Assim Estava Escrito
1 Primeira noite em Angra
Notas iniciais
Pessoal,Nestes primeiros capítulos, vou sempre indicar a cena anterior e a cena posterior na qual o capítulo se encaixa, ok?! Daí, para quem quiser relembrar, é só dar uma passadinha lá na página da globo vídeos antes e depois de ler.Boa leitura a tod@s!!Cena anterior - Marina pergunta se Clara pensa em mudar de vida (26/02/2014):http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/marina-pergunta-se-clara-pensa-em-mudar-de-vida/3176711/
Estavam deitadas sobre a cama, e Marina segurava a mão de Clara. Era tão macia. Pelo simples contato, a fotógrafa podia sentir todo o calor da assistente. O toque era íntimo o suficiente para deixá-la mais próxima da mulher que havia tomado todos os seus pensamentos desde que a conhecera.
Clara havia fechado os olhos após Marina dizer-lhe para dormirem juntas na cama. Na verdade, isso não a preocupava naquele momento, mas sim o teto girando após as duas garrafas de vinho tomadas com a fotógrafa. Sentia-se leve e sonolenta, e não demorou a adormecer, naquela mesma posição.Marina contemplou-a por mais alguns minutos. "Como a Clara é linda" — ela pensava. Sentia-se mesmo digna de muita sorte por tê-la conhecido na exposição, aquele encontro inesperado e que agora havia se tornado fundamental em sua vida.A fotógrafa observava o rosto de Clara, o contorno de seu nariz, de seus lábios. Estavam parcialmente despidas após tirarem algumas peças de roupa para o desafio da balança. Clara utilizava uma calcinha azul com pequenas estampas em preto. Marina admirava como aquela peça lhe caía bem, acompanhando o contorno de seu belo corpo, deixando seu quadril ainda mais belo e desejado naquele momento. Ah, como era desejado...Após algum tempo segurando a mão de Clara e contemplando a assistente, Marina sentiu que o sono não demoraria a chegar para ela também. Estava acostumada a beber, mas para ela o teto também rodava um pouco, e adormecer seria questão de minutos.Chegou perto de Clara e sussurrou em seu ouvido:– Clarinha, vamos deitar direito na cama — disse com o carinho de quem quer cuidar da pessoa amada.Clara que parecia já ter atingido um sono mais profundo, não respondeu, mas virou-se na cama e ficou de frente para a fotógrafa, respirando bem próximo de sua boca.Marina sabia que a assistente estava dormindo, mas aquela aproximação a pegara de surpresa. Agora sentia de perto a respiração de Clara, e o calor que seu corpo todo emanava. E isso mexeu com ela profundamente. Estar na cama com a morena era algo que sonhara desde o primeiro momento que a viu. E ainda que soubesse que Clara dormia, que naquele momento nada aconteceria, ficou feliz por estar ali junto a ela, pela amizade que estavam construído e por ter Clara em sua vida.Marina levou sua mão esquerda até o rosto de Clara e o acariciou. Seus dedos tocaram a pele macia da assistente, seu nariz, seus lábios. Como desejava ter aqueles lábios junto aos seus. Aproximou-se do rosto de Clara e sentiu a respiração da assistente ainda mais de perto. Estava a poucos centímetros de seus lábios. Parou. Não poderia, não se permitiria. Não assim. Só tocaria aqueles lábios com os seus quando a morena consentisse. Se algum dia ela consentisse. Ainda deitada, afastou-se um pouco, tentando afastar também aquele pensamento que a tomara alguns segundos atrás.Sussurrou novamente para a assistente:– Clarinha, deixa eu te ajudar a deitar direito na cama.Mesmo assim, Clara não respondeu.A fotógrafa então decidiu que tentaria ajeitar a morena sozinha. Levantou-se da cama, e puxou as pernas de Clara para cima da mesma, conseguindo fazê-la girar até ficar na direção dos travesseiros. Depois disso, Marina começou a puxar a roupa de cama, tentando passá-la por baixo da assistente. Ao sentir a colcha pedir passagem, mesmo dormindo, Clara movimentou-se permitindo que Marina passasse com o restante do tecido. Em pé, ao lado esquerdo da cama, a fotógrafa puxou um dos travesseiros e encostou-o próximo à cabeça da assistente.– Ei Clarinha, deita aqui. — sussurrou mais uma vez.Pela primeira vez, a assistente pareceu responder ao chamado da fotógrafa, ajeitando sua cabeça sobre o travesseiro, deitando-se de lado ao virar para a parte externa da cama, voltada para Marina, que permanecia de pé.A fotógrafa então puxou novamente a colcha, cobrindo Clara até a altura de seu abdômen, que instantaneamente respondeu abraçando o tecido.Neste momento, Marina agachou-se ao lado da cama, debruçando seu corpo em parte sobre o colchão, apoiando-se sobre seus cotovelos. Estava de frente para Clara e aproximou-se de seu rosto mais uma vez.Contemplava novamente a feição da morena, que parecia serena, relaxada e tranquila. Levou novamente sua mão esquerda ao rosto de Clara, agora ajeitando a franja que caía sobre seus olhos fechados.Começou a sussurrar em um tom ainda mais baixo:– Ah Clarinha, como você é linda! Você me traz muita alegria, muita paz. Sou muito feliz por ter te encontrado. O que eu estou sentindo por você eu nunca senti na vida, por ninguém. Não conhecia esse sentimento que você causa em mim, mas agora que o conheço, não quero ficar sem ele nunca mais. Nem sem você. Não consigo mais imaginar minha vida sem você. Do seu lado me sinto uma pessoa melhor, mais forte, como se nada no mundo pudesse me abalar. Espero que um dia você saiba o tanto que eu te adoro. E, quem sabe, talvez eu possa ocupar um lugarzinho no seu coração também. Quem sabe...A fotógrafa disse essas últimas palavras contemplativa, ainda acariciando os cabelos da franja de Clara.
Antes de levantar, inclinou-se ainda mais perto da assistente, dando um beijo suave e demorado em seu rosto, prolongando o momento o suficiente para sentir mais uma vez o perfume inconfundível e inebriante de Clara.Aproximou-se de seu ouvido e sussurrou:– Te adoro.Após a declaração, levantou-se e caminhou em direção ao outro lado da cama, onde deitaria.Neste momento, Clara abriu os olhos. Marina não percebeu, mas a morena havia escutado cada palavra que a fotógrafa lhe dissera. Ainda tentando assimilar tudo que tinha ouvido, Clara sentiu quando do outro lado da cama Marina levantou a colcha e ajeitou-se sob a mesma. Sentiu o corpo da fotógrafa aproximar-se do seu, não porque ela lhe tocara, mas pelo calor que o corpo dela lhe transmitia mesmo a uma certa distância. Clara mordeu seu lábio inferior e fechou os olhos.Não sabia o que fazer, mas tinha certeza que qualquer movimento que esboçasse poderia denunciar por quanto tempo estava acordada. E isso talvez afastasse a fotógrafa da posição que naquele momento lhe trazia calma e conforto. O calor do corpo de Marina fazia-lhe bem, ainda que tivesse certa angústia por permitir-se este sentimento.No entanto, não o evitou. Queria permanecer assim, nem que fosse por algumas horas, ou mesmo por alguns minutos, longe de tudo e de todos, naquele lugar que, para ela, parecia um paraíso. Clara sentiu que Marina adormeceu e pouco depois seu sono também estava de volta. Fechou os olhos e dormiu tranquila, no conforto daquele aconchego, que embora novo, lhe trazia muita segurança e paz. Permaneceriam assim até o amanhecer. E pelo menos por uma noite, aquele seria o paraíso delas.
Notas finais
Cena posterior - Marina prepara café da manhã para Clara (27/02/2014):http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/marina-prepara-cafe-da-manha-para-clara/3179619/Capítulo 1 postado em 23 de setembro de 2014.
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