muito bem decorada, embora ele não entendesse disso. Só de olhar o sofá de couro branco se podia dizer que tudo ali sofisticado.

Dominique tirou o sapato e começou a subir as escadas. Ele esperou que ela dissesse alguma coisa, mas não disse e deu de ombros e subiu atrás da garota. Ela abriu uma porta pintada de branco que rangeu levemente, e fez uma careta com o barulho.

O quarto dela era grande, com uma parede roxa atrás da cama quase toda coberta de fotos. Havia um banco na janela arqueada, e almofadas grandes espalhadas pelo carpete fofinho. Uma porta aberta de closet. Ela fez um gesto para a porta aberta.

–Espere aí, eu vou trocar de roupa.

James assentiu.

–Pode sentar se quiser- Dominique disse, antes de se fechar no closet.

James sentou-se na beirada da cama, pensando se ali era o lugar adequado para se sentar. Olhando a parede mais de perto, não eram apenas fotos dela ou das amigas ou da família. Havia cartazes de filmes, folhetos da Disney e cópias de capas de livros. Sorriu ao reconhecer um pôster de Thor.

Dominique não demorou nada para sair, vestindo uma legging e um suéter listrado com algumas linhas soltas. Mas ela não precisava estar arrumada para nada, mesmo.

Saiu do quarto e encontrou James sentado na ponta da sua cama, encarando sua parede que outrora fora roxo escuro, e agora estava quase completamente coberta de fotos e cartazes. Era o orgulho pessoal de Dominique e custou uma semana e meia de castigo. Fleur quase tinha tido um ataque quando viu, mas aprendeu a gostar depois que a filha explicou que significava.

–Bonito. — ele apontou para a parede. Dominique sorriu, jogando uma almofada para o lado e se sentando no chão. Ele achou que devia fazer o mesmo. — Por que me chamou para entrar?

A pergunta não a pareceu pegar de surpresa, mas ela também não parecia saber o que responder.

–Eu não sei- admitiu, se ajeitando com as costas numa almofada e abraçando os joelhos. – Não faço a mínima ideia. Mas você é livre para ir embora, se quiser.

James também não soube explicar nem para si mesmo como tinha detestado ouvir a última frase. Ele só conhecia aquela garota há umas duas ou três horas, afinal. Não devia ter ficado ofendido por isso. Mas ele ficou.

–Você quer que eu saia?

Ele tinha que parar de tentar adivinhar as reações de Dominique. Ela sempre o surpreendia. Dessa vez, soltou os joelhos e riu, com a cabeça jogada para trás. Depois cobriu a boca com a mão fechada, ainda contendo um sorriso.

–Por Deus, James, você só complica as coisas. Me perguntou porque o chamei para entrar, eu não sei, mas se o fiz talvez apenas goste da sua companhia ou sei lá... Não quero que você vá embora. Só estou dizendo que se você quiser ir, você pode.

–Mulheres são complicadas, loira- James sentenciou, resolvendo se encostar-se à almofada atrás dele. De perto, Dominique cheirava a alguma coisa doce. Ele balançou a cabeça, afastando aquele pensamento.

Dominique cruzou os braços e bufou.

–Complicadas? Olha, eu vou te contar uma coisa. Algumas podem até ser complicadas, mas na verdade é o cérebro lento de vocês que distorce tudo o que nós falamos. – ela fez um gesto de descaso enquanto falava. – Homens, hunf.

–Qual o problema com homens?

–Todo o tipo de problema. Vocês são a síntese da palavra “problema”. Vocês distorcem as coisas a seu favor. É ridículo como acham que as mulheres são burras! Ou como se acham superiores...

James a observou divagar por mais algum tempo sobre o assunto. A verdade é que ele não pensava assim, mas gostava de vê-la e ouvi-la falar. Ela falava daquilo com paixão, não como uma garota do high school que teve o coração partido e resolveu criticar os homens com ofensas vazias que ela não compreendia.

–Entendeu?- ela terminou seu discurso acalorado.

–Hm, sim. Mas na verdade, eu nem pensava daquele jeito. Sobre as mulheres.

Dominique bateu na própria testa. Perdida no meio de uma das suas atividades favoritas, que era a de dar discursos feministas para quem quisesse ouvir (normalmente, ninguém além da mãe, do padrasto e dos irmãos, que não tinham escolha, mas esse era um tópico a ser melhorado) ela tinha se esquecido. O garoto sentado ao seu lado era um dos últimos românticos do mundo.

–Tudo bem, eu esqueci que você é o “último romântico do mundo”- ela fez aspas no ar. – Desculpe isso deve ter sido entediante.

–Não foi. Eu na verdade hum gostei de ter ouvir falar. — ele coçou a parte de trás da cabeça, olhando para o chão, sem coragem de encarar os olhos azuis profundos da garota ao seu lado. – Você falava como se realmente soubesse o que discutia.

–Eu posso ou não ser uma feminista- Dominique disse, com uma piscadinha e um sorriso contido no rosto.

James sorriu também, correndo o olhar pelo quarto, observando os outros detalhes. Tinha muita coisa ali, mas tudo parecia fazer sentido e combinar de um jeito estranho. Uma prateleira cheia de livros e DVDs ficava do lado da porta do closet. Mais desses objetos estavam empilhados no chão, com um abajur em cima. Luzes do tipo pisca-pisca enfeitavam a cama, coberta por vários travesseiros e almofadas.

–Quarto legal. — ele disse, só para quebrar o silêncio que estava beirando o desconfortável.

–Geralmente ninguém repara- Dominique deu de ombros, mas parecendo satisfeita. – Mas eu levei um bom tempo arrumando. — disse orgulhosa. – E procurando todos aqueles filmes para colocar ali.

–São todos filmes bons- James assentiu. – Espera, aquilo é Star Wars? Espero que você realmente tenha assistido a isso! É incrível!

–Claro que sim! É engraçado que o tempo mais recente no mundo deles são os filmes mais antigos e os mais novos são sobre o passado...

–Sim!- James concordou, dando inicio a uma nova conversa animada por alguns minutos, até que o assunto mudou. Sempre mudava, e em algum momento sempre voltaria para aquela direção. Eram adolescentes, é natural.

– Então se as garotas são divididas em dois tipos, a qual grupo você pertence?- James indagou, olhando para Dominique tentando classifica-la.

Ela colocou o cabelo loiro para trás.

–Bem, eu posso ser a certinha comportada ou a bitch escondida.

Dominique estava muito mais próxima de James do que ela se lembrava. Por algum motivo, ela só agora estava reparando de verdade nele. Os cabelos castanhos agora meio despenteados, os olhos castanhos claros impossíveis de desviar. Ela nunca pensou que olhos castanhos pudessem ser tão bonitos. Ele estava com a boca levemente aberta, e ela deslizou impulsivamente a mão para perto da dele. Nenhum dos dois sabia exatamente o que estavam fazendo, ou pensavam naquele momento.

Quando James falou, a voz estava um tanto quanto pesada.

–De verdade? Eu não faço ideia. Você poderia ser qualquer uma dessas opções. Eu nunca conheci alguém como você.

–Isso é bom?

–Eu não sei.

–Você não sabe de muita coisa, sabe, James?- Dominique perguntou, com uma sombra de um sorriso no rosto, que estava a milímetros de distancia do garoto ao seu lado.

James conseguia sentir a respiração dela sobre seu pescoço, e seu próprio coração era um tambor rufando dentro dele. Seu olhar estava passando pelos olhos azuis meio fechados de Dominique para sua boca levemente aberta. De todas as garotas que ele já tinha ficado, nunca tinha sentido nada assim. Ele se aproximou ainda mais, se possível, e colocou uma mecha do cabelo dela para trás. Ela sorriu timidamente.

Algo sendo derrubado despertou os dois. Ela se afastou, piscando. O que achava que estava fazendo? Tentou controlar os batimentos, aquele silêncio estranho se instalando sobre os dois. Dominique queria desesperadamente falar alguma coisa.

–Você já acampou?

–O que?- James perguntou confuso.

Ela deu de ombros, aquele sorriso tímido de novo.

–Uma amiga minha da França dizia que o melhor jeito de cortar o silêncio era perguntar qualquer coisa aleatória.

James sorriu também.

–Ela estava certa. E a resposta é sim. E você?

Dominique suspirou, depois balançou a cabeça.

–Você vai rir.

–Não vou, eu prometo. — ele garantiu, observando-a baixar a cabeça.

–É bobagem, mas eu não consigo dormir com nenhuma pessoa por perto. Nem mesmo a minha mãe ou meus irmãos. Tem sempre algum barulho. Eu me sinto... desconfortável. E em acampamentos, onde todos ficam numa barraca apertada- ela tremeu. – Não ia conseguir dormir nunca.

–Então festas do pijama são um pesadelo para você. – James acrescenta. Ele sabia como garotas amavam suas festas do pijama e o fato de passar a noite na casa das amigas. Jane ia a muitas, e Lily já estava começando a gostar disso também. Para sua surpresa, mais uma vez, ela riu.

–Você realmente acha que as garotas dormem em festas do pijama?

–Sim, claro, Dominique. Não é para isso? Eu nunca vi a graça em dormir na casa dos outros assim, mas...

–Nós não dormimos. Ou melhor, até o fazemos, mas quando finalmente o cansaço vence. — Dominique explicou.

–E o que fazem?

–Você realmente não tem ideia?

–Não, ué. Eu já disse: garotas são complicadas.

Dominique se encostou às almofadas, girando um anel que sempre usava nos dedos.

–Bem, elas- ou nós, que seja, vamos usar elas- conversam. Falar sobre garotos é recorrente, mas tem muitos outros temas. Cantam. Discutem séries, livros e música. Pintam as unhas. E riem muito mesmo.

James fez uma careta.

–Eu nunca mais deixo a Lily fazer nenhuma festa dessas.

Dominique empurrou seu ombro levemente.

–Deixa de ser o irmão mais velho chato.

Eles riram, o silêncio sufocante mais uma vez. Dominique se deixou cair deitada, apoiada nas almofadas.

–Esse é o melhor lugar da casa- ela diz, observando o céu pela janela e sendo observada por James. – Vem, olha. Você consegue ver as estrelas. E a lua. Toda essa baboseira romântica. Sabia que a luz das estrelas demora 4,4 anos luz para chegar a Terra?

James deitou também olhando para o mesmo ponto no céu.

–É, eu sei. É meio assustador pensar que podemos estar vendo luzes de estrelas mortas. Você gosta de estrelas?

–Gosto. Do jeito que todo mundo gosta, sabe. – Dominique explicou, contendo um bocejo. Ela se esticou antes de deitar de novo. – E você? Pode deitar se quiser.

James arregalou os olhos de leve. Tudo aquilo era estranho. Se fosse com Jane, bem, ele estava acostumado a ir a casa dela e conversarem até tarde. Mas aquela era uma estranha, um ano mais nova. E tinha sempre aquela sensação estranhamente boa de se estar perto dela, aquele nervoso na boca do estomago, que James não sabia o que era.

Ele deitou.

–Eu gosto. Meu nome do meio é o nome de uma estrela.

Dominique pareceu interessada.

–Sério?

*****

Dominique acordou com os gritos da mãe.

–Nique! Já são nove horas! Você está bem? Eu sei o final do namoro foi difícil e...

Dominique sacudiu James, enquanto respondia para a mãe que preferia ficar na cama por algum tempo.

–Tem certeza?- Fleur perguntou, provavelmente encostada a porta. James se levantou, derrubando uma pilha de livros no processo. – Dominique? Filha, o que aconteceu?

Segurando o riso, Dominique indicou a janela.

–Mãe, pode fazer aquelas panquecas que eu gosto? Por favor?- pediu, a voz o mais manhosa que conseguia fazer enquanto lutava contra o riso.

Ouviu o suspiro de Fleur do outro lado.

–Tudo bem. Mas o Bill saiu com o Louis, não se importa de ficar sozinha, não é? Eu já volto.

Dominique empurrou James e fechou a cortina, espreitando até ver o carro da mãe virar a esquina. Ela colocou as mãos na cintura e riu. Riu de verdade, jogando a cabeça para trás, rindo até ficar sem ar.

–Sabe, eu sempre pensei que minha irmã fosse fazer algo assim, não eu.

James deu de ombros, tentando parecer despreocupado.

–Então eu vou pular a janela?

–Vai. Boa sorte, Romeu- Dominique piscou, abrindo o vidro. – Vai.

James riu.

–Tudo bem, se quer tanto que eu vá embora. Eu hum, estou indo.

–Não me olhe assim. Você tem meu numero. Nunca diga que não te dei absolutamente nada.

–Legal te conhecer, Dominique.

Notas finais
REVIEWS? COMENTÁRIOS? RECOMENDAÇÕES? Querendo me matar porque não teve beijo? Eles não são assim, povo, eles são devagar nessa fic. Tudo é bem devagar, bem romance nhonho onde os dois demoram séculos para dar o primeiro passo. Com seis comentários, posto rápido. Não conseguindo seis, mais ou menos em uma semana e alguns dias hahaha. Então comentem, mandem pras migas, etc. Quero muito receber a opinião de vocês! P.S: perdoem qualquer errinho, o Nyah sempre SEMPRE está desformatando meus capítulos e mudando umas letras, não entendo. Revisei tudinho, mas não sei se talvez deixei alguma coisa passar. -xoxo Bruna