O irritante toque do telefone inundava o pequeno apartamento.

A jovem apertou o rosto contra o travesseiro. Afinal, que tipo de pessoa ligaria para ela ás 9 horas de um domingo?

Ignorou fortemente o toque agudo e estridente. Deslocou seus pensamentos para as roupas de Sam, que ela prometeu levar para a lavanderia. Pensou nas dezenas de prateleiras que teria que organizar na livraria no dia seguinte. Lembrou de telefonar para sua mãe mais tarde, e conferir se ela estava tomando de forma correta os anti-depressivos, e se estava suportando bem a falta do álcool. Quer dizer, havia Melanie, sua tia, para fazer tudo isso. Mas Amy tinha certeza absoluta que Tia Mel não cumpria suas obrigações.

Por fim, voltou á si, com a esperança de que a pessoa do outro lado da linha tivesse perdido a paciência e desistido de telefonar.

Mas o telefone continuava tocando.

Amy rolou para fora da cama. Só então percebeu que estava com a blusa do pijama de Sam. Podia sentir o cheiro do perfume barato dele impregnado á camiseta branca e larga. Fez uma careta, antes de se esgueirar até a quarta gaveta da enorme cômoda e apanhar a carteira de cigarros ainda fechada. Rasgou com dificuldade o fino plástico que envolvia a caixinha branca e azul. Puxou lá de dentro um cigarro. Apanhou o isqueiro vermelho no bolso da calça jeans que estava jogada no chão. Habilmente, acendeu-o, dando a primeira baforada.

E o telefone ainda soava, alto e insistente.

Sem alternativa, a jovem prendeu o cigarro entre os dedos, caminhou até o telefone.

E atendeu.

— Amy?

A voz dele ainda fazia seu coração saltar descompassadamente, suas pernas amolecerem e um arrepio percorrer todo seu corpo, enquanto as antigas feridas ardiam, na mesma medida.