Assim Estava Escrito
24 "Quero me casar com ela!"
Notas iniciais
Ainda envolvidas no abraço, Marina foi lentamente escorregando a cabeça pelos cabelos de Clara. Passou sua boca pelo rosto da outra, até ficarem com os olhos frente a frente. Seus lábios estavam muito próximos. Fitaram-se e sorriram. Suas bocas se tocaram e as duas iniciaram um beijo molhado, cheio de desejo e tesão.
Marina levou suas mãos até a jaqueta que a assistente vestia, e começou a deslizá-la delicadamente pelo ombro da morena. Clara parou o beijo por um momento, olhou para a amada e sorriu. Sabia o que a outra queria. Marina então subiu o vestido da namorada até retirá-lo por completo. A assistente fez o mesmo e suavemente despiu a fotógrafa.
Ficaram apenas de calcinha e então voltaram a se beijar. Clara segurou a cintura da amada e foi se debruçando sobre ela, deitando-a suavemente na cama. Seus seios se tocaram, e o beijo esquentou ainda mais. O joelho direito de uma pressionava o sexo da outra. Seus corpos estavam como um só.
– Te amo demais! — Marina falou entre os beijos. — Estou tão feliz vendo você trazer suas coisas pra cá.
– Eu também amor! Estou muito feliz! — A assistente respondeu, retomando o contato de seus lábios.
Clara envolvia Marina, com as mãos sob seus ombros, enquanto a fotógrafa a abraçava pela cintura. Ficaram assim por um tempo, se beijando, se estimulando. A morena soltou os lábios da amada e percorreu o pescoço da fotógrafa com sua boca, enquanto a outra soltava pequenos gemidos. A assistente chegou então ao lóbulo da orelha de Marina e passou a chupá-lo com desejo. A fotógrafa se arrepiou inteira e gemeu alto. Suspendeu os ombros e girou seu corpo e o da morena na cama, ficando por cima de Clara.
– Você me deixa louca sabia?! — Falou para a assistente, que sorriu por ver o efeito de sua provocação na amada.
A fotógrafa começou a chupar o seio de Clara, primeiro o direito e depois o esquerdo. A morena também se arrepiou e gemeu alto. Marina era delicada mas também intensa, tamanho o seu desejo. Percorreu o abdômen da morena com os lábios e chegou até sua calcinha, que tirou com muita agilidade. Retirada a peça, a fotógrafa levou sua boca rapidamente até o sexo da morena. Não conseguia esperar mais nem um segundo, tamanha sua vontade de chupar a namorada.
Quando sentiu os lábios de Marina a tocarem, Clara segurou forte no lençol. Adorava ser chupada por aquela deliciosa boca macia. A fotógrafa percorreu com a língua todo o sexo da assistente, sentindo a umidade que já havia lhe provocado com os beijos e estímulos anteriores. Lambeu a entrada da morena, que gemeu muito alto com aquele toque.
A seguir, Marina passou a chupar o clitóris de Clara, massageando-o com seus lábios e sua língua, beijando-o com muito desejo e vontade. A assistente sentiu suas pernas estremecerem. Continuava segurando forte o lençol e passou a balbuciar gemidos baixos, que foram ganhando volume à medida que a fotógrafa intensificava a carícia que fazia com a boca.
Pelas reações de Clara, Marina sentiu que a namorada não demoraria a gozar, e aumentou seu ritmo. Pouco depois, a morena gemeu ainda mais alto, anunciando a chegada de seu orgasmo. A fotógrafa ficou tão excitada com a intensidade do prazer da amada que acabou gozando junto com ela.
Marina sentiu o sabor do gozo da assistente. A seguir foi beijá-la, e Clara pode sentir seu próprio gosto nos lábios da amada.
– Você é maravilhosa amor! — A morena declarou olhando nos olhos da namorada. — Seus lábios são provocantes, apaixonantes, deliciosos. Fico louca com eles!
– Fica é?! — A fotógrafa deu um sorriso safado. — São só pra você amor!
Continuaram a se beijar. Quando seus lábios se deixaram, Marina deitou junto a Clara, debruçando seu corpo sobre a morena. Ficaram ali por um tempo. A assistente passou a acariciar as costas e a nuca da namorada, que logo adormeceu.
Clara também cochilou um pouco, mas não demorou a despertar. Lembrou-se que havia combinado de almoçar com Ivan. Devagarzinho foi saindo da cama e deixou a amada ali adormecida enquanto vestia suas roupas. Não resistiu e foi lhe dar um beijo de despedida.
Quando seus lábios se tocaram, Marina acordou.
– Onde você vai amor?! — A fotógrafa perguntou ao ver Clara toda vestida.
– Tenho que ir, combinei de almoçar com o Ivan. — Clara fez uma cara de quem lamentava ter que se despedir da namorada naquele momento.
Marina também não conseguiu conter sua expressão de tristeza por ver a assistente ir, ainda que soubesse que ela precisava fazer isso.
– Olha, não fica triste, logo a gente se vê de novo! — A morena completou.
– Eu sei. Tá tudo bem! — Marina respondeu com um sorriso tímido. Não conseguiu esconder sua expressão ainda tristonha.
Beijaram-se mais uma vez e Clara seguiu em direção à saída. A fotógrafa ficou observando a namorada ir. Assim que perdeu a morena de vista, Marina jogou sua cabeça para trás e deitou-se novamente no travesseiro. Fechou os olhos. Pensou, pensou e pensou. Lembrou de tudo que tinham vivido até ali, em como finalmente tinha conseguido ficar com a mulher que ela tanto amava. Pensou nas coisas que a namorada havia acabado de deixar em sua casa. Pensou em Ivan e como suas vidas estariam cada vez mais integradas. Refletiu muito. E por fim, um pensamento não lhe deixou mais:
"Eu não quero que ela se vá!" — Exclamou para si mesma. — "Eu quero que ela fique aqui comigo. Ela e o Ivan. Quero que aqui seja o lar deles também. Quero acordar e dormir todos os dias com ela. Não quero ter que me despedir mais! É isso, quero que ela fique aqui, quero que ela seja minha mu..." — Marina abriu os olhos e se levantou rápido.
– É isso, eu quero que ela seja minha mulher, quero me casar com ela!!! — A fotógrafa falou alto, sorrindo, enquanto rodopiava pelo quarto feliz por ter chegado a essa conclusão.
De repente Marina parou, como se tentasse imaginar como diria pra Clara que gostaria que ela se tornasse sua mulher oficialmente, pro mundo inteiro saber. Olhou em volta, e quando seus olhos atingiram a mesinha ao lado de sua cama, foi como se uma luzinha acendesse dentro de sua cabeça. Mais uma vez a assistente havia esquecido alguns de seus anéis por ali.
A fotógrafa se aproximou, pegou as joias, as colocou na palma de sua mão e as beijou.
– É isso! Vou comprar um par de alianças pra gente e então pedi-la em casamento!!! — Pensou alto abrindo um largo sorriso a seguir. — E vou olhar isso já!
Marina vestiu uma roupa, colocou os anéis de Clara na bolsa e seguiu para o shopping, pois lá havia algumas joalherias onde ela poderia encontrar o que procurava.
Olhou pela vitrine de uma loja mas não encontrou nada interessante. Sentia que precisava achar algo que a encantasse de cara, assim como aconteceu no dia em que viu a assistente pela primeira vez. Quando chegou à segunda joalheria, sua atenção logo foi atraída para um par de alianças que estava no centro da vitrine. Dois anéis largos, de ouro branco, vazados, com desenhos que davam delicadeza ao seu design. "São essas!" — pensou. Entrou na loja e assim que a atendente veio lhe falar, pediu para experimentar a aliança que havia lhe conquistado.
Colocou o anel no dedo e teve a certeza de que aquela seria sua escolha. Era lindo! Levaria-os naquele mesmo momento, não fosse pelo fato da aliança de Clara precisar ser ajustada em alguns pontos. Mas a vendedora lhe garantiu que o ajuste era rápido e ela poderia pegar as joias em dois dias.
Na data combinada, a fotógrafa caiu da cama. Acordou cedo, estava ansiosa para pegar as alianças e fazer o pedido para a namorada. Colocou aquele lindo vestido azul que valorizava seus contornos e ela sabia que Clara adorava. Deixou os cabelos soltos, levemente cacheados nas pontas. Enfeitou-se com brincos longos de pedrinhas e uma maquiagem leve. Parou diante do espelho uma última vez e com um sorriso largo disse para si mesma:
– É hoje!
Assim que saiu pela porta de seu quarto, encontrou Clara no corredor. Embora surpresa, ver a morena logo cedo sempre a deixava feliz:
– Oi amor! Chegou cedo hoje! — Disse para a assistente.
– Então, vim mais cedo pra te fazer uma surpresa! Aquele dia acabei saindo e te deixando na cama. Pra compensar, queria aproveitar e te encontrar na cama hoje! Mas você madrugou... e já está toda arrumada assim, logo cedo. Onde você vai?! — Clara perguntou, com um misto de curiosidade e um pouco de ciúmes por ver a namorada saindo assim tão produzida para algo que não parecia se referir a ela.
– Então... — Marina fez uma pausa para tentar pensar em alguma história para se justificar. — ... é que... — A fotógrafa não conseguia achar uma boa desculpa e a morena ia ficando mais desconfiada. — ... é que eu vou pegar umas provas que pedi pra fazer das fotos que vamos utilizar na próxima exposição. Gosto de ver como as imagens ficam no papel, ainda que venhamos a expor as fotografias em um outro suporte. Então eu preciso verificar se o material está ficando com a qualidade que precisamos. É isso. — Marina suspirou aliviada.
– Mas se é só pra pegar as provas, a Flavinha pode fazer isso, não?! — A assistente indagou.
A namorada percebeu que Clara estava incomodada e que ela teria que ser mais convincente.
– Pois é, até que poderia. Mas se eu for, já consigo olhar as provas lá na hora, pedir os ajustes necessários, conversar diretamente com o pessoal do laboratório. Acho que assim conseguimos acertar melhor as coisas. — A fotógrafa justificou, acreditando que assim conseguiria convencer Clara.
– Bom, mas se é algo relacionado à próxima exposição, então eu vou com você, afinal eu sou sua assistente, não é?! — A morena insistiu em ir com a namorada, visto que estava desconfiada de que algo estranho estava acontecendo.
Marina deu um sorriso sem graça pra Clara. Estava sem saída. "Como vou convencê-la a ficar??" — refletiu. Precisava pensar em algo rápido.
– Mas você não tem nada pra fazer no estúdio?! — A fotógrafa questionou.
– No estúdio?! Não. Bom, eu estava catalogando as fotos das suas exposições no exterior, mas acho que pode esperar. — Nesta fala Clara deu a deixa que Marina precisava.
– Esperar?! Não meu amor, eu preciso dessas fotos catalogadas o mais rápido possível. — A fotógrafa mentiu, mas era a forma que havia encontrado para despistar a namorada.
– Precisa?! — A morena estranhou.
– Sim, preciso! Porque assim eu posso fazer alguns estudos em cima de trabalhos que já expus, ajudando na construção do estilo da nova exposição que a gente está preparando. Então eu preciso muito disso pronto amor! — Marina tentou ser convincente.
– Bom, se você precisa tanto assim, eu fico. — Clara ficou meio aborrecida quando viu que não teria mesmo como acompanhar a amada. — Já estou quase terminando mesmo, acho que logo te entrego isso pronto.
– Maravilha amor! Nossa, te agradeço demais! — Marina se aproximou e deu um beijo na morena. — Agora eu tenho que ir, antes que eu me atrase, porque marquei hora com o pessoal lá. Logo mais a gente se encontra, tá?! — Tratou de se despedir logo, antes que a assistente viesse com mais especulações.
Com uma interrogação na cabeça, Clara observou a fotógrafa sair. Apesar de todas as explicações, ainda desconfiava que a namorada havia deixado de lhe contar algo. Já Marina, assim que entrou no carro, suspirou de alívio.
– Ufa! Achei que não ia conseguir sair dessa. — Disse para si mesma. — Me perdoa amor, por mentir, mas é por uma boa causa, você vai ver. — Falou, desculpando-se mentalmente com Clara.
Marina chegou na loja e as alianças já estavam prontas, conforme o combinado. Durante todo o trajeto de volta pra casa ficou pensando no que falaria para a morena. Não demorou muito e logo estava novamente em Santa Tereza.
Assim que estacionou o carro e desligou o motor, olhou para sua mão, que já estava com a aliança. Sorriu. Uma felicidade enorme lhe preenchia!
Pegou uma caixinha dentro de uma sacola e abriu. Observou a aliança que daria para Clara.
"Bom Marina, chegou a hora" — pensou. De repente, sentiu seu corpo começar a suar. "Ah, vamos lá sua boba, você já lidou com tanto tipo de situação nessa vida, vai ficar nervosa agora?!" — Refletiu, tentando se acalmar. Porém, logo percebeu que não conseguiria desacelerar seu coração. "Bom, o que você vai fazer?!" — Marina batia os dedos no volante enquanto pensava. — "Tem que ser bonito, romântico. E se você disser: 'Clara, aceita ser minha esposa?!' Hum, será?! Não tá muito a sua cara Marina. Precisa ser mais natural, tudo entre vocês sempre foi tão leve e espontâneo. Quer saber, é isso, vou deixar rolar. Vou dizer que trouxe um presente pra ela, entregar a aliança, falar que já estou usando a minha e ver como ela reage. É isso". A fotógrafa decidiu com segurança. O coração ainda estava acelerado, mas já tinha conseguido conter o suor.
Desceu do carro e foi em direção ao estúdio, onde imaginou que a assistente estaria. Chegando perto da entrada, parou por um instante. Aproximou-se da beiradinha da porta e espiou. A morena trabalhava no computador, sozinha. Estava de costas e não a viu. Marina voltou até o lado de fora. Fechou os olhos, respirou fundo e pensou: "É agora!" Abriu os olhos e entrou confiante para aquele que seria um dos momentos mais marcantes de sua vida.
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