Notas iniciais
Olá pessoal, Segue neste capítulo um momento ao final da festa de aniversário da Gisele. Agradeço muito a todos que continuam comentando, e mesmo aos que não comentam, mas que sei que estão acompanhando a fic! Valeu demais! Neste capítulo seria o aniversário da Gisele, então aproveito para dedicá-lo à Marluce, a verdadeira aniversariante do dia, que sempre acompanha e divulga a fic lá no twitter, a quem sou muito grata. Boa leitura a tod@s!! Cena anterior - Branca cria saia justa durante festa de Giselle (29/05/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/branca-cria-saia-justa-durante-festa-de-giselle/3382040/

A festa de aniversário da Gisele estava chegando ao fim, e muitos convidados já haviam ido pra casa. Mas Clara e Marina ainda não tinham ido embora. Não queriam. Sabiam que não poderiam esticar a noite, então tentaram pelo menos ficar juntas o máximo de tempo possível.

– Bom, o DJ já anunciou que essa é a saideira, então deixa eu ir ao banheiro logo, porque sei que assim que a música acabar, Dona Chica já vai querer me chamar pra ir embora, e se eu não for lá agora, vou ter que voltar apertada até o Leblon. — Clara falou rindo. — Você me espera aqui?! — Disse para Marina, que respondeu sinalizando positivamente com a cabeça.

A fotógrafa observou a morena se distanciar e sorriu, com uma cara de criança sapeca que está prestes a aprontar algo. Marina olhou para os lados, e percebendo a distração dos convidados que ainda ali permaneciam, também deixou o salão principal na direção que a assistente tinha tomado.

Clara seguiu pelo longo corredor que dava até o banheiro. Andava observando a extensão daquele caminho, e as diversas portas que davam para ele, todas fechadas. Eram portas duplas bem altas, com contornos delicados esculpidos por toda sua extensão. Era uma casa bonita,e embora ficasse normalmente muito vazia, naquele dia em espacial a mansão estava cheia de vida e alegria pela grande movimentação de pessoas na festa. No entanto, naquela altura da noite, a residência de Branca já voltava a ficar vazia novamente, e Clara não encontrou ninguém em seu breve percurso.

Alguns minutos depois, quando saiu do banheiro, notou que a música já havia parado. Voltou pelo mesmo caminho, agora deserto e silencioso, quando percebeu uma das portas do corredor se abrir. Antes que pudesse se dar conta, foi puxada para dentro do cômodo. Tranquilizou-se ao perceber que a responsável pelo desvio no percurso era Marina. A fotógrafa fechou rapidamente a porta e olhou para Clara. Estavam na biblioteca da casa de Branca.

– Sua louca, que susto que você me deu. — A morena declarou.

– Desculpa, eu não quis te assustar... — Marina riu. — Mas precisava ficar um pouquinho a sós com você... — A assistente encarou o olhar sedutor da chefe. — Já que você não quer ir embora comigo... — Completou a fotógrafa, fazendo uma carinha de menina abandonada.

– Oh Marina, não fala assim... fico até me sentindo mal... eu queria ir com você, pode ter certeza... mas é difícil pra mim... — Clara falou abaixando a cabeça.

– Eu sei Clarinha... Mas posso te pedir uma última coisa antes de você ir embora?!

Clara acenou afirmativamente com a cabeça.

– Sei que você disse que está cansada, mas... dança comigo?! Só mais uma vez... — Marina olhou para Clara com o olhar mais pedinte possível.

– Bom, você pedindo com essa carinha, não tem como recusar, né?! — Respondeu Clara com um sorriso e um olhar carinhoso. — Só tem um problema. — A morena disse, recebendo da fotógrafa um olhar de interrogação. — Não sei se a senhorita percebeu, mas a música já acabou... — A assistente fez um biquinho.

Marina olhou para Clara e sorriu.

– Não acabou não. — Disse-lhe prontamente, esticando a mão para Clara, que logo retribuiu o gesto da fotógrafa e entrelaçou seus dedos aos dela.

Marina puxou Clara para bem perto de si, ficando com o rosto colado ao dela. Abraçou a cintura da Morena com a mão esquerda. A mão direita, que segurava a esquerda de Clara, trouxe para junto de si. Seus lábios se aproximaram do ouvido da assistente, e ela começou a cantar baixinho:

Some day, when I'm awfully low (Algum dia, quando eu estiver terrivelmente pra baixo)

When the world is cold (Quando o mundo estiver frio)

I will feel a glow just thinking of you (Eu sentirei bem, só de pensar em você)

And the way you look tonight (E como você está essa noite)

Marina afastou o rosto o suficiente para olhar para Clara, que lhe deu um sorriso de cumplicidade. Encantava-lhe ver como a fotógrafa era naturalmente sedutora. Marina voltou a colar seu rosto no da assistente, e com os corpos grudados, começaram a se movimentar ao ritmo da canção imaginária que agora tocava em suas cabeças.

A mão direita de Marina, que até então segurava a mão de Clara junto de seu corpo, agora chegava até as costas da morena. A fotógrafa passou as duas mãos por sob as tiras da blusa da assistente, que se arrepiou ao sentir o toque das mãos da outra em suas costas.

Ao mesmo tempo, Marina levou os lábios até o ombro da morena, e sua boca passou a percorrer toda aquela extensão, deixando Clara ainda mais arrepiada ao sentir a respiração da outra em sua pele.

Os lábios de Marina subiram o pescoço de Clara com pequenos beijos, até chegar novamente a encostar seu rosto no dela. Continuavam dançando coladinhas, suavemente rodopiando pelo espaço central da sala da biblioteca.

Clara sentiu seu corpo aquecer, e aos poucos lhe surgiu um desejo incontrolável de tocar aquela mulher. As mãos de Clara, que estavam na cintura da fotógrafa, subiram para suas costas, e a assistente começou a acariciá-la com desejo. Pela intensidade do toque, Marina pôde sentir como era forte a vontade de Clara.

Ficaram naquele movimento por um período, uma tocando as costas da outra, e, ao mesmo tempo, pressionando seus corpos, sentindo todo o calor e a vibração que emanava do interior até aflorar na pele de cada uma.

Marina dava pequenos beijos na face de Clara, que mantinha seus olhos fechados, apenas sentindo o prazer que aquele gesto lhe proporcionava. Foi a vez da morena aproximar sua boca do ouvido da fotógrafa e sussurrar:

With each word your tenderness grows (A cada palavra, sua ternura cresce)

Tearing my fears apart (Levando meus medos embora)

And that laugh that wrinkles your nose (E aquela risada que enruga seu nariz)

It touches my foolish heart (Toca meu coração bobo)

Após ouvir a assistente cantar esse trecho da música com uma voz doce e rouca em seu ouvido, Marina afastou seu rosto o suficiente para encontrar os olhos de Clara e sorrir, feliz com a cumplicidade da morena. Ambas sentiam a intensidade daquele momento.

Clara tomou a iniciativa do próximo passo da dança e pegou a mão de Marina. Levou-a um pouco acima da cabeça da fotógrafa e fez girar o corpo da outra. Com o rodopio, Marina se afastou um pouco, mas ainda tinha a mão segura por Clara, que a trouxe de volta, girando-a em seus braços, até que a fotógrafa se aproximou da morena novamente, e viu a assistente lhe abraçar pelas costas.

Clara envolveu seus braços em Marina, passando-os pelo abdômen da fotógrafa com um toque suave e sensual ao mesmo tempo. Suas mãos chegaram à base do seio da outra. Ao sentir aquele contato, Marina fechou os olhos e mordeu seu lábio inferior, motivada pelo arrepio que as mãos da assistente agora lhe causavam.

Os braços de Marina ficaram sobre os de Clara, envolvendo-os, como se a fotógrafa quisesse confirmar seu desejo de que eles permanecessem ali. Continuavam se movendo ao som imaginário de "The Way You Look Tonight".

A morena cheirou os cabelos da fotógrafa, presos na bela trança que ela tinha feito naquela noite. Marina sentiu seu corpo latejar quando os lábios da assistente tocaram de forma sutil o lóbulo de sua orelha. Aquele era um ponto fraquíssimo da fotógrafa, e Clara não demoraria a perceber isso. Sentindo seu perfume inebriante, a assistente percorreu a lateral do rosto de Marina, tocando-o de leve com seus lábios, e descendo a seguir para o pescoço da fotógrafa.

Ao sentir o efeito que naquele momento exercia sobre Marina, Clara apertou seu abraço, pressionando ainda mais o corpo da fotógrafa contra o seu. O calor que agora tomava conta delas por inteiro trouxe à tona a vontade que tinham uma da outra. Latejavam.

Marina girou seu corpo e ficou de frente para a morena, ainda envolvida pelos braços de Clara. Olharam-se com todo o desejo que carregavam naquele momento. A fotógrafa envolveu a morena com o braço esquerdo, e levou a mão direita até o rosto da outra, acariciando-o. Ainda fitavam-se e moviam-se ao ritmo da música quando a Marina continuou a cantar baixinho:

Yes you're lovely, never ever change (Sim, você é adorável, nunca, jamais, mude)

Keep that breathless charm (Mantenha esse charme que me tira o folêgo)

Won't you please arrange it? (Você não irá, por favor, arranjar isso?)

'Cause I love you (Pois eu te amo)

Just the way you look tonight (Exatamente como você está essa noite)

Clara sorriu ao ouvir estes versos, pois sabia do sentimento que a fotógrafa colocava ao cantar aquela música, e esta parte em especial.

Pararam de se mover, mas permaneciam abraçadas e com os olhos grudados.

A paixão que sentiam estava no ar e permanecia o forte clima de desejo que a dança tinha aflorado entre elas. Clara olhou os lábios de Marina, e mordeu seus próprios lábios com essa visão. Aproximou-se do rosto da fotógrafa e beijou-lhe demoradamente o canto da boca, da mesma forma que havia sido beijada pela outra um dia no estúdio. O leve toque foi o suficiente para Marina sentir o gosto e a umidade dos lábios de Clara. A fotógrafa sorriu.

Clara queria mais. Até então tinha tentado resistir, e, nas diversas vezes que chegou perto de beijar Marina, havia conseguido se segurar. Mas agora não mais. Sentir o gosto da fotógrafa tornara-se um desejo incontrolável, e seu corpo pedia por isso naquele momento.

Levou suas mãos ao rosto de Marina, envolvendo-a com carinho. Fitaram-se. Clara aproximou seus lábios dos da outra, e sentia a respiração da fotógrafa misturar-se à sua. Fecharam os olhos.

– Clara!!! — A assistente afastou-se rapidamente ao ouvir seu nome.

Virou-se para a porta da biblioteca e lá estava Dona Chica encarando-as.

– Que susto mãe! — Clara desabafou, levando sua mão ao peito.

Marina estava um pouco sem graça. Olhou para o chão e virou-se, afastando-se um pouco da assistente. Chica percebeu o que tinha acabado de interromper, mas tentou agir com naturalidade.

– Minha filha, eu te procurei na casa inteira, no banheiro, até lá na área da piscina. A festa já acabou, só tá a gente aqui. E cá entre nós, hoje eu já tive uma overdose de Branca o suficiente por um ano inteiro, viu?! Vamos pra casa minha filha, já passou da nossa hora.

– Eu sei mãe. Só estava aqui despedindo da Marina. Me dá só um minutinho, por favor?! — Clara pediu para a mãe, fazendo o gesto de 'um minutinho' com a mão.

Chica olhou a filha, olhou para Marina, e voltou-se para Clara novamente.

– Tá bom filha, um minuto. Te espero lá fora, tá?!

Clara acenou que sim com a cabeça.

– Tchau Marina. — Chica falou educadamente.

– Tchau Chica. — A fotógrafa respondeu, ainda um pouco sem graça.

Assim que sua mãe deixou a biblioteca, Clara virou-se para Marina. Olharam-se com carinho, demonstrando cumplicidade e compreensão. Percebiam o que teria acontecido se Chica não tivesse chegado. Mas agora, sem o calor do momento que as envolvia até instantes atrás, sabiam que ainda não era a hora e o lugar. Desejavam-se muito. Essa era a certeza que tinham, depois de tudo que já haviam demonstrado até ali. Mas era preciso esperar.

Clara levou a mão direita ao rosto de Marina e lhe tocou com carinho.

– Eu queria que você soubesse que a única pessoa com quem eu queria voltar pra casa hoje é você. Pode ter certeza Marina. Eu queria muito. — Disse a assistente.

A fotógrafa sorriu. Segurou a mão de Clara que tocava seu rosto e lhe deu um beijo suave.

Despediram-se e a assistente deixou a biblioteca. No caminho de volta, mãe e filha não falaram sobre o que aconteceu na biblioteca da casa de Branca. Chica conhecia e respeitava os sentimentos da filha. Entendia que não havia ninguém melhor do que Clara para decidir sobre sua vida, e por mais que os sentimentos da jovem estivessem confusos, quando chegasse o momento, ela seguiria seu coração.

Notas finais
Cena posterior: Clara conta para Cadu que encontrou Marina e os dois discutem (29/05/2014): http://globotv.globo.com/rede-globo/em-familia/t/cenas/v/clara-conta-para-cadu-que-encontrou-marina-e-os-dois-discutem/3382066/ Pessoal, achei muito difícil tentar descrever a cena da dança, foi desafiante, mas espero que tenha conseguido passar um pouco da ideia para vocês. Minha vontade aqui foi de colocar na festa pelo menos uma dança delas coladinhas, que era o que o spoiler do gshow tinha prometido, mas que não chegou nem perto do que a gente viu na TV. Enfim, foi essa lacuna que tentei preencher, desculpem se não deu muito certo. Até breve! Comentem à vontade! Twitter: @marcellasfr :D Spoilerzinho do próximo capítulo: acho que teremos um certo jantar no meio... Capítulo 7 postado em 30 de outubro de 2014.