Assombrado
3 Capítulo 2
Notas iniciais
“Graham meu amigo, você mal pode acreditar na sorte que tive ao parar nesse navio. Depois do estranhamento inicial, os homens começaram a me aceitar como parte da tripulação e ouso dizer que são homens bons, apesar de carregarem o termo, “piratas” como um estigma. Estou aprendendo muitas coisas e não poderia estar mais feliz. Descobri que sou capaz de me virar por conta própria em atividades simples. Estou aprendendo que posso me defender. Apesar do ambiente, já não lamento mais a escolha que fiz, gosto de estar aqui. Gosto de Landon, meu amigo que está me ajudando com a espada. Gosto do Cirurgião, o cozinheiro que apesar da aparência é um homem doce... Meu único problema continua sendo o capitão Jones, apesar de estar me ajudando e ensinando-me a atirar, parece não gostar de mim. Não sei mais o que fazer para conseguir sua amizade como fora com os outros homens...”
Carta de Emma Swan para Graham Humbert. Fevereiro de 1862
—Emma! – acordei com a respiração resfolegante, o suor frio banhando minha pele.
Procurei-a ao meu lado como fora todas aquelas noites. Ela me olhava preocupada e abria seus braços, deixando que eu me aconchegasse ali e cantava para mim até que eu me acalmasse, acariciando meus cabelos.
Ela deixava que eu a beijasse e a tocasse, certificando-me que ainda estava ali comigo. Não cheguei a contar para Emma, mas meus pesadelos de agora eram sobre perdê-la.
Mas eu estava sozinho dessa vez.
Havia se tornado real.
O que me fez questionar se o pesadelo que acabara de ter também era ou minha mente havia o criado.
Fechei os olhos respirando fundo, tentando acalmar meu coração que parecia a ponto de parar a qualquer minuto.
—Deus... – comecei baixinho. – Sei que geralmente eu sempre falo com o Senhor quando Emma está comigo, mas eu a perdi e preciso de sua ajuda para encontrá-la. Ela sempre me disse para conversar que o Senhor me ajudaria, pois é meu amigo, e vou ser sincero que nunca levei muito a sério, apenas fazia porque Swan me pedia, contudo eu estou desesperado e se ela confia tanto assim, sei que posso confiar também... Acabei de ter um pesadelo onde Cora estava machucando minha Emma e eu não pude fazer nada. Por favor, que não seja real. Proteja minha menina já que eu não fui capaz de fazer isso. Cuide dela enquanto eu não a encontro. Permita que eu a encontre para pedir perdão. – implorei, lutando contra as lágrimas. Eu não iria chorar, não merecia chorar. — Eu lutei tanto para tê-la comigo e a perdi por um motivo tão estupido. Eu sei que não tenho direito de pedir nada, mas eu imploro não me dê o prazer de me sentir amado para então tirar de mim dessa forma. Se o Senhor pode realmente ver meu coração sabe que eu estou arrependido... Que estou em pedaços e desesperado. Se não for por mim, por Emma. Cuide da minha Swan, por favor.
A porta se abriu e eu olhei, encontrando Landon me estudando.
—Nenhum sinal de Emma... Você está bem?
Balancei a cabeça em uma negativa, levantando-me da cama e começando a tirar a roupa molhada. Eu nem sabia como havia parado na cabine e muito menos quando pegara no sono, mas me sentia como se tivesse sido atropelado por uma carruagem em alta velocidade.
—Sem sorte com Regina? — quis saber.
—Regina ficou furiosa comigo, mandou que eu saísse da casa. "Nossos negócios acabam aqui". — citei com amargura. -Isso parece um pesadelo. Eu fico esperando o momento em que vou acordar e Emma estará ao meu lado. – funguei olhando para o anel de noivado que havia desenhado para ela. – Regina disse que... – pisquei olhando para cima. – Que Emma foi embora para sempre porque eu quebrei um juramento.
Landon fechou a porta, sentando-se na cadeira e pedindo com o olhar que eu me explicasse.
—Segundo a lenda, quando o guerreiro de uma donzela-cisne quebra um juramento, elas vão embora para sempre... Eu fiz uma promessa para Emma, recorda-se do aniversário dela, que eu me esqueci? – indaguei.
—Claro, e você chegou, no final da festa...
—Exatamente. – o cortei. – No dia seguinte eu implorei para que Swan deixasse que eu me redimisse... Ela deixou depois de muita insistência, foi nesse dia que eu descobri que Emma sabe cavalgar, nós apostamos uma corrida. – lembrei como ela sorria ao sair em disparada. – Depois disso fomos até a vila e de lá eu a levei até um laguinho, para que escolhesse as pedras para o presente de aniversário... Nós começamos a conversa, Emma estava deitada, usando meu peito como travesseiro, e ela disse que era melhor pararmos o que tínhamos que eu podia fazer o que quisesse porque não possuíamos compromisso nenhum, no entanto ela não iria deixar que eu a beijasse, por uma questão de higiene.
—Claro. – Landon resmungou.
—Foi quando eu fiz a promessa, que eu não me envolveria com nenhuma outra mulher enquanto estivesse com ela. Jurei ser exclusivamente de Emma... Eu nem me lembrava desse juramento ou dessa parte da lenda. Na minha cabeça ela já era minha por causa da nossa noite, imaginei que tinha sido um “sim” para o meu pedido. E então ela pediu que eu pensasse.
—Emma estava te dando uma última chance para não se arrepender. – concluiu. – Para que não fosse infeliz ao lado dela.
Assenti.
—Swan disse: “Te darei uma resposta definitiva nesta noite, Jones. Tire o dia para pensar nisso, para ter certeza que realmente quer se casar. Os homens marcaram de beber hoje, se estiver certo de que quer me dar o seu nome e construir uma família, nós comemoraremos”. E agora eu estou nesta agonia sem saber como ela está, se algum dia eu irei vê-la novamente. Sem saber se teremos o futuro que conversamos na noite retrasada. Nossos filhos, nossa casa, nossa vida juntos... Ela fez um bolo ontem e trouxe para mim. Sabe o que eu fiz? – instiguei fitando-o. – Joguei no chão e não agradeci. Não a elogiei. Chamei-a de inútil... Que futuro Emma iria ver com um homem como eu? Um homem que a ofende sem motivos? Que a diminui quando tudo o que ela faz é pensando em ajudar? Swan via-me como um homem bom, gentil. “Você é o homem mais maravilhoso do mundo!” ela sempre falava, mesmo com tudo de errado que já fiz na vida. E eu fui totalmente o oposto disso em um momento que ela ainda estava querendo cuidar de mim. "Trouxe porque imaginei que estaria com fome"- recordei seu rosto, seus olhos verdes apagados quando sempre costumavam estar brilhantes. — E não consegui salvar nada, a chuva levou tudo. Não tenho mais nada de Swan além de um punhado de lembranças sem cheiro. As roupas são novas e as que ela já usou foram limpas, e para ajudar apaguei seu cheiro dos lençóis quando trouxe aquela prostituta ontem. Eu só espero que Emma não tenha ido para o mar Landon, ou que Cora não a tenha encontrado. Sonhei que Cora a torturava. Nunca vou me perdoar se for verdade. Quero minha Emma de volta.
—Posso assegurá-lo que Emma não foi para o mar. – falou, olhando em meus olhos. – Eu devolvi a capa para ela tem alguns dias.
—Merda! – praguejei. – Reúna os homens nesse caso, nós estamos zarpando agora! – ordenei com urgência, vestindo a camisa de qualquer jeito.
Emma não estava fugindo para salvar a sua vida. Não estava com medo de mim. Ela havia voltado ao plano original de ir para Gotland.
Devia ter feito isso para garantir que eu recebesse o dinheiro combinado.
“Você não sabe que já é meu herói?”
Eu havia falhado em protegê-la. Emma me consertou, foi paciente, amou-me de um modo que nunca fui antes e eu a retribui desse modo. Jogando-a nas mãos de Cora.
Dizendo que o dinheiro era mais importante.
Falhei em ser seu herói, em ser bom para Emma. Não consegui cuidar da minha menina como ela cuidou de mim.
Maldição, Emma! Você não pode ter acreditado naquilo.
—O que aconteceu? O navio não está pronto ainda...
—Não importa. Cora está com Emma... Swan foi para Gotland.
Landon fechou os olhos, pressionando os lábios e ficando de pé.
—Não conseguiremos chegar a tempo, filho. – observou a mão pousada em meu ombro. – Se Emma foi mesmo para lá...
—Hoje é o solstício de inverno. – concluí, deixando-me cair sentado. – Hoje era o prazo máximo para ela ser entregue... O que eu fiz Landon? – perguntei, perdendo a luta para as lágrimas e sentindo-as escorrerem pelo meu rosto, enquanto começava a ser engolido pelo vazio. – O que eu fiz?
—Ele vai poder ficar? – Swan instigou esperançosa. Seus olhos verdes e brilhantes, cravados nos meus.
Bufei aborrecido, para não deixar tão claro o quanto aquelas orbes carregadas de inocência e curiosidade eram capazes de me hipnotizar.
Para não demonstrar que eu não me importaria de ficar observando os pontinhos mais escuros de verde que salpicavam o verde claro, tentando achar um padrão neles.
—Afinal ele ajudou, e foi muito mais do que nós dois conseguimos. – argumentou.
Troquei um olhar com Landon para tentar achar um modo de negar aquele pedido. Emma Swan era um trabalho e ter Baelfire, que não fazia ideia disso, a bordo poderia ser desastroso. Atrapalharia tudo o que havia trabalhado meses antes.
Sem falar que não queria ser responsável se algo acontecesse com ele. Bae era filho de Milah, e ela o amava apesar de tê-lo abandonado. Não queria ter mais uma tragédia em minhas costas, tirando meu sono.
—Mas ele pode estar errado. Landon mesmo disse que poderíamos descartar essa teoria. – tentei. Uma coisa que eu já aprendera sobre ela, era que poderia ser determinada quando queria algo de verdade. Swan bateria o pé sobre o assunto se eu não arrumasse uma desculpa plausível para rejeitar a entrada de Baelfire no navio.
—Assim como Landon também pode estar errado! – rebateu.
Queria dizer que ele não estava. Que havíamos combinado que ele desvendaria a profecia, falando sobre o mundo dos mortos, contudo confessar isso era o mesmo que contar que ela era uma encomenda.
Percebi Landon mexendo os ombros, pressionando os lábios, também sem conseguir pensar em nada.
Revirei os olhos.
—Pode pegar suas coisas e se juntar a Jolly Roger. E quando vier, arrume-me uma ovelha. Uma não. Duas só para garantir. – ordenei. – Satisfeita?
Baelfire se levantou sem me dirigir um olhar, os olhos fixos em Emma, parecendo preocupado com ela.
—Tudo bem. Obrigado, Killian. – ele agradeceu, indo para a porta. – O tempo, Emma, é cheio de rachaduras que somos incapazes de perceber se não estivermos no lugar certo. – falou, como se tentasse consolá-la, saindo.
—Por que não nos ajudou antes, Landon? – indaguei irritado de verdade. Se ele tivesse falado antes como havíamos combinado, não estaríamos naquela situação. – Assim evitaria, de ter Baelfire a bordo do navio.
—Bom, eu teria ajudado, capitão. – respondeu de forma seca, os braços cruzados. – Se o senhor não quisesse manter Emma só para si esse tempo todo, assim recusando minha ajuda. – atalhou com sarcasmo e não tive o que responder. Era verdade que eu tentava mantê-lo afastado, apenas porque eu tinha interesse em me aproximar de Emma como as cartas pediam, e claro, leva-la para cama. A lembrança do corpo dela atormentava-me sempre que estávamos muito perto. Eu sabia que nos divertiríamos muito, mesmo que ela não fosse grande e volumosa como as mulheres que, estava acostumado a me deitar. Swan era pequena, todavia se fosse mesmo como eu vira aquela noite na praia, com seios firmes e curvas delicadas, misturado com o calor da inocência que exalava dela, seriam noites interessantes. – Gostaria de lembrar-me de mais detalhes sobre a história para poder ajudar. – a voz de Landon, tirou-me do devaneio em que me encontrava, trazendo-me de volta para a cabine. – Irei usar o pouco tempo que ainda nos resta aqui para ver se consigo mais detalhes... Você vai ficar bem, Emma?
Olhei para Swan que segurava a cabeça com as duas mãos, encarando as botas e aquiesceu.
—Killian, não. – Landon advertiu em voz baixa. – Ela não é igual às outras. Se não quer desistir do trabalho como eu sugeri, ao menos tenha a decência de deixa-la em paz.
—Do que está falando?
—Da forma que olha para ela. Respeite-a. Já não é o suficiente leva-la para a morte ainda quer acabar com a pureza que existe nela?
—Garanto a você que a pureza dela permanecerá intacta... Enquanto ela conseguir mantê-la. Agora saia daqui. – apontei para porta, seguindo-o e trancando-a logo em seguida com cuidado para não fazer barulho, guardando a chave comigo.
Observei-a naquela posição, pensando na melhor forma de me aproximar. Eu estava ficando louco. Emma fugira de mim na noite que tentei beijá-la e treiná-la era uma boa desculpa para tocá-la, ainda assim não era suficiente.
Na verdade, deixava-me ainda mais vidrado na garota.
Eu estava curioso e queria prová-la para acalmar a estranha lava que sempre parecia eclodir por minhas veias quando Swan estava por perto.
Tinha certeza que isso acontecia devido a sua resistência de se entregar. Com as outras fora mais fácil, bastou alguns sorrisos e palavras ditas com mais leveza, que estavam pulando em cima de mim.
Emma Swan era uma dama legitima e não ia mentir, admirava-a por resistir quando estava claro que eu a afetava.
Caminhei até ela, agachando-me ao seu lado e tentando enxergar seu rosto.
—Você está bem, Swan?
—Não. – o som de sua voz saiu abafado. – Por que, Jones? Por que você quer ir para um lugar como esse? O que você pode querer em um lugar destes?
Agradeci por ela não estar olhando para mim.
Eu não queria nada. Eu tinha era que leva-la aquele lugar por algum motivo.
—É complicado. Eu preciso de respostas. Respostas que você não vai entender.
—Não, eu preciso de respostas! – retrucou, erguendo a cabeça e olhando para mim. – Sei que não somos nada e que não me deve explicações, mas eu que quero respostas, Gancho! – sua voz saiu estridente com a frustração. – Eu preciso de respostas. – ela indicou seu peito com força. – Essa sou eu e detesto ficar no escuro. Não me deixe mais no escuro. Eu já estou vivendo todos os dias sem enxergar algo, pelo menos para isso me mostre uma luz. – suplicou com um sussurro desesperado. – Deixe-me saber por que estamos indo para esse lugar. Deixe-me saber se haverá algum beneficio para alguém que não seja você. Diga-me se você arriscaria a vida de pessoas apenas para ter uma resposta?
Eu abri a boca, determinado a respondê-la, contudo percebi que não conseguiria mentir para ela naquele momento. Não quando Emma estava sendo tão verdadeira, mostrando toda sua frustração, sem esconder nada de mim como costumava fazer.
Fechei a boca rapidamente, vendo a decepção em seus olhos.
—Esqueça, já era de se esperar que não fosse me dizer nada. – ela tentou embotar como ficara ressentida, mas às vezes Swan era transparente demais.
Emma se levantou os ombros tensos. O clima havia mudado. O ar estava mais pesado e eu soube, neste instante que ela não conseguiria mais escapar.
Eu finalmente teria a diversão daquele trabalho.
Swan segurou na maçaneta, tentando abri-la antes de se virar para mim. Eu a fitava do mesmo lugar, pronto para dar o bote e alimentar-me de minha inocente presa.
—Abra!– ordenou com autoridade.
—Sinto muito. Não posso deixá-la sair daqui. – falei de modo manso.
—E por que não? – instigou, pousando as mãos na pequena cintura.
Dei um passo em sua direção, depois outro, bem lentamente, não querendo assustá-la ao mesmo, tempo que queria aumentar a tensão que se instalara.
A expectativa que pulsava vibrante no ambiente.
—Por que... Talvez esteja na hora de tirá-la do escuro. Ou pelo menos acender uma vela.
Vi o momento que sua respiração falhou. Emma precisou abrir os lábios e seu rosto estava afogueado, deixando-a adorável. Seus olhos verdes estavam assustados, como se ela fosse uma gata encurralada pelo seu pior inimigo...
Ao mesmo, tempo que tinha algo mais.
Uma compreensão. Aceitação do que estava prestes a acontecer.
Conforme eu ia me aproximando dela e de seu peito que subia e descia lentamente, senti-me atordoado. Eu queria pegá-la e tomar tudo, sem me importar com nada. Meu coração começou a bater de uma forma diferente e peguei-me prendendo o ar.
O que estava acontecendo comigo? Ela deveria estar se sentindo daquele jeito, não eu.
Emma era a inexperiente.
Então por que eu estava agindo como um rapazote prestes a dar seu primeiro beijo?
—Killian. – ela pronunciou meu nome com insegurança, a voz falha. Fixei meus olhos em seus lábios para conseguir prestar atenção no que ela iria dizer. – A porta. – Emma murmurou com dificuldade e eu apenas entendi o que ela estava dizendo por que tocou a porta com as mãos.
Eu estava pensando no momento que tomaria sua boca. Estava preso naqueles lábios que pareciam ser doces.
Consegui desviar meus olhos para a porta, admirando-a.
—Você quer mesmo que eu abra? – indaguei, dando mais um passo para perto do calor que emanava dela.
Se Emma dissesse que sim, eu respeitaria. Daria a chave para ela e continuaria tentando. Ela era diferente, eu tinha que ter em mente, e eu precisava que ela confiasse em mim para que trabalho fluísse sem problemas. Atacá-la não ajudaria.
Swan balançou a cabeça afirmativamente, sem muita convicção.
—Você tem certeza? – perguntei mais uma vez, tirando a chave do bolso e estendendo para ela.
“Por favor... Fique.” Implorei mentalmente, enquanto assistia sua luta interna.
Eu queria que ela ficasse.
Soltei o ar de uma única vez ao vê-la balançando a cabeça, derrotada em uma negativa. Senti-me aliviado.
Contente.
—Ótima escolha, Swan. – aprovei, colando meu corpo ao seu, capturando seus lábios para que ela não tivesse tempo para mudar de ideia.
E algo estranho aconteceu. Eu não sabia o que fazer, apesar de meus lábios estarem ávidos para provar os dela. Diminui o ritmo, sentindo a textura deles, o sabor de sua boca. Era doce como eu havia imaginado, mas no fundo tinha algo cítrico... Limonada, provavelmente. Levei minha mão ao seu rosto, afagando-o e constatando que sua pele era macia e quente, muito quente.
Não quis assustá-la e mantive os movimentos lentos.
Era algo novo.
Eu estava aprendendo uma forma completamente nova de sentir.
De beijar
Passei minha língua por seus lábios e quando eu senti a dela, tocando a minha, confusa e perdida, foi glorioso. Meu corpo todo sentiu o impacto do beijo, ficando eriçado.
Eu era o primeiro homem a fazer aquilo, a provar de sua boca, a fazê-la sentir como uma mulher. A lhe proporcionar aquele momento.
E aquilo era a coisa para gloriosa que já tinha me acontecido.
Desci minha mão para seu corpo, explorando, decorando, vendo como se encaixava perfeitamente, de forma lenta. Swan estava parada e percebi que ela se esforçava para ficar dessa forma, recebendo as caricias sem se esquivar, apenas deixando que eu a conhecesse. Sua respiração quente e úmida batia em meu rosto.
Precisei separar-me dela para recuperar o ar e depositei um beijo no canto de sua boca, recusando-me a ficar longe dela de alguma maneira. Não resisti e mordi de leve a parte debaixo de seu queixo e sorri com triunfo ao ouvir um gemido incoerente saindo de seus lábios.
Estudei seu rosto. Os olhos fechados, os lábios inchados e brilhantes, a face rosada.
—Ah Emma. – arquejei, pousando minha mão em sua cintura. – Tão, mais tão cheirosa... E delicada. – acariciei seu maxilar com a ponta do meu nariz, passando-o lentamente de um lado para outro. – Devo avisar que achei essa roupa indecente para uma dama. – declarei, prensando-a ainda mais a porta, sentindo o cálido calor dela passando para o meu corpo.
Comecei a distribuir beijos aleatórios, gostando de sentir como ela reagia ao senti-los em sua pele.
—Co... Como? – sua voz saiu estrangulada quando comecei a beijar atrás de sua orelha.
—Está escandalosamente justa. – disse. – Como espera que eu resista a não fazer isso? – fitei seus olhos, que pareciam maiores que o normal, as pupilas dilatadas, o verde mais forte. Sorri de modo malicioso quando um ganido surpreso saiu dela ao sentir eu me livrando de seu corpete e abaixando um pouco de sua blusa com o gancho, beijando aquela pele macia e alva, resistindo à vontade de descer um pouco mais e ter seus seios como desejei desde que a vira na praia. – E é macia. – verbalizei, subindo beijos por aquele pescoço delicado e branco, sentindo as veias pulsando em cada toque.
Mas ainda faltava algo.
Eu queria sentir Swan retribuindo. Queria saber como seria ser tocado por ela, pelas suas mãos pequenas e frágeis.
Queria sentir suas mãos de dama em minha pele.
—Você pode corresponder também, Emma. – avisei, deduzindo que ela estava com vergonha de fazer algo errado. – Na verdade, estou esperando que faça isso. – confessei em seu ouvido, voltando aos seus lábios com suavidade.
Suas mãos se movimentaram hesitantes e eu estremeci quando ela afagou minha nuca, enfiando os dedos em meus cabelos, puxando de leve para trás, com certa ousadia, fazendo com que eu a encarasse.
Ficamos assim por uns segundos, arfantes com a intensidade que se instalara entre nós, nossas respirações se misturando.
Eu sentia seus seios pequenos pressionados contra o meu peito e foi o que bastou para eu esquecer tudo. Que não queria assustá-la, que deveria ser gentil.
Beijei-a com urgência, querendo prova-la de verdade, gemendo em sua boca ao sentir seu corpo se mexendo minimamente, causando uma fricção deliciosa no meu. Sua língua foi de encontro a minha, querendo participar do beijo de modo tímido.
Emma Swan estava me retribuindo e eu me sentia vitorioso. Depois de tanta luta. Dela fugindo de mim, eu havia conseguido.
Mordisquei de leve seu lábio inferior, escondendo meu rosto em seu pescoço, rindo internamente de como aquilo era bom.
De como aquela garotinha era maravilhosa.
Imaginando como seria estar dentro dela, fazendo-a se tornar uma mulher por completo.
Ser o primeiro a provar de tudo que ela tinha para oferecer.
—Maldição Swan! – praguejei, tomando sua boca com desespero. – Além de tudo é extremamente deliciosa.
Comecei a tentar arrancar sua roupa, ansioso para jogá-la na cama se tivesse paciência de chegar até lá, caso contrário a faria minha ali mesmo, segurando-a em meus braços contra a porta.
Queria ouvi-la gemendo meu nome enquanto dava-lhe prazer.
Tomar seus seios em minha boca, ter seu pequeno corpo embaixo do meu.
—Killian, Killian! – ela chamou com aflição, suas mãos trêmulas tentando me afastar. – Jones pare!
—Shh, Swan. – pedi, mordendo seu lóbulo. Não queria que ela falasse. Queria que ela continuasse sentindo-se como eu estava. – Não estrague o momento.
—Killian pelo amor de tudo, pare! – suplicou, desviando seu rosto quando tentei beijá-la.
Pressionei todo meu corpo no dela, para que ela sentisse o quanto eu estava acordado e pronto para tê-la. Implorando com aquele gesto para que aceitasse o pedido e deixasse.
Eu precisava fazê-la minha, caso contrário iria enlouquecer imaginando como seria e tendo que me aliviar sozinho com a mão.
Aquilo seria humilhante.
—Está sentindo? – indaguei olhando-a nos olhos. – Está sentindo o quanto a quero agora? Não me peça para parar, não agora Emma. – supliquei, vendo seus olhos descendo, arregalados ao sentir meu membro tocando seu quadril. Tomei sua boca querendo trazê-la para a névoa de desejo que estava minutos antes, mas ela recusou o beijo como outrora. – Nem nunca. Nunca me peça para parar. Isso tudo é loucura, mas ainda assim... Céus eu preciso de você agora! – bati a mão com força na porta impaciente com sua resistência.
Nunca desejei uma mulher como estava desejando aquela garota mimada e intrometida.
—Killian, por favor. – ela sussurrou apavorada, nem atrevendo a olhar em meus olhos. – Por favor, solte-me. Eu... Eu não posso e não quero isso. Você está me assustando neste momento. Deixe-me sair.
Escrutinei seu rosto amedrontado e afastei-me um pouco dela, não querendo traumatiza-la. Emma havia dito que não queria e ela estava certa sobre isso, não fora como o beijo.
Ela estava curiosa sobre como seria ser beijada, porém quanto a isso, Swan sentia medo e eu não iria força-la.
Apesar de querer despi-la loucamente, preferia que acontecesse quando ela me quisesse.
Nunca forcei uma mulher a ter contatos íntimos comigo, não seria agora que me tornaria esse tipo de homem, apesar dos trabalhos que eu aceitava.
Quando Emma percebeu que eu havia recuado, seu corpo todo relaxou, e fiquei satisfeito comigo mesmo em deixa-la daquele modo.
Mesmo que agora tivesse que procurar uma prostituta para me aliviar antes de zarpamos.
E tentaria imaginar a garota intrometida, de cabelos dourados e olhos carregados de inocência e sagacidade, embaixo de mim.
Eu estava sentado onde o bote de Emma costumava ficar. Era insuportável ficar na cabine, onde cada pedaço lembrava a ela.
Onde as lembranças de nossa noite me invadiam como se fossem ilusões. Se o calor do corpo dela ainda não estivesse marcado no meu, poderia acreditar que tudo não passara de um sonho.
Ela ajudando-me no banho. Dizendo que não se importava nem um pouco com a falta de minha mão, porque me amava por quem eu era... Emma chamando-me de “meu amor”.
Não podia dar certo demais. Eu dava um jeito de estragar.
Como sempre.
Só queria voltar para a noite que Emma pediu para que eu a amasse, que ela disse que confiava em mim, e provar com mais afinco que Swan era tudo que eu queria para que não tivesse dúvidas. Amá-la com algo mais além meu coração, corpo e alma, porque não fora o suficiente.
—Eu achei que teríamos uma nova senhora. – escutei Smee comentando. – Gostava da senhorita Swan. Ela foi uma boa mulher para mim. Viu uma capacidade que eu não enxergava.
—Talvez ela esteja em um lugar melhor agora. – Ian respondeu. – Esse ambiente não era para alguém dos padrões dela.
Fechei os olhos, tentando alcança-la para saber se estava bem, mas não encontrava nada.
Apenas um abismo.
Era quase como se ela nunca tivesse existido. Como se eu tivesse a fabricado.
—Acabei de voltar da casa de Robin. – Landon sentou-se ao meu lado.
—Regina disse alguma coisa?
Landon ficou observando seus dedos.
—Robin disse que Regina foi para Gotland assim que você saiu... Ela ia tentar ajudar se Emma estivesse lá. Vamos pensar que o melhor irá acontecer, Killian.
—Nada disso teria acontecido se eu não tivesse tocado no assunto casamento logo pela manhã. Deveria tê-la deixado acordar naturalmente. Ficado abraçado à Emma o dia todo, mimando-a em meus braços. Ter aproveitado seus sorrisos... Dito mais vezes que a amo. Eu não disse o suficiente.
—Não adianta mais ficar se culpando, filho. O que foi feito não pode ser mudado... – ele hesitou e eu olhei para o seu rosto. – Talvez não fosse para ser com Emma.
—Era. É para ser com Emma. Nenhuma outra mulher fez comigo o que Swan fez. Ela fez com que eu voltasse a ser um homem que se importa com os outros, em fazer o que é certo. Fez-me querer uma família, perceber que não quero ser sozinho... Quando perdi Milah, quis me isolar, achei que nunca encontraria alguém para preencher aquele vazio que ficou. Deixei que aquela escuridão me envolvesse e me tornei aquele homem. Culpei-me mesmo que soubesse que não era culpa minha, era algo que poderia ter acontecido... Tanto que quase aconteceu com Swan... Então Emma apareceu, chegando aos poucos, e preenchendo cada espacinho livre aqui dentro, ficando em cada canto do meu corpo, expandindo meu coração de uma forma que nunca achei ser possível, porque não era o suficiente esse espaço, precisava dar-lhe mais... Eu queria que Emma ocupasse mais... Agora eu a perdi e dessa vez é culpa minha. Ela foi para lá porque a traí no dia seguinte que Swan mostrou o quanto confiava em mim, gritei que eu preferia ter optado pelo dinheiro. Eu a ofendi... – engasguei, fechando os olhos. – Eu não ligo para o dinheiro, Landon. Não mais. Eu apenas quero a minha fonte de amor, calor e felicidade comigo. Quem precisa de dinheiro quando se tem uma mulher como a Swan? Eu não preciso. Preciso da minha menina. Agora é culpa minha, mas não posso voltar para aquele lugar em que estava. Devo isso a Emma, contudo não sei se conseguirei ficar afastado por muito tempo sem ela comigo para me fazer uma pessoa melhor.
Landon colocou a mão em meu ombro, apertando-o.
—Eu estou aqui com você, filho. Não deixarei que volte para aquele lugar... — prometeu. — O que tem nesse embrulho? – indicou a caixinha perto de mim.
Olhei para o presente, pegando-o com cuidado e destampando.
—É para o nosso bebê. – falei, tirando um brinquedo de pano em formato de navio. – Eu pretendia dar a Emma assim que descobríssemos que ela estava grávida. – apertei em minha mão. – Comprei logo que atracamos. Eu fico muito ansioso e compro os presentes antecipados. – sorri sem graça. – Na época eu nem sabia se teria o perdão de Emma por causa das cartas, mas gostava de imaginar que... Teríamos nossa família.
—Você conseguirá entregar para Emma, Killian.
—Eu espero. – respondi, guardando novamente na caixinha de presente.
—Roland chamou-o para brincar. Ele disse algo que prometeu para um anjo que não o deixaria sozinho.
Sorri pensando no garoto. Eu gostava de Roland. Gostava da forma que nos dávamos bem e como podia imaginar como seria quando eu tivesse meu filho.
Meu filho.
—Passarei lá mais tarde... Preciso ir falar com uma pessoa. Dizem que tem uma vidente em uma cidade aqui perto. Tentarei qualquer coisa para ter noticias de Emma.
—Quer companhia?
Neguei com a cabeça, ficando de pé e apertando o presente contra o peito.
—Vou sozinho. Estava esperando você retornar para avisá-lo.
—Irá levar o presente com você?
Assenti.
—Preciso de algo com significado. Apesar de Emma não ter visto o presente, é para nosso bebê. Nós dois queremos um filho. Talvez ajude a mulher encontrá-la com facilidade.
—Boa sorte, filho.
—Obrigado. Estou precisando... Landon.
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