Assim Estava Escrito

10 Clara procura Marina


Notas iniciais
Olá pessoal, Lamento não conseguir postar antes, mas saibam que estou sempre aqui!! Às vezes meu ritmo de escrita não consegue acompanhar todas as ideias que tenho para a fic, mas estou sempre pensando nela e em vocês, nos comentários e sugestões que todos postam!! Agradeço demais por tudo que escreveram após o último capítulo, vejo que cada vez mais temos pessoas acompanhando e comentando a fic, e isso tem sido muito gratificante!! Dedico este capítulo à Julia28, que escreveu a segunda recomendação da fic!! Julia, já lhe disse por mensagem direta e repito: sou muito grata por suas palavras!! Significam muito pra mim!! Valeu demais moça!! Vou comentar um pouco mais nas notas finais!! Boa leitura a tod@s!! Cena anterior - Cadu sai de casa (12/06/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/cadu-sai-de-casa/3414559/

Cadu havia deixado o apartamento em que morava com a esposa e o filho. Apesar da discussão que tiveram no Galpão, ele e Clara tentaram fazer com que sua saída fosse a mais serena possível, na esperança de amenizar a tristeza do pequeno Ivan.

Naquela noite, ao deitar em sua cama, a morena tinha a companhia do filho. Teve uma sensação estranha com a ausência de Cadu, afinal, foram muitos anos de casamento, e já estava acostumada à presença do chef, que se tornara um grande companheiro. Mas percebeu também que sentia falta exatamente disso, do amigo, não do marido. Seu coração agora batia por outra pessoa. Quando fechou os olhos, preparando-se para dormir, seu pensamento voou para Santa Teresa. A imagem da fotógrafa veio à sua mente e acompanhou seu sono, que não demorou a vir.

No dia seguinte, Clara acordou cedo para preparar o café para o filho, que logo iria para a aula. Sem o trabalho no estúdio, e agora que havia parado de ajudar o chef no bistrô, Clara decidiu que nos próximos dias concentraria toda a sua atenção no filho e em facilitar sua adaptação à nova rotina que teriam em casa. Durante o café, combinou com o menino que o levaria para andar de bicicleta na praia quando voltasse da aula, e o semblante triste do garoto deu lugar a uma expressão um pouquinho mais animada.

Após deixar Ivan na escola, Clara voltou a seu apartamento e viu-se sozinha ali pela primeira vez desde a saída de Cadu. Ficou a observar todos os espaços da casa, e pensou em como recentemente o clima estava pesado por ali. Lembrou-se das constantes discussões com o chef, e o peso que carregava por conviver com o marido desejando estar com outra pessoa. Nos últimos tempos, Clara havia sentido a enorme angústia que era manter seu casamento enquanto tentava inutilmente não demonstrar o amor que sentia por Marina. Sufocava-lhe ter que guardar este sentimento apenas para si.

Mas agora não. Sentada em seu sofá, fechou os olhos e sentiu-se leve pela primeira vez em muito tempo. Não precisava fingir, não precisava se esconder, poderia ser ela mesma. Poderia finalmente ser a Clara que por tanto tempo se escondeu dentro dela, e que agora gritava para sair. E era nesses pensamentos que estava imersa quando a campainha tocou e a morena foi chamada novamente à realidade.

Definitivamente ainda tinha algumas questões a resolver antes que pudesse dar seus próximos passos. E quando abriu a porta de seu apartamento, Nando lhe trazia uma destas questões.

– Ei Clara, tudo bom?! Como estão as coisas por aqui?!

– Tudo bem Nando, vai ficar tudo bem. — Respondeu-lhe a morena com tranquilidade.

A assistente convidou o tio para entrar e eles se acomodaram no sofá da sala.

– Então Clara, eu conversei com o Cadu, ele me ligou, falou que tinha ido para um hotel, que vocês estavam se separando. Pediu para que eu viesse conversar com você para tratarmos dos trâmites do divórcio. Vocês têm certeza disso Clara?! É pra valer?!

– É sim Nando. É pra valer, e é definitivo. Você sabe que há muito tempo não estávamos bem. Não foi algo de agora, né?! Há tempos vínhamos percebendo que não dava pra continuar, e insistir nisso só acabou nos magoando mais, e machucando o Ivan também. É claro que agora o bichinho tá triste, sentindo falta do pai aqui, mas aos poucos ele vai perceber que a relação de todos nós vai melhorar muito. E eu e o Cadu combinamos de fazer o divórcio da forma mais amigável possível, para evitar que o Ivan sofra mais ainda.

– Pois é, ele me disse isso também. Por isso acho que vai ser muito tranquilo Clara. Vou dar entrada nos papéis pra vocês. Logo eu volto para pegar a sua assinatura e a do Cadu, e creio que em alguns dias teremos isso pronto.

– Obrigada Nando! Te agradeço muito por nos ajudar com isso.

– Que isso Clara! Por mais que me dê tristeza preparar o divórcio de vocês, o que eu mais quero é vê-los felizes. Vocês e o Ivan! E no que eu puder ajudar, estarei à disposição!

Clara sorriu e deu um abraço no tio, que se despediu e partiu para seu escritório.

A morena foi então cuidar de alguns afazeres de casa. Naquele dia, Ivan só saiu da escola à tarde, e conforme combinado, Clara o levou à praia para um passeio. O menino se distraiu andando de bicicleta. Aproveitou um bocado, divertiu-se e conseguiu sorrir. E ver o filho sorrindo deu a Clara a certeza de que ficariam bem.

Quando voltaram pra casa, o menino foi tomar banho enquanto Clara preparava o jantar. Após colocar o filho para dormir, a morena foi para seu quarto e novamente seus pensamentos retornaram para Santa Teresa. Ligou seu computador e um sorriso tomou conta de seus lábios ao ver que tinha recebido um e-mail de Marina, no qual ela respondia o que a assistente havia lhe escrito:

"Oi Clara,

Acho que já devo ter lido seu e-mail aqui umas 50 vezes...rsrsrs

É sério, as palavras que você me disse na praia e no e-mail não saíram mais da minha cabeça. Fico muito feliz em vê-la disposta a assumir seus sentimentos, seus desejos.

Você falou em mudar, deixar coisas para trás, e eu devo te confessar que desde que te conheci eu mudei muito também. Já ouvi Vanessa me chamando várias vezes de volúvel, e no fundo acho que eu era mesmo. Mas não mais. Desde o dia que te encontrei na minha exposição, eu sei o que eu quero, sei o que vai me fazer feliz, e sei que isso é definitivo na minha vida.

Antes eu achava que as relações poderiam ser passageiras, que a gente poderia trocar de parceiro como quem troca de roupa, que não deveria existir exclusivismo, ciúme. E, de repente, um dia me vi sentindo ciúmes de você. E percebi que eu queria estar só com você, mais ninguém. Mas também descobri que isso não é exclusivismo. Descobri que isso é amor. É querer estar somente com uma pessoa, aquela pessoa que faz seu coração bater mais forte, que te deixa ofegante, que não sai do seu pensamento em nenhum momento do dia. E você é esta pessoa pra mim, Clara.

Não quero te pressionar, sei que esse tempo é importante pra você, pra nós. Vou te esperar o tempo que for.

Estou aqui pra você, não se esqueça disso! Afinal, 'sem amor, nada vale a pena', não é?!

Beijos com saudades!

Marina"

Os olhos de Clara se encheram de lágrimas. Algumas a morena não conseguiu segurar. Ao mesmo tempo, sorria e pensava no quanto era feliz por ter a fotógrafa em sua vida, e como aquele convite para a exposição de Marina tinha mudado tudo. Há alguns meses nem conhecia a fotógrafa, não se via separada, nem se apaixonando por outra pessoa, muito menos uma mulher. E agora, Marina parecia-lhe tão imprescindível quanto o ar que respirava. Saber que em breve a encontraria e poderiam viver uma nova história juntas era sua motivação para superar tudo que estava vivendo. Era o que lhe dava força e incentivo para continuar.

A ansiedade de ver e estar com a fotógrafa era grande, mas Clara teria que controlar suas expectativas um pouco mais. Agora precisava se concentrar no filho, em se mostrar presente, confortá-lo neste momento difícil que ele vivia com a separação dos pais.

A espera das duas tinha sido muito grande e quando procurasse Marina, Clara queria que fosse pra valer, que fosse em definitivo, e queria estar preparada para mergulhar fundo na relação.

A morena releu o e-mail diversas vezes, e antes de dormir, seu pensamento foi longe, e viajou pensando em Marina. Em Santa Teresa, da mesma forma, a fotógrafa foi deitar após repassar as palavras de Clara em sua mente. Não precisava mais reler o e-mail, pois já tinha decorado cada palavra dele. E aquele seria o último contato que teriam durante algumas semanas.

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Por mais que seu pensamento sempre voltasse a Marina, Clara tentava retomar sua rotina com Ivan, cercando o filho de carinho e atenção. Por sua vez, Marina também buscava focar-se no estúdio, cumprindo alguns compromissos marcados por Vanessa, e planejando como seria a rotina de trabalhos a partir da sociedade com Branca. Mas, por diversas vezes, a fotógrafa ficava parada e com o olhar distante, bem longe do estúdio. Vanessa percebia que a sócia estava pensando em Clara, mas teve o bom senso de não provocá-la mais falando da morena, pois tinha notado também que o semblante de Marina ficou mais triste com o passar dos dias. A fotógrafa havia prometido a si mesma que daria a Clara o tempo que ela precisasse. Mas tinha que admitir que a espera pela morena já estava a deixando angustiada. Não queria ligar ou escrever para a assistente, para não parecer que estivesse pressionando, mas a verdade é que Marina não conseguia mais disfarçar sua ansiedade. Apesar de todas as declarações que tinha ouvido da morena, temia que Clara pudesse recuar, que tivesse medo de se arriscar nessa nova relação. E era esse medo que a cada dia deixava Marina mais quieta e entristecida.

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Alguns dias depois da primeira conversa que tiveram, Nando voltou ao apartamento de Clara com os papéis do divórcio, onde estava descrito tudo que a assistente e o chef tinham combinado após a separação. Cadu já havia assinado o acordo, e logo após a assinatura da morena, Nando levou toda a documentação para o fórum, para que o juiz homologasse o divórcio. Como era uma separação consensual, não demorou a tramitar. Uma semana depois disso, Clara e Cadu estavam oficialmente divorciados.

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Era uma sexta-feira, e Marina estava no estúdio olhando algumas fotografias de trabalhos que já havia realizado. Pegava foto por foto e passava alguns bons minutos contemplando cada uma. O olhar às vezes parecia distante, ia para longe daquele lugar.

Vanessa observava em silêncio o jeito introspectivo da fotógrafa. A ruiva e Flavinha haviam combinado de passar o final de semana em um chalé com amigos na região serrana do Rio, e optaram por sair naquela sexta pouco depois do almoço, para evitarem deixar a cidade no horário de pico do trânsito. Organizavam algumas coisas no estúdio antes de pegarem estrada, quando Vanessa resolveu insistir com a fotógrafa mais uma vez:

– Ei Marina, vamos com a gente, vai ser bom pra você! Tá precisando sair daqui um pouco, se distrair, ver gente diferente, uma paisagem diferente. — A ruiva falava tentando animar a sócia. — Tem três semanas que você só sai de casa para dar suas aulas no Galpão, e volta logo em seguida. Vamos com a gente Marina!! Você precisa se movimentar, sair dessa!!

– Ah Vanessinha, não tô a fim, não tô no clima. Agradeço o convite, mas deixa pra próxima!

Nesse momento, depois de ter se segurado bastante, a ruiva não conseguiu se conter:

– Pelo amor de Deus Marina, você tem que desapegar disso, já não era pra ela estar aqui com você?!

– Vanessa, a gente já falou sobre isso, a Clara tá no tempo dela. — Marina fazia questão de repetir em voz alta tudo que já havia falado para a sócia, pois era uma forma dela mesma acreditar que a morena apareceria a qualquer hora. — Eu fui paciente por tantos meses, não é agora que será diferente. E vai ser melhor eu ficar sozinha aqui, não tô uma boa companhia. Além do mais, quero organizar umas fotos, estou tentando pesquisar algumas referências a partir de antigos trabalhos meus.

– Tá bom, tá bom, não vou insistir mais. Você quem sabe! — A ruiva desistiu de argumentar. Olhou para a quase namorada, que tinha acabado de trazer a bolsa que levariam na viagem. — Vamos Flavinha?! Marina não vai mesmo, já insisti, mas nada feito.

– Vamos sim Van! — A assistente olhou para a chefe. — Uma pena que você não vai Marina! Qualquer coisa que precisar, liga pra gente, ta?! E segunda cedo estaremos de volta!

– Tá bom Flavinha!! Não se preocupem comigo, tá tudo bem!! Aproveitem muito lá!!

Se despediram e o jovem casal partiu em viagem, deixando a fotógrafa só e imersa em seus pensamentos.

Naquele mesmo dia, Clara foi resolver algumas coisas na rua após deixar Ivan na escola. A aula do bichinho só terminaria no final da tarde, quando a morena o levaria de volta para casa e organizaria a mochila para que o filho passasse o final de semana com Cadu, que ficou de buscá-lo no apartamento por volta das 19h.

Depois do almoço, a assistente resolveu passar na casa de Helena. Estava bastante ansiosa e decidiu procurar o ouvido sempre atencioso da irmã. Chegou ao apartamento da outra e a encontrou quase terminando de almoçar.

– Ei irmã, chegou só um pouquinho atrasada, mas senta aqui pra almoçar comigo. — Convidou Helena, que nesse dia estava sozinha à mesa. — Se eu soubesse que ia passar aqui tinha te esperado.

– Ah irmã, agradeço o convite, mas já almocei hoje. Tava precisando falar com você...

– O que aconteceu Clara?! Tá tudo bem com você?!

– Ehhh, mais ou menos irmã. Será que a gente podia conversar lá no quarto um pouco?!

– Podemos sim! Eu já estava terminando aqui mesmo, vamos lá.

Entraram no quarto de Helena, e sentaram-se à cama.

Se olharam. A mais velha percebeu a aflição no olhar da morena.

– Como que você tá agora que o divórcio saiu?! Você e o Ivan estão bem?!

– Estamos sim irmã! No início foi um pouco difícil, mas aos poucos meu bichinho está aprendendo a conviver com a ideia dos pais morarem em casas separadas. Nessas últimas semanas tentei acompanhar o Ivan bem de perto, cercá-lo de carinho e atenção, e acho que consegui acalmar um pouco o coração do meu filhote.

– Então o que está te deixando aflita assim, mana?! Tô vendo no seu olhar o tanto que você está inquieta... — Helena olhou nos olhos da morena. — E a sua história com a Marina? — Perguntou, esboçando um sorriso.

– Não tem história com a Marina, irmã... — A assistente falou cabisbaixa.

– Como assim não tem história, Clara?!

– Não tem ué. A gente não se viu mais depois que o Cadu saiu de casa. Pedi a ela que me esperasse, pois eu precisava colocar minha vida no lugar, precisava de um tempo só pra mim e meu bichinho também.

– Tá certo Clara, isso eu entendi. Mas já passaram algumas semanas, o Ivan aos poucos está se adaptando, o divórcio já saiu... Por que você ainda não foi procurá-la então?!

– Ah irmã, por essas coisas, o divórcio ainda tá recente... e também não posso apressar as coisas com o Ivan...

– Clara, quem é que está contando há quanto tempo você se divorciou?! Pára com isso irmã! Não existe uma regra que determine quantos dias depois do divórcio você tem que esperar pra iniciar um novo relacionamento. Eu não acredito que você está preocupada com isso...

– Mas é que... — Clara tentou protestar, mas foi interrompida por Helena.

– E quanto ao Ivan, pra ele ter qualquer situação nova para se adaptar, você tem que viver essa história nova. Ou você vai ficar esperando ele se adaptar a algo que nem existe?! — Leninha tinha um olhar questionador para Clara. — O que foi minha irmã? Numa boa, o que está te travando? Você ama a Marina, não ama?!

– Claro que amo! — A morena respondeu de pronto. — Amo muito.

– Então Clara! Não vejo o por quê deste receio. Só se você estiver com medo de não gostar dessa nova experiência...

– Irmã, tudo que eu já senti pela Marina, todas as reações que ela já me provocou, me dão certeza de que eu vou gostar dessa experiência!! — Clara sorriu, estava um pouco sem graça por falar isso perto de Helena. — Mas eu tenho medo de decepcioná-la, de não me sair bem, sabe?! Eu nunca estive com outra mulher...

– Bom Clara, experiência com mulher eu não tenho, não posso dividir isso com você. Mas de tudo que a gente já conversou, tudo que eu já percebi entre vocês, sei que você tem muito amor e muito desejo pela Marina. E você é uma mulher muito sensível, experiente, certamente sabe perceber o que pessoa que está com você está sentindo, o que a agrada, o que dá prazer a ela. — Clara ouvia a irmã com atenção. — Início de relacionamento é assim mesmo Clara, independente do sexo das pessoas envolvidas. É uma fase de descobertas, de perceber o que o outro gosta, o que agrada mais, o que deixa a pessoa louca. — Helena riu. — E isso também é gostoso, faz parte da conquista, da sedução, da criação dessa relação de intimidade entre o casal.

Helena olhou para Clara, que tinha o semblante um pouco mais tranquilo. A morena esboçou um sorriso, começou a imaginar como seria estar com a fotógrafa, e um friozinho preencheu sua barriga.

– Não queria que as pessoas ficassem pensando que eu só esperei o Cadu dar as costas para sair correndo atrás de outra pessoa... — Clara desabafou um pouco cabisbaixa novamente.

– Quem vai pensar isso, Clara?! E se pensar, você tá ligando pra isso?! Eu não estou te entendendo, até eu que muitas vezes sou mais retraída não vejo razão neste seu receio. Você quer fazer o quê?! Quer esperar 20 anos pra ser feliz, que nem a nossa mãe fez?!

A menção da história de Dona Chica mexeu com Clara. Ela sabia o quanto a mãe tinha sido infeliz nos últimos anos de casamento, e o tanto que esperou para se permitir procurar a felicidade com outra pessoa novamente.

– Eu sei que a Marina tem adoração por você, Clara. Mas ela é jovem, linda de morrer, ela não vai ficar a vida inteira te esperando não. Você vai esperar ela te esquecer?! Vai esperar ela se envolver com outra pessoa pra perceber o que está perdendo?!

– Não, claro que não. — Clara respondeu rapidamente, tentando afastar a ideia de perder a fotógrafa para um outro alguém.

– Então tá esperando o quê Clara?! Vai atrás dela!

Clara abriu um enorme sorriso e abraçou Helena.

– Obrigada irmã! Por tudo! Eu vou lá sim! E vou já!

– Ah, agora sim, a Clara que eu queria ver, decidida, dona de sua própria história! Vai lá então!

Clara saiu rapidamente. Voltou, pegou sua bolsa que havia deixado sobre a cama, deu um beijo no rosto da mais velha e saiu correndo de novo.

Leninha ainda teve tempo de gritar para a irmã que deixava o apartamento apressada:

– E depois eu quero saber de tudo hein?! — Helena riu por pedir os detalhes do encontro para a outra.

Assim que chegou ao corredor, Clara cruzou com Juliana, que saia do elevador, no qual a morena entrou voando.

– Que é isso Clara?! Onde você está indo com essa pressa toda?! — Interrogou a tia.

Já dentro do elevador, a assistente respondeu:

– Eu vou buscar a minha felicidade, Jú! E ela está em Santa Teresa! — Abriu um sorriso, pouco antes do elevador se fechar.

No caminho até o carro, Clara telefonou para o celular de Gisele, que não demorou a atender.

– Ei Gi, tudo bom?!

– Oi Clarinha, há quanto tempo! Como você está?!

– Eu tô bem Gi! Precisava saber uma coisa. — A morena tinha urgência em ter notícias da fotógrafa. — A Marina está no estúdio agora?!

– Bom, eu acho que está sim Clara! Na verdade eu não estou no estúdio neste momento, porque tinha um seminário na faculdade agora à tarde, então só fiquei no trabalho até a hora do almoço. Mas quando eu saí ela estava lá sim, e hoje ela não tem aula no Galpão, então ia ficar por lá mesmo. Ah não ser que a Vanessa tenha convencido a Marina a ir na viagem que ela e Flavinha vão fazer neste final de semana, pra região serrana do Rio. Mas do jeito que minha prima tava resistente ao convite, acho que ela ficou por aqui mesmo. E deve estar sozinha porque a Flavinha e a Van iam viajar agora à tarde também. — A morena sorriu com a possibilidade de encontrar Marina a sós. — Mas por que a pergunta Clarinha?

– Porque eu preciso vê-la Gi! Preciso falar umas coisas com ela!

Gisele percebeu que era chegada a hora do encontro que Marina esperava há semanas, e não conseguiu se conter.

– Que bom Clarinha! Fico feliz! Tenho certeza que a Marina vai adorar te reencontrar!

– Tomara Gi! Bom, eu vou indo, mas logo a gente se fala, tá?!

– Tá bom Clarinha! Vai lá! Beijão!

– Beijo Gi! Obrigada!

Clara pegou o carro e se dirigiu para Santa Teresa. A distância era a mesma de sempre, mas nesse dia o antigo trabalho nunca pareceu tão longe. Sentia um enorme frio na barriga, e durante todo o caminho foi torcendo para que a fotógrafa de fato estivesse lá.

No estúdio Marina ainda remexia nas fotos de alguns antigos trabalhos quando encontrou o celular de Vanessa. Pensou alto:

– Vanessinha tá mais no mundo da lua do que eu. Bom, mas quem sabe assim ela aproveita as árvores um pouco, ao invés de ficar o tempo toda grudada nesse celular. — Marina sorriu.

Continuou a buscar por mais algumas imagens quando encontrou uma das provas fotográficas do ensaio que tinha feito de Clara.

Ficou um tempo olhando para a foto da morena.

Clara chegou à entrada da mansão e teve um alívio quando o vigia lhe confirmou que Marina estava lá. E sozinha!

Parou seu carro no estacionamento. Desceu do veículo e caminhou rapidamente até o estúdio.

Marina ainda contemplava a foto da assistente quando pensou alto mais uma vez:

– Ah Clarinha, tô achando que você se esqueceu de mim, hein?!

– Impossível te esquecer Marina! — A fotógrafa perdeu a respiração ao ouvir a voz da morena que fazia seu coração bater mais forte.

Notas finais
Pessoal, Sobre o primeiro beijo e a primeira vez delas: "Acreditem em mim. Eu quero, tanto quanto vocês. Eu quero!" Mas era importante colocarmos esse tempo que a Clara teve antes de procurar a Marina. Afinal, na cena indicada no capítulo anterior (Chica, Clara e Helena conversam sobre suas vidas (12/06/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/chica-clara-e-helena-conversam-sobre-suas-vidas/3414560/), tanto a Clara quanto a Marina falam de tempo. A Clara no e-mail ("Esse tempo tem sido muito bom, pra entender quem eu sou, de verdade..."), e a Marina na conversa com a Vanessa ("Ela tá num momento de mudança, tá se descobrindo..."). Elas dão indicações de que haveria um tempo antes de se reencontrarem, por isso tinha que ter este capítulo aqui. Mas não deixem de comentar, nem que seja pra me xingar, viu?! Enquanto eu estava escrevendo este capítulo a Creupires sugeriu nos comentários que tivesse uma conversa da Clara com a Helena em que a mais nova falasse de sua ansiedade em relação à 'primeira vez' com a fotógrafa. Tentei colocar um pouco disso na conversa delas Creu, espero que tenha contemplado! Agradeço a sugestão! :D Aqui não tem indicação de cena posterior, pois nos próximos capítulos tentaremos preencher a enorme lacuna deixada pela passagem de tempo que ocorreu na novela e que nos impediu de ver o início do relacionamento Clarina. Já fiz uma previsão de alguns capítulos para preencher esse período (inclusive possivelmente o da lingerie), mas quem quiser pode sugerir mais situações para mostrarmos nesse período até voltarmos à primeira cena delas juntas que a novela exibiu. Tô escrevendo muito aqui porque sei que no próximo capítulo ninguém vai querer nem ler minhas notas...rsrsrsrs Bem, pra fechar, queria deixar uma indicação de vídeo Clarina pra vocês. Infelizmente não sei o autor desse vídeo para poder dar os devidos créditos. Me encantei desde a primeira vez que o vi, e baixei para o meu computador, felizmente, porque depois o vídeo foi excluído do youtube. Mas o compartilho aqui com vocês, pois acho que ele sintetiza bem toda a intensidade de Clarina, e como esse amor foi mais forte que tudo. Feito nos primeiros meses da novela, esse vídeo mostra como esse casal foi cativante, e, a meu ver, justifica porque estamos aqui ainda falando e repercutindo o romance delas mesmo após o fim da novela. Melhor shipp da vida!! Espero que curtam e se inspirem para o que está por vir: http://www.mediafire.com/watch/ted64xk7dqvcp62/Clara__Marina_Everything~1.avi Até breve! Comentem à vontade! Twitter: @marcellasfr :D Precisa de spoiler?? Capítulo 10 postado em 22 de novembro de 2014.