Assombrado
2 Capítulo 1
Notas iniciais
“Mas não estou a escrever para lamentar minha escolha, pois imagino que você esteja louco, e provavelmente, irá enlouquecer mais um pouco quando ler que estou a bordo de um navio pirata... Já posso imaginar sua vontade de envolver suas mãos em meu pescoço e me estrangular. Acredite eu sei, contudo escrevo para que eu tenha alguém para conversar, porque me sinto muito sozinha e detestaria que brigasse comigo. Já não basta o capitão do navio, que aparentemente me odeia e grita sempre que tem uma oportunidade...”
Carta de Emma Swan para Graham Humbert. Fevereiro de 1862.
Fechei a porta com raiva, encontrando a prostituta esparramada na cama aguardando-me. Ela olhou para mim e deu um sorriso malicioso, se mexendo como se fosse uma gata, indicando que eu me juntasse a ela.
Meu olhar caiu sobre o baú de Emma e eu me odiei.
Eu havia acabado de mandar que fosse embora?
Juntei as roupas da mulher que estavam no chão e joguei para ela.
—Está dispensada. — falei rispidamente, servindo-me de rum e deixando umas moedas de ouro na cama para pagar pelos seus serviços.
—Tem certeza?- indagou se levantando e vindo em minha direção. — Posso restaurar o clima de antes daquela, mulher entrar.
Respirei fundo, sentindo-me enojado.
—Aquela mulher é minha noiva. — ou pelo menos eu quero que seja.
—Bem… Ela não parece o satisfazer, não é mesmo? Eu posso fazê-lo se sentir como um homem. — deslizou a mão pelo meu braço, descendo para o meu pênis e o apertando de leve, colando seu corpo ao meu, na tentativa de me excitar. — Fazê-lo satisfeito e feliz. – ronronou. – Dar-lhe prazer.
Olhei para o rosto da mulher, os cabelos castanhos com longos cachos, o rosto escondido por camadas de maquiagem, perguntando-me o que eu vira nela.
Por que eu havia a aceitado quando tinha Emma?
—Ela faz-me muito satisfeito e principalmente feliz. — respondi, saindo do perto dela. — Não duvido dos seus poderes de sedução, mas eu não sou um homem que precisa deles.
—Se ela o fizesse satisfeito, não teria buscado meus serviços. — retrucou docemente as minhas costas.
Fixei os olhos na cama, lembrando-me da noite anterior, na forma que Emma me segurou em seus braços, no jeito que a senti. Como amá-la não chegou nem perto de tudo que eu havia imaginado, porque eu havia experimentado emoções que iam além das que eu conhecia.
Foi a melhor noite da minha vida. Nunca tinha sido como na noite passada.
Nunca me senti tão pleno como quando estava segurando Emma e ela retribuía.
“Você foi divertida, Swan, mas agora é só mais uma vagabunda que quando estiver entediado irei procurar.”
O que eu havia dito meu Deus? Eu não podia ter pronunciado aquelas palavras de verdade.
“Eu confio. Você sabe que eu confio.”
Sua voz retornou em minha mente. Ela confiava em mim. Eu tinha sua confiança que tanto lutei para reconquistar. Confiança para que ela se entregasse e deixasse que eu a amasse.
E eu a ofendera. Ofendera por ela ter me dado aquilo, que tanto queria, que a fez minha e eu dela. Ofendera-a por ter pedido para que fizéssemos amor.
Agora ela devia estar pensando que eu apenas queria usá-la. Que eu a enganei e já que havia conseguido estava a descartando.
Emma não iria me aceitar. Iria me dizer não.
“Nós fizemos amor de verdade, Emma. Eu sei que você sente que eu a amo. Eu disse, não? Recorda-se que eu me declarei?” pensei.
Mas se ela estivesse grávida… Não teria outra escolha a não ser casar comigo.
E eu me esforçaria para cumprir minha palavra de fazê-la feliz.
Ela seria a mulher mais feliz do mundo se dependesse de mim.
“Permita que Emma esteja grávida, por favor. Eu preciso que ela esteja grávida para ficarmos juntos. Para que Swan veja que sou o homem com quem ela deve se casar e ter uma família. Eu sou o homem destinado e certo para que ela tenha um futuro.” implorei aos céus.
—Apenas se vista e saia daqui, certo? — grunhi, pegando uma camisa limpa.
A prostituta deu de ombros, começando a se vestir lentamente, sem tirar os olhos de mim.
—Se mudar de ideia, sabe onde me encontrar.
Peguei a caixinha onde o anel de noivado estava encontrando-a vazia.
—Senhorita. — chamei e ela se virou para mim sorrindo largamente.
—Sabia que ia mudar de ideia.
—O anel. — mostrei a caixinha.
Ela revirou os olhos e tirou o anel de um saquinho vermelho de veludo, colocando com força na palma de minha mão, batendo a porta ao sair.
—Você ainda vai repousar no dedo de Emma. — murmurei para o objeto, guardando-o no bolso interno. — Ela vai aceitar apesar disso que acabou de acontecer. Swan me conhece. Emma tem um bom coração, vai me perdoar e teremos nossa família.
Subi para o convés passando os olhos rapidamente por ali, esperando ver Emma zanzando distraída e admirando o céu, as mãos cruzadas atrás das costas, com os lábios, que eu tanto gostava de sentir sobre os meus, que me aqueciam e me preenchiam meio abertos, cantarolando, como era de costume. Se fosse, em outra noite normal eu poderia andar até ela e abraçá-la, beijar sua bochecha e ouvi-la rindo, fazendo-me sorrir e apertá-la ainda mais, escondendo meu rosto em seu pescoço para inspirar seu cheiro. Emma iria exclamar "Killian!" quando eu começasse a distribuir beijos em sua nuca, descendo para os ombros, mas não sairia de meus braços. Ela raramente fazia isso agora. Raramente se esquivava como antes. Talvez ficássemos um pouco observando o céu, enquanto eu explicava e apontava as constelações como Swan gostava, antes de irmos deitar e ficarmos trocando carinhos.
Se Emma estivesse ali eu iria falar com ela, chamaria para dar uma volta comigo e tentaria arrumar a situação desastrosa em que me colocara. Meu Deus eu a abraçaria mesmo assim apenas porque nada me dava mais alegria que segurá-la em meus braços próxima a meu coração.
Mas ela não estava. Senti-me decepcionado ao constatar isso. Eu queria ver o rosto de Emma, com um sorriso de preferência.
Precisava.
Contudo o convés estava vazio como de costume quando estávamos atracados.
Tudo bem, eu a encontraria na taverna com os homens e poderíamos conversar.
Meu corpo parecia se contorcer com a expectativa do momento em que veria Emma para pedir seu perdão. Eu a queria em meus braços, mas se eu pudesse apenas vê-la naquele instante, já acalmaria o desespero crescente de perda que estava dentro de mim.
Eu saberia se ainda a tinha ou poderia ver em seus olhos o tamanho do estrago que causara em seu coração.
Desci da Jolly Roger indo para a taverna onde eu sabia que ela estaria. Iria tentar sentar ao seu lado e perguntaria baixinho "Ainda podemos comemorar?" mostrando-lhe o anel que queimava em meu bolso.
O anel que eu mal podia esperar para ver em seu dedo.
Uma carruagem de viagem passou por mim, e por algum motivo meu olhar foi atraído para ela, como se estivesse deixando passar alguma coisa. Como se eu estivesse perdendo algo importante.
Observei-a até que desaparecesse saindo da cidade, tentando entender por que havia chamado minha atenção. Quando eu não podia mais vê-la meu peito se comprimiu e balancei a cabeça. Aquilo deveria ser o efeito da culpa. Um reflexo do medo que eu sentia de perder, Emma. Medo de que ela fosse embora e me deixasse sozinho depois do que eu fizera essa noite. Afinal, ela não havia me dado um “não”. Swan havia pedido que eu pensasse melhor para ter certeza e eu sabia que ela havia feito isso para que eu não fosse infeliz se caso mudasse de ideia sobre o casamento.
Eu não podia ter feito aquilo, não podia tê-la traído. Não podia tê-la mandado embora.
Eu não queria que ela fosse embora nunca.
Não queria antes e muito menos agora que eu a havia feito minha, que eu sabia como era amá-la.
Abri a porta da taverna, procurando por Emma ao lado de Landon, onde eu sabia que ela se sentaria, mas Swan não estava lá.
Aproximei-me da mesa achando estranho.
—Onde está Emma?- indaguei.
Landon se virou.
—Ela disse que ia caminhar e então ir a Jolly Roger. -falou. — Já tem algum tempo, imaginei que estivesse com você.
Sorri para ele de modo tranquilizador, mesmo que por dentro algo começava a disparar.
—Eu irei procurá-la. Talvez tenhamos nos desencontrado.
Enquanto caminhava, olhava com atenção nos comércios abertos, tentando encontrar Emma. Sabia que ela não iria tão longe, não durante a noite. Swan ainda possuía certo receio de andar sozinha quando já estava escuro e o fato dela ter ido ate a Jolly Roger significava que esperava que eu voltasse com ela, fazendo-lhe companhia.
Parei em uma mercearia onde comprei uma garrafa de hidromel para dividir com Emma.
Não que eu imaginasse que ela iria querer se sentar comigo e tomá-la naquela noite, enquanto conversávamos tranquilamente e nos provocávamos como de costume, para então irmos dormir.
Deus, eu amava esses momentos no fim da noite, era melhor parte do dia. Teria alguma sorte se ela ao menos olhasse na minha cara. Porém não custava nada tentar... Quem sabe ela não estivesse tão furiosa quanto eu pensava.
Parei em uma floricultura, pedindo um buquê de tulipas, as preferidas de Swan.
—Para sua futura senhora? – a moça quis saber, enquanto montava.
—Sim. Essas são as preferidas dela.
—As tulipas vermelhas significam amor eterno, sabia? Muitos amantes as compram. A branca significa perdão... Vendo um bocado dessas para os homens casados que pulam a cerca. – comentou com um sorriso divertido nos lábios, sem me encarar, concentrada em seu trabalho.
—Vou querer apenas as vermelhas hoje. – pedi, mesmo que achasse que precisava das duas, porém a florista não tinha a necessidade de saber que eu havia pulado a cerca.
—Aqui está. – ela me entregou o buquê com delicadeza, enquanto eu lhe dava as moedas. – Espero que ela goste.
Sorri para a mulher, estudando as flores.
—Ela irá. Muito obrigado. – agradeci, saindo da floricultura e olhando para os dois lados, vendo se enxergava Swan.
Caminhei de voltar para a Jolly Roger, observando como o céu havia adquirido uma coloração carmim, dando a impressão que as nuvens estavam baixas, a ponto de sufocar. Relâmpagos cortavam o horizonte e cada trovão fazia eu me encolher.
Corri até a cabine, imaginando que Emma já estaria ali. Suas feições estariam, presa em uma expressão de desdém e sua sobrancelha direita estaria levemente levantada, enquanto ela me estudaria.
Eu beijaria aquela sobrancelha levantada de forma arrogante e esse gesto faria sua fachada ruir e Swan daria risada. Aquela risada gostosa de ouvir, que me fazia rir junto com ela.
—Fada. – chamei abrindo a porta com cuidado, mas encontrando a cabine vazia e exatamente do jeito que havia deixado.
Pressionei os lábios, não gostando de não encontrá-la ali e sentindo um, comichão desagradável em meu peito.
Mexi os ombros tentando tirar a tensão deles. Emma estaria ali em breve, eu disse para que voltasse para conversar. Estava entrando em pânico sem motivos.
Deixei o buquê na cama e comecei a arrumar a cabine. Peguei minhas roupas que havia trocado do chão, considerando jogá-las. Não queria que Swan sentisse o cheiro da tentativa de sexo barato.
Queria ser capaz de fazê-la se esquecer de tudo que aconteceu.
Peguei duas garrafas vazias de rum, juntamente com as taças que usamos indo para a cozinha. Antes de sair equilibrei a garrafa de hidromel em meu braço, para prepará-lo da forma que eu gostava de bebê-lo.
Parei por um instante, observando as docas vazias.
Eu esperava que Emma não demorasse tanto.
Acendi o fogão, despejando o liquido dourado na chaleira e sentei-me, esperando que esquentasse.
—Capitão Jones? — uma mulher morena se aproximou da mesa da taberna onde eu estava bebendo sozinho. Lancei lhe um olhar de desdém, observando-a enquanto se sentava de frente para mim sem ser convidada. Ela carregava consigo um ar de arrogância e prepotência, como se se sentisse superior, mesmo que sua roupa consistisse em apenas uma túnica branca simples.
—Isso depende de quem está procurando.
Ela sorriu e percebi que possuía uma cicatriz no lábio superior.
—Ouvi dizer que é especialista em tirar boas moças de casa... A informação procede? — indagou com malicia, uma sobrancelha se arqueando.
Inclinei-me para frente, apoiando os cotovelos na mesa, abrindo um sorriso ébrio.
—Procede se o pagamento for bom, senhorita. Não é um trabalho fácil, já que não sequestramos como piratas normais costumam fazer.
Seu sorriso se tornou mais largo, deixando a mostra os dentes.
—Claro que não... Mesmo porque o senhor não é um pirata qualquer. — falou em uma voz manhosa, que, deixou-me entediado.
As mulheres tinham que aprender que aquilo não era sedutor e sim irritante.
—Não se preocupe o contratante está bem interessado nessa mercadoria e está lhe oferecendo uma boa quantia. — a morena deslizou um papel até mim e eu o abri, arregalando os olhos ao ver o valor. Era muito mais do que havia recebido nos outros trabalhos, era o suficiente para dividir com os marujos e viver uma vida calma até o fim. — O que acha?
—Por que a garota é tão importante? — quis saber com curiosidade.
—Essa informação não é importante para o serviço, capitão. Tudo o que preciso saber é se aceita ou não, pegar essa encomenda para mim?
Tomei um longo gole de rum, estudando os números no papel. Eu sabia como fazer isso, não teria segredo.
Dei de ombros.
—Claro. Por que não?
—Ótimo! — exclamou, chamando uma atendente. — Traga-me vinho, por favor. — pediu relanceando os olhos em direção à mulher. — Sou Regina a propósito. Tudo relacionado ao serviço será tratado comigo. Qualquer duvida pergunte para mim que transmitirei para o contratante.
—A coisa não deve ser boa se esse contratante, precisa de uma intermediaria... O que aconteceu? Essa mulher não o aceitou como noivo, se casou com outro...? — indaguei afinal aqueles sempre eram os motivos pelo qual eu era contratado. Vingança por parte de homens que foram dispensados.
—Não é nada disso. — murmurou, rabiscando algo em um papel que eu nem reparara que carregava consigo. — Aqui estão alguns dados sobre a encomenda. Não terá dificuldades, capitão, ela é dócil, sem dizer que lhe garanto que irá procurá-lo sem que precise se esforçar.
—Está me dizendo que... Essa Emma Swan. — li no papel. Arqueie as sobrancelhas. — Filha de um governador irá entrar em meu navio sem que eu tenha que lhe dizer algo?
—Exatamente. O senhor entenderá mais para frente.
Soltei um gemido de descontentamento.
—Ela é praticamente uma criança... Uma garotinha.
Regina riu levando o caneco cheio de vinho a boca, fitando-me de uma forma que parecia saber de algo que eu desconhecia.
—Acha que consegue lidar com isso?
—Claro que consigo, apenas não será divertido.
—Um trabalho não deve ser divertido, capitão. — censurou-me balançando a cabeça. — Por acaso conhece Gotland?
Engasguei com o rum.
—Pela sua reação percebo que já conhece a ilha. — comentou.
—Sim, já estive lá algumas vezes... Por que vocês precisam da garota lá?
—Para que as pessoas vão para Gotland, capitão? — indagou.
—Para que pessoas lunáticas façam sacrifícios humanos em cima de uma pedra cheia de retalhos que eles consideram sagradas. — respondi.
—E o fato de saber que Emma Swan será um sacrifício o incomoda?
Abri um sorriso debochado.
—De maneira nenhuma... Por que me incomodaria?
Ri ao perceber que agora fazia sentido. O sorriso no rosto de Regina, a pergunta se me incomodava saber que Emma era um sacrifício era porque ela sabia que éramos destinados.
E sim, incomodava-me e muito. Não entrava em minha cabeça como alguém poderia querer matar Emma Swan.
Eu não deixaria.
Levantei-me para olhar o hidromel, e ao perceber que estava no ponto que gostava, apaguei o fogo, misturando rum à bebida e um pouco de canela.
Lembro-me de uma vez minha mãe me explicar que o hidromel era usado em sua terra para garantir a fertilidade e assim aumentar as chances de um casal ter filhos. Que eu deveria beber juntamente com minha esposa durante o primeiro mês de nosso casamento.
Emma e eu não estávamos, casados ainda, mas talvez funcionasse.
Voltei para nossa cabine, servindo um pouco para mim, sentando-me no banquinho do piano e fitando a cama e desejando ter admirado Swan um pouco mais na noite anterior enrolada no lençol... Enroscada em mim. Queria poder voltar e tê-la abraçado mais forte, observado, seus olhos com mais atenção enquanto fazíamos amor, ter provado o suor em sua pele mais vezes.
Deixei passar tantos detalhes.
Não deveria tê-la acordado cedo. Eu tinha que tê-la deixado dormir, em meus braços, abraçando-me como se tivesse medo que eu a deixasse, como se eu fosse tudo o que ela mais precisava. Deveria ter aproveitado seu corpo pressionado ao meu, sua respiração tranquila em minha pele. Seu cheiro e seu calor me envolvendo, acordar com seu cabelo louro espalhado em meu peito, observando-a despertar e se espreguiçando, enquanto soltava um gritinho estridente de satisfação, abrindo um sorriso preguiçoso para mim.
Eu deveria ter aproveitado isso e não ter sido um afobado.
Precisava que Emma aceitasse ser minha para sempre. Minha esposa, minha amiga e tudo mais que quisesse comigo.
Nada me daria mais prazer do que ser dela.
Virei-me para o piano, abrindo-o e dedilhando as teclas apenas para passar o tempo, pensando que talvez eu pedisse para Swan me ensinar algumas notas.
Fiquei tentando imaginar como pediria desculpas a ela. Não era bom com desculpas, nunca fui. Não era o tipo de pessoa que se desculpava, diferente de Emma, que vivia pedindo, mesmo que não tivesse culpa de nada.
Ela se desculpava o tempo todo, era natural dela se sentir culpada e tentar consertar as coisas o mais rápido possível. Eu precisava aprender com Swan. Precisava aprender tantas coisas com, Emma.
Levantei-me impaciente, servindo-me mais um pouco de hidromel.
Ajeitei a cabine mais uma vez, nervoso esperando pelo momento que Emma retornaria. Peguei o buquê em minha mão, reprimindo os sons de ansiedade que surgiam. Swan estaria brava, sabia disso, mas esperava que ao ouvir-me percebesse e me perdoasse.
E claro, me aceitasse.
“Senhora Jones. Emma Swan Jones.” pensei em como soava bom.
Estenderia as tulipas em sua direção quando entrasse e ela me lançaria, um olhar torto desconfiada. Então eu perguntaria se sabia o significado das tulipas vermelhas, ao que eu responderia que significa amor eterno, rezando mentalmente que ela acreditasse em mim apesar de todas as porcarias que havia dito para ela mais cedo. Sabia que involuntariamente eu iria sorrir para Emma, enquanto meu coração batia apressado com a expectativa de sua resposta.
“Tenho certeza que quero lhe dar meu nome, chamá-la de senhora Jones, ter nossa família. Perdoe-me pelo o que aconteceu. Eu sei que agi como um asno, eu sei que... Não a mereço, mas eu a amo, Emma. Sei também que não deve estar sendo fácil olhar para minha cara, e que não vai acreditar no que eu sinto por você, contudo peço que me perdoe pelo que disse mais cedo. Nada daquilo era verdade. Perdoe-me pelo o que você viu. Foi um momento de estupidez e fraqueza, misturado com orgulho ferido e escolhas erradas. Eu a amo, Emma Swan, e estou sendo verdadeiro em cada palavra. Não espero que me diga "sim" ou "aceito" nesse momento, mas que considere quando puder me perdoar, e veja que serei bom para você, como você é boa para mim. Considere o fato de que apesar do que eu fiz hoje, eu não consigo e não quero viver sem você. Sim, eu estou fazendo o pedido de casamento novamente, mas para que perceba que realmente quero isso. Quero apenas você pelo resto da vida e lhe prometo que o que aconteceu hoje nunca mais irá se repetir. Nenhuma outra mulher irá deitar em nossa cama e nem pisar em nossa cabine. Sim, Emma, nossa. É como eu quero que as coisas sejam daqui para frente. Aceite ficar um tempo mais comigo para que veja que isso é possível. Eu quero ser seu, Emma, e estou disposto a esperar o tempo que for preciso para ter o seu perdão. Quero filhos com você, uma casa cheia deles. Talvez eu já tenha sido agraciado e um bebê esteja protegido em aí dentro. Quero que sejamos uma família. Apenas não se afaste de mim. Não deixe-me sozinho de novo, não quando eu a amo e me dói imaginar ficar sem você.” falaria me aproximando dela, fitando seus olhos para que ela visse que estava sendo sincero.
Ficaríamos bem. Eu tinha certeza.
Emma iria acreditar em mim e iria me perdoar... Não esperava que fosse fácil, nada com Swan era, iria demorar um tempo, mas ficaríamos bem. Eu seria perdoado, absolvido e com sorte, envolto em seus braços mais uma vez.
Se eu não fosse, ela seria nos meus, até que por fim retribuísse.
Andei até a cama pegando o travesseiro e levando até o nariz, tentando me acalmar com o cheiro de Emma.
Contudo não estava mais lá.
Deitei-me, procurando seu perfume nos lençóis, o nosso cheiro da noite passada, porém não o encontrei.
A essência da mulher que estivera ali estava impregnado, o perfume barato misturado com bebida, apagando o aroma de Emma.
Swan tinha um cheiro fresco, como se constantemente se banhasse com chuva e grama no verão.
Para mim, desde criança esse cheiro lembrava-me esperança. Recordo-me de sentar quando estava chovendo, na grama e de ser envolvido por aquele cheiro. Ajudava quando eu precisava esquecer o inferno que era minha casa.
E a não pensar na próxima surra que levaria.
Emma cheirava esperança, porque ela me fazia esquecer todas as coisas ruins que aconteceram em minha vida, e quando estava ao seu lado conseguia ver um futuro para mim sem ser sozinho.
Um futuro com ela, onde eu sabia que seria feliz.
Swan era a felicidade na forma mais simples que se podia pedir.
Puxei aqueles lençóis e os troquei por outros limpos, para que Emma não tivesse que sentir o cheiro de outra mulher.
Eu não queria aquele cheiro entre nós.
Impregnaria a essência de Emma novamente nos lençóis aquela noite. Dormiria abraçado a ela, respirando o cheiro diretamente de sua pele.
Eu a perturbaria para que visse que poderia fazer o mesmo comigo.
Emma nunca perturbava. Eu que sempre estava a apertando quando tinha oportunidade, pegando-a em meus braços e a beijando. Na verdade quem perturbava era eu e, ela nunca reclamava.
Swan me retribuía. Amava-me de volta como se eu fosse merecedor se receber seus carinhos idílicos.
A questão era que dessa vez as coisas não seriam tão fáceis. Eu a havia magoado, havia a traído e dito coisas que tão eram vazias, como que eu estava cansado dela. Pelos céus, eu nunca me cansaria de Emma Swan! E a serenidade em sua voz me respondendo “Não o perturbarei nunca mais”, soava como uma ameaça em meus ouvidos. Tenho certeza que nunca iria me livrar daquele tom e o peso de suas palavras enquanto não me perdoasse. Eu deveria ter me jogado aos seus pés, no momento que aquelas palavras saíram de sua boca, pedindo seu perdão e não ter dito "Acho bom mesmo". Eu não achava nada bom, nem um pouco bom à ideia de não a ter mais para me perturbar. Nada bom imaginar não ter Emma em minha vida. Uma dor começava a me consumir de apenas pensar nisso.
A chuva que estava ameaçando cair finalmente desabou, irada, dando a impressão de que inundaria o mundo em apenas uma noite.
Imaginei que uma hora dessas Emma estaria de volta. Talvez até estivesse, mas se recusara a descer.
Talvez pensasse que eu ainda estava com a prostituta e estava me dando o espaço que pedi.
Subi para o convés, vendo em minha mente Emma encolhida em seu bote, abraçando-se, molhada até os ossos, tentando se aquecer. Meu coração se apertou mais ao imaginá-la dessa forma tão vulnerável. Carregaria Swan de volta à cabine onde colocaria roupas secas nela para que não ficasse doente. Iria aquecê-la com o calor de meu corpo.
Iria cuidar dela e enchê-la de amor.
Iria cuidar da minha menina/mulher.
Passei os olhos rapidamente por ali sem conseguir enxergar praticamente nada por conta da chuva torrencial.
Até quem um objeto vermelho brilhante caído me chamou a atenção. Aproximei-me, reconhecendo aquele brilho.
—Emma. — sussurrei ao pegar seu colar em minha mão, olhando ao redor esperando vê-la. — Não, não Emma. — murmurei começando a me sentir apavorado. Aquilo não podia ser um bom sinal.
Corri para seu bote, apertando o pingente que estava quente em minha palma, sentindo dificuldade para respirar.
Vazio.
O lugar estava vazio.
Olhei em volta, procurando-a, aproximando-me de onde o bote ficava, esperando que aparecesse milagrosamente ali, quando percebi algo cintilante.
Eu não precisava me abaixar para ver o que era.
A pulseira que eu havia lhe dado dias antes.
“Para, estarmos sempre juntos” eu dissera.
Swan havia deixado tudo que eu lhe dera para trás, ao mesmo, tempo que levou tudo o que eu tinha.
Ela não podia ter feito isso comigo, pelos céus que não tivesse feito à burrada de se tacar ao mar quando estava claro que uma tempestade estava a caminho. E mesmo se não estivesse o mar não era lugar para ela escapar. Não era lugar para ela ir sozinha em um bote. Não era um lugar para onde deveria ir. Emma não deveria ir a lugar algum. Não sem mim. Nunca sem mim.
Emma deveria ficar comigo.
—Emma! — gritei para a noite, o mais alto que pude, mas minha voz sumiu com o barulho da chuva. Inclinei-me no parapeito do navio, olhando para as águas que se agitavam nervosas. — Swan, por favor. — supliquei, pegando sua pulseira e correndo para o dormitório dos homens. Talvez ela estivesse lá, escondendo-se, tentando me dar um susto.
Ela estaria ali. Minha Emma não teria ido para o mar.
Não teria me deixado.
—Emma! — berrei, sem tentar esconder o desespero em minha voz. — Emma se estiver aqui, saía que isso não tem graça.
Observei o alojamento por uns instantes tentando encontrá-la. Tentando manter a calma. Ela não teria feito o que mandei. Não teria levado minhas palavras ao pé da letra e mesmo que tivesse ela estaria ali.
Disse que conversaríamos depois.
— Amor? — tentei novamente, andando por todas as redes. — Fada?
Por favor, esteja se escondendo. Por favor, ainda esteja aqui. Você tem de estar aqui. Você não pode ter me abandonado. Não sem antes me ouvir. Você não sabe o quanto eu a amo e o quanto preciso me desculpar pelo o que lhe disse e o que viu? Por favor, Emma ainda esteja, comigo quando a noite chegar ao fim.
Olhei para o colar em minha mão. Aquele colar que me fez saber que ela era o meu trabalho.
O melhor trabalho sujo que aceitei fazer.
O fecho estava arrebentado, sinal de que ela havia puxado com força. Talvez na hora em que estava brigando com ela, quando foi sair o puxou com raiva.
Respirei fundo ao perceber que era inútil. Que Swan não estava ali.
—Os homens! Você deve estar com Landon, é claro.
Voltei correndo, escorregando ao descer da rampa, mas sem parar por um momento. Eu precisava ver Emma. Precisava conversar com ela e me explicar.
Precisava ver seu sorriso.
Precisava dela.
Um pânico tão grande começou a se apossar de mim, que eu comecei a ter dificuldades para respirar. Pânico de que Emma tivesse me deixado, de que eu nunca mais a veria, nunca mais a teria perto de mim. Pânico de que ela tivesse feito alguma besteira e a culpa seria minha. Pânico de que algo pudesse machucá-la, tirando-a do mundo.
Abri a porta da taverna com violência, estudando a mesa que os marujos estavam tentando enxergar sua cabeleira loura. Cabelos que eu tanto adorava.
Nada.
—Landon! — chamei com dificuldade indo ao encontro deles.
—Killian! — ele se levantou alarmado. — O que aconteceu?
—Emma. — falei. — Eu não a encontro em lugar nenhum. Ela não está no navio e veja… — mostrei o colar e a pulseira. — Estavam caídos no convés e o bote dela desapareceu. — contei. – Ajude-me a encontrá-la. E se… Ela fugiu mesmo pelo mar ou… Cora a encontrou…
—Calma. Conte-me o que aconteceu desde o início. Emma saiu daqui dizendo que iria encontrá-lo na Jolly Roger…
—Sim. E ela foi, mas… Landon eu fiz merda… Não brigue comigo. – pedi. — Eu a traí e quando Swan chegou a nossa cabine, ela nos viu. Fiquei com raiva de mim e descontei nela. Mandei que fosse embora. Disse que estava cansado dela e que ela era apenas mais uma vagabunda para eu me divertir. Chamei-a de fardo entre outras coisas horríveis… Mas agora eu não a encontro para me perdoar e dizer que não sei o que deu em mim para falar aquelas coisas… — respirei fundo tentando conter a vontade de gaguejar.
—Eu achei que você queria se casar com Emma.
—Eu quero! É tudo o que eu mais quero. Emma foi me procurar para ouvir minha resposta e me aceitar. E eu estraguei tudo! Eu só precisava ser paciente para esperar a noite chegar e tinha que dizer que “eu tenho certeza que quero te dar meu nome e começar uma família”, no entanto eu não sei o que deu em mim. Aquele Killian detestável simplesmente se apossou. — expliquei tentando não chorar. Landon me olhava com desapontamento. — Eu sei que é difícil acreditar no que estou dizendo, mas é verdade. Eu a amo, Landon e preciso dela. Swan pode estar gerando nosso bebê agora…
—Espere. — ele me cortou. — O que quer dizer com isso? Você e Emma…?
Assenti, lembrando-me da noite anterior e de como eu achei que morreria de felicidade por estar dentro de Emma. Sendo amado por ela e a amando como há tanto tempo sonhava.
Completando-nos. Sendo um só.
—Nós fizemos amor, Landon. Eu fui dela e ela minha...
—Seu imbecil. — bradou. — O que diabos você tem nessa cabeça, Killian? Emma confiou em você e então você a despreza desse jeito? Traí como se Emma não fosse boa o suficiente? Trata-a como se fosse uma mulher da vida sem valor?
Neguei freneticamente, engolindo o choro, apertando ainda mais forte o colar e a pulseira de Swan, como se desse modo eu pudesse senti-la.
“Antes tivesse optado pelo o dinheiro” eu gritara para ela, sem motivo algum.
Eu disse para ela que o dinheiro era mais importante.
Quando nunca foi verdade.
Emma era importante. Emma era a coisa mais preciosa que eu tinha.
Emma era toda a riqueza que eu queria na vida.
Claro que ela teria fugido de mim, pensando que eu iria entregá-la a Cora. Swan deve ter imaginado que agora que eu havia a levado para cama iria terminar o serviço como fora com as outras.
Emma devia estar fugindo para salvar a sua vida.
Minha Swan deveria estar com medo de mim. Medo que eu a machucasse.
Meu Deus, eu não queria que ela sentisse medo logo de mim.
Tudo o que eu queria era protegê-la. Guardá-la comigo para sempre e dar todo o amor que ela merecia.
—Eu a amo, Landon. Amo Emma Swan com a minha vida e a noite que tivemos foi a melhor que consigo me lembrar. Eu não sei por que fiz isso. Não sei por que a traí e a tratei desse jeito. Eu estou querendo me matar agora por ter feito todas essas coisas. Landon, minha Swan pode estar grávida e eu preciso me perdoar com ela. Preciso mostrar para Emma que sinto muito. Que quero nossa família. Ajude-me a encontrá-la, eu imploro.
Os homens estavam em silêncio, prestando atenção na conversa, olhando-me com reprovação.
—Podemos procurar na cidade. — Smee sugeriu e os outros concordaram, se colocando de pé.
—Muito obrigado.
—Estamos fazendo isso em consideração a Emma. — Ian respondeu. — Por nos preocuparmos com ela. Não por você. Se a encontrarmos, levaremos a de volta para casa dela, sem nem deixá-lo vê-la.
—Sei que mereço isso, Ian, mas realmente amo Swan e preciso conversar com ela. Vocês a conhecem, Emma sabe se proteger e se ela decidir me deixar para voltar para casa eu, irei respeitar. Apenas a encontrem em segurança. É tudo que me interessa. Que Emma esteja bem.
Por favor, a tragam de volta para mim, para que eu possa consertar meu erro. Para que eu me perdoe com ela e diga que não é um fardo em minha vida, nunca foi. Para que eu possa dizer o quanto ela significa para mim. Que eu nunca mais irei traí-la. Eu preciso da nossa família.
Os marujos se retiraram em silêncio, e Landon ficou me encarando.
—Estou desapontado com você capitão.
—Eu vou encontrá-la. — garanti olhando para ele. — Eu sinto aqui que vou. — falei tocando meu coração, recordando que Swan sempre pousava sua mão ali, fazendo-o bater mais rápido com seu toque. — Eu sou o lar de Emma, ela disse isso. As pessoas sempre voltam para seu lar.
—Não quando o lar fazem as infelizes.
—Landon, eu a amo. — repeti. — Não vou mais fazer algo do gênero. Serei fiel. Gentil. Serei o homem que Emma merece. Serei um homem digno de merecer seu amor… Eu sou dela, nós vamos ser felizes. Prometo para você que vou ser bom. Acredite em mim Landon e não me olhe assim. – supliquei, não aguentando a forma que seus olhos se mostravam decepcionados comigo. – Eu só quero Emma bem e viva. Se ela não quiser ficar comigo, tudo bem, apenas dê-me a certeza que não a condenei. Eu não posso ter matado minha menina.
—Vou ajudar a procurá-la. — avisou, dando-me as costas e saindo.
Abri o colar de Emma, vendo sua pintura. O rosto da menina que eu tanto amava.
—Vou encontrá-la amor. E a farei feliz apesar da noite de hoje. Irei cuidar de você como cuida de mim. Não deixarei Cora chegar a você. Não deixarei que seja tirada desse mundo. Que seja tirada de mim. Nós não seremos mais sozinhos.
Fechei o relicário, guardando em meu bolso interno junto com a pulseira.
Passei em hospitais, estalagens, postos oficiais e até olhei no posto de viagem, mesmo sabendo que não encontraria nada, descrevendo cada mínimo detalhe de Emma, mostrando sua pintura. Mesmo sendo antiga, sua fisionomia ainda era mesma, só havia perdido os traços infantis.
Mas nem isso ajudou.
Gritei o nome de Emma pelas ruas até a voz me faltar e um oficial vir ameaçar me prender se não calasse a boca, mesmo que eu expliquei para o homem que estava procurando uma pessoa desaparecida, minha noiva. Ele se limitou a rir, repetindo novamente para que eu não imitisse som e cuidasse melhor da minha senhora.
Procurei por ela em cada beco, cada rua. Espiando dentro das casas iluminadas pelas janelas e não encontrando nenhum sinal dela.
Encontrei com os homens no navio e pela expressão nos rostos deles, não tiveram mais sorte que eu.
—Olhamos a cidade inteira. — Ian falou. — Batemos nas casas. Ninguém a viu. Senhorita Swan simplesmente desapareceu.
Olhei em direção onde seu bote ficava, ainda esperando que estivesse ali, com Emma dentro.
Aquiesci, sem saber o que dizer.
Era para você estar aqui. Nós estaríamos rindo juntos de felicidade, comemorando o noivado. Amando-nos um nos braços do outro, mas veja só o que eu fiz. Consegui perdê—la. Fiz com que se afastasse. Fiquei sem a única coisa boa de minha vida.
—Agradeço pela ajuda. Estão dispensados, continuarei procurando. Emma ainda deve estar por aqui.
—Já olhou na casa de Robin? — Landon sugeriu.
Regina!
Como eu não havia pensado em Regina antes?
Ela me ajudaria.
Afinal fora Regina que colocou Emma em minha vida. Emma deveria ter recorrido a ela naquele momento. Para o único lugar que consideraria seguro, já que não estava na estalagem junto com Grace.
—Eu esqueci completamente de Regina. É claro! Emma deve estar com ela. Irei agora mesmo.
Swan estaria lá e eu a traria para nossa casa nem que fosse contra a sua vontade. Eu iria beijá-la e abraçá-la com todas as minhas forças até ela sentir o quanto eu a amava e precisava dela. O quanto estava arrependido das palavras e de tudo que fizera naquela noite. Esconderia meu rosto em seu pescoço e choraria sem vergonha nenhuma aliviado por ela ainda estar comigo. Iria beijar seu rosto repetidamente, apertando-a cada vez mais forte, para fundi-la comigo na tentativa que ficasse para sempre.
Iria declarar de uma vez por todas que ela era minha e eu era só dela, de coração, corpo e alma.
Eu pertencia a ela e ninguém mais. Eu havia escolhido ela e agora esperava que fizesse o mesmo.
O susto de tê-la perdido por algumas horas ainda fazia meu coração lamentar de forma dolorosa. Precisaria beijá-la e embalá-la em meus braços, próximo a ele, para mostrar que Swan ainda estava conosco.
Que Emma estava em seu lar.
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