Assim Estava Escrito

9 Marina consola Clara


Notas iniciais
Olá pessoal, Eu ia postar este capítulo junto com o próximo, mas temi que não desse tempo de postar ainda nesta semana, então resolvi deixar desmembrado mesmo, por isso ficou menor. Se der, eu posto o próximo ainda nesta semana. Agradeço a todos que estão acompanhando e favoritando!! Obrigada também pelos comentários, sempre maravilhosos e gratificantes!! Se acharem válido, divulguem a fic entre seus conhecidos do fandom também!! :D Boa leitura a tod@s!! Cena anterior - Cadu enfrenta Marina após terminar o casamento com Clara (11/06/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/cadu-enfrenta-marina-apos-terminar-o-casamento-com-clara/3410662/

A fotógrafa olhou assustada para Clara. Cadu havia demonstrado muito rancor em suas últimas palavras e Marina temia que de fato ele pudesse perder a cabeça.

– Desculpa Marina. Não queria te colocar no meio deste fogo cruzado, desculpa. — A morena não conseguiu segurar as lágrimas.

A fotógrafa levou as duas mãos ao rosto da assistente, confortando-a.

– Você não tem que pedir desculpas Clara. Não tem que assumir a culpa pelas coisas que o Cadu fala. E além do mais, você não me colocou no meio de nada. Eu entrei no meio desta história, eu assumo a minha responsabilidade por isso.

Clara olhou para os lados. Parecia meio perdida, meio desnorteada. Sentiu que precisava sair dali.

– Eu...ehhh...eu preciso ir embora, não consigo ficar mais aqui. Preciso lembrar onde deixei a chave do carro. — A morena falou para si mesma, franzindo a testa em sinal de interrogação, enquanto movia-se aflita para logo deixar o Galpão.

– Clara, você não está em condições de dirigir. Deixa eu te levar, por favor.

A morena deu um suspiro profundo.

– Tá bom. Eu te espero lá fora, pode ser?! Se o Cadu nos vir saindo juntas vai ser grosseiro com você novamente, e eu não vou aguentar ver ele te desrespeitando mais.

– Tudo bem, a gente se encontra lá fora. Sei que é difícil, mas tenta ficar calma. — Marina segurava as mãos de Clara carinhosamente. — Eu só vou pegar as minhas coisas lá na sala e te encontro no estacionamento. Me espera hein?!

Marina se afastou e foi buscar o restante de seu material das aulas de fotografia. Passou pelo bistrô, mas felizmente não encontrou o chef. Talvez ele estivesse na cozinha ou no depósito do restaurante.

A fotógrafa voltou rápido e logo chegou em seu carro, onde a morena a esperava. O choro de Clara havia cessado um pouco, mas seu olhar permanecia distante. Entraram no veículo e partiram para o Leblon.

Foram em silêncio durante todo o caminho. Passavam pela praia, não muito longe do apartamento de Clara, quando a assistente pediu para Marina:

– Será que você me deixa aqui?! Eu preciso dar um tempo antes de chegar em casa, não quero que o Ivan me veja assim.

– Tá bom, deixo sim. — Marina respondeu, e logo encontrou um lugar para parar o carro.

A morena desceu. A fotógrafa ficou alguns instantes parada, imaginou que Clara quisesse ficar sozinha. Mas logo a assistente se voltou para o carro e pediu olhando para ela:

– Me faz companhia?! — Tinha um olhar carente.

– Claro! — Marina deu um breve sorriso, surpresa com o convite. Tirou o cinto rapidamente e logo se pôs a caminhar com a assistente na direção da praia.

Andaram pela areia por aproximadamente meia hora. Permaneceram em silêncio. Mas mesmo na ausência de palavras, Clara sentia conforto na companhia da fotógrafa, daquela mulher com a qual tinha passado a ter verdadeira cumplicidade desde que se conheceram, tanto nos momentos mais alegres quanto nos momentos mais difíceis que viveu. Marina havia se tornado seu porto seguro, seu norte. E só por estar ali ao lado dela, Clara sentia que teria forças para recomeçar.

A morena parou e sentou-se na areia. Os olhos tinham a direção do oceano, mas o olhar estava longe. Marina acomodou-se do seu lado.

Depois de mais alguns minutos em silêncio, Clara finalmente permitiu que saíssem as palavras que estavam lhe deixando engasgada:

– Sabe Marina, eu tentei fazer o que eu achava que era certo. Tentei controlar meus pensamentos, minha vontade, meu desejo, porque achei que era uma forma de preservar as pessoas ao meu redor. — A morena mantinha seus olhos no mar. — Achei que assim eu não magoaria as pessoas. E olha o que eu consegui?!? Consegui magoá-las ainda mais. Magoei o Cadu, magoei o Ivan, magoei você, e magoei a mim mesma. — As lágrimas voltaram a descer sem controle.

– Não faz isso Clara. Não se culpa assim. Você não pode assumir a responsabilidade pela felicidade de todo mundo. — A fotógrafa voltou-se para Clara, que passou a olhá-la nos olhos.

– Mas eu privei a minha felicidade e acabei privando também a de todo mundo ao meu redor. Eu insisti no meu casamento, sabendo que eu não estava feliz, e não conseguia deixar o Cadu feliz também. Fiz o Ivan sofrer, por presenciar as nossas brigas constantes e o clima ruim que ficou lá em casa. E fiz você sofrer, Marina. — Levou a mão até o rosto da fotógrafa. — Eu sei que fiz. Porque eu nos privei de viver tudo isso que a gente tá sentindo, tudo que os nossos corações e o nosso desejo estão pedindo pra viver... — As lágrimas da morena, que desciam sem cessar, agora eram enxugadas pelas mãos de Marina.

Clara continuou:

– E isso me fez sofrer muito também... porque eu me apaixonei por você Marina. Eu me apaixonei desde a primeira vez que eu te vi, naquele dia, na sua exposição. Mas eu demorei muito tempo pra me permitir sentir essa paixão. Primeiro porque eu não queria acreditar nela. E depois, porque eu queria escondê-la, guardá-la, deixá-la sem espaço aqui dentro. — Apontou para seu coração. — Mas esse sentimento foi mais forte do que eu, Marina. Eu tentei fingir que ele não existia, tentei escondê-lo, mas ele foi muito forte. Ele me mostrou o que eu queria de verdade. Quem eu queria de verdade. E é você que eu quero Marina. É você que eu amo. — As lágrimas da fotógrafa agora também desciam sem pedir licença. — É em você que eu penso todos os dias quando eu acordo, é de você que eu lembro quando vejo algo bonito que eu gostaria de compartilhar, e é você que está nos meus pensamentos até a hora em que eu vou dormir. Até nos meus sonhos você está sempre comigo Marina. — Clara sorriu. — Eu te amo e eu te desejo todos os dias. Cada dia mais.

Mesmo em meio às lágrimas, Marina sorriu. Também havia se apaixonado por Clara à primeira vista, e sentir a reciprocidade do sentimento da morena era simplesmente a realização de um sonho. Queria abraçar e beijar a assistente ali mesmo, no meio da praia, na frente de todos. Mas sentiu que não era o momento, nem o lugar. A separação era uma realidade recente na vida de Clara, e Marina queria respeitar isso. Pegou as mãos da morena e as levou até seus lábios, beijando-as com carinho. Olhou para a assistente e disse sorrindo:

– Eu também te amo e te desejo todos os dias Clara. Muito. Você é o amor da minha vida. Você despertou em mim um sentimento que eu nunca havia sentido por ninguém. Com você eu aprendi o que é o amor verdadeiro, o que é acordar e dormir todos os dias querendo a mesma pessoa. O meu amor por você é pleno e definitivo!

Ainda com os olhos marejados, a morena sorriu. Retribuiu o gesto de Marina e beijou delicadamente as mãos da fotógrafa. Trocaram um olhar de cumplicidade. Naquele momento tinham declarado seus sentimentos da forma mais pura e verdadeira, e percebiam a força e o conforto que as palavras traziam a cada uma. Seus braços se envolveram e abraçaram-se com firmeza. Uma podia sentir o calor do corpo da outra, e na força daquele abraço estava o amor que tinham acabado de expressar em palavras.

Ficaram alguns minutos naquela posição. Ao se soltarem, Clara deu um beijo carinhoso na testa de Marina. Cruzaram seus olhares mais uma vez.

– Preciso ir agora. — Clara disse.

– Eu sei. — Marina respondeu.

Levantaram-se e caminharam até o carro da fotógrafa. Marina já estava entrando no veículo quando Clara a abordou.

– Marina, daqui eu vou à pé, acho mais prudente. Tá pertinho de casa, e prefiro evitar a possibilidade de um novo encontro seu com o Cadu hoje, vai ser melhor assim.

– Tem certeza?!

– Tenho sim. Você já fez muito, me trouxe até aqui, me ouviu, me emprestou seu ombro. Muito obrigada! — A morena terminou com um sorriso.

– Não precisa agradecer Clarinha! Estarei aqui sempre que precisar. Você tá melhor?!

– Vou ficar! — A assistente olhou confiante para a fotógrafa. — Ehhh, eu queria te pedir um negócio. Sei que não tenho o direito de te pedir isso, que você já foi muito tolerante comigo, já me deu todo o tempo do mundo, mas... — Marina a olhava atentamente. — É que parece que passou um furacão na minha vida, e eu sinto que preciso colocar as coisas no lugar antes de seguir em frente. Sei que é injusto que eu te peça isso mais uma vez, mas será que você me espera, só mais um pouco?! — Clara falou e abaixou os olhos. Temia uma reação negativa da fotógrafa, afinal, ela já tinha lhe esperado até demais.

Marina levou sua mão ao queixo de Clara e levantou sua cabeça. Olharam-se nos olhos.

– Eu te espero o tempo que for Clara! Você é o amor da minha vida, lembra?! — A assistente sorriu. — Tome o tempo que precisar. Sei que já tem muitas coisas em sua cabeça agora. Não quero que se sinta pressionada por mim. Quando você se sentir pronta, estarei te esperando, tá?! E lembre-se: tô aqui pra você! Mas queria te pedir uma coisa: não se cobra tanto! Você sempre foi uma ótima esposa, uma mãe maravilhosa, se dedicou ao máximo à sua família. Não se esqueça disso. As coisas nem sempre caminham do jeito que a gente planeja, mas tenha certeza de que você deu o seu melhor. Vai ficar tudo bem, viu?! — Confortou-lhe Marina.

– Obrigada! — Clara sorriu emocionada. — Te amo! — Completou com um sussurro meio rouco.

– Também te amo! Muito!

Abraçaram-se mais uma vez e se despediram. A fotógrafa entrou no carro e rumou para Santa Teresa, enquanto a assistente seguiu à pé para casa. Ainda naquele dia Clara voltaria à praia, só que sozinha. Queria organizar as ideias, pensar nos próximos passos, nos rumos que sua vida estava tomando, e sonhar em como seria sua vida ao lado da fotógrafa que havia preenchido seus pensamentos e seu coração.

Notas finais
Cena posterior - Chica, Clara e Helena conversam sobre suas vidas (12/06/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/chica-clara-e-helena-conversam-sobre-suas-vidas/3414560/ No comentário ao capítulo 6, a Mah Lira expôs que gostaria de ver uma cena em que a Clara se declarasse pessoalmente para a Marina, ao invés da declaração que a assistente fez pelo e-mail quando se separou. Bom, estamos considerando a existência do e-mail, mas pelo menos aqui elas tiveram a oportunidade de conversar antes dele, e puderam se declarar olhando nos olhos, blz Mah?! Agradeço pela sugestão! Bjs Até breve! Comentem à vontade! Twitter: @marcellasfr :D Spoilerzinho do próximo capítulo: Clara se divorcia e... Capítulo 9 postado em 12 de novembro de 2014.