At The Ballet
25 O início do fim
Notas iniciais
Brittany estava andando com sua bicicleta pelo parque. Ela olhava as árvores e sentia o vento lhe bater no rosto com delicadeza e cuidado. Ela havia saído cedo apenas para respirar o ar que tanto lhe faltava. Os pés estavam doendo e os joelhos pediam por clemência nas aulas extras de ballet mas Brittany não podia fazer nada, o exame da faculdade estava perto e ela tinha que estar impecável. Ela percorreu o Green park pela terceira vez antes de refazer o caminho pelas ruas rumo a sua casa.
Ela deixou a bicicleta no canto ao lado da casa e entrou. Catarina, que praticamente já morava lá, estava na cozinha ensaiando vários pratos que aprendeu com o passar do tempo. Dorothy veio na direção de Brittany enquanto ela entrava. Brittany a pegou no colo e a levou escada acima em direção ao seu quarto. Ela se deitou e a gata ficou em cima de seu estômago. O único barulho era da mão de Brittany coçando as orelhas de Dorothy.
–Dorothy. -chamou Brittany para que a gata lhe olhasse e pelo costume desses chamados, a gata olhou. -Como eu vou contar para o papai que eu não posso ir para a França com ele?
A gata continuou a olhar para Brittany, mas levou a patinha até a boca e começou a lamber.
–Não me olha desse jeito. -disse Brittany desviando o olhar. -Eu não posso ir com ele. E puxa, Dorothy! Ele ficou tão animado quando soube que podia me levar. Eu não sei como fazer isso! Parece de todos os jeitos eu vou ser obrigada a quebrar o coração dele!
A gata miou e Brittany voltou a focaliza-la.
–Eu falei com a Sant sobre mandar a Catarina para que ele não se sentisse sozinho, mas ela disse que talvez isso não aconteça. -Brittany perdeu o sorriso. -Se eu não sentisse tanta saudade, você poderia fazer companhia para ele, hã? Você poderia até falar francês! Mas não consigo e tudo que o papai precisa é de uma companhia humana, sem ofensas. Mas se eu for com ele, quem ficará triste será eu. Você já imaginou o lugar?
Dorothy sapateava pelo seu estômago até que se deitou de vez com a cabeça sobre o peito de Brittany.
–Você vai dormir? -perguntou Brittany. -Eu queria conseguir dormir por vontade. Eu só durmo quando Sant está aqui para me acalmar. Ela sente saudades de você, Dorothy. Ela me mandou te dizer isso, mas ela sente de verdade. Ela deve estar numa aula com aquela mulher gorducha que eu sempre esqueço o nome.
Alguns segundos se prolongaram quando Brittany ouviu um estrondo na cozinha. Pratos quebrando e algo sendo derramado. Ela ouviu Catarina gritar e correu escada abaixo até entrar na cozinha onde pode ver Catarina de cócoras num canto e as costas de sua tia com uma faca na mão. O barulho de algo derramando era da panela com água fervente que estava esparrada e jogada no chão. Uns cinco pratos estavam quebrados no chão, mas a cena em si era mais assustadora do que parecia. O vestido de Catarina estava amassado e levantado até as coxas. Julieta respirava muito alto e os noz dos dedos tão brancos de segurar a faca com força. Ela sacudiu a cabeça como se estivesse negando algo. Deixou a faca em cima da mesa, beijou a testa de Brittany e saiu da casa. Brittany, que estava presa a imagem, andou até Catarina sentada no chão. A água escorrendo pela cozinha e lhe chegando à nádega. Catarina estava chocada no pior sentido da palavra. Ficar presa a sentimento nenhum pode parecer pior do que realmente é.
–Você está bem? -perguntou Brittany baixinho, indo em contato com ela devagar.
–Ela não fez nada. -disse Catarina pelo fato atônito. -Nada.
–Como? -perguntou Brittany. -Ela pode parecer mais maldosa do que parece. Tem certeza que ela não fez alguma coisa? Ela estava com uma faca na mão...
–Ela entrou procurando alguém. Miranda, acho. -disse Catarina tentando normalizar sua respiração. -Ela quebrou os pratos e eu joguei a água quando a vi pegar a faca. Ela ficou parada. Eu consegui ver nos olhos dela; algo escuro.
–Deve ser a alma dela. -murmurou Brittany.
–O que aconteceu com ela, Britt? -perguntou Catarina se virando. -Por que ela veio para cá? Qual é a história dela?
–E-eu não sei. Meu pai falou que ela perdeu o filho e ficou assim. Que quis voltar para perto da família. Algo sobre desistir de Paris.
–E você sabe quem é essa Miranda? -perguntou Catarina com os olhos questionadores.
Brittany apenas negou e Catarina assentiu. Ela abraçou o corpo de Brittany e beijou o topo de sua cabeça.
–Você me ajuda a limpar essa bagunça antes que seu pai chegue?
–Você não vai deixar isso para lá, vai? Ela não pode continuar a fazer esse tipo de coisa, não é como se fosse a primeira vez.
–Enquanto não sabemos o quão perturbada ela pode estar, botamos uma pedra nessa situação. -disse Catarina tentando sorrir. -Eu não me machuquei, eu prometo.
Brittany assentiu antes de se abaixar para recolher os cacos de porcelana que dançavam na água morna. Catarina tentou olhar a situação como se fosse natural. Tentou, mas falhou. Algo de inquieto em Julieta a preocupava.
Quando Catarina e Brittany trocaram de roupa e desceram para acertar novamente os ingredientes do almoço, Howard entrou pela porta dos fundos assobiando com um peixe enrolado no jornal. Ele beijou os lábios de Catarina e sorriu. Foi até Brittany e beijou o topo de sua cabeça. Deixou o peixe em cima da mesa e deu um suspiro ouvido por todos. Se jogou na cadeira e quando sua bunda tocou o assento, alguém bateu na porta. Brittany correu até a porta com medo que fosse Julieta voltando, mas não era. Era seu pior pesadelo.
–Coronel Grant está? -perguntou o soldado. Brittany negou a cabeça por instinto mas balançou ela para que não percebesse.
–Está sim. -disse Brittany. -Você quer falar...
–Preciso, na verdade. -disse o soldado.
Brittany foi até o pai e o chamou. Ela ficou escondida na sala escutando a conversa. Se tratava da última notificação da viagem. Ele partiria em uma semana e ela... Bem, ela tinha que negar.
–Ei! -chamou Catarina baixinho. -Vem aqui!
Brittany caminhou até a cozinha e se sentou de frente para Catarina. -Eu sei o que você vai falar...
–Por que você está assim? -perguntou Catarina tentando parecer confiante, mas tentar parecer não a faz aquilo.
–Eu acho que não vou. -disse Brittany. -Eu não posso ir.
–Você está com medo? -perguntou Catarina. Brittany assentiu com a cabeça. -Você não devia. Esses lugares não deveriam receber ninguém, se quer saber.
Catarina caminhou até ela e segurou a sua mão. -Mas não quero desaponta-lo.
–Você não vai desaponta-lo, Brittany. -disse Catarina sorrindo. -Você é tudo para ele. Ele não irá ficar desapontado se você não for.
–E não vou mesmo. -disse Howard. Brittany se virou para ele.
–Pai.
–Brittany. Eu não estou obrigando você a ir. Eu queria apenas que você se sentisse mais perto. Para que você visse o que eu estou fazendo e não ficasse com tanto medo de que eu nunca mais voltasse.
Brittany abraçou o corpo do pai. O apertava o quanto seus braços permitiam. Catarina olhou para os dois e um sorriso meio triste. Ela sabia como Brittany estava sentindo e mesmo assim, sabia que ninguém poderia sentir o que a menina loira estava sentindo. O abraço quebrou e Brittany fungou. Ela olhou para as costas de Catarina que cortava batatas e tomou coragem.
–Eu não posso ir, papai. Mas eu acho que você deve levar Catarina.
Catarina se virou rapidamente e olhou para Brittany. Os olhos em humildade. Howard a olhou e trocaram olhares. Ele concordou sorrindo.
–Você aceita? -perguntou Howard. -Eu não sou tão espontâneo como você, mas pela primeira vez te deixei surpresa.
–Você sempre me surpreende. -disse Catarina rindo. -Você tem certeza?
–Absoluta. -disse Howard tocando-lhe o quadril e beijando seus lábios. -E você pode? Eu sei que você apenas assinou um contrato para o próximo trimestre, mas eles não precisam de você?
–No momento não. -disse Catarina. -E eu posso voltar mais cedo, não posso?
–Pode. -confirmou Howard.
Brittany olhava para as interações dos dois sorrindo e se questionando pela resposta.
–Britt, você tem certeza? -perguntou Catarina olhando-a. Brittany sorriu e confirmou com a cabeça. Apenas assim, Catarina balançou a cabeça em concordância. Brittany deu dois assobios com os lábios e Catarina ria.
–Eu vou falar com Julieta para cuidar de Brittany...
–Não! -interrompeu Catarina rapidamente. -E-eu acho que ela ficará melhor com outra pessoa.
–Onde? -perguntou Brittany meio animada. Catarina lhe respondeu com o olhar antes de se virar para Howard.
–Eu conheço um lugar.
–Você está certíssima, Santana. -disse Amy Josemberg. -Ford criou o modelo de produção em esteiras.
Amy Josemberg era a nova tutora. Ela dava aula duas vezes por semana para Santana e Elizabeth que depois de um segunda crise foi obrigada a estudar em casa. Ela era baixinha e gorducha com cabelos bem loiros. Ela vestia sempre sua saia roxa beterraba e um terninho com os botões para estourar, também tinha uma perna mais curta do que a outra a fazendo usar uma calceira barulhenta e desconfortável. E toda vez que tinha que subir até a biblioteca ficava esbaforida e se sentava na cadeira que rangia. Elizabeth não gostava muito de Amy e Santana estava com as cabeças nos ares, mas quando era de algum assunto que lhe interessava ela escutava e não sentia como se estivesse numa aula mas sim numa conversa, como Catarina fazia.
Que ares Santana visitava durante as aulas? Milhares de preocupações. Ela tinha acabado a temporada no teatro e agora procurava outras coisas para fazer. Ela raramente ia a academia, senão para as aulas de ballet onde Brittany era totalmente dedicada. Desistir de algumas aulas foi de ambas escolhas. Ela ainda frequentava as aulas de Sylvia que lecionava teatro musical. Havia diversos comentários sobre Santana ter uma boa figura para as telas de cinema, citadas principalmente por Sylvia, mas Joanne ainda se negava a levar Santana nos testes. Sylvia tinha marcado assim mesmo um teste. Santana queria ir, mas ela não queria decepcionar Joanne nesse período. O que envolvia outro mundo por onde a mente de Santana andava. Contar para sua mãe sobre Brittany. Ela achava que usar a palavra "assumir" era mais apropriado para tal ocasião, porque ela tinha quase certeza que sua mãe sabia. E o frio das conversas do momento em que ela percebia que Santana ia lhe contar algo agoniante, não era um bom sinal. Mesmo assim,
Santana tentava, mas não muito. O medo lhe corria e corroía as veias. Ela não sabia por onde começar ou se devia começar. Mas ela já podia sentir o momento. E por sentir, ela o adiava.
–Eu falei que Ford criou as esteiras. -questionou Elizabeth.
–A pergunta foi para Santana. -disse Amy sorrindo. -Você continua estudando as grandes navegações que são apropriada para a sua mentalidade.
–Isso não tem sentido. -disse Beth revirando os olhos. -A senhora acha que eu devo apenas aprender o que minha faixa de idade permite? Então, por que não nos trancam num caixa e nos proíbem de saber? Eu estudei as grandes navegações. Eu entendi que ganhamos muito indo para a América! Eu posso estudar o mesmo que Santana? Por favor?
Amy pigarreou. Ela se mexeu e a cadeira rangeu. Assentiu cansada e se virou. -Você é mais inteligente do que parece.
–Obrigada. -disse Beth. -Quando nós vamos estudar a grande guerra?
–Nossa! -disse Amy e chegou a enrubescer. -Meninas não gostam desse assunto!
–Por que? -perguntou Beth relaxando as costas.
–Porque meninas não devem gostar de morte e tudo de horrível que aconteceu na grande guerra.
–Minha irmã nasceu na grande guerra. -informou Beth e viu que Santana olhava a janela com os pensamentos altos. -E, me desculpe senhora, mas existem tantas mulheres que participaram da grande guerra! Mulheres que são mais inteligentes do que os homens.
Amy estava mais vermelha, ela não acreditava que mulheres tinham valores muito alto. Seu marido a trocou por uma mulher mais jovem e disse que era apenas como o mundo funcionava. Amy não era amarga, mas magoada por nunca pensar livremente e por não saber que tinha seu valor. -Vamos prosseguir, sim? Não queremos outra revolução como a da fábrica de costura. Elizabeth, por que não me faz um relato sobre o modelo fordista, então?
Elizabeth segurou a caneta e da ponta escorria o nanquim que logo preencheu uma, duas folhas. Santana ainda olhava a janela alucinada pelo vento que batia. Ela havia falado com Brittany antes de Amy chegar. A loira havia dito que ia usar a bicicleta para refrescar a cabeça. Santana pediu que ela descanse durante aquele tempo, Brittany prometeu que assim faria.
–Santana! -chamou Amy. Santana saiu de seu devaneio e olhou para sua tutora. -Você pode começar também.
Santana tentou juntar palavras e formas diferentes, mas sua mente estava confusa. Como se alguém tivesse pegado sua cabeça e sacudido suas ideias. Ela apenas respirou fundo antes de escrever sobre um fato que ocorreu duzentos anos atrás.
–Catarina! -disse Joanne surpresa. Ela estava na sala lendo um livro quando ouviu a campainha tocar. -Não esperava você!
–Está tudo bem. -disse Catarina sorrindo. Ela adentrou a casa e foi indo diretamente para a sala e se sentando. Quando olhou para a porta viu que Joanne ainda estava caminhando até ela. Ela percebeu o quanto nervosa ela estava. -Eu preciso conversar com você.
–Conversas do tipo namoro ou conversas do tipo irmãs?
–Os dois tipos. -disse Catarina. Ela umedeceu os lábios antes de continuar. -Você se lembra do que eu falei sobre Howard ir para a Paris para treinar algumas dezenas de soldados?
–Sim. -disse Joanne se sentando no sofá de frente para Catarina.
–Ele queria levar a Brittany para que ela não sentisse que estivesse perdendo-o.
–Pobre menina, hã? -comentou Joanne solidária.
Catarina não se mexeu e arregalou um pouco os olhos antes de continuar. -O problema é que diversas coisas a estão fazendo ficar aqui...
Joanne fechou o o rosto. -O que isso quer dizer?
–Ela tem um teste para a faculdade. Ela tem a academia que está a ajudando com esse processo.
Joanne relaxou os ombros e até suavizou os contornos dos lábios. -Não entendi o que essa situação está me envolvendo, Catarina.
–Ela pediu para que eu fosse com Howard. Ele me pediu em seguida. E eu quero ir.
–Eu já entendi Catarina. Antes que você me pergunte, eu preciso saber o motivo. Ela não tinha uma tia, afinal de contas?
–Ela tem. Mas eu não posso deixar Brittany com ela! Eu não sei o que ela pode ou não fazer. Eu mal a conheço, mas sei que nem Belle e Oliver confiam em sua sanidade. Eu apenas preciso que você cuide dela. De Brittany, quero dizer.
–Eu sou a última opção?
–Por que você está sendo tão detestável, Joanne? -perguntou Catarina. -A cada conversa você parece pior.
–É porque se torna mais óbvio. -disse Joanne irônica.
–O que é tão óbvio?
–Você deveria saber. "É tão óbvio."
–Detestável. -disse Catarina pausadamente. -Você não faz ideia do quão detestável você está sendo! O que aconteceu com você? Você tinha um coração tão grande! Ele esfriou? Você nunca foi fria, Joanne.
Joanne se sentiu incomodada com os comentários, mas não sentiu necessidade de contrariar. -Tudo bem, eu a acolho aqui. Sem problemas! Feliz? Pareço um coração aberto novamente?
–Não sou eu quem deve responder isso. -disse Catarina sorrindo fraco. -Mas obrigada. De verdade.
–Tudo bem. -disse Joanne. -Então, você vai voltar para Paris!
–Vou. -disse Catarina sorrindo. -O que me lembra da conversa fraterna!
–O que foi? -perguntou Joanne sorrindo.
–Tem uma coisa que eu quero fazer em Paris... -começou Catarina. -Algo que eu deveria ter feito a muito tempo, mas minha vida nunca esteve tão louca e inusitada! Céus! Como eu amo isso!
Joanne arregalou os olhos e riu da irmã. -E o que é?
–Você promete não surtar ou gritar?
–Eu não posso. Prometi que não deixaria Amy pensar que somos loucos.
Catarina riu e tamborilava os dedos em cima do colo de nervosismo. -Bem...
Uma semana depois
Howard, Catarina e Brittany estavam sentados num dos bancos de madeira da estação de trem com Dorothy numa caixa azul. O trem com destino a Paris sairia em meia hora e eles estavam sentados na espera dos Kutterin. Howard abraçava Catarina e Brittany estava sentada ao lado. Os três se levantaram quando viram Santana, Joanne e George caminhando em suas direções. Joanne correu um pouco mais e alcançou o corpo de sua irmã num abraço. George foi logo falar com Howard, afinal as simpatias que sentiam eram de puro convívio. Santana caminhava lentamente até Brittany que correu até ela sem esperar os segundos que faltavam. Correu até ela e a abraçou. Sentiu as mãos de Santana em seu corpo e a prensou ainda mais contra seu corpo.
–Vai ficar tudo bem. -ela sussurrou no ouvido de Brittany. Se separaram e se olharam antes de sorrirem e caminharem até seus pais. Caminhando lentamente até a estação de embarque número 7, os adultos foram conversando deixando as duas meninas atrás. Brittany sorriu para Santana e lhe tocou o rosto e a abraçou de lado enquanto caminhavam. Brittany sentiu uma fraqueza na perna esquerda que a fez se pendurar no corpo de Santana.
–Britt, você está bem? -perguntou Santana impedindo-a de continuar. -É o seu pé? Você está bem?
–Estou. -disse Brittany com um meio sorriso. -Foi apenas um peso mal distribuído.
Santana a olhou com a sobrancelha levantada. Brittany a fitou e ela apenas assentiu. Santana colocou sua mão na cintura de Brittany para suporta-la. Brittany olhou para a mão de Santana em sua cintura e olhou para todas as pessoas ao redor. Sorriu para si mesma.
Depois de verem o trem parado, todos se abraçavam e davam uma despida de momento. Howard abraçou o corpo de Brittany que agora estava afastado do de Santana que era esmagada por Catarina.
–Eu prometo para você que eu vou voltar. Inteiro. -disse Howard abraçando a filha. -Aproveita esse tempo para focar em tudo que deseje. Quando eu voltar, eu não vou mais sair do seu lado.
–Isso é uma promessa? -perguntou Brittany. Howard ficou em silêncio. Brittany olhou para ele assustada.
–Eu não posso controlar o que está no futuro depois de Paris. -disse Howard. -Então, não. Não é uma promessa.
Ele tirou um lenço de seda do bolso e entregou nas mãos delicadas de Brittany.
–Parece aqueles contos de cavaleiros onde a dama deixa um lenço ao cavaleiro.
–Parecido. Ele não é meu. Ele pertenceu a sua avó. Ela me pediu para te entregar quando estivesse pronta para entender o mundo e entende-la.
–Minha avó Angelique? -perguntou Brittany olhando para o lenço. Howard concordou.
–Ela nunca conseguiu entregar a sua mãe, mas fica muito contente em entrega-lo à você.
Brittany segurava o lenço com cuidado.
–E este é a minha real promessa. -Howard tirou uma das medalhas de sua farda e prendeu no vestido de Brittany. -Eu te prometo vir buscar essa estrela.
Brittany abraçou o pai e sentiu uma imensa vontade de chorar, mas não poderia faze-lo. Ela respirou fundo no pescoço do pai e algumas lágrimas caíram.
–Por favor, pai. Volte. -disse Brittany baixinho.
–Por minha palavra de honra. E eu sempre a cumpro. -disse Howard secando as lágrimas de Brittany e beijando o topo de sua cabeça. E sussurrou em seu ouvido. -Santana vai cuidar de você por mim.
Howard foi agradecer os Kutterin por cuidarem de Brittany durante esses meses que não poderia. Brittany se virou para achar Santana. Ela ainda estava esmagada a Catarina que sussurrava em seu ouvido.
–Cuidem uma da outra. -sussurrou Catarina na orelha de Santana. -E mais do que qualquer coisa, tomem cuidado. Muito cuidado. Cuide dela. E ela irá cuidar de você.
As duas se separaram e Howard abraçou Santana e Catarina agarrou tão forte Brittany como uma mãe faria. Os dois acenaram e entraram no trem. Os quatro ficaram olhando por alguns longos segundos a imagem tola de rodas girando, mas o significado era maior do que apenas rodas girando. Eram rodas girando para longe. Para longe demais.
Brittany estava sentada na cama de Santana enquanto brincava com Dorothy. Santana entrou no quarto segurando um copo de suco e logo fechou a porta. Brittany não havia falado muito, estava assim desde que saíram da estação. Santana colocou o suco em cima do criado mudo e se sentou na cama, de frente para Brittany. Dorothy saiu das mãos de Brittany e se sentou no colo de Santana o que fez Brittany olhar para o olhar que a fitava febrilmente.
–Você não quer conversar. -indagou Santana. -Mas precisa. Mas não quer.
Brittany respirou fundo. Ela contornou a cama e se deitou. Santana se deitou com o rosto bem próximo. Dorothy brincando com as patinhas na região do estômago das bailarinas.
–Eu quero apenas... ficar com você. -disse Brittany encostando sua cabeça no peito de Santana. -Sem me mexer. Sem respirar direito. Apenas o seu corpo.
Santana abraçou o corpo de Brittany. -Vamos ficar assim até dormir.
–E se eu não conseguir dormir, Sant? Nunca mais?
–Eu vou estar do seu lado, ajudando. -disse Santana beijando o topo da cabeça de Brittany. -Contando ovelhas. Contando suas histórias preferidas. Te abraçando.
–Não vai me deixar?
–Nunca. -disse Santana puxando a mais contra seu corpo. Ela podia sentir o corpo de Brittany relaxando sob o seu. Ela podia ver o quão cansada Brittany estava. Já passava das dez da noite. -Um... Dois... Três.
Brittany fechou os olhos e deu um suspiro se deixando levar pelo cansaço. Ela pode ouvir o barulho dos sapatos de sua mãe e rapidamente fechou os olhos fingindo que estava dormindo. Joanne abriu a porta e bufou antes de fecha-la. Santana abriu os olhos intrigada e nervosa. Brittany ressonava e foi com esse barulhinho que ela adormeceu.
Final do primeiro mês.
Catarina e Howard estavam morando numa pequena casa de campo perto de onde os treinamentos aconteciam. Ela havia conhecido algumas mulheres com quem passava as tardes enquanto Howard estava treinando e por seu francês quase fluente, as mulheres a adoravam. Ela levou a mão ao seu novo colar com um pingente peculiar e o roçava no dedo enquanto pensava. Ela não sabia sobre nada. Ninguém sabia onde estavam pelo sigilo. Então, uma das últimas perguntas que se fez antes de vir para Paris foi sobre Julieta e era algo que lhe ocupava bastante tempo, desde que tinha tempo livre. Howard entrou na casa para o almoço que já estava servido e beijou os lábios de Catarina.
–Alguém levou um tiro hoje. -comentou Howard enquanto cortava o pão. -Ele próprio se deu um tiro. Ele estava nervoso e quando eu mandei que acertassem o alvo, ele não aguentou o peso e ela caiu acertando direto no pé dele. Se fosse meu pai, ele mandaria o menino dar um tiro em sua cabeça, mas eu apenas o mandei que fosse para a enfermaria. Dezoito anos.
–Howard, posso te perguntar algo? -perguntou Catarina soltando o pingente. Howard olhou para o pingente e sorriu. -O que aconteceu com Julieta?
–Como assim? -perguntou Howard repousando os talheres.
–Você comentou que ela mudou muito. Brittany disse que ela pode ser mais maldosa do que parece. O que aconteceu? Por que ela saiu de Paris? A única coisa que ela fala com tanto amor é Paris!
Howard a olhou. -É complicado. Ela não me contou a história inteira, mas ela me contou o que eu precisava saber na época. Ela veio para Paris para ser policial, por motivos que apenas meu pai e ela conhecem. Ela ficou bastante tempo, mas nesse tempo ninguém sabia o que estava acontecendo com ela. E ninguém ainda sabe. Só recebíamos uma notificação de que a policia estava cuidando da saúde dela. Ela implorou para que voltasse para Londres, mas na verdade ela não tinha escolha. Ela era obrigada a deixar Paris. Quando eu questionei essas notificações de saúde, ela disse que tinha engravidado e que havia perdido o filho. Eu não sei porquê ela foi obrigada a deixar Paris, mas sei que ela não mentiu sobre isso.
–Como você pode ter certeza? Quero dizer, ela poderia, não poderia?
–Os Grant's não mentem e eu sei que parece estúpido, mas Julieta não mente e eu cresci com ela. Eu poderia saber quando ela está mentindo. Ela pode estar ocultando e é claro que está.
–Eu confio em você. -disse Catarina. -Mas sua irmã... ela tem olhos tão tristes e solitários.
–Acredite se quiser, ela já foi muito querida. -disse Howard. -Algo a mudou.
–Você conhece alguém chamada Miranda? -Howard negou com a cabeça. -Acho que sua irmã odeie muito essa mulher.
–Como é o nome mesmo? -perguntou Howard pensativo.
–Miranda.
–Claro que conheço. Julieta me contou que teve um desentendimento com uma Miranda da academia de policiais.
–O problema é entender qual é o nível que Julieta entende por desentendimento.
Howard segurou a mão de Catarina. -Não se preocupe. Ela está longe de todos e elas vão ficar bem.
Santana, Brittany e Dorothy estavam no estúdio de dança da mansão com a porta trancada. Santana estava no chão enquanto via Brittany refazer e melhorar suas séries para a apresentação. Santana estava com Dorothy no colo. Na última posição, Santana aplaudiu. Brittany sorria.
–Você viu que eu troquei o braço de posição? -perguntou Brittany. Ela tomou um gole de água.
–Vi e o giro ficou bem mais suave. -disse Santana sorrindo. -Como você disse.
–Por que você não se junta a mim? -perguntou Brittany sorrindo.
–Porque eu gosto de ficar te olhando. -Brittany riu e beijou os lábios de Santana. -Você sabe que você vai passar, certo?
–Eu não sei... São milhares de bailarinas.
–E você é melhor que todas elas. -disse Santana. Brittany sorriu. -Mas descansa um pouco, você está dançando desde que acordamos.
–Sant, você acha que podemos ter um estúdio como esse? -perguntou Brittany enquanto dançava.
–Claro que sim! Que graça teria a vida se eu não pudesse acordar as oito da manhã para você me mostrar um passo de dança?
–Eu não seria assim! -disse Brittany se sentando de frente para ela.
–Você acha? -perguntou Santana. -Porque eu amaria acordar as oito para ver você empolgada com um passo de dança.
–E a gente saindo as vinte e duas horas para ver você num filme. -Santana riu incrédula.
–Você sabe que vai conseguir, certo? -disse Brittany. Santana cutucou a barriga dela. Beijou os lábios delicadamente.
–Mais uma última vez e eu prometo que vou descansar o resto da noite! -Brittany levantou e começou novamente a sequência. Segunda posição. Demi-plié. Arabesque. Duas piruetas seguidas. Pegando espaço para o Sissone, Brittany sentiu a franqueza novamente quando ia saltar e acabou desabando no chão. Santana correu até ela e segurou sua cabeça.
–Brittany! O que aconteceu? -Santana estava sentando Brittany que levava a mão a cabeça. -Você está bem? É claro que não está! O que foi?
–Meu pé. -sussurrou Brittany.
–Ele ta doendo? -perguntou Santana. -Foi em falso?
Santana tirou as sapatilhas de Brittany e os dedos estavam sangrando, alguns calos bem avermelhados. Santana logo olhou para Brittany.
–Britt, eu falei pra você. Você precisa descansar. Você não pode forçar seu pé achando que ele vai continuar a fazer os mesmos passos iguais. Seu pé cansa. Olha para o seu pé.
Brittany olhou para o pé sangrando e deitou cansada. -Eu errei um passo. Eu caí.
–Você só está cansada. -disse Santana tirando a outra sapatilha e levando a unha de Brittany junto. Santana fez uma cara de dor, mas Brittany continuou estática. -Britt...
–Eu não posso errar, Sant.
–Vem. Levanta! -disse Santana se levantando e puxando Brittany. Ela desceu as escadas e encontrou sua mãe lendo o livro. Ela olhou para as duas descendo e fingiu voltar a ler.
–Mãe, a senhora sabe onde está a Anna? -perguntou Santana.
–Ela está em sua noite de folga. Algum problema? -perguntou Joanne levantando a sobrancelha esquerda.
–Na verdade, sim. -disse Santana.
–Sant. Está tudo bem.
–Não, não está. -disse Santana olhando para Brittany. -Brittany está forçando o pé e ela caiu quando ia saltar. A unha saiu... Eu não sei o que fazer.
Joanne deixou o livro de lado e subiu as escadas, quando estava no meio olhou para trás e viu Santana ajudando Brittany a subir a escada. Joanne bufou novamente, mas a determinação de cuidar de alguém e ainda mais quando prometeu cuidar dela, era sua prioridade.
–Brittany, você sabe que é normal que os pés fiquem assim, não sabem? -perguntou Joanne enchendo a banheira. -Uma das poucas coisas que podem ajudar é descansar o pé por algum momento, principalmente quando você está constantemente dançando. Massagear o pé antes de dormir. Nunca amacie seu pé com produtos, eles tornam os pés finos e fazem com que seu pé fique em carne viva. Experiência própria. Só descanse um pouco. Tome um banho, e deixe seu pé na água. Já é de noite, mas a água está bem quente.
Joanne fechou a toneira. -Você sabe onde estão as toalhas, certo?
Brittany assentiu. -Obrigada, senhora Joanne.
–Tudo bem, mas você tem que cuidar melhor do pé. -avisou Joanne.
–Eu estou apenas nervosa com o teste da faculdade.
–Mas não precisa. Você é muito boa e forçar o seu pé pode ser um empecilho.
Joanne se levantou e fez menção de sair. Ela viu que Santana ficou parada olhando para os pés de Brittany.
–Vem, querida. Ela vai tomar banho. -disse Joanne empurrando Santana para fora do banheiro. Brittany sorriu e piscou o olho pra Santana. -E Britt, vá direto para a cama.
Brittany ficou boiando na banheira e seus pés estavam melhor, mas apenas quando entraram em contato com água ela sentiu eles doerem. Ela havia se acostumado que raramente ligava para a dor.
Santana foi para seu quarto e deitou um pouco. Acabou dormindo por alguns minutos e acordou com o barulho de Brittany abrindo a porta, apenas de toalha.
–Me desculpa, Sant. -disse Brittany baixinho. -Não sabia que você estava dormindo.
–Tudo bem, eu só estava descansando. O que por algum acaso é o que você vai fazer agora. Deita aqui.
–Eu estou apenas de toalha. -disse Brittany rindo.
–Não me importo.
–Vai molhar a sua cama. -Brittany já estava no armário para buscar uma saia e uma blusa. Ela se despiu e colocou a roupa. Ela se deitou ao lado de Santana que engatinhou até o final da cama e começou a massagear os pés de Brittany. Brittany cochilava pelo horário que estava quase pontuando em seu horário de dormir.
–Eu não deveria ter acordado tão cedo. Você não está com sono? Deita aqui, não precisa mais...
–Precisa e eu estou bem. -disse Santana olhando para a lua que estava subindo no céu. Brittany havia adormecido e Santana continuou a, delicadamente, massagear os pés feridos de Brittany.
–Santana, posso falar com você? -perguntou Joanne batendo duas vezes e abrindo a porta por conta própria. Santana assentiu.
Santana deixou o quarto e fechou a porta. Joanne estava encostada no corrimão da escada, a conversa seria no hall do primeiro andar.
–Você não acha que eu vou tolerar certos tipos de inconveniência na minha própria casa.
Santana ficou em silêncio. Sentindo o peso das palavras, uma espécie de medo, angústia e vergonha lhe estampavam o rosto.
–Não preciso que você fale nada, mas escute. Eu não quero saber sobre isso, mas você tem escolhas. Eu não sei "o que" você é, mas desfaça isso! É injusto que nossa família sinta o peso de um erro que pode ser concertado! Você me ouviu?
Santana assentiu sem conseguir olha-la, tamanha era seu desapontamento.
–Seu pai não pode saber, nem suas irmãs. Repito, não tolero e não quero saber o que você é! Você vai voltar a ser normal...
–Por que? -perguntou Santana baixinho. -Eu não sou normal agora?
–NÃO! EU QUERO A MINHA FILHA! -Joanne ficou vermelha de fúria. -Estou fazendo isso apenas para te proteger.
–Me proteger? -Santana a olhou. -Acho que só preciso ser protegida de você.
–Olhe como fala. -disse Joanne entre dentes.
–Por que não fala alto? Fala! -pediu Santana alto. -Você mal a olha nos olhos.
–Eu prefiro que seja assim. -Joanne deslizou as mãos pela saia. -Eu prometi para Catarina que assim faria. Mas eu não tenho hesitação de a mandar ir passear. Ela fez algo com você.
–Achei que não soubesse o que eu sou.
–E não sei! Porque essa não é você.
–Não, mãe. Essa sempre fui eu. -disse Santana cansada. -Mas ninguém soube. Inclusive eu mesma.
–Vai deitar. -disse Joanne. -Eu vou tomar um chá.
Joanne desceu as escadas com a mão no peito e Santana parou em frente a porta do quarto e suspirou. Apenas o sentimento de talvez lhe contar já era temeroso, mas ela se sentiu tão melhor. Ela iria contar, só não sabia como. Ela abriu a porta e Brittany estava deitada, apreensiva. Brittany queria se levantar para abraça-la, mas Santana negou com a mão. Ela chegou a sorrir na penumbra o que deixou Brittany um pouco confusa. Ela fechou a porta da varanda e no mesmo momento que o baque da janela ecoou, Brittany se sentou rígida e Joanne estava segurando a porta.
–Meninas. -chamou Joanne. -Que bobagem vocês dormirem juntas! Temos um quarto imenso para hóspedes. Ao invés de se apertarem nessa cama.
–Mãe, já íamos dormir. E sempre dormimos nesse quarto, ficamos falando até pegarmos no sono.
–Bem, acho melhor vocês perderem essa tradição. -disse Joanne séria. -Brittany, você pode me acompanhar?
Brittany apenas balançou a cabeça e seguiu Joanne até o outro quarto vago, a um corredor de distância. Santana esperou Joanne voltar o caminho para seu próprio quarto e ficou encostada na porta, impedindo a entrada de Joanne.
–Por que a senhora fez isso? -perguntou Santana.
–Estou apenas cuidando de você... -respondeu Joanne. -Agora, vá dormir.
–Não fique surpresa se quando for me acordar, eu nem tenha dormido.
–Santana! -disse Joanne impaciente. -Boa noite.
–Noite, mamãe. -Santana saiu do caminho e voltou para seu quarto.
No meio da noite, Santana se virou de lado e suspirou. Ela conseguia ouvir as batidas do seu coração pelo silêncio em seu quarto. Ela se levantou e caminhou até a janela, afastou as cortinas e olhou para a noite escura. Um pedaço da lua que crescia deixava um rastro no chão e seguia até a sua cama. Ela queria tanto dormir, mas não conseguia. Não sabendo que Brittany estava a um corredor de distância. Apenas um corredor de distância. Ela voltou para a cama e se cobriu, e notou algo diferente. Um cobertor que Brittany sempre usava porque a aquecia mais. E Brittany não pode dormir sem aquele cobertor. Ela se enrolou no cobertor e buscou seu relógio no criado mudo. Ela abriu a porta devagar e fechou-a, caminhando silenciosamente pelo corredor.
Ela bateu na porta e ninguém respondeu. Santana pensou em ir embora, mas ela ouviu algum barulho de madeira sendo arrastada. Ela abriu a porta e viu Brittany de pé, em frente a janela. Ela se virou com um sorriso pacífico, como se soubesse que Santana apareceria.
–Eu te trouxe isso. -disse Santana sorrindo, indicando o cobertor colado ao corpo. -Eu sei que você não dorme sem ele porque sente frio a noite.
–Eu durmo, sim. -disse Brittany se virando completamente. -Mas eu não consigo dormir sem você.
Brittany pulou os três passos e ficou de frente para Santana. Seus rostos próximos um do outro. Santana abriu os braços, consequentemente abrindo o cobertor. Brittany se encaixou nos braços de Santana que a envolveram. Ela beijou os lábios de Santana suavemente e apertava seu corpo contra o seu. Brittany apertava a cintura de Santana e levou uma mão até os cabelos de Santana.
–Sant. Sua mãe. Ela não pode sonhar que você está aqui. -disse Brittany carinhosamente.
–Eu trouxe um relógio. -comentou Santana sorrindo sorrateira. -Ele vai me acordar as cinco da manhã e eu volto para meu quarto.
–Vem aqui. -disse Brittany fazendo seus corpos serem jogados na cama e ficaram abraçadas.
–Eu não sei o que aconteceu com a minha mãe. -disse Santana deitada sobre o peito de Brittany.
–Eu sei, mas você pode se assustar.
–Estou agora! -comentou Santana olhando-a. -O que foi?
–A sua mãe descobriu, Sant. -disse Brittany. -E pelo jeito que ela está, talvez ela não goste da ideia.
–Eu sei que ela sabe, mas achei que ela sempre soubesse. -disse Santana olhando para Brittany.
–E ela sempre soube. -disse Brittany baixinho. -Elas sempre sabem. Foi o que estava escrito naquele livro da Antonieta. Ela descobriu agora, porque estava se cegando com uma versão diferente de você. Mas é assim que você é! E é assim que eu te amo!
–Eu te amo. -disse Santana se agarrando ao corpo de Brittany. Beijou seus lábios e deitou sua cabeça sobre o peito de Brittany, novamente.
–Você vai mesmo sair daqui as cinco?
Santana pensou em o que Joanne faria com Brittany e nada poderia acontecer com Brittany, pelo menos não por sua culpa. -Vou, com muita dificuldade.
Brittany riu baixinho. -Você acha que sua mãe me odeia?
Santana dicou em silêncio. -Ela odiaria quem fosse, mas eu sinceramente acho que ela tem outro sentimento por você que não seja ódio.
–E você vai fazer o que ela te pediu? -perguntou Brittany baixinho com medo da própria pergunta.
Santana olhou para cima e viu os olhos azuis de Brittany, via neles uma espécie de medo. -Não, é claro que não. Você sabe que não.
–Ela é a sua família, Sant. Eu apenas achei...
–Ela é a minha mãe, sim. Mas ela não pode viver achando que a fantasia da cabeça dela, existe. Eu sou quem eu sou. E se ela duvidar ou não me aceitar, não posso fazer nada se não sentir pena.
Brittany esperou que Santana adormecesse primeiro. Ela beijou a cabeça de Santana e a apertou. Ela não fazia ideia do que deveria sentir. Eram tantos rebuliços e sentimentos, ela se agarrou ao que a fazia feliz. O amor. E assim adormeceu, grudada ao seu amor.
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